O Terrível Homem dos Brinquedos é um one-shot publicado em maio de 2008 pela DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time Warner, na 865ª edição da revista Action Comics, protagonizada por Superman. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Jesus Merino, a trama retrata um confronto entre o herói e Winslow Schott, o vilão "Homem dos Brinquedos". Schott sequestra o personagem Jimmy Olsen, e no cativeiro revela que na maioria dos confrontos anteriores, Superman estava enfrentado, na verdade, impostores que se apropriaram de sua identidade.
A história faz parte de uma série que Johns produziria entre 2006 e 2009 ao lado de profissionais como Kurt Busiek, Richard Donner e James Robinson, na qual, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, caracterizando-o como alguém que já atuava como super-herói há mais de uma década, incluíam referências inéditas aos primeiros anos de sua vida e também reincorporava-se ao cânone elementos da mitologia do personagem que haviam sido eliminados por outros escritores anteriormente. O Terrível Homem dos Brinquedos se situa após a maior parte das histórias produzidas no período, sucedendo 3-2-1 Action, de Busiek, e Superman e a Legião de Super-Heróis, de Johns, publicadas entre 2007 e 2008, e antecede Brainiac, que seria publicada em Action Comics nos meses seguintes, e A Chegada de Atlas, de Robinson, história publicada na outra revista protagonizada por Superman. Tanto Brainiac quanto A Chegada de Atlas servem como prelúdios para a história "Novo Krypton", publicada a partir de 2008 e cujas tramas se estenderiam até meados de 2010 por todas as revistas relacionadas ao personagem.
A trama elaborada por Johns estabelece alguns dos elementos que seria utilizados em Brainiac, como o retorno da personagem Cat Grant à cidade fictícia de Metrópolis, e, consequentemente, ao elenco de apoio do personagem. O vilão havia sido anteriormente apontado como o responsável pelo assassinato do filho de Grant, e, na história, revela-se como inocente deste crime, mas não de uma série de outros que admite para Olsen. Tanto comercialmente quanto na visâo da crítica, entretanto, a história não teria o mesmo sucesso que sua sucessora, mas, tematicamente, é similar, por apresentar uma revisão na continuidade ficcional até então estabelecida, apontando que a versão apresentada na história seria a válida, e, consequentemente, alterando histórias anteriores - incluindo Up, Up and Away!, do próprio Johns.
Antecedentes
A "Era de Ouro" e os super-vilões
thumb|180px|O Homem dos Brinquedos surgiu em Action Comics #64.
A publicação de Action Comics #1 marca o início da "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas. A "Era de Ouro" compreenderia o material produzido entre o final da década de 1930 e o final da década seguinte, aproximadamente. Alguns dos mais conhecidos super-heróis foram criados nesse período — além de Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão Marvel e Capitão América. Posteriormente, as revistas tornaram-se um divertimento barato, quase descartável, que se tornaria bastante popular entre a população, particularmente com as tropas durante a Segunda Guerra Mundial.
As primeiras histórias de Superman refletiam os costumes da sociedade da época. Superman enfrentava políticos corruptos, ladrões e criminosos "comuns" com muita violência. Seus poderes eram reduzidos, pois a origem vigente estabelecia que os habitantes do planeta Krypton haviam evoluído para a perfeição física, e essa seria a origem "científica" de suas habilidades, ampliadas pela gravidade menor da Terra, permitindo-lhe dar grandes saltos, mas não voar, e ter uma força muito maior que um homem comum. Ao criar o personagem, Siegel e Shuster o firmaram como "a representação das máximas aspirações humanas naquele momento", um ser mitologicamente comparável a Hércules e "uma síntese mais perfeita da noção de herói" e com forte apelo político, pois se dedicava a combater injustiças sociais. O próprio Superman era identificado repetidamente nas histórias como um "defensor dos oprimidos".
Apenas dois "super-vilões" surgiriam nas primeiras histórias, mas ainda assim inseridos numa temática mais urbana, similar às demais histórias da revista: o Ultra-Humanoide seria introduzido em sua forma humana numa trama envolvendo companhias de táxi publicada em Action Comics #13 e Lex Luthor surgiria durante War in Europe, uma trama em duas partes publicada nas edições 22 e 23.
Whitney Ellsworth se tornou o editor responsável pelas histórias, e no início da década de 1940 determinou que o personagem não faria mais uso de força excessiva que lhe era característica em suas histórias, para evitar possíveis problemas com a censura americana. A mudança aumentaria o apelo infantil da revista. Nesse período, o conceito de "super-vilões" se tornaria cada vez mais popular: "Luthor", uma versão preliminar do vilão Lex Luthor já havia surgido em Action Comics #23, publicada em 1940, e posteriormente surgiriam o Galhofeiro em 1942, em Action Comics #42 e o Homem dos Brinquedos em 1943, em Action Comics #64. Luthor surgiu como um um típico vilão "cientista louco", caracterizado como megalomaníaco, e, embora não possuísse super-poderes, era confundido com o Ultra-Humanoide. Luthor se tornaria um dos principais inimigos de Superman nas histórias publicadas na década de 1940. Galhofeiro e Homem dos Brinquedos eram criminosos caracterizados pelo humor em suas ações, e seriam incluídos em várias histórias do primeiros anos de Action Comics, ocasionalmente atuando juntos contra Superman.
