António de Oliveira Monteiro (Alcafozes, Idanha-a-Nova, 2 de Janeiro de 1842 — Cascais, Estoril, 6 de Julho de 1903), também conhecido como Dr. Oliveira Monteiro ou Conselheiro Oliveira Monteiro, foi um Médico e Político Português, membro e Chefe do Partido Progressista do Porto, Conselheiro e Par do Reino.
Para além de Médico e Lente da Escola Medico-Cirúrgica do PortoDocentes e Estudantes da Escola Médico-Cirurgica do Porto, foi deputado pelo círculo do Porto, Presidente da Mesa da Assembleia-geral do Banco Comercial do PortoAntigo Banco Comercial do Porto, criado em 1825 no Porto, hoje extinto - Tinha sede na Praça do Infante D. Henrique, no edíficio onde hoje está hoje o Instituto do Vinho do Porto., Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Vereador, Vice-presidente e Presidente da Câmara Municipal do PortoLista de presidentes da Câmara Municipal do Porto e Governador Civil do Porto.
Cargos Exercidos 1870 - Demonstrador da Secção médica da Escola Médico-Cirúrgica do Porto; 1872 - Lente proprietário da Escola Médico-Cirúrgica do Porto (Medicina Interna); 1886 - Vereador da Câmara Municipal do Porto com o Pelouro da Instrução Pública; 1887 - Vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, acumulando o cargo de Vereador com o Pelouro dos Incêndios (triénio 1887-1890); 1887 - Par do Reino; 1887 - Assume o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Porto; 1890 - Presidente da Câmara Municipal do Porto para o triénio 1890-1892; 1890 - Par do Reino; 1893 - Par do Reino; 1894 - Deputado pelo Círculo do Porto 1895 - Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto; 1896 - Vereador da Câmara Municipal do Porto com o Pelouro dos Incêndios; 1897 - Governador Civil do Porto; 1898 a 1903 - Par do Reino;
Biografia O Dr. António de Oliveira Monteiro nasceu em Alcafozes, uma Vila do Concelho de Idanha-a-Nova. Era filho do Dr. Sebastião de Oliveira Monteiro, Cirurgião-Mor do Exército, combatente da causa liberal que esteve preso no Forte de São Julião da Barra e na Praça de Almeida e de D.ª Maria Emília de Almeida Robalo d'Azevedo, natural da Aldeia de João Pires.
Estudou Matemática e Medicina na Faculdade de Ciências e na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e logo após a conclusão dos estudos é indicado para desempenhar funções na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Quando Chega ao Porto, em 1870, o Dr. Oliveira Monteiro, conta 28 anos de idade, solteiro e instala-se numa casa na Rua do Almada.
Embora não sendo natural do Porto, a sua actividade profissional faria com que se radicasse definitivamente na cidade do Porto, para além de que se enamorou por Maria Lopes das Neves Graça, filha de José Gaspar da GraçaCASTELO-BRANCO, Camilo: A Corja. 1. ed. PORTO: Chardron de Lello & Irmão,1880. Sentimentalismo Cap. XIII., capitalista, abastado comerciante e grande proprietário na cidade do PortoPalácio de São Bento da Vitóriahttps://arquivo.cm-gaia.pt/Result.aspx?id=78682&type=PCDhttps://bibliotecacasadoinfante.cm-porto.pt/sh_tripeiro/online/trip/t19689.pdf. Pag. 309https://www.museumedeirosealmeida.pt/pecas/natureza-morta-1644-1721/https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/87476/1/Percurso%20hist%C3%B3rico%20do%20c%C3%B3dice%20quinhentista.pdf. Pags. 702 e 703 https://ia801800.us.archive.org/8/items/historiadasorden02branuoft/historiadasorden02branuoft.pdf. Pag. 21https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Getty_Research_Institute_%28IA_gri_33125005925231%29.pdf. Pag.82, proprietário e morador no Largo de São Domingos N.º 80https://etcetaljornal.pt/j/2021/02/poesia-no-elevador/, um dos maiores acionistas do Banco de Portugal, Irmão da Ordem de São Francisco e da Santa Casa da Misericórdia do Porto, amigo pessoal e testamenteiro do Conde de Ferreira. Foi particularmente difícil estabelecer o compromisso, devido ao temperamento do pai de Maria da Graça que mantinha as filhas longe de pretendentes. Apesar disso e tornando-se o Dr. Oliveira Monteiro em um médico reconhecido e mostrando ser cada vez mais uma figura proeminente da cidade, acabou por casar com D.ª Maria Lopes das Neves Graça no dia 21 de Março de 1872, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Deste casamento o Dr. Oliveira Monteiro teve quatro filhos:
Matheus da Graça Oliveira Monteiro: natural do Porto, nascido em 9 de Maio de 1874 e falecido em 3 de março de 1933. Advogado, Notário na cidade do Porto, director da Revista "O Tripeiro"; Manuel da Graça Oliveira Monteiro: Capitalista, radicado em Lisboa; Joaquim da Graça Oliveira Monteiro; Maria Adelaide da Graça Oliveira Monteiro de Barros Gomes: nascida no dia 17 de Outubro de 1879, na Freguesia da Sé do Porto. Casou com o Dr. António Pessoa de Barros Gomes, advogado, filho do seu amigo e colega do Partido Progressista Henrique de Barros Gomes. alt=Praça da República N.º 57, Cedofeita, Porto - Portugal|miniaturadaimagem|347x347px|Palacete do Il.mo Conselheiro Oliveira Monteiro (demolido). Após o casamento, apesar das suas deslocações a Lisboa, nomeadamente para tomar assento na Câmara dos Pares, o Il.mo Conselheiro Oliveira Monteiro sempre habitou na Cidade do Porto 1872 a 1881, na Rua da Cordoaria Velha (actual Rua Francisco da Rocha Soares N.º 65, junto do Antigo Clube dos Ingleses); 1881 a 1899, na Rua do Triunfo (actual Rua D. Manuel II); 1899 a 1903, na Praça da Regeneração N.º 57 (actual Praça da República).
A sua carreira profissional como médico e Lente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, assim como a sua carreira política valeram-lhe os mais rasgados elogios e homenagens, como a do Dr. Manuel MonterrosoO Tripeiro. Tripeiros de Ontem - O Dr. Oliveira Monteiro, série V, Ano III, ou mesmo durante as várias eleições para a Câmara dos deputados noticiadas e caricaturadas, como em "O Charivari"Biblioteca Nacional: Materiais para a história eleitoral e parlamentar portuguesa - Eleições - Monarquia Constitucional - Iconografia - Caricaturas - 1890. Alfredo Maia: O Charivari - Revista Ilustrada para além de todos os jornais e periódicos da época. A notícia da sua morte e as descrições pormenorizadas das suas exéquias fúnebres em todos os periódicos da época denotam uma forma de tratamento cerimonioso que se dá a pessoas de certa consideração.
O Conselheiro António de Oliveira Monteiro, faleceu no dia 6 de Julho de 1903, no seu quarto no Grande Hotel Monte Estoril, onde se tinha hospedado com o objectivo de se restabelecer dos dias em que esteve em Lisboa no desempenho das suas funções na Câmara dos Pares do Reino. Encontra-se sepultado no jazigo da Família Barros-Gomes, jazigo 74, Rua 27, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
Médico Escola Médico-Cirúrgica do Porto alt=|327x327px|Retrato do Dr. António de Oliveira Monteiro no Museu da História da Medicina Maximiliano Lemos|miniaturadaimagem
O Doutor António Oliveira Monteiro, doutorou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, em 1869, com distinção. Reconhecida a sua alta competência foi nomeado demonstrador da Secção Médica da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, por decreto de 18 de Janeiro de 1870, tomando posse no dia 11 de Março de 1870.
Em 1872 foi promovido a Lente proprietário da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, por despacho de 11 de Setembro de 1872, tomando posse no dia 15 do mesmo mês e permaneceu como Lente até 1903.
Em 1886, foi elevado ao pariato, por eleição do Colégio Científico e em 1899, após ter completado 20 anos de bom e efectivo serviço foi agraciado com o "augmento do terço".
