Firefly é uma série dos gêneros space western e drama criada pelo escritor/diretor Joss Whedon, criador de Buffy: A Caça Vampiros, Angel e Dollhouse, com sua companhia de produção Mutant Enemy Productions. Seu ambiente futurista naturalista, modelado a partir de temas dos filmes de Western tradicionais, apresenta um cenário de ficção científica atípico para a narrativa. Whedon também trabalhou como produtor executivo, junto com Tim Minear.

Firefly estreou nos Estados Unidos e Canadá na emissora FOX em 20 de setembro de 2002. Ela foi cancelada após somente onze dos catorze episódios produzidos terem ido ao ar. Apesar do relativo curto período de existência da série, apresentou boas vendas quando foi lançada em DVD, e desenvolveu uma impressionante base de campanhas de suporte criadas pelos fãs.tradução livre de Russell, M.E. The Browncoats Rise Again (24 de junho de 2006): Whedon: "Esse filme não deveria existir,"ele continua. "Programas de TV não são transformados em grandes filmes — a não ser que o criador, o elenco, e os fãs acreditem além da razão. ...Isso é, em um certo sentido, seu filme".Chinin, Neva (2005-06-08). Quando a FOX cancelou "Firefly", ela acendeu uma base de fãs na internet que com seu desejo abrasador por mais levou a "Serenity". San Francisco Chronicle. Ganhou um Emmy em 2003 por "Efeitos Visuais Especiais Extraordinários para uma Série". O sucesso pos-exibição do show na TV levou Whedon e a Universal Pictures a produzir um filme baseado na série, intitulado Serenity em homenagem a nave espacial ficcional da classe "Firefly" apresentada no programa.Russell, M.E. (24 June 2006). The Browncoats Rise Again. The Daily Standard.

A história da série se passava no ano de 2517, após a chegada dos humanos em um novo sistema solar, e segue as aventuras da tripulação renegada da Serenity, uma nave espacial classe Firefly. O elenco principal retrata os nove personagens que moram na Serenity. Whedon vendeu a ideia da série como "nove pessoas olhando dentro da escuridão do espaço e vendo nove coisas diferentes".Brioux, Bill. Firefly series ready for liftoff. jam.canoe.ca O programa explora as vicissitudes de pessoas que lutaram no lado perdedor de uma guerra civil, e também a cultura pioneira que existe na borda do sistema solar. Além disso, é um futuro onde somente dois super-poderes sobreviventes, os Estados Unidos e a China, fundiram-se para formar o governo federal central, chamado de Aliança, resultando na fusão das duas culturas também. De acordo com Whedon, nada mudou no futuro: existem mais pessoas com tecnologia mais avançada, mas eles ainda têm os mesmos problemas políticos, morais e éticos. Whedon, Serenity: Relighting the Firefly, DVD extra

Produção Gênese Whedon desenvolveu o conceito do show após ler "The Killer Angels", um romance sobre a Batalha de Gettysburg durante a Guerra de Secessão. Ele gostaria de seguir as pessoas que haviam lutado no lado perdedor da guerra e suas experiências posteriores como pioneiros e imigrantes nos limites da civilização, muito como a cultura da era de Reconstrução pós-Guerra de Secessão e do Velho Oeste Americano. Whedon, Serenity: The Official Visual Companion, pág. 8 Tinha a intenção de ser “um drama tipo Stagecoach com muitas pessoas tentando encontrar suas vidas em um ambiente pioneiro e desolado.”Whedon, Firefly Companion, Vol 1, 6 Whedon queria desenvolver um programa sobre a natureza tangível da vida, um programa onde a existência era mais física e mais difícil.Whedon, Firefly: the complete series: comentário "Serenity" Quando acabou de ler The Killer Angels, Whedon leu um livro sobre soldados guerrilheiros judeus na Segunda Guerra Mundial, que também o influenciou. Whedon queria criar alguma coisa para tv que era mais focada nos personagens e mais corajosa do que a ficção científica moderna. Ficção científica na TV, ele achava, havia tornado-se muito inocente e ilustre.Whedon, "Interview with Joss Whedon", Done the Impossible

Whedon queria dar um nome ao show que indicasse movimento e poder, e sentiu que firefly possuía ambos. O relativo significado insignificante da palavra poderosa, Whedon sentia, adicionava ao seu encantamento. Ele eventualmente resolveu criar uma nave baseada na imagem de um vaga lume (firefly).

Formato Durante a filmagem do episódio piloto, Whedon ainda estava discutindo com a FOX para apresentar a série em formato widescreen. Consequentemente, ele deliberadamente filmou cenas com os atores nas bordas extremas em ambos os lados para que a emissora não tivesse escolha. Entretanto, o piloto foi rejeitado pelos executivos da FOX, que sentiram que faltava ação no episódio e que o capitão era muito “duro”. Eles também não gostaram de uma cena em que a tripulação se sujeitou a um líder criminoso, já que a cena implicava que a tripulação eram “uns Zé ninguéns”. Devido a isso, a FOX avisou Whedon em uma tarde de sexta-feira que ele tinha que enviar um novo script para o piloto na segunda-feira ou a série não seria feita. Whedon e Tim Minear entraram em reclusão no fim de semana para escrever o que se tornaria o novo piloto, “The Train Job”.Whedon, Firefly: the complete series: "Train Job" comentário, trecho 1 Nesse novo piloto, o capitão era mais “feliz” e, por ordens da FOX, adicionaram personagens “maiores que a vida.” Whedon, Firefly: the complete series: "Train Job" comentário, trecho 7 Essas personagens se manifestaram como o capanga “Crow”, e os homens de “mãos azuis” (“hands of blue” man), que também introduziu um final tipo X-Files.

Para o novo piloto, a FOX deixou claro que não iria exibir os episódios em formato widescreen. Whedon e companhia sentiram que tinham que “servir dois mestres” já que filmavam em widescreen para o futuro lançamento do DVD, mas mantendo os objetos em quadro para que ainda funcionasse quando lançado em formato pan and scan full frame.Whedon, Firefly: the complete series: "Train Job" comentário, trecho 6 Para dar a audiência uma sensação imediata e imersiva, os episódios foram filmados em estilo documentário com câmeras portáteis de mão, os dando uma sensação de “imagens encontradas”, com objetos intencionalmente fora de foco e fora de quadro.Whedon, Firefly: the complete series: "Train Job" cometário, trecho 3 Como Whedon disse: “...não seja engenhoso, não seja genérico – seja encontrado, seja cru e tremido e docu[mentário] e você chega lá”.Whedon, Firefly Companion, Vol 1, 12 Cenas geradas por computador imitavam os movimentos de câmeras portáteis a mão. Entretanto, esse estilo não era usado em cenas que envolviam o governo central, a Aliança. Câmeras montadas e estacionárias eram usadas para mostrar a esterilidade desse aspecto no universo de Firefly.

Tomadas exteriores de ação ocorrendo no espaço sideral realisticamente não apresentavam efeitos de som, uma abordagem que entrava em contraste com muitos filmes e séries televisivas de ficção científica. Esse estilo de efeitos especiais foi desenvolvido pela Zoic Studios, a companhia responsável pelos efeitos especiais em ‘’Firefly’’. Depois do cancelamento de ‘’Firefly’’, Zoic Studios trabalhou nos efeitos especiais na reimaginação da série Battlestar Galactica. Na mini-série introdutória de Battlestar Galáctica, a Serenity pode ser vista voando por cima de uma cidade em uma cena. Catorze minutos e trinta e nove segundos do primeiro episódio da minissérie Battlesatar Galactica, no início da cena em que Laura Roslin recebe o diagnostico de câncer de mama. A nave Firefly é a terceira a aparecer no céu.

Design do cenário A diretora de arte Carey Meyer construiu a nave Serenity como um cenário completo em duas partes (uma para cada nível), com tetos e luzes práticas instaladas como parte do cenário para que as câmeras os utilizassem, junto com partes móveis. Whedon, Firefly Companion, Vol 1, 11 O cenário em duas partes também permitiu que a segunda unidade filmasse em uma sessão enquanto os atores e a primeira unidade trabalhavam, sem serem interrompidos, na outra. Como Whedon relembrou: “...você podia puxar para o lado ou mover alguma coisa enorme, podendo entrar dentro ou ao redor de qualquer coisa. Isso significava que o ambiente trabalhava em nosso favor e não havia muitos ajustes que precisavam ser feitos”. Havia outros benefícios desse design do cenário. Um deles era que permitia os telespectadores sentirem que estavam mesmo em uma nave. Para Whedon, o design da nave era crucial para definir o espaço conhecido para o telespectador, e que não havia “cento e catorze deques e um holodeck e um bufe “tudo que você possa comer” no fundo.”Whedon, Firefly Companion, Vol 1, 10 Ele queria transmitir que a nave era utilitária e que era “batida mas continuava e no final das contas, era o lar.Whedon, Firefly Companion, Vol 1, 10–11” Além disso, cada quarto representava uma emoção ou personagem, normalmente transmitida pela cor da tinta do quarto. Whedon também foi muito perspicaz em utilizar espaço vertical; logo, fazer com que os quartos da tripulação fossem acessados por meio de escadas era importante. Outro benefício do design do cenário era de que ele permitia que os atores permanecessem no momento e interagissem, sem ter que parar após cada tomada e recomeçar para a próxima. Isso contribuiu para o estilo documentário que Whedon tanto queria.

O cenário teve várias influências, incluindo portas de correr e pequenos cubículos remanescentes dos hotéis japoneses. Artista Larry Dixon notou que as paredes do compartimento de carga são “remanescentes de designs orientais sobrepostos, entrelaçados, claramente nos lembrando da ambientação da Aliança Americano-Chinesa enquanto artisticamente formando um plano padronizado para referencias sobre a história do universo da série.”"The Reward, the Details, the Devils, the Due", Finding Serenity, 8 Dixon também nota como o design do cenário contribuiu para a narração da história através do uso de cor, profundidade e composição, iluminação, e também com o uso de sombras padronizadas e diagonais.

O pequeno orçamento do programa foi outra razão para usar a nave para a maior parte da narração da história. Quando os personagens saíam da nave, todos os mundos tinham atmosfera e cor parecida com a Terra porque o programa não tinha como pagar o design de mundos alienígenas. “Eu não queria ir à Yucca Flats em cada episódio e o transformar em um Mundo Bizarro transformando o céu em laranja”, lembrava Whedon. Como Meyer também lembrava: “Eu acho que no final deu a impressão de que acabamos usando muito dos lugares ou exteriores que passavam aquela sensação de Western, e nos não necessariamente queríamos ir nessa direção; mas em um certo ponto, acabou se tornando o menor de dois maus—o que nós realmente poderíamos criar em três dias?”

Música A canção tema, "The Ballad of Serenity", foi escrita por Joss Whedon e cantada por Sonny Rhodes. Whedon escreveu a música antes do programa ser aceito pela emissora e uma gravação preliminar cantada por Whedon pode ser encontrada no DVD da série. A trilha sonora da série foi lançada em CD em 8 de novembro de 2005 por Varèse Sarabande. As músicas representavam a fusão cultural representada no programa. Música Western misturada com influências asiáticas produziu a atmosfera do pano de fundo do seriado. Como um crítico afirmou: