A conquista de Damasco pelos Aliados teve lugar entre e , no âmbito do teatro de operações do Médio Oriente da Primeira Guerra Mundial. Como o resto da Síria e Palestina, Damasco era uma cidade do Império Otomano. A tomada da cidade pelos Aliados ocorreu na sequência da batalha de Megido, da conquista de Haifa e da vitória na batalha de Samakh, que abriram caminho para norte desde o mar da Galileia, e do terceiro ataque transjordano, que abriu caminho para Dara (Deraa).

Damasco foi capturada quando o Corpo Montado do Deserto (Desert Mounted Corps) britânico e o exército xarifal do Hejaz do príncipe Faiçal cercaram a cidade, depois de uma perseguição a cavalo em direção a norte ao longo das duas estradas principais para Damasco. Durante essa perseguição, foram atacados e capturados muitos postos de defesa da retaguarda estabelecidos pelo que restava do 4.º, 7.º e 8.º exércitos otomanos. O êxito militar em Damasco foi explorado politicamente por representantes da França, Reino Unido e da Revolta Árabe.

A seguir às vitórias nas batalhas de de Sarom e de Nablus (parte da batalha de Megido), em 25 de setembro, os ataques combinados realizados pelo , e Corpo Montado do Deserto, apoiados por intensos bombardeamentos aéreos, tomaram todos os objetivos. Os 7.º e 8.º exércitos otomanos posicionados nos montes da Judeia foram forçados a parar de combater e a retirar devido aos ataques em Tulcarém e em Tabsor. Isso, por sua vez, obrigou o 4.º Exército, posicionado a leste do rio Jordão, retirasse de Amã, onde decorria o terceiro ataque transjordano, para evitar ser flanqueado, o que não evitou que fosse atacado pela Força de Chaytor (a unidade do general neozelandez Chaytor). Em consequência destas retiradas, os Aliados capturaram numerosos prisioneiros em Jenin, enquanto as colunas sobreviventes retiravam atrás de uma forte retaguarda dos combates de Samakh.

O comandante da Força Expedicionária Egípcia (EEF), o general Edmund Allenby, ordenou ao tenente-general Harry Chauvel, comandante do Corpo Montado do Deserto, que perseguisse o que restava dos três exércitos otomanos e capturasse Damasco. A 4.ª Divisão de Cavalaria iniciou a perseguição, atacando as retaguardas ao longo da estrada interior em Irbide e em (Er Remta) a 26 de setembro. No dia seguinte, o príncipe Faiçal capturou Dara. A Divisão Montada Australiana atacou as retaguardas inimigas ao longo da estrada principal, em Jisr Benat Yakub (Ponte das filhas de Jacó), a 27 de setembro, e ocupou Cuneitra no dia seguinte. A mesma unidade atacou em Sa'sa' nos dias 29 e 30, em Kaukab no dia 30 e no desfiladeiro de Barada no mesmo dia. Ainda no dia 30, a 5.ª Divisão de Cavalaria atacou uma retaguarda em em Kiswe (al-Kiswa). Na sequência destes ataques e avanços vitoriosos, foi ordenado à 3.ª Brigada de Cavalaria Ligeira que marchasse para norte de Damasco, passando pela cidade na manhã de 1 de outubro e continuando a atacar as colunas em retirada, cortando a estrada para Homs.

Contexto thumb|308px|Detalhe do mapa 23 do historiador militar Cyril Falls  com os avanços da cavalaria britânica entre 19 e 25 de setembro de 1918. Mostra o avanço da 5.ª Divisão para Nazaré, da 4.ª Divisão para Afula e Beisan, da Divisão Montada Australiana para , da 3.ª Brigada de Cavalaria Ligeira para Jenin, da 19.ª de Lanceiros para Jisr el Mejamie e da 4.ª Brigada de Cavalaria Ligeira para Samakh. São também mostradas as três principais linhas de retirada do 7.º Exército otomano e do Corpo da Ásia (Asien-Korps), que cruzavam o rio Jordão em direção a leste

thumb|308px|Mapa 43 de Henry Gullett  das áreas do mar Morto, Jericó, Samakh e a Estrada dos Peregrinos de Ziza até Dara, com a 4.ª Brigada de Cavalaria Ligeira em Samakh, colunas otomanas em retirada, o quartel-geral do 4.º Exército otomano em Dara e a Força de Chaytor em Amã a 25 de setembro