Postos Médicos da Cidade do Porto
Para além da reconhecida, prestigiada e notável carreira de docência na Escola Médico-Cirúrgica do Porto que se prolongaria ao longo da vida, o Doutor António de Oliveira Monteiro, foi um dos fundadores dos Postos Médicos da Cidade do Porto, responsáveis pelo grandioso melhoramento nos cuidados de saúde prestados e pela grande eficácia no atendimento á população.
O Político
Apesar da sua carreira como médico e Lente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, foi na política que o Dr. António de Oliveira Monteiro mais se notabilizou. Filiado no Partido Progressista e membro da comissão executiva do partido no Porto, teve um papel destacado na política portuense, nomeadamente nos períodos eleitorais de 1892 e 1897. Era próximo do influente Correia de Barros, com o qual viria a incompatibilizar-se nos anos de 1892 e 1893.
Câmara Municipal do Porto
Pelouro da Instrução Pública
A carreira autárquica do Dr. António de Oliveira Monteiro inicia-se em 1886, quando é eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, com o Pelouro da Instrução Pública, ao qual deu grande impulso, introduzindo importantíssimos melhoramentos.
No triénio seguinte, 1887-1889, é eleito pelo Partido Progressista como vereador da Câmara Municipal do Porto, desta vez com o Pelouro dos Incêndios e eleito pelos colegas para o cargo de Vice-presidente.
Pelouro dos Incêndios alt=|423x423px|Gravura do Conselheiro António de Oliveira Monteiro (1889), in O Charivari - Jornal Humorístico Ilustrado do Porto (1886 - 1895).|miniaturadaimagem
Enquanto vereador da edilidade portuense com o pelouro dos Incêndios, desenvolveu estreita e frutuosa colaboração com Guilherme Gomes Fernandes. A nova organização do serviço de incêndios e os melhoramentos introduzidos no corpo de bombeiros foi de facto uma obra meritória e de incalculável benefício para a cidade do Porto, colocando Portugal ao nível dos países mais evoluídos da Europa nesta matéria, quer em meios, quer em formação prestada á corporação. Guilherme Gomes Fernandes, director dos Bombeiros Portuenses, no seu relatório de 1892 teceu-lhe rasgados elogios, com a vereação de António de Oliveira Monteiro teve a oportunidade que tanto ansiava e imaginava para à frente dos Bombeiros Portuenses prestar serviços de qualidade e eficácia à população e à cidade do Porto e em homenagem e agradecimento mandou colocar no seu gabinete, o retrato do ilustre vereador e vice-presidente da Câmara, António de Oliveira Monteiro, reconhecendo o trabalho e o empenho que este dispensou no sentido de corresponder à confiança dos portuenses e de velar pelo seu bem estar e segurança.
Por ser continuador da reforma da corporação, iniciada em 1879 pelo Sr. Conselheiro Correia de Barros e pelo importante desempenho das suas funções na vereação, a edição da Revista "O Bombeiro Português"Revista: O Bombeiro Português. N.º 12, Ano VIII - 30 de Novembro de 1888. prestou-lhe uma homenagem, na qual salientam não se tratar de uma "cortesia e muito menos uma lisonja banal, infundada e sem significação; nem tão pouco visa captar a simpatia e amizade desse cavalheiro"; mas devido aos "relevantíssimos" serviços prestados no Pelouro dos Incêndios, a quem o Município do Porto ficou a dever na reforma deste serviço de Bombeiros, no engrandecimento de uma classe até então maniatada por falta de recursos.
Durante a tragédia do incêndio do Teatro Baquet, em 1888, participou na campanha de solidariedade a favor das vitimas.
No triénio de 1896-1898, foi uma vez mais eleito vereador, na celebre eleição por círculos, ocupando-se uma vez mais do Pelouro dos Incêndios.
Presidência da Câmara Municipal do Porto alt=|304x304px|Retrato do Conselheiro António de Oliveira Monteiro na Sala das Sessões da Câmara Municipal do Porto|miniaturadaimagem
A Presidência da Câmara Municipal do Porto seria atribuída no dia 8 de Setembro de 1887, por falecimento do então Presidente, o Dr. José Frutuoso Aires Gouveia Osório. O Doutor António de Oliveira Monteiro passou a acumular com o Pelouro dos Incêndios, o comando do Município, o que realizou com reconhecida competência, tendo sido reeleito presidente para o triénio 1890-1892.