Ainda que Portugal seja dos países com menor número de espécies perigosas, existem na fauna e flora presentes no território nacional espécies que oferecem perigo para o ser humano.
Em geral os animais existentes em Portugal não são agressivos e as suas mordeduras e picadas são meramente defensivas. As consequências destes ataques são geralmente benignas, podendo, contudo, ser de maior gravidade no caso de hipersensibilidade (alergia) ou especial vulnerabilidade (crianças, idosos ou doentes crónicos). Perigosidade Estas listas incluem qualquer espécie animal, vegetal ou fungo existente em Portugal que possa causar perigo para a vida ou saúde dos seres humanos. São ainda incluídas, em secção própria, as espécies vectoras, que embora maioritariamente não sejam perigosas por si mesmas, são potenciais transmissoras de doenças perigosas para os seres humanos.
No final são listadas algumas espécies inofensivas ou não vectoras que erroneamente muitas vezes são tidas como perigosas.
Atenção: O facto de uma determinada espécie não estar incluída nestas listas não significa que, em determinados casos ou em certas condições, não ofereça perigo para o Homem. Todos os espécimes devem ser manuseados com o devido respeito e precaução.
Espécies potencialmente letais Venenosas OfídiosImagemNomeIdentificaçãoDescriçãoPerigoConsequências70px Víbora-cornuda Vipera latastei Ofídio (cobra) da família das víboras (viperidae), existente em todo o Portugal Continental. Necessita de locais com boa insolação, habitando em zonas abertas nos limites dos bosques e matos ou em bosques relativamente abertos como os montados ou os pinhais. No Sul habita também dunas costeiras e areais. Cabeça triangular destacada, pupilas verticais, ausência de placas cefálicas, linha dorsal escura em ziguezague ou ondulada, comprimento até 50 cm, corpo robusto (grosso), cauda curta e, específico desta espécie, focinho proeminente (que faz lembrar um corno). Mordedura Geralmente não fatal em adultos saudáveis, a mordedura das víboras é muito perigosa em crianças, idosos ou doentes crónicos ou caso a região mordida seja na cabeça, pescoço ou tórax. A gravidade do envenenamento é variável. Sintomas inicais: dor local, edema, taquicardia, sudorese; depois possíveis: edema progressivo, equimose, hipotensão, hemorragia; mais tarde possíveis: linfangite, síndrome compartimental e raramente morte (por infecção secundária ou discrasia hemorrágica com falência multiorgânica). Tratamento: repouso, lavagem da ferida, gelo, analgesia e soro antiveneno (antivíbora europeia). Não existe antídoto específico para estas espécies.70px Víbora-de-seoane Vipera seoanei Ofídio (cobra) da família das víboras (viperidae), existe em Portugal somente na região de Peneda-Gerês e Paredes de Coura, geralmente em serranias. Cabeça triangular destacada, pupilas verticais, ausência de placas cefálicas, linha dorsal escura em ziguezague ou ondulada, comprimento até 70 cm, corpo robusto (grosso) e cauda curta. MordeduraFungosImagemNomeIdentificaçãoDescriçãoPerigoConsequências70px Chapéu-da-morte(ou Cicuta-verde)Amanita phalloides Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. Ingestão A intoxicação apresenta 3 fases. 1ª Fase (6 a 24 horas após a ingestão): náuseas, vómitos, diarreia severa, febre, taquicardia, hipoglicemia, hipotensão e desequilíbrio dos electrólitos, com distúrbio ácido-base. 2ª Fase (24 a 48 horas): surgem sintomas gastrintestinais e deterioração das funções hepática e renal. 3ª Fase (3 a 5 dias): ocorre dano hepatocelular e falha renal, que pode evoluir para falha hepática severa; cardiomiopatias e coagulopatias. Os danos no fígado são irreversíveis sendo, nos casos mais graves, necessário recorrer ao transplante hepático. Nos casos fatais a morte resulta de falência hepática e/ou renal. Tratamento: lavagem gástrica, hidroterapia, antibioterapia e, nos casos mais graves, transplante hepático.70px Anjo-destruidor-europeuAmanita virosa Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. Ingestão70px Anjo-da-morteAmanita verna Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. IngestãoPlantasImagemNomeIdentificaçãoCaracterísticasPerigoConsequências70px CicutaConium maculatum Planta existente em todo o território nacional. Erva aromática, anual ou bienal, de 30–200 cm de altura, com caules cilíndricos, ocos e geralmente manchados de cor púpura. Folhas triangulares e sem pêlos. Umbelas terminais com flores brancas. Ingestão Todas as partes da planta são muito venenosas devido a conterem alcalóides (cicutina). Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia, paralisia progressiva dos músculos, esfriamento das extremidades, convulsões e, por fim, a morte por paragem cárdio-respiratória.70px DedaleiraDigitalis purpurea Planta existente em todo o território nacional, abundante na Serra da Estrela. Erva bienal alta, com até 150 cm de altura, e flores púrpuras. Ingestão A planta é venenosa, especialmente através de infusão (chá) das folhas, mas também pelo consumo das folhas ou flores. Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreias; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.70px EmbudeOenanthe crocata Planta existente em todo o território nacional. Erva com folhas semelhantes à salsa (Petroselinum crispum) e flores brancas. Ingestão A planta é venenosa. Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.70px Erva-mouraSolanum nigrum Planta existente em todo o território nacional. Erva com folhas largas, flores brancas e frutos negros. Ingestão A planta é tóxica devido à presença de solanina (alcalóide). Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia e, também, convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.70px EstramónioDatura stramonium Planta invasora existente em Portugal Continental e na Madeira. Planta herbácea anual, com até 2 m de altura. Folhas ovaladas com pecíolo com pêlos. Grandes flores brancas ou violetas. Frutos em cápsulas ovóides cobertas de acúleos (espinhos). Ingestão A planta é tóxica devido à presença de atropina (alcalóide). Sintomas: delírio, que se manifesta em excitação, angústia, desorientação, alucinações e insónia; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.70px OleandroNerium oleander Planta invasora existente em todo o território nacional. Planta decorativa comum, vista frequentemente nos separadores centrais de auto-estradas e outros locais. É um arbusto grande, podendo ter por volta de 3 a 5 m de altura (embora haja uma variedade menor). Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. As folhas são estreitas e longas, às vezes descritas como em formato de ponta de lança. É uma planta pouco exigente no que diz respeito à temperatura e humidade. Ingestão Os sintomas da intoxicação, que podem não demorar ou aparecer várias horas depois da ingestão (ou contato com a seiva), incluem dores abdominais, pulsação acelerada (taquicardia), ansiedade, gastrite, diarreia, vertigem, sonolência, dispnéia, irritação da boca, náusea, vômitos, coma e morte.
Traumatogénicas MamíferosImagemNomeIdentificaçãoCaracterísticasPerigoConsequências70pxTouroBos taurosMamífero criado em todo o território nacional.Corpulento com hastes desenvolvidas.Investida e pisaduraOs bovinos podem causar lesões traumatogénicas (perfurantes ou contundentes) graves ou fatais através de investida (mesmo embolados) ou de pisadura. A raça brava (touros ou vacas bravas) são mais susceptíveis de ataques deliberados.70pxLobo-ibéricoCanis lupus signatusMamífero distribuído em Portugal Continental por duas populações, a Norte do Douro (maioria das alcateias) no Minho e em Trás-os-Montes, e a Sul do Douro na Beira Alta.Semelhante a outras subespécies do lobo-cinzento, os lobos-ibéricos machos medem 130–180 cm de comprimento e pesam 30–40 kg, enquanto as fêmeas medem 130–160 cm e pesam 25–35 kg. A altura ao garrote pode chegar aos 70 cm.MordeduraA mordedura dos lobos pode causar lesões traumatogénicas graves ou fatais. Em Portugal os ataques fortuitos a humanos são raros, não havendo registo de ataques a humanos nos últimos 25 anos, somente a animais (principalmente cabras e ovelhas). 70pxCãoCanis lupus familiarisMamífero criado em todo o território nacional.Existem diversas raças com tamanho e características distintas.MordeduraA mordedura dos cães pode causar lesões traumatogénicas graves ou fatais. Podem também transmitir patologias (ex. raiva). As raças consideradas perigosas por lei em Portugal são: Cão de Fila Brasileiro, Dogue Argentino, Pit Bull Terrier, Rottweiler, Staffordshire Terrier Americano, Staffordshire Bull Terrier e Tosa Inu. Atenção: outras raças de médio ou grande porte também podem constituir perigo para o ser humano ou para animais.
Espécies potencialmente perigosas Venenosas