Anápolis () é um município brasileiro localizado na região central do estado de Goiás. Situada no Planalto Central Brasileiro, a 1017 metros de altitude, possui um clima tropical com estação seca, porém mais ameno que a capital estadual, Goiânia. A cidade está a aproximadamente 50 km da capital goiana e a 140 km da capital federal, fazendo parte de um eixo econômico e populacional que forma a maior concentração urbana da região Centro-Oeste e seu principal polo industrial.
A população, de acordo com a estimativa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2026, é de habitantes. Dessa forma, Anápolis constitui-se no terceiro maior município do estado em população e sua quarta maior força econômica, com um PIB de mais de R$ 20 bilhões em 2023.
A história de Anápolis tem início ainda no século XIX, com a formação da freguesia e, posteriormente, da Vila de Sant'Anna das Antas. Emancipada em 1887 e elevada à categoria de cidade em 1907, Anápolis se firmou como polo industrial, com destaque para o ramo farmacêutico, a partir da instalação do Distrito Agroindustrial em 1976. A cidade é cortada pelas rodovias federais BR-153, BR-060 e BR-414, pelas rodovias estaduais GO-222, GO-330, GO-437 e GO-560 e pela Ferrovia Centro-Atlântica, sendo ponto inicial da Ferrovia Norte-Sul.
Topônimo A origem etimológica do nome está ligado a Sant'Ana, cuja capela em seu louvor foi edificada em 1871 por Gomes de Sousa Ramos. para cumprir a promessa feita á sua mãe, Dona Ana das Dores de Almeida, que no ano de 1859 passava pelo local e perdeu um dos animais de carga, o qual ao ser encontrado com suas malas de carga espalhadas pelo chão, não conseguiram retirar uma delas do local, justamente uma com a imagem da santa.
O sufixo polis (πολις) é originário da língua grega e significa cidade. Assim, Anápolis significa literalmente "cidade de Ana". Este nome foi sugerido pelo deputado Abílio Wolney em 1896, em substituição ao nome Vila de Sant'Anna das Antas, porém só foi adotado oficialmente quando a Vila foi elevada à categoria de cidade em 31 de julho de 1907.
História esquerda|miniaturadaimagem|Inauguração da Estrada de Ferro, em 7 de setembro de 1935. O início da povoação de Anápolis data do século XVIII, quando a região era conhecida pelo movimento de tropeiros que iam em direção às lavras de ouro das vilas próximas, como Corumbá e Meia Ponte (Pirenópolis). Os córregos e ribeirões da região ajudavam na movimentação dos tropeiros, provendo lugares de descanso e servindo referência para orientação durante as viagens. Com a exaustão dos veios auríferos, muitos destes viajantes optaram por morar na região, principalmente às margens do Ribeirão das Antas.
O primeiro registro histórico confiável foi feito em agosto de 1819, quando o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, em deslocamento entre Bonfim (Silvânia) e Meia-Ponte, hospeda-se na Fazenda das Antas. Em 1824, um conhecido desbravador da região, o marechal português Raimundo José da Cunha Matos, também cita a propriedade em seu diário, fazenda que era encravada no Rio das Antas, nome pela qual a região era conhecida por causa da abundância deste animal nas redondezas. O também francês Conde de Castelnau relata visita à região em março de 1844. O primeiro documento oficial foi redigido em 25 de abril de 1870, quando um grupo de moradores fazem doação de parte de suas terras para a formação do Patrimônio de Nossa Senhora de Sant'Anna.
Com a formação da povoação, um documento solicitando sua elevação à freguesia foi redigido pelo e assinado pelo padre Francisco Inácio da Luz, e também por Gomes de Sousa Ramos e mais 265 pessoas. Datado de 2 de maio de 1872, foi encaminhado ao presidente da Província de Goiás, Sr. Antero Cícero de Assis, por Gomes de Sousa, que enfrentou vários dias de viagem a cavalo para entregar o abaixo assinado na capital da província, Vila Boa, hoje Cidade de Goiás. Em 6 de agosto de 1873, o povoado foi elevado à Freguesia através da Lei Provincial nº 514, com o nome de Freguesia de Sant´Anna das Antas.
