A Batalha do Olival de Cúnduros ou de Cúnduras () foi travada na primavera de 1205 em Messênia, no Peloponeso, entre as forças francesas Guilherme de Champlite e Godofredo I de Vilearduin e os bizantinos do Epiro liderados por Miguel I Comneno Ducas , resultando numa vitória dos cavaleiros franceses. Com o colapso da resistência grega na região, os latinos fundaram o Principado de Acaia.
Contexto
Em 1204, Constantinopla, a capital do Império Bizantino, foi conquistada pela Quarta Cruzada e pela República de Veneza, o que levou à desintegração Estado bizantino e a formação de uma série de estados sucessores, incluindo o Império Latino. Um dos principais líderes da cruzada, Bonifácio I de Monferrato, depois de perder a oportunidade de tornar-se imperador, fundou o Reino de Tessalônica. Na ocasião, Guilherme de Champlite o seguiu até ali, mas no começo de 1205, quando Godofredo I de Vilearduin chega ao acampamento cruzado em Náuplia, ambos partes em direção ao Peloponeso sob consentimento do rei. No acordo selado, Godofredo ofereceu compartilhar o território com Guilherme.
À frente de cerca de 100 cavaleiros e 400 soldados, Guilherme e Godofredo iniciaram a conquista da região. Inicialmente, os dois capturaram Modon com ajuda de João Cantacuzeno e seguiram ocupando as principais cidades do Peloponeso ocidental sem muita resistência. Os bizantinos da Lacônia, Arcádia e Argólida, liderados por Miguel I Comneno Ducas, que, na época, era o governador bizantino do Tema do Peloponeso, e Miguel Cantacuzeno, filho do já falecido João Cantacuzeno, tentaram detê-los num local conhecido como "Olival de Cúnduros", perto de Coroni (Koroni).
Descrição da batalha
A batalha foi descrita em dois textos da época, A Crônica da Conquista de Constantinopla, de Godofredo de Vilearduin, escrita entre 1207 e 1212, e a Crônica da Moreia, escrita por volta de 1300. Os dois textos foram escritos do ponto de vista dos conquistadores, o primeiro pelo tio de Godofredo I e o segundo, por uma pessoa de origem mestiça franco-grega, pois sua atitude em todo o relato é de admiração pelos francos e desprezo pelos locais.
De acordo com a "Crônica da Moreia", os francos tinham 700 homens para enfrentar gregos, montados e a pé. Godofredo de Vilearduin, tio de Godofredo I, em sua própria crônica afirma que o exército de Miguel tinha e enfrentava 500 francos. Seja como for, apesar de estarem em grande desvantagem numérica, os francos venceram a batalha. A derrota acabou com a resistência grega na região e todos os castelos e cidades no Peloponeso caíram em sequência. Miguel I fugiu ao Epiro e fundou ali o Despotado do Epiro.
A localização exata do "Olival de Cúnduros" é desconhecida. Godofredo menciona que estaria a um dia de distância do castelo de Modon (moderna Metoni), em algum lugar na planície messênia, um lugar ainda hoje repleto de olivais. Na "Crônica da Moreia", além do nome do proprietário (Contúras; Kontouras), um topônimo também foi referido: Cepesciános (), para o qual não existe informação alguma.
Segundo o relato do próprio Godofredo:
Na "Crônica da Moreia", a batalha está descrita entre os versos 1720 e 1738:
Resultado A Batalha do Olival de Cúnduros foi decisiva para a conquista do Peloponeso pelos francos. Depois da vitória, quase não houve mais nenhuma resistência à conquista da Moreia. Em Andravida, eles foram recebidos pelo povo e pela Igreja. A única resistência, bem depois, foi defensiva, liderada por Leão Esguro, que guardava os castelos de Náuplia e Acrocorinto. Guilherme de Champlite conseguiu tirar vantagem de suas vitórias e fundou o Principado da Acaia, um estado franco que abrangia todo o Peloponeso, com exceção das cidades venezianas na costa.
Bibliografia
Categoria:Batalhas envolvendo o Império Bizantino Categoria:Batalhas da Quarta Cruzada Categoria:1205 Categoria:Século XIII no Império Bizantino Categoria:Batalhas envolvendo o Principado de Acaia Categoria:Século XIII na Grécia Categoria:Messênia na Idade Média Categoria:Século XIII nas cruzadas