O Esquadrão N.º 1 é uma unidade aérea da Real Força Aérea Australiana (RAAF) colocada na Base aérea de Amberley, em Queensland. É subordinado à Asa N.º 82 e está equipado com aviões de caça multiuso Boeing F/A-18F Super Hornet. O esquadrão foi formado no Australian Flying Corps em 1916 e prestou serviço nas campanhas militares da Entente na Palestina e no Sinai, durante a Primeira Guerra Mundial. Nesta altura operava aviões Royal Aircraft Factory B.E.2, B.E.12, Martinsyde G.100 e G.102, assim como aviões Airco DH.6, Bristol Scout e Nieuport 17, antes de ser re-equipado com aviões R.E.8 em Outubro de 1917 e, finalmente, com o Bristol F.2 Fighter em Dezembro. O seu comandante entre 1917 e 1918 foi o Major Richard Williams, mais tarde conhecido como o "Pai da RAAF". Dissolvido em 1919, o Esquadrão N.º 1 voltou a ser formado em 1922, desta vez como parte da RAAF, e três anos mais tarde voltou a tornar-se numa unidade operacional.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o esquadrão operou bombardeiros Lockheed Hudson nas campanhas militares na Malásia e nas Índias Orientais Holandesas, sofrendo pesadas baixas antes de ser reduzido a uma pequena unidade de treino em 1942. No ano seguinte foi re-formado com aviões Bristol Beaufort, e depois re-equipado com aviões de Havilland Mosquito em 1945 para realizar missões nas Índias Orientais Holandesas. Reduzido novamente a uma unidade de treino após o cessar das hostilidades, o esquadrão foi re-estabelecido em Amberley em 1948, como uma unidade de bombardeiros pesados Avro Lincoln. Entre 1950 e 1958 esteve destacado em Singapura, realizando missões durante a Emergência Malaia, onde suportou o fardo da campanha aérea da Commonwealth contra as guerrilhas comunistas. Quando regressou à Austrália foi re-equipado com bombardeiros a jacto English Electric Canberra. Entre 1970 e 1973 operou aviões McDonnell Douglas F-4E Phantom, tendo depois sido equipada com o General Dynamics F-111 que operou por 37 anos, substituindo-os em 2010 pelos Super Hornet. Entre 2014 e 2015, e novamente em 2017, um destacamento do esquadrão foi enviado para o Médio Oriente como parte da contribuição australiana na intervenção militar contra o Estado Islâmico.
Missão e equipamento thumb|esquerda|upright=1.2|Um F/A-18F Super Hornet do Esquadrão N.º 1 em 2013|alt= Forward section of military jet on an airfield, with open canopy and two crewmen seated in the cockpit O Esquadrão N.º 1 está localizado na Base aérea de Amberley, em Queensland, e é controlado pela Asa N.º 82, que faz parte do Grupo de Combate Aéreo. A sua missão e responsabilidade inclui combate ar-ar e combate ar-terra. O esquadrão é apelidado de "Fighting First". As asas apresentadas no seu brasão simbolizam "uma kookaburra numa posição de mergulho sobreposta por uma cruz de Jerusalém", que simboliza a Cruz Vitória ganha na Palestina durante a Primeira Guerra Mundial pelo piloto do esquadrão Frank McNamara. O lema da unidade é "Videmus Agamus" (em português: nós vemos e nós atacamos).
O esquadrão opera aviões de caça multiuso Boeing F/A-18F Super Hornet, o primeiro dos quais entrou em serviço em Março de 2010. Com a alcunha de "Rinoceronte", a sua missão inclui superioridade aérea, escolta aérea, ataque ar-terra, ataque aeronaval, apoio aéreo próximo e reconhecimento aéreo. O Super Hornet é maior do que o clássico McDonnell Douglas F/A-18 Hornet também operado pela RAAF; consegue carregar uma maior quantidade de armamento aéreo e tem uma capacidade de combustível superior. Está equipado com canhões de 20 milímetros e pode ser armado com mísseis ar-ar e antinavio, assim como com uma vasta variedade de bombas e mísseis ar-terra. Operado por uma equipa de dois militares, um piloto e um oficial de combate aéreo (ACO), é capaz de atacar alvos no ar e no solo simultaneamente.McPhedran, Air Force, p. 356 Pode ser re-abastecido em pleno voo pelos Airbus KC-30A MRTT da RAAF. O Super Hornet têm a sua manutenção realizada por militares técnicos do próprio esquadrão, contudo, manutenção mais pesada é realizada pela Boeing e por outras empresas aeronáuticas.,
História Primeira Guerra Mundial O Esquadrão N.º 1 foi estabelecido como uma unidade do Australian Flying Corps (AFC) em Point Cook, Victoria, em Janeiro de 1916, sob o comando do Tenente-coronel E. H. Reynolds.Eather, Flying Squadrons, pp. 8–9 Com um efectivo de 28 oficiais mais 195 militares, sem qualquer aeronave e com pouco treino, o esquadrão embarcou para o Egipto em Março de 1916, chegando ao Suez um mês depois.Molkentin, Fire in the Sky, pp. 24, 56–57 Uma vez no Egipto, ficou sob o controlo da Asa N.º 5 do Royal Flying Corps (RFC).Molkentin, Fire in the Sky, p. 57 Depois de os militares receberem algum treino adicional no Egipto e na Inglaterra, o esquadrão foi declarado como operacional no novo quartel-general em Heliopolis, no dia 12 de Junho, quando assumiu uma série de aeronaves do Esquadrão N.º 17 do RFC. Contudo, as suas três esquadrilhas estavam a operar separadas umas das outras em diferentes bases no Deserto do Sinai, e o esquadrão não voltou a estar unido até Dezembro.RAAF Historical Section, Bomber Units, pp. 1–2Cutlack, The Australian Flying Corps in the Western and Eastern Theatres, pp. 35–36 Operando aviões bilugares B.E.2 primitivos e mal armados, a sua principal missão durante este período na campanha do Sinai era o reconhecimento aéreo, incluindo fotografia aérea, para auxiliar as operações do Exército Britânico.Molkentin, Fire in the Sky, pp. 59–60 Os pilotos do esquadrão ligados ao Esquadrão N.º 14 do RFC participaram na Batalha de Romani, em Julho e Agosto.Cutlack, The Australian Flying Corps in the Western and Eastern Theatres, p. 40Molkentin, Fire in the Sky, pp. 63–64 Em Setembro e Outubro, os destacamentos B e C, liderados pelos capitães Oswald Watt e Richard Williams respectivamente, realizaram missões de bombardeamento e reconhecimento aéreo em auxilio a uma unidade de cavalaria ligeira australiana, no norte de Sinai.Molkentin, Fire in the Sky, pp. 61–62, 68–70thumb|esquerda|upright=1.2|Membros do Destacamento C do Esquadrão N.º 1, incluindo o Tenente McNamara (à esquerda), o Capitão Williams (terceiro a partir da direita) e o Tenente Wackett (à direita), em frente a um avião Martinsyde perto do Canal do Suez, no Egipto, em 1917|alt=Full-length outdoor portrait of six men in military uniforms in front of a military biplane with a machine gun mounted on the upper wing No dia 12 de Setembro de 1916 os britânicos começaram a referir-se ao Esquadrão N.º 1 como o Esquadrão Nº 67 do RFC. Esta prática continuou até Janeiro de 1918, quando a unidade se tornou oficialmente no Esquadrão N.º 1 do AFC. A relação entre os pilotos e tripulantes com as tripulações de terra era menos formal que nas unidades britânicas; os membros do esquadrão diziam que apenas o comandante era tratado por "Sir", e que os restantes oficiais não exigiam que lhes fosse feita continência militar.Molkentin, Fire in the Sky, p. 52 O esquadrão recebeu o primeiro de vários aviões Martinsyde G.100 no dia 16 de Outubro; embora fosse considerado um avião obsoleto, ele era substancialmente mais rápido que o B.E.2, além de estar armado com metralhadoras apontadas para a frente.Molkentin, Fire in the Sky, p. 71 Pouco tempo depois de a unidade ter participado no bombardeamento aéreo contra Beersheba no dia 11 de Novembro, o Tenente Lawrence Wackett conseguiu fixar uma metralhadora no topo de um B.E.2, usando um mecanismo desenvolvido por ele próprio.Cutlack, The Australian Flying Corps in the Western and Eastern Theatres, pp. 43–45 Cada destacamento foi equipado com um Bristol Scout no início de Dezembro, contudo este avião estava demasiado obsoleto e tinha uma velocidade reduzida, o que fez com que o esquadrão deixasse de o operar depois de três meses.Cutlack, The Australian Flying Corps in the Western and Eastern Theatres, p. 47 Outros modelos atribuídos à unidade incluíram o Airco DH.6, o Martinsyde G.102 e o Nieuport 17. No dia 17 de Dezembro, os destacamentos do esquadrão foram finalmente reunidos.Molkentin, Fire in the Sky, p. 75