Após tomarem todos os objetivos durante as batalhas de Sarom e de Nablus, quebrando a linha da frente otomana, as tropas do Império Britânico prosseguiram com ataques de flanco com divisões de infantaria, ao mesmo tempo que divisões de cavalaria cavalgaram muitos quilómetros para rodear as forças inimigas. Isso resultou na destruição de dois exércitos otomanos a oeste do rio Jordão e na retirada total de um terço dos soldados otomanos, muitos dos quais foram obrigados a marchar depois do exército xarifal ter cortado o caminho de ferro do Hejaz. Metade das tropas otomanas foram capturadas pela Força de Chaytor. O Grupo de Exércitos Yıldırım (o grupo de exércitos que reunia o conjunto das forças otomanas e germânicas), também perdeu a maior parte dos seus transportes e armas, uma situação que foi agravada com os avanços subsequentes da Força Expedicionária Egípcia.

A 22 de setembro, em , antes de Haifa e aquilo que os registos militares designam como "um novo local de desembarque para abastecimentos" terem sido capturados, quando o 4.º Exército otomano ainda detinha Amã e a retaguarda inimiga ainda estava posicionada em Samakh, Allenby partilhou resumidamente "pela primeira vez" a Chauvel os seus planos para um avanço para Damasco. A 26 de setembro as forças britânicas detinham o controlo de todo o território capturado até uma linha que se estendia desde , no rio Jordão, até , na costa do Mediterrâneo, onde também estabeleceram linhas de abastecimento. Nesse mesmo dia, destacamentos do corpos XX e XXI e do Corpo Montado do Deserto tinham-se deslocado para norte para cumprirem tarefas de guarnição na planície de Esdrelão, em Nazaré e em Samakh, tendo sido postos transportes à sua disposição.

Movimentações de Liman von Sanders O comandante alemão das forças otomano-germânicas, Otto Liman von Sanders, esteve incontactável quase todo o dia 20 de setembro, desde a sua retirada apressada de Nazaré nas primeiras horas da manhã até ao fim da tarde. Entretanto, o 4.º Exército otomano, ainda sem ordens, manteve-se firme. Liman continuou a sua viagem por Tiberíades e Samakh, onde ordenou que se formasse uma retaguarda no fim da tarde. Chegou a Dara (Deraa) na manhã de 21 de setembro, a caminho de Damasco. Ali ordenou que se estabelecesse uma linha entre Irbide e Dara e recebeu um relatório do 4.º Exército, ao qual ordenou que retirasse sem esperar pela chegada das tropas vindas do sul do Hejaz por comboio, para que reforçassem a nova linha defensiva.

Liman von Sanders tinha achado que Dara estava "razoavelmente segura" devido às ações do seu comandante, o major Willmer, que ele tinha colocado temporariamente no comando da nova linha da frente de Dara a Samakh. Enquanto esteve em Dara durante o princípio da noite do dia 21, von Sanders encontrou-se com líderes de vários milhares de drusos, que concordaram em manter-se neutros. O general alemão chegou a Damasco no fim do dia 23 de setembro, quando o seu staff já lá se encontrava. Ali ordenou que o 2.º Exército, que estava estacionado no norte da Síria, avançasse para a defesa de Damasco. Dois dias depois, a 25 de setembro, Liman von Sanders enviou o seu staff para Alepo.

Movimentações do Grupo de Exércitos Yıldırım Os cerca de seis ou sete mil soldados alemães e otomanos que restavam do 4.º, 7.º e 8.º exércitos tinham conseguido retirar para Damasco via Tiberíades ou Dara antes destes locais terem sido capturados nos dias 25 e 26 de setembro, respetivamente, e encontravam-se em ou a norte desta cidade.

A 26 de setembro, o coronel Gustav von Oppen, comandante do Corpo da Ásia (Asien-Korps; anteriormente parte do 8.º Exército), chegou a Dara com 700 homens, que incluíam a 205.ª Companhia de Pioneiros. Liman von Sanders ordenou a von Oppen que retirasse de comboio e o Asien-Korps deixou Dara às 05:30 do dia 27, algumas horas antes das tropas irregulares xarifais tomarem a cidade. O comboio de von Oppen foi atrasado nove horas por uma interrupção na linha com 460 metros de comprimento, 48 quilómetros a norte de Dara, tendo chegado a Damasco na manhã do dia 28. Foi então ordenado ao Asien-Korps que continuasse de comboio para , algumas dezenas de quilómetros a noroeste de Damasco, onde deveria reforçar a linha defensiva.

Planos e preparações de Allenby thumb|left|upright=0.6|O general Edmund Allenby, comandante geral aliado da frente do Médio Oriente em 1918

Depois da sua primeira reunião com Chauvel em Lajjun a 22 de setembro, onde se discutiu a perseguição proposta, Allenby escreveu a Henry Wilson, Chefe de Estado-Maior do Exército Britânico (Chief of the Imperial General Staff), pressionando-o para avançar sobre Alepo — «Estou firmemente convicto que a única medida eficaz é avançar por etapas como no passado, a não ser que o Gabinete de Guerra esteja preparado para empreender uma operação naval e terrestre em larga escala em Alexandretta e a abastecer por mar as forças militares nela empregues.»

Allenby descreveu resumidamente o seu plano para avançar sobre Damasco a Wilson no dia 25 de setembro. Nesse mesmo dia houve uma conferência em Jenin com o pessoal do estado-maior e do Corpo Montado do Deserto, a que se seguiu no dia seguinte uma reunião dos comandantes de unidade presidida por Allenby. A primeira fase do plano "Damasco-Beirute" deveria começar brevemente. Enquanto uma Divisão de infantaria marchava a partir de Haifa para norte pela costa até Beirute, três divisões do Corpo Montado do Deserto avançariam para Damasco. A quarta divisão, que tinha , deveria manter-se lá para capturar as unidades do 4.º Exército otomano que estavam a retirar de Ma'an (218 quilómetros a sul de Amã). Segundo o plano de Allenby, a Força de Chaytor voltaria a juntar-se ao Corpo Montado do Deserto em Damasco. No dia 27 foram dadas ordens para avançar.

A 7.ª (Meerut) Divisão do Exército da Índia Britânica só saiu de Haifa no dia em que Damasco foi tomada, a 1 de outubro. As tropas da vanguarda britânica chegaram a Beirute no dia 8 de outubro.

thumb|upright=0.6|O major-general Henry W. Hodgson, comandante da Divisão Montada Australiana

A Divisão Montada Australiana, comandada pelo major-general Henry W. Hodgson, avançou para Damasco, a 140 quilómetros de distância, seguida pela 5.ª Divisão de Cavalaria do major-general H. J. Macandrew. Seguiram ao longo da margem ocidental do mar da Galileia e à volta dele na sua extremidade norte, atravessaram o rio Jordão a sul do lago de Hula, daí para Cuneitra, atravessaram o planalto de Hauran e daí dirigiram-se para Damasco.

A 4.ª Divisão de Cavalaria indiana do major-general George de S. Barrow cavalgou para norte a partir de Bete-Seã (Beisan), atravessou o Jordão em Jisr el Mejamie, antes de avançar para leste via Irbide para Dara, com o objetivo de capturar o que restava do 4.º Exército otomano em retirada. Se fracassassem nesse objetivo, deveriam continuar a perseguição para norte ao longo da antiga Estrada dos Peregrinos e da linha ferroviária do Hejaz até Damasco, a 230 quilómetros de distância.

A 3.ª (Lahore) e 5.ª (Meerut) divisões de infantaria, do Corpo XXI, foram guarnecer Haifa, Nazaré e Samakh. O 2.º Batalhão do Regimento de Leicestershire e a 28.ª Brigada da 7.ª (Meerut) Divisão foram transportadas em camiões para Haifa com provisões para seis dias, para render a 5.ª Divisão de Cavalaria na manhã de 25 de setembro. A 21.ª Brigada da 7.ª (Meerut) Divisão marchou ao longo da costa, chegando a Haifa no dia 27. A 3.ª (Lahore) Divisão marchou para norte em direção a Jenin e seguidamente para Nazaré, onde deixaram um batalhão antes de continuarem para guarnecer Samakh no dia 28.

Perseguições Captura de Dara thumb|308px|Detalhe do mapa 38 de Falls  com os raides árabes ao caminho de ferro do Hejaz entre 17 de 27 de setembro na região de Dara