As revelações da vigilância global referem-se à divulgação, a partir de 2013, de informações sobre fatos e organizações relacionados com a prática de espionagem e vigilância globalizada - isto é, além das fronteiras internacionais - e com capacidade de intromissão nos meios de comunicações de todo o mundo. Tomgram: Alfred McCoy, It's About Blackmail, Not National Security. Por Alfred W. McCoy, TomDispatch, 19 de Janeiro de 2014 Documentos da NSA files decodificados: As revelações de Edward Snowden explicadas inglês)inglês) como a vigilância global afeta sua vida- vigilância global explicada | World news | theguardian.com

A partir de junho de 2013, revelações acerca de um sistema de vigilância global organizado pelos Estados Unidos, através da sua agência de segurança NSA, receberam atenção do público em todo o mundo. As revelaçõesNSA violou normas e lei de espionagem milhares de vezes Espionagem dos Estados Unidos:Cronologia- VEJA - 16 de agosto de 2013 baseiam-se em documentos confidenciais expostos pelo americano Edward SnowdenSnowden gains support from protesters in Hong Kong - video | World news | theguardian.comEdward Snowden is a 'traitor' and possible spy for China – Dick Cheney | World news | theguardian.com e mostram detalhes acerca das atividades de vigilância da NSA e sobre programas até então desconhecidos do público mas que têm grandes implicações na privacidade dos indivíduos.

Na ocasião, tornou-se de conhecimento público o fato de que os Estados Unidos vêm operando sistemas de monitoramento e vigilância das comunicações eletrônicas em todo o mundo. Os programas de vigilância global têm vários objetivos e capacidades, entre elas a de interceptar comunicações por e-mail, voz, vídeo, fac-símile e qualquer outro meio de comunicação em qualquer parte do mundo.

A montagem do sistema de vigilância global coincide com a construção da hegemonia norte-americana a partir da segunda metade do século XX. Com a perda do poderio econômico estadunidense, a CIA e a NSA, passaram também a espionar empresas estrangeiras e a repassar informações privilegiadas obtidas pelo Echelon às corporações americanas e aos aliados no monitoramento global, os membros do grupo chamado "Cinco Olhos", composto por Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Canadá e Nova Zelândia, que e um sistema geopolítico de espionagem eletrônica dos EUA, controlado pela NSA, Agência de Segurança Nacional americana.

Antecedentes Barton Gellman, jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer que fez a cobertura do The Washington Post acerca das revelações de Snowden, resumiu o ocorrido da seguinte maneira:

Os vazamentos revelaram detalhes específicos sobre a cooperação íntima da Agência de Segurança Nacional (NSA) com agências federais dos EUA, como o FBI (FBI) e a CIA, além dos pagamentos até então desconhecidos que a NSA efetuou a vários parceiros comerciais e a companhias de telecomunicações, bem como as relações que ela mantinha em segredo com seus sócios internacionais, tais como Reino Unido, França e Alemanha, e seus tratados secretos firmados recentemente com governos estrangeiros para o compartilhamento de dados interceptados de cidadãos desses países. Todas essas informações foram tornadas públicas pela imprensa de muitos países ao longo de vários meses, desde junho de 2013, a partir de documentos confidenciais vazados pelo ex-contratado da NSA, Edward J. Snowden, o qual teve acesso ao material enquanto trabalhava para a empresa estadunidense Booz Allen Hamilton, um dos maiores prestadores de serviços dirigidos a órgãos de defesa e inteligência dos Estados Unidos.

George Brandis, procurador-geral da Austrália, afirmou que a descoberta de Snowden é o "mais grave retrocesso para a inteligência ocidental desde a Segunda Guerra Mundial".

Vigilância global

Desde dezembro de 2013, os programas de vigilância global incluem: + Programas de vigilância global Programa Colaboradores e/ou parceiros internacionais Parceiros comerciais PRISM Australian Signals Directorate (ASD/DSD) da Austrália Government Communications Headquarters (GCHQ) do Reino Unido Algemene Inlichtingen en Veiligheidsdienst (AIVD) dos Países Baixos Microsoft Facebook Apple Google XKeyscore Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) da Alemanha Bundesamt für Verfassungsschutz (BfV) da Alemanha Försvarets radioanstalt (FRA) da Suécia Tempora Agência de Segurança Nacional (NSA) British Telecommunications (código Remedy) Interoute (código Streetcar) Level 3 (código Little) Global Crossing (código Pinnage) Verizon Business (código Dacron) Viatel (código Vitreous) Vodafone Cable (código Gerontic) MUSCULAR NSA Project 6 Agência Central de Inteligência (CIA)Stateroom DSD Communications Security Establishment Canada (CSEC) GCHQ Serviço de Coleta Especial (SCS) Lustre NSA Direction Générale de la Sécurité Extérieure (DGSE) da França

A NSA também obtinha dados diretamente de empresas de telecomunicações de codinomes Artifice, Lithium, Serenade, SteelKnight e X. Suas verdadeiras identidades não foram incluídas na lista de documentos vazados por Snowden, pois estavam protegidas como Informação Excepcionalmente Controlada, o que previne a sua ampla difusão até mesmo para aqueles que, assim como Snowden, possuem a autorização de segurança necessária.

Informações reveladas 200px|thumb|Documentos secretos de 2012 contendo as projeções orçamentais e contas consolidadas de 2011 a 2017 das agências de inteligência, de ramos do exército dos Estados Unidos (marinha, exército terrestre, marines e forças aéreas) e de outras agências de segurança norte-americanas. (Para visualizar em PDF: )

Embora o tamanho exato dos documentos revelados por Snowden seja desconhecido, vários funcionários do governo apresentaram as seguintes estimativas: Pelo menos 15 000 arquivos da inteligência da Austrália, segundo funcionários desse país. Pelo menos 58 000 arquivos da inteligência do Reino Unido, segundo funcionários desse país. Cerca de 1,7 milhão de arquivos da inteligência dos Estados Unidos, segundo declarações concedidas à imprensa pelo Departamento de Defesa desse país.

Como ex-contratado da NSA, Snowden obteve acesso autