A eleição municipal de Salvador ocorreu em 2 de outubro de 2016 no conjunto das eleições municipais no Brasil do mesmo ano. Na oportunidade, foram eleitos um prefeito, um vice-prefeito e 43 vereadores para a administração do Município de Salvador. À época, o prefeito titular era ACM Neto, do Democratas (DEM), que concorreu à reeleição e venceu a disputa contra outros seis postulantes ao cargo ainda no primeiro turno. Como vice-prefeito, da mesma chapa, foi eleito Bruno Reis, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). A renovação da Câmara dos Vereadores ocorreu em 17 vagas, enquanto nas demais 26 foram ocupadas por postulantes integrantes da 17.ª legislação, em vigor no momento do pleito. O DEM, partido do prefeito titular reeleito, foi o que mais conquistou vagas: seis vereadores.
Pelo calendário eleitoral do ano, as convenções partidárias para a escolha dos candidatos ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto. A propaganda eleitoral gratuita teve início em 26 de agosto e término em 29 de setembro. A campanha majoritária foi concluída no primeiro turno, uma vez que o mais votado, ACM Neto, recebeu 73,99% dos votos válidos, dispensando o segundo turno previsto pela lei eleitoral em vigor para municípios com mais de 200 mil eleitores e sem candidato que tenha atingido os 50%+1 dos votos válidos.
No decorrer do ano de 2015, o Congresso Nacional aprovou uma reforma política, que fez consideráveis alterações na legislação eleitoral. O período oficial das campanhas eleitorais foi reduzido para 45 dias, com início em 16 de agosto, o que configurou em uma diminuição pela metade do tempo vigente até 2012. O horário político também foi reduzido, passando de 45 para 35 dias, com início em 26 de agosto. Em decisão do Supremo Tribunal Federal sobre inconstitucionalidade, as empresas passaram a ser proibidas de financiarem campanhas, o que só poderá ser feito por pessoas físicas. A Constituição Nacional estabeleceu uma série de requisitos para os candidatos a cargos públicos eletivos. Entre eles está a idade mínima de 21 anos para candidatos ao Executivo e 18 anos ao Legislativo, nacionalidade brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, pelo menos um ano de domicílio eleitoral na cidade onde pretende candidatar-se, alfabetização e filiação partidária até o dia 2 de abril de 2016 (seis meses antes da votação).
Eleição majoritária Candidaturas do primeiro turno Para a eleição do chefe do executivo soteropolitano destacaram-se as movimentações do Democratas (DEM) e do Partido dos Trabalhadores (PT), respectivamente, partidos do então prefeito e governador. O prefeito iniciou a campanha como favorito devido a resultados altamente positivos obtidos em pesquisas eleitorais e de avaliação de sua gestão, que apontariam uma possível vitória já em primeiro turno, apesar dos desgastes comuns à candidatos à reeleição e da citação de seu nome em listas de destinatários de recursos das empreiteiras Odebrecht (atual Novonor) e a Camargo Correa investigadas em operações da Polícia Federal. Essas duas personalidades polarizaram a campanha, então avaliada como preparação para 2018 e cujo resultado poderia significar a volta do Carlismo ao Palácio de Ondina, embora a intenção de se candidatar em 2018 para o executivo estadual tenha sido rechaçada publicamente pelo membro do DEM. As críticas à gestão com término em 2016 se referiam principalmente à administração voltada aos interesses da elite e classe média soteropolitanas, em vista dos gastos direcionados a áreas nobres e turísticas da capital, e à base de comparação feita com o antecessor João Henrique Carneiro, que concluiu o mandato com péssima avaliação, o que levaria a nivelamento por baixo.
Dentre os outros partidos, inicialmente as maiores incógnitas eram o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). O primeiro poderia ou não apoiar a candidatura de ACM Neto, repetindo o feito das eleições de 2014, em que apoiou a candidatura de Paulo Souto pelo DEM. Já o PSB, que lançou a candidatura própria da senadora Lídice da Mata ao governo do estado em 2014, poderia repetir o feito com a candidatura da senadora à prefeitura ou seguir com o alinhamento ao PT como se posicionou desde o fim das eleições de 2014. Fora isso, foi elaborada estratégia de estímulo à pulverização de votos no primeiro turno para levar a disputa ao segundo turno, favorecendo candidatos do governador Rui Costa. Estavam incluídas nesta estratégia as candidaturas de Alice Portugal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), de Pastor Sargento Isidório pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e de Cláudio Silva pelo Partido Progressista (PP), todos de partidos integrantes da base de apoio do governador. Em relação aos demais partidos, houve as candidaturas de Fábio Nogueira pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de Rogério Da Luz pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) e de Célia Sacramento pelo Partido Pátria Livre (PPL), que lançou-se insatisfeita com ACM Neto tê-la preterido na composição da chapa de reeleição.
O maior tempo de propaganda pertenceu ao candidato à reeleição e o segundo maior, à principal candidata do governador; entretanto, se somadas às outras duas candidaturas da base do governo estadual, superava o tempo do então prefeito. Dentre os titulares, ACM Neto foi também o candidato que declarou possuir a maior riqueza e Fábio Nogueira não declarou bens; já entre os vices, a maior riqueza declarada foi de Maria del Carmen. Fato que se repete nesta eleição, comparando com a anterior de 2012, foi o uso da negritude para angariar votos. Se na eleição passada, os candidatos dos maiores partidos tiveram ao seu lado na chapa como vice políticos negros, nesta apenas um dos candidatos, dentre titulares e vices, não autodeclarou ser pardo ou preto, gerando questionamentos sobre tentativa de fraude e a ideia de miscigenação brasileira. Pouco tempo depois, as candidatas da coligação "Sim para Salvador" solicitaram e conseguiram a modificação de suas autodeclarações raciais para brancas.
