Economia do Império Romano, conceitualmente, abrange o período que transcorre entre o reinado de Augusto e 476, ano da dissolução do Império Romano do Ocidente. Estudos mais recentes conduziram a uma reavaliação positivo da dimensão e sofisticação da economia romana. Moses Finley foi o principal proponente da perspetiva primitivista segunda a qual a economia romana era "subdesenvolvida e ineficiente", caraterizada por agricultura de subsistência, centros urbanos que consumiam mais do que produziam em termos de comércio e indústria, artesãos de baixo estatuto social, desenvolvimento tecnológico lento e uma "falta de racionalidade económica". As perspetivas atuais são mais complexas. As conquistas territoriais possibilitaram uma reorganização em larga escala do uso da terra, que resultou em excedentes agrícolas e especialização, particularmente no Norte de África. Algumas cidades eram conhecidas por certas indústrias ou atividades comerciais e a escala das edificações nas áreas urbanas denota uma indústria de construção significativa. Métodos contabilísticos complexos que foram preservados em papiros sugerem elementos de racionalismo económico numa economia muito monetizada. thumb|left|upright=1.3|Estimativas de Angus Maddison do PIB de algumas das regiões do Império Romano c.  Apesar dos meios de comunicação e de transporte serem limitados na Antiguidade, os transportes tiveram grande expansão nos séculos I e , e as economias regionais foram ligadas por rotas comerciais. Os contratos de fornecimento do exército, existiram em todas as partes do império e eram estabelecidos tanto com fornecedores locais das proximidades das bases (castros), como com fornecedores que operavam à escala provincial ou mesmo em mais do que uma província. O império pode ser visto como uma rede de economias regionais baseadas numa forma de "capitalismo político" no qual o estado monitorizava e regulava o comércio para assegurar as suas próprias receitas. O crescimento económico, embora não seja comparável ao das economias modernas, era maior do que a maior parte das sociedades anteriores à industrialização.

Em termos sociais, o dinamismo económico foi um dos vetores da mobilidade social no Império Romano. A ascensão social não estava dependente apenas do nascimento, patrocínio, sorte ou até capacidades extraordinárias. Em contrapartida, embora valores aristocráticos sustentassem uma sociedade elitista tradicional, havia uma forte tendência para a plutocracia, como se constata pelo facto de nos censos as classes sociais serem determinadas pelo nível de riqueza. O prestígio social podia ser obtido através do investimento da riqueza pessoal de forma a que esta fosse publicitada de forma apropriada: extensas propriedades rurais ou casas citadinas, objetos de luxo duráveis como joias e prataria, espetáculos públicos, monumentos funerários para membros da família e empregados e dedicatórias religiosas como altares. Associações profissionais (collegia) e corporações (corpora) apoiavam o êxito dos seus membros através de contactos e da partilha de práticas de negócio.

Moeda e sistema bancário

Desde os primeiros tempos que o império era monetizado numa escala quase universal, na medida em que o uso de dinheiro era uma forma de exprimir preços e dívidas. O sestércio (; plural: sestertii; cujo símbolo é HS), era a unidade básica para contabilizar valor até ao , embora o denário de prata, que valia quatro sestércios, também tivesse sido usado em contabilidade a partir da dinastia severa . A moeda mais pequena de circulação comum era o asse de bronze, que valia um quarto de sestércio.: As barras e lingotes de metais preciosos aparentemente não contavam como pecúnia ("dinheiro") e só eram usado nas fronteiras para transações comerciais ou compra de propriedades. Os romanos dos séculos I e II contavam moedas em vez de as pesarem, o que indica que a moeda era valorizada pela sua face e não pelo seu conteúdo metálico. Esta tendência para a moeda fiduciária acabou por conduzir a desvalorização da moeda romana, que teve consequências na fase final do império. A padronização do dinheiro por todo o império promoveu o comércio e a integração mercantil. A elevada quantidade de moeda metálica em circulação incrementou o dinheiro circulante no comércio e nas poupanças.

Roma não tinha um banco central e a regulação do sistema bancário era mínimo. Os bancos da Antiguidade Clássica geralmente mantinham menos reservas do que a soma dos depósitos dos seus clientes. Os bancos comuns tinham capitais relativamente limitados e apenas um dirigente, embora pudessem ter até 15 dirigentes. Para Séneca (), todos os envolvidos em comércio necessitavam de acesso a crédito.

thumb|left|Soldo cunhado durante o reinado de , com a deusa Vitória no reverso, uma das últimas divindades pagãs a aparecer em moedas romanas, que se foi gradualmente transformando num anjo sob o domínio cristão

Os banqueiros profissionais de depósitos, chamados argentários (; sing. argentarius), coletores argentários (; sing. coactor argentarius) ou, posteriormente, mensários (; sing. mensarius) ou numulários (; sing. nummularius), recebiam e guardavam depósitos por prazos fixos ou indeterminados, e emprestavam dinheiro a outros clientes. A elite senatorial estava profundamente envolvida em empréstimos privados, tanto como credores como mutuários, fazendo empréstimos da suas fortunas pessoais na base de ligações sociais. O credor de uma dívida podia usá-la como meio de pagamento transferindo-a para outra parte, sem que tivesse lugar a troca de dinheiro. Embora por vezes se supusesse que em Roma não havia "papel" ou transações documentais, o sistema de bancos disseminado pelo império possibilitava a troca de somas de dinheiro muito elevadas que não passavam pela transferência física de moedas, em parte por causa dos riscos envolvidos no transporte de grandes quantidades de dinheiro, particularmente por via marítima. Só se conhece uma crise grave de escassez de crédito nos primeiros tempos do império. Ocorreu em e colocou em risco numerosos senadores. O governo imperial resgatou o mercado através de um empréstimo de 100 milhões de sestércios concedido pelo imperador Tibério aos bancos (mensas; ). Em geral, o capital disponível excedia a procura por parte dos mutuários. O governo central não pedia empréstimos; não havendo dívida pública, o défice era financiado através de reservas de caixa.

A generalidade dos imperadores das dinastias antonina e severa desvalorizaram a moeda, particularmente o denário, pressionados pela necessidade de pagar os salários dos militares. Uma inflação súbita durante o reinado de Cómodo provocou estragos no mercado de crédito. Em meados do , o fornecimento de moeda metálica diminuiu drasticamente. As condições verificadas durante a chamada crise do terceiro século, como a diminuição do comércio de longa distância, a interrupção de explorações mineiras e a transferência física de moedas de ouro para fora do império por invasores inimigos, diminuiu muito o fornecimento de dinheiro e o afetou seriamente o setor bancário no ano 300. Embora a cunhagem romana tivesse sido durante muito tempo uma moeda fiduciária, durante o reinado de Aureliano cresceram receios económicos, com os banqueiros a perderem a confiança em moedas legitimamente cunhadas pelo governo central. Não obstante Diocleciano ter promovido várias reformas monetárias e criado o soldo (solidus) de ouro, o mercado de crédito do império nunca voltou a conhecer a robustez do passado.

Mineração e metalurgia thumb|Paisagem resultante da técnica de mineração ruina montium em Las Médulas, na Hispânia, uma das minas de ouro mais importantes do Império Romano

As principais regiões mineiras do império situavam-se na Ibéria (ouro, prata, cobre, estanho e chumbo); Gália (ouro, prata e ferro); Britânia (sobretudo ferro, chumbo e estanho); as províncias do rio Danúbio (ouro e ferro); Macedónia e Trácia (ouro e prata); e Ásia Menor (ouro, prata, ferro e estanho). Desde o reinado de Augusto houve explorações mineiras intensivas em larga escala de depósitos aluviais, com minas a céu aberto e subterrâneas. No início do essas atividades foram interrompidas devido à instabilidade do império. As minas da Dácia, por exemplo, deixaram de poder ser exploradas pelos romanos depois da província ter sido entregue em 271. Aparentemente a atividade mineira parece ter sido parcialmente retomada durante o .

A mineração hidráulica, a que Plínio se referiu como ruina montium ("ruína das montanhas"), juntamente com a capacidades dos romanos para o planeamento e execução de operações de exploração mineira em larga escala, possibilitou que metais fossem extraídos numa escala quase industrial. A produção total anual de ferro é estimada em , muitíssimo superior às da contemporânea China dos Han, cuja população era semelhante, mas onde a exploração mineira de ferro estava vedada aos privados. A produção anual de cobre era   e de chumbo . A maior parte do ouro provinha das minas da Península Ibérica, principalmente nas Astúrias, Galécia e Lusitânia, cuja produção era 9 t anuais.

thumb|left|Segundo o estudo do manto de gelo da Gronelândia, a produção mundial de chumbo teve um pico no e declinou acentuadamente depois. A produção mundial só ultrapassou os níveis romanos em meados do

Estes níveis de produção, nomeadamente de cobre e chumbo, só voltariam a ser igualados durante a Revolução Industrial. A Ibéria detinha 40% da produção mundial de chumbo. A elevada produção deste metal era um subproduto da exploração intensiva de prata, que atingiu as 200 t anuais. Estima-se que o stock de prata de Roma no auge da produção, por volta de meados do , se elevasse a , ou seja, quatro a dez vezes mais do que a soma de toda a prata existente na Europa e no Califado cerca do ano 800. Um indício da escala da produção metálica romana é dada pela poluição de chumbo no manto de gelo da Gronelândia, cujos níveis quadruplicaram em relação à Pré-história durante o período imperial e depois voltaram a descer.

O combustível mais comum para as operações de fundição, forjamento e de aquecimento em geral, era a madeira, sobretudo na forma de carvão, cuja eficiência era quase o dobro da forma original. Também era extraído carvão mineral, em algumas regiões numa escala relativamente grande — quase todas as principais jazidas carboníferas da Britânia Romana estavam em exploração no final do e o comércio de carvão foi uma atividade importante ao longo da costa inglesa do mar do Norte, que se estendia até à Renânia, no interior do norte da Europa continental, onde a hulha já era usada para a fundição de minério de ferro.

Transportes e comunicações

O Império Romano rodeava todo o Mediterrâneo, a que os romanos chamavam "Nosso Mar" (Mare Nostrum). Os navios à vela romanos navegavam por todo o Mediterrâneo e pelos principais rios, como o Guadalquivir, Ebro, Ródano, Tibre, Reno e Nilo, entre outros. O transporte por via aquática era preferido sempre que possível e mover bens por terra era mais complicado. Os vestígios existentes de veículos, rodas e navios indicam a existência de um elevado número de marceneiros.