A emancipação política ocorreu em 1897, graças aos esforços do professor e comerciante José da Silva Batista e Gomes de Sousa Ramos. Devido a múltiplos obstáculos, sobretudo pelas dificuldades levantadas pelas autoridades meia-pontenses, pelo advento da Lei Áurea e pela Proclamação da República, a instalação oficial da Vila só se concretizou em 10 de março de 1892, com José da Silva Batista sendo nomeado presidente da Junta Administrativa da Vila de Santana das Antas.
Em um depoimento de 1887, o pernambucano Oscar Leal escreve:
Já contando com autonomia administrativa e base territorial, a Vila de Santana das Antas foi elevada à categoria de cidade pelo Decreto-Lei nº 320 de 31 de julho de 1907, assinado pelo então presidente do estado de Goiás, Miguel da Rocha Lima, passando a ser denominada de Anápolis.
Através do pioneirismo de Francisco Silvério de Faria e do engenheiro Ralf Colleman, a cidade passa a contar com a energia elétrica em 9 de janeiro de 1924, sendo a primeira cidade do estado a contar com este benefício. A instalação do telégrafo deu-se em 1926, a ferrovia chegou em 7 de setembro de 1935 e os telefones em 1938. Em 1927 foi fundado o Hospital Evangélico Goiano, pelo médico e missionário evangélico pernambucano de origem inglesa, Dr. James Fanstone, sendo na sua época a mais moderna instituição de saúde do centro-oeste brasileiro. Em 1939 foi fundado o Hospital Nossa Senhora Aparecida e em 1944 surge o primeiro bairro, o Jundiaí, lançado pela Companhia Imobiliária de Anápolis.
O desenvolvimento econômico e populacional da cidade, que já atraía muitos migrantes por causa de sua localização, foi impulsionado pela fundação das cidades de Goiânia e Brasília, e pela criação, em 1976, do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). Em 1973, durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici e no contexto da construção da Base Aérea de Anápolis, o município foi declarado como Área de Segurança Nacional. Em razão desta medida, o Prefeito Municipal passou a ser nomeado pelo Governador do Estado, mediante prévia aprovação do Presidente da República. Esta situação permaneceu até a edição da Lei nº 7.303, de 1º de abril de 1985, quando a medida foi revogada e o município retomou o direito de eleger, de forma direta, o seu Prefeito e o Vice-Prefeito.
Nas décadas seguintes, Anápolis se tornou um importante centro logístico e econômico para o estado de Goiás e o Brasil, principalmente a partir da criação do Porto Seco Centro-Oeste e da Plataforma Logística Multimodal.
Geografia 250px|direita|thumb|Vista de Anápolis a partir da Escola Municipal João Luiz de Oliveira, no Setor Central, em 2012. Anápolis está localizada a 48 quilômetros da capital de Goiás, Goiânia e a pouco mais de 130 km da capital federal, Brasília. Com uma área total de 933,672 km² e urbana de 103,35 km², o município limita-se ao norte com o município de Pirenópolis, a leste com os municípios de Gameleira de Goiás e Abadiânia, ao sudoeste com o município de Silvânia, ao sul com os municípios de Leopoldo de Bulhões, Terezópolis de Goiás e Goianápolis e a oeste com os municípios de Nerópolis, Campo Limpo de Goiás e Ouro Verde de Goiás. Pelo seu territórios passam os ribeirões João Leite, Ribeirão das Antas, Piancó e Padre Sousa, dentre outros.
Relevo Anápolis está situada numa região chamada de "Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba", subunidade no Planalto Central brasileiro. Latossolos, isto é, solos minerais e homogêneos, predominam tanto nas regiões mais planas quanto onde o relevo é mais acidentado.
