thumb|Recriação da tabuleta de cera romana, com stylus ao centro Tábula rasa é a tradução para a expressão em latim tabula rasa, que significa literalmente "tábua raspada", e tem o sentido de "folha de papel em branco".

A palavra tábula, neste caso, refere-se às tábuas cobertas com fina camada de cera, usadas na antiga Roma para escrever, fazendo-se incisões sobre a cera com uma espécie de estilete. As incisões podiam ser eliminadas ao aquecer a cera, de modo que se pudesse escrever de novo sobre a tábula rasa, isto é, sobre a tábua raspada ou apagada — no caso, sobre a cera resfriada e novamente sólida.

Como metáfora, o conceito de tábula rasa foi utilizado por Aristóteles (em oposição a Platão) e difundido principalmente por Alexandre de Afrodísias, para indicar uma condição em que a consciência é desprovida de qualquer conhecimento inato — tal como uma folha em branco, a ser preenchida.FERRATER-MORA, José Dicionário de filosofia: Q-Z. "Tabula", p.2808s. Esta ideia continuou a ser desenvolvida pela filosofia da Grécia Antiga; a epistemologia da escola estoica enfatiza que a mente inicia vazia, mas adquire conhecimento à medida que o mundo exterior impressiona.

Já na modernidade, o conceito foi aplicado ao intelecto, através da tese epistemológica que fundamenta o empirismo.Piccolo Dizionario Filosofico."Tabula rasa". Este argumento da tábula rasa foi usado pelo filósofo inglês John Locke, considerado como o protagonista do empirismo. Locke detalhou a tese da tábula rasa em seu livro Ensaio acerca do Entendimento Humano, de 1690. Para ele, todas as pessoas nascem sem conhecimento algum (i.e. a mente é, inicialmente, como uma "folha em branco"), e todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido através da experiência. A partir do , o argumento da tábula rasa foi importante não apenas do ponto de vista da filosofia do conhecimento, ao contestar o inatismo de Descartes, mas também do ponto de vista da filosofia política, ao defender que, não havendo ideias inatas, todos os homens nascem iguais. Forneceu assim a base da crítica ao absolutismo e da contestação do poder como um direito divino ou como atributo inato.LOCKE, John Political writings. David Wootton (org), p. 247. Indianapolis: Hackett Publishing, 1993.

Ver também

Inato ou adquirido Natureza humana Racionalismo

Bibliografia Aristóteles, De Anima. Avicena, De Anima (Fi’l-Nafs). Tradução latina () das partes relevantes do Kitab al-Shifa', que trata detalhamente de todos os tópicos de Aristóteles, acrescentando um considerável avanço do ponto de vista científico. Tufail, Ibn, The Improvement of Human Reason: Exhibited in the Life of Hai Ebn Yokdhan (Hayy ibn Yaqzan), Simon Ockley (trad.), pp. 1–195, Edm. Powell, London, UK, 1708. Tomás de Aquino, Summa Theologica Locke, John, An Essay Concerning Human Understanding, Kenneth P. Winkler (ed.), pp. 33–36, Hackett Publishing Company, Indianapolis, IN, 1996.

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