thumb|upright=1.05|Dinar de ouro de Alboácem Ali
Abu Alfadle Jafar ibne Alfadle ibne Alfurate (Abu'l-Fadl Ja'far ibn al-Fadl ibn al-Furat; - ) foi um membro da burocrática dinastia Banu Alfurate, que serviu como vizir do Reino Iquíxida do Egito de 946 até o fim da dinastia reinante, em 969, e continuou servindo ao Califado Fatímida desde então.
Biografia
Jafar nasceu em 921, herdeiro de uma dinastia burocrática, os Banu Alfurate, cujos membros ocupavam altos cargos na administração fiscal de Baguedade desde o reinado do califa abássida Almutadide e haviam ascendido até constituir uma das duas principais facções da elite administrativa abássida nas primeiras décadas do . Seu pai, Alfadle (m. 938), ocupou diversos cargos nos ministérios fiscais do Califado Abássida e serviu como vizir durante alguns meses em 932 e 937, antes de retirar-se para o Egito, governado desde 935 por Maomé ibne Tugueje. Ali, Jafar tornou-se vizir em 946, sucedendo ao antigo rival de seu pai, Abu Becre Maomé. Jafar permaneceu no cargo ininterruptamente sob os emires iquíxidas Unujur e Ali , bem como sob Cafur, que, após exercer por muito tempo o poder por trás do trono, tornou-se emir por direito próprio .
Após a morte de Cafur em 968, Jafar permaneceu no cargo, mas passou a enfrentar uma situação crítica. A sucessão coube ao filho ainda criança de Ali, Amade, e Jafar, em aliança com o gulam Xamul, comandante do exército, parecia determinado a assegurar a regência sobre o jovem governante. Jafar conseguiu neutralizar seu potencial rival Iacube, prendendo-o e levando-o posteriormente a fugir para a corte fatímida, mas sua própria posição permanecia instável: carecia de uma base de poder fora da burocracia; agentes fatímidas fomentavam distúrbios entre os beduínos; o exército estava dividido em facções mutuamente hostis — os iquixiditas (Ikhshidiyya), recrutados por Maomé ibne Tugueje, os cafuritas (Kafuriyya), recrutados por Cafur, e os Sacaliba ou Rume, soldados-escravos europeus ou bizantinos —; e o tesouro encontrava-se vazio em consequência de uma série de baixas cheias do rio Nilo, que provocaram graves crises de fome.
upright=0.7|esquerda|thumb|Dinar do califa fatímida Almuiz Lidim Alá
Por fim, tropas amotinadas saquearam seu palácio, obrigando Jafar a esconder-se. No outono de 968, foi preso por ordem de Haçane, tio e potencial regente do jovem emir. No início de 969, contudo, quando Haçane partiu para a província da Palestina, Jafar foi libertado e nomeado governador do Egito. Nessa função, supervisionou as negociações com o general fatímida durante a conquista do Egito, mais tarde naquele mesmo ano.
Jafar permaneceu no cargo por algum tempo sob o governo de Jauar, mas foi posteriormente demitido pelo califa fatímida Almuiz Lidim Alá em favor de seu rival Iacube. Após a morte de Iacube, em 991, o vizirado foi novamente oferecido a Jafar, mas ele renunciou ao cargo depois de alguns meses. Morreu em 1001. Segundo o historiador do vizirado Dominique Sourdel, Jafar deixou a reputação de generoso patrono de poetas e estudiosos, mas também de excêntrico, tendo mantido uma coleção de cobras e escorpiões que aterrorizava seus vizinhos. Seu filho Abu Alabás foi nomeado vizir pelo califa fatímida Aláqueme Bianre Alá em 1014/1015, mas foi executado poucos dias depois.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século X Categoria:Vizires do Califado Fatímida Categoria:Oficiais do Reino Iquíxida Categoria:Banu Alfurate