Em geral, o terreno do município é caracterizado por planos ligados por rampas, o que traz uma imagem relativamente ondulada e acidentada, com a altitude variando entre 1000 e 1200 metros, sendo a altitude média geralmente fixada em 1017 metros. Predominam declividades entre 5% e 15%. A maior parte do território do município possui um relevo medianamente dissecado com potencialidade erosiva fraca. Apresenta formas convexas associadas a formas tabulares amplas.
Clima O clima do município é tropical com estação seca (Köppen Aw). Como Anápolis está em uma altitude elevada, as temperaturas são mais amenas.
A temperatura, ao longo do ano, oscila entre mínima média de 18 °C e máxima média de 28 °C. Existem duas estações distintas; a da seca, que coincide com o período de temperaturas menores,geralmente de abril a setembro, e a das chuvas, que coincide com o verão. Sendo assim, os meses de agosto e setembro são muito secos e costumam ser quentes, apesar do inverno e as primeiras chuvas após o tempo de seca chegam com a entrada da primavera, variando de um ano para o outro. As temperaturas mínima e máxima absoluta foram de e , respectivamente.
A umidade relativa do ar tem uma variação sazonal. A média mensal fica em torno de 50 a 60% nos meses mais secos (que pode chegar a meados de 20%), mas no período das chuvas ultrapassa a 80%.
Vegetação A cobertura vegetal do município está quase que totalmente descaracterizada pela ação do homem. A cultura de cereais, como arroz, milho, café e a formação de pastagens para alimentação do rebanho bovino, substituíram muito da formação vegetal original. O município localiza-se em uma área de tensão ecológica, ponto de contato entre o cerrado e a região da mata. O cerrado, predominante a leste, tem dois típicos básicos de cobertura: o cerrado propriamente dito e o campo cerrado.
A flora da região dos campos cerrados é formada principalmente por jacarandá, peroba-branca, quina-do-campo, aroeira, pequi e lobeira. Na região de mata, destacam-se o angico, o amarelão ou garapa, o ipê-amarelo e o ipê-roxo, algumas espécies de palmeiras e a taboca. A mata ciliar ou de galeria, que acompanha as margens dos córregos, possui palmitos, buritis, samambaias e imbaúbas, entre outras plantas.
Hidrografia Embora não exista nele nenhum rio caudaloso, nascentes na região do município de Anápolis levam águas para as bacias do Rio Paraná, Tocantins e Araguaia, com importância para a Platina e a Amazônica e do Rio São Francisco. São dezenas de córregos e ribeirões com pequeno volume e água, muita vezes estreitos e encachoeirados, que não podem ser utilizados para navegação. Durante o período das chuvas, costumam transbordar, muito embora o volume de água que possuem seja pequeno.
Demografia
Anápolis é a terceira cidade mais populosa de Goiás a 62ª em relação ao país, segundo dados do censo de 2022 divulgado pelo IBGE, que indicavam uma população de habitantes. Na estimativa divulgada pelo Instituto em 2026, a população é de pessoas.
O município viu sua população crescer exponencialmente em meados do século XX. O crescimento populacional, no entanto, continua acima da média nacional, com taxas de 19,2% na última década, com uma média anual entre 1 e 1,4%.
Composição étnica A composição étnica de Anápolis reflete as migrações de populações de diversas origens que formaram o município ao longo das décadas. Segundo o Censo de 2022, o município é composto por pardos (52%), brancos (40,6%), pretos (7%) e amarelos (0,3%).
O município tem, ainda, 750 habitantes de origem indígena, pertencentes a 52 etnias diferentes. De acordo com o levantamento, 72,91% deles não determinaram ou não declararam pertencimento a uma etnia específica. Outros 26% declaram que pertencem a apenas uma etnia, enquanto 0,9% afirmam ter mais de uma etnia indígena. Além disso, 60 pessoas se declaram quilombolas.
Religião thumb|300px|direita|Igreja Matriz de Santana.