A dinastia Shilahara, também conhecida como Silhara, Sinhara, Shilahara, Shailahara, Shrilara e Silara, foi um clã feudal de rajaputes que governou o o Concão e o sul de Maarastra, nomeadamente a região onde se situa atualmente a cidade de Bombaim, na costa noroeste da Índia, entre 810 e 1240, segundo outros autores). Estabeleceram-se na região durante o , tornando-se depois independentes.
Estava dividida em três ramos, um que reinou no norte do Concão, outro no sul do Concão (entre 765 e 1029) e um terceiro que reinou no que são atualmente os distritos de , e entre 940 e 1215, tendo sido conquistado pelos Chaluquias ocidentais.
História Todos os ramos se reclamavam descendentes de um personagem da mitologia hindu - Jimutavana, um príncipe Vidyadhara. Jimutavana sacrificou-se a si próprio para resgatar um dragão (naga) das garras de Garuda. O nome de família Shilahara, que significa "comida de pico de montanha" em sânscrito), supostamente tem origem neste incidente lendário. O nome aparece sob várias formas e há inclusivamente inscrições em que é usada mais do que uma; uma inscrição apresenta três: Silara, Shilara e Shrillara.
Segundo alguns autores, os Shilaharas seriam de origem afegã, pois até hoje subsiste no Afeganistão uma etnia com nome semelhante, os Silar Cafires, mas o termo "Ayya" usado nos nomes de quase todos os ministros Shilahara e os nomes não-sânscrito de alguns dos chefes, como Vappuvanna, podem suportar a teoria de que eram de origem canada.
A dinastia começou por ser vassala do que reinou no planalto do Decão entre os séculos VIII e X. O rei Rastracuta deu a Kapardin I, o fundador da dinastia Shilahara, os territórios do norte do Concão (os atuais distritos de , Bombaim e ). Desde então o Norte do Concão passou a ser conhecido como Kapardi-dvipa or Kavadidvipa. Kapardin I, cujo nome significa "usar kaparda", um tipo peculiar de tranças ou caracóis do cabelo que também é uma designação do deus hindu Xiva, teve a sua capital em Puri, atualmente chamada Rajapur, no distrito de Raigade. A dinastia ostentou o título de Tagara-puradhishvara, o que indica que era originária de Tagara, a moderna Ter do .
Aproximadamente em 1343, a ilha de Salsete e depois todo o arquipélago de Bombaim passou para as mãos dos .
Os Shilaharas do sul de Maarastra, em Colhapur, foram o último ramo a ser fundado, aproximadamente na época da queda do Império Rastracuta. Governaram entre 765 e 1020.
Monarcas Shilahara do norte do Concão (ramo de Tana) Após o enfraquecimento do poder dos rastracutas, o último governante conhecido desta família, Rataraja, declarou a sua independência. No entanto, Chaluquia Jaiasima, o irmão mais novo de Vikramaditya, derrubou-o e apropriou-se das suas possessões. O Concão do Norte foi conquistado pelo rei Rastracuta Dantidurga, no segundo quartel do .
Kapardin I (800–825) Pullashakti (825–850) Kapardin II (850–880) Vappuvanna (880–910) Jhanjha (910–930) Gogiraja (930–945) Vajada I (945–965) Chadvaideva (965–975) Aparajita (975–1010) Vajada II (1010–1015) Arikesarin (1015–1022) Chitaraja (1022–1035) Nagarjuna (1035–1045) Mumuniraja (1045–1070) Ananta Deva I (1070–1127) Aparaditya I (1127–1148) Haripaladeva (1148–1155) Mallikarjuna (1155–1170) Aparaditya II ( 1170–1197) Ananta Deva II (1198–1200) Keshideva II (1200–1245) Ananta Deva III (1245–1255) Someshvara (1255–1265)
Monarcas Shilahara do sul do Concão A história deste ramo da dinastia é conhecido através de um registo nas placas de Kharepatan de Rataraja, datadas de 1008. Rataraja foi o último governante da dinastia. Aquele documento é muito importante pois não só informa sobre a genealogia dos dez antecessores de Rataraja mas também relata os seus feitos. O fundador do ramo, Sanaphulla (ou Sana-phulla),era vassalo do imperador Rastracuta , que tinha estabelecido o seu domínio sobre o Concão em 765, que possivelmente entregou a Sanaphulla. As placas de Kharepatan relatam que Sanaphulla recebeu a suserania sobre os territórios entre o monte Sahya (Gates Ocidentais) e o mar como favor de Krisnaraja.