Revisionismo Seguido a uma expressiva queda nas vendas durante a década de 1970 e a primeira metade da década de 1980, o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras. Para as revistas de Superman, o crossover representaria o término de toda a continuidade estabelecida desde 1938. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!") Essa reformulação, promovida a partir de 1986, realizou profundas modificações em toda a mitologia do personagem a partir de 1986. O vilão Lex Luthor, por exemplo, deixou de ser caracterizado como um "cientista louco" e passou a ser apresentados nas histórias como um empresário corrupto dono de diversas empresas na cidade de Metrópolis.EURY, p. 185 A heroína Supergirl, por sua vez, foi completamente ignorada pela nova continuidade uma vez que a intenção era determinar que Superman era o único sobrevivente da destruição do planeta Krypton. No processo, uma nova origem e caracterização para Superman foi elaborada a partir da minissérie The Man of Steel e das histórias publicadas entre 1986 e 1988.
Dentre as histórias produzidas por Byrne entre 1986 e 1988 estava Toys in the Attic, publicada em 1987 na 13ª edição da revista Superman. Na trama, Winslow Schott é apresentado aos leitores em sua primeira aparição oficial na nova continuidade. Schott era um funcionário da "John Bull Toy Company", e era considerado um brilhante inventor de brinquedos, mas cujas ideias começaram a ser consideradas "antiquadas" pela empresa que o empregava após esta ser adquirida pela LexCorp. Demitido, ele entra num frenesi homicida e é responsável direto pela morte não apenas de seu antigo patrão, Walter Dunhill, mas de todos os acionistas da empresa, até que decide sair de seu país natal para ir até Metropólis assassinar a última pessoa na sua lista de vingança, o empresário Lex Luthor. Segundo o jornalista Michael Bailey, Schott "era um assassino que não incluía crianças dentre suas vítimas, mas não era um louco", o que tornou "chocante" a história publicada em 1993 na revista Superman, em que um enlouquecido Schott sequestrava e assassinava o jovem filho da jornalista Cat Grant.
Nos anos seguintes, o personagem não teria muitas participações de destaque nas revistas, até que foi apresentado como um dos antagonistas de Superman no arco de história Up, Up and Away!, mas com um visual bem diferente do até então apresentado, aproximando-se da versão exibida na série Superman: The Animated Series. À época, nenhuma explicação para a mudança fora apresentada, e os segredos por trás desse modificado Homem dos Brinquedos seriam explicados em Action Comics #865.
Contexto Histórico de produção
As histórias de Geoff Johns em Action Comics eram marcadas pela inserção de retcons, e dentre as alterações na continuidade prévia escritas por ele destacou-se a história apresenta em Action Comics #865, quando desconsiderou todas as versões até então estabelecidas do personagem Homem dos Brinquedos em favor da versão apresentada na história. Na trama, Winslow Schott é retratado como um homem mentalmente doente e internado no Asilo Arkham que escapa do manicômio para sequestrar Jimmy Olsen e forçar o fotojornalista a publicar uma matéria que esclarecesse que ele não havia sido o responsável pelo assassinato de Adam Grant, filho de Cat Grant, anos antes. Schott narra para Olsen a história de sua vida, e conta a sua versão dos fatos acerca do assassinato: quem teria matado o garoto teria sido um robô descontrolado que havia sido anteriormente construído por Schott e desativado pelo inventor após a tragédia. Dentre os robôs mostrados por Schott estão todas as versões anteriores do personagem, incluindo a apresentada em Up, Up and Away!, escrita pelo próprio Johns.
Em 2006, Johns, o responsável por Crise Infinita, foi anunciado como o escritor que assumiria o cargo de roteirista da revista Action Comics. Ao seu lado, inicialmente, estaria Kurt Busiek, que havia assinado um contrato de exclusividade com a editora no final de 2005, e fazer parte da nova equipe criativa responsável pelas histórias de Superman foi uma das razões que o fez aceitar a proposta. Up, Up and Away!, história publicada simultaneamente nas duas revistas protagonizadas por Superman, foi a primeira de uma série que a dupla produziria nos anos seguintes para, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, incluir referências inéditas aos primeiros anos de sua vida.
Inicialmente Up, Up and Away! terminaria em junho de 2006 e seria sucedida por duas histórias diferentes: em Superman seria publicada uma história escrita por Busiek e desenhada por Carlos Pacheco e Jesus Merino, e em Action Comics seria publicada outra história, esta escrita por Johns em parceria com o cineasta Richard Donner e desenhada por Adam Kubert. Em julho daquele ano, entretanto, apenas a história de Busiek, A Queda de Camelot, seria publicada conforme o cronograma original. A partir de Action Comics #841 foi publicada a história Back in Action, elaborada por Busiek como uma continuação imediata à Up, Up and Away!.
Retorno à "Era de Prata" thumb|180px|Action Comics Annual #10.
A partir de O Último Filho, Johns e o cineasta Richard Donner, co-autor, introduziriam novamente na mitologia do personagens diversos elementos da continuidade "pré-crise", em particular do período correspondente à "Era de Prata", que haviam sido abandonados após 1986. Um dos principais exemplos desse "retorno à Era de Prata" é a edição especial Action Comics Annual #10, que adotou um modelo bastante similar ao utilizado pela editora durante a década de 1960, todas relacionadas aos personagens envolvidos na saga O Último Filho, então publicada em Action Comics. Outro personagem que é reintroduzido na mitologia moderna de Superman durante a trama é o alienígena Mon-El. Em Action Comics Annual #10, Mon-El protagoniza a principal história e tem uma nova versão da sua origem publicada, apresentando-o na continuidade estabelecida após Crise Infinita como um amigo de infância de Clark Kent. A história, "Quem É o Irmão Mais Velho de Clark Kent?", tem arte de Eric Wright e Lee Loughridge.