Embora sejam partidos devidamente registrados no TSE, não foram encontradas informações sobre posicionamento oficial do Partido da Causa Operária (PCO), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Partido Novo (NOVO) em relação à disputa.
N.ºCandidato(a) a prefeitoCandidato(a) a vice-prefeitoColigaçãoDuração da propaganda eleitoral 25100pxACM Neto (DEM)Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto126x126pxBruno Reis (PMDB)Bruno Soares Reis"Orgulho de Salvador" Democratas (DEM) Partido da Mulher Brasileira (PMB) Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) Partido Ecológico Nacional (PEN) Partido Humanista da Solidariedade (PHS) Partido Popular Socialista (PPS) Partido Republicano Brasileiro (PRB) Partido Social Cristão (PSC) Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) Partido Social Democrata Cristão (PSDC) Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Partido Trabalhista Cristão (PTC) Partido Verde (PV) Solidariedade (SD) 4min01s65121x121pxAlice Portugal (PCdoB)Alice Mazzuco Portugal152x152pxMaria Del Carmen (PT)Maria Del Carmen Fidalgo Sanchez Puga"Sim para Salvador" Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Partido dos Trabalhadores (PT) Partido Social Democrático (PSD) Partido Socialista Brasileiro (PSB) Partido Trabalhista Nacional (PTN) 2min59s54135x135pxCélia Sacramento (PPL)Célia Oliveira de Jesus Sacramento139x139pxRivanda Mendonça (PPL)Rivanda Santos MendonçaPartido não coligado Partido Pátria Livre (PPL) 0min08s11139x139pxCláudio Silva (PP)Cláudio Souza da Silva139x139pxDinamene Meireles (PP)Dinamene Miria Figueiredo Nunes Meireles"Salvador merece mais" Partido da República (PR) Partido Progressista (PP) 1min31s28100pxDa Luz (PRTB)Rogério Tadeu da Luz139x139pxAntônio Neto (PRTB)Antônio Gomes de Andrade NetoPartido não coligado Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) 0min09s50139x139pxFábio Nogueira (PSOL)Fabio Nogueira de Oliveira100pxIuri Alves (REDE)Iuri de Jesus Alves"Agora é com a gente" Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Rede Sustentabilidade (REDE) 0min18s12100pxPastor Sargento Isidório (PDT)Manoel Isidóro Santana Junior100pxBassuma (PROS)Luiz Carlos Bassuma"Agora é a vez do povo" Partido da Mobilização Nacional (PMN) Partido Democrático Trabalhista (PDT) Partido Social Liberal (PSL) Partido Republicano Progressista (PRP) Partido Republicano da Ordem Social (PROS) 0min50s
ACM Neto (DEM) Sobre o Democratas, apesar de não haver por parte do prefeito ACM Neto nenhuma declaração que disputaria a reeleição, as pesquisas anteriores à campanha mostravam aprovação recorde de 82% da população soteropolitana e indicavam ampla vitória em primeiro turno pelo então prefeito. A maior disputa, portanto, foi pela escolha do candidato a vice-prefeito na chapa. Dentre os postulantes se destacavam titulares de seu gabinete municipal, no entanto houve outros que cresceram com o fortalecimento do DEM (em virtude da vitória de Rodrigo Maia a presidente da Câmara dos Deputados). Os postulantes a vice foram Bruno Reis do PMDB, Luiz Carreira do PV, João Roma do PRB, Sílvio Pinheiro do SD, Guilherme Bellintani no DEM e Paulo Câmara do PSDB. Por fim, anunciado na convenção do dia 5 de agosto, Bruno Reis foi o escolhido para compor ao lado de ACM Neto a chapa situacionista de reeleição apoiada por coligação de 15 partidos políticos. O nome escolhido para a coligação dos 14 partidos foi "Orgulho de Salvador", explicitando a estratégia de mostrar que resgatou o "orgulho" dos soteropolitanos em contraposição ao estado deixado pela gestão de seu antecessor, João Henrique Carneiro. Para desfazer a associação de sua imagem com a camada mais rica da cidade, a campanha eleitoral utilizou o mote “o prefeito da gente” e uma canção publicitária que traz o verso "o gueto e a favela colam com ele [ACM Neto]".
Alice Portugal (PCdoB) O Partido dos Trabalhadores nunca elegeu um candidato filiado ao partido, mas a vitória do governador Rui Costa nas eleições em 2014 na capital acendeu uma esperança para o grupo petista. Entretanto, de início, não houve nome majoritariamente favorito. Somou-se a isso o cenário de alta popularidade do então prefeito ACM Neto. Esse cenário implicou a estratégia de pulverizar os votos com vários candidatos e levar as eleições ao segundo turno, por isso o governador Rui Costa apoiou também as pré-candidaturas da deputada federal Alice Portugal (PCdoB) e do deputado estadual Sargento Isidório (PDT), além do candidato do PT. Disputavam na ala petista três pré-candidatos: o vereador Gilmar Santiago, o deputado federal Valmir Assunção e o ministro da Cultura Juca Ferreira. Mais tarde, em articulação atribuída ao deputado federal Daniel Almeida (PCdoB), PT, PCdoB, PSB, PSD e PTN se voltaram em torno do nome de Alice Portugal. Assim, mudou-se a estratégia para a concentração de lançamento de candidatos da oposição municipal a ACM Neto após desistências de Lídice da Mata em candidatar-se e do PT em lançar candidato próprio. Ao fim, a coligação foi registrada sob o nome "Sim para Salvador".