Sabe-se que filho de Sanaphulla, Dhammayira, construiu um forte em Vallipattana, na costa ocidental. Aiyaparaja venceu uma batalha em Chandrapuri (Chandor, Goa). Durante o reino de não ocorreu qualquer acontecimento digno de nota. O seu filho Adityavarman, descrito como "brilhante como o sol" em valentia, ofereceu ajuda aos reis de Chandrapuri e Chemulya (moderna Chaul), 45 km a sul de Bombaim, o que indica que a influência dos Shilaharas se tinha expandido por todo o Concão. Nesta altura, Laghu Kapardi, o monarca do ramo de Tana, era apenas uma criança e a ajuda dada ao governante de Chaul deve ter sido financiada por ele. Avasara II continuou a política do se pai.
Bhima, filho de Indraraja, é apresentado como Rahuvadgrasta Chandramandala por ter derrubado o governante titular de Chandor. Nesse tempo, o soberano Sasthadeva, da , e o seu filho Chaturbuja tentavam derrubar o domínio Rastracuta. Isto explica a oposição de Bhima a Chandor. Avasara III reinou num período turbulento, mas não parece ter sido interventivo. Por fim, Rataraja, leal aos Rastracutas, foi compelido a mudar a sua aliança para Tailapa II. Pouco depois das placas terem sido escritas, em 1008, o domínio do Concão passou para os Chaluquias ocidentais.
Sanaphulla (765–795) Dhammayira (795–820) Aiyaparaja (820–845) Avasara I (845–870) Adityavarma (870–895) Avasara II (895–920) Indraraja (920–945) Bhima (945–970) Avasara III (970–995) Rataraja (995–1020)
Shilaharas do sul de Maarastra (ramo de Colhapur) A família Shilahara de Colhapur foi a última das três a formar-se, aquando da queda do Império Rastracuta. Governou sobre o sul de Maarastra, naquilo que atualmente são os distritos de , e . A deusa da família era Mahalakshmi, cuja benção clamavam ter assegurado nas ofertas de placas de cobre (Mahalakshmi-labdha-vara-prasada). Como os seus familiares do norte do Concão, os Shilaharas de Colhapur reclamavam-se descendentes de Vidiadara Jimutavana e usavam um estandarte com um Garuda dourado. Um dos muitos títulos que usaram foi Tagarapuravaradhisvara (soberano supremo de Tagara).
A primeira capital destes Shilaharas foi provavelmente em Karad, durante o reinado de Jatinga II. Por isso são também referidos como Shilaharas de Karad.> Mais tarde a capital foi transferida para Colhapur, mas algumas inscrições mencionam Valavada e o forte de Pranalaka ou Padmanala (Panhala) como locais da residência real. Apesar de ter deixado de ser capital, Karad continuou a ser uma cidade importante durante o período Shilahara.
Este ramo da família ascendeu ao poder durante a última parte do período rastracuta e por isso, ao contrário dos reis dos outros ramos, os reis Shilaharas de Colhapur não mencionam na sua genealogia a dos Rastracutas, nem sequer nas inscrições mais antigas. Mais tarde reconheceram a suserania dos Chaluquias ocidentais durante algum tempo. Usaram o como língua oficial, como se pode ver nas suas inscrições. Este ramo da dinastia governou o sul de Maarastra aproximadamente entre 940 e 1220.
Aparentemente, Boja II, o último monarca da sua família, foi derrubado pelo em 1119, 1120 ou pouco depois disso, conforme consta numa inscrição de Singhana datada de 1160.
Jatiga I (940–960) Naivarman (960–980) Chandra (980–1000) Jatiga II (1000–1020) Gonka (1020–1050) Guhala I Kirtiraja Chandraditya Marsimha (1050–1075) Guhala II (1075–1085) Boja I (1085–1100) Ballala (1100–1108) Gonka II Gandaraditya I (1108–1138) Vijayaditya I (1138–1175) Boja II (1175–1212)
Monumentos O Templo de Walkeshwar, dedicado a Xiva, e o seu lago () — foram originalmente construídos no em Walkeshwar, atualmente um bairro de Bombaim. O (ou Shiv Mandir, conhecido localmente como Puratana Shivalaya) foi construído pelo rei Mahamandaleshwar (Mummuniraja?). Foi dedicado igualmente a Xiva e situa-se em Ambarnath, no distrito de Tana, Bombaim. O Kopineshwar Mandir é outro templo de Xiva em Tana.
Notas
Bibliografia
Bhandarkar R.G. (1957): Early History of Deccan, Sushil Gupta (I) Pvt Ltd, Calcutta. Fleet, J.F. (1896): "The Dynasties of the Kanarese District of The Bombay Presidency", written for The Bombay Gazetteer. Department of Gazetteer, Govt of Maharashtra (2002): Itihaas : Prachin Kal, Khand -1 (Marathi) Department of Gazetteer, Govt of Maharashtra (1960): Kolhapur District Gazetteer Department of Gazetteer, Govt of Maharashtra (1964): Kolaba District Gazetteer Department of Gazetteer, Govt of Maharashtra (1982): Thane District Gazetteer A.S. Altekar (1936): The Silaharas of Western India.
Shilahara Shilahara Shilahara Categoria:História de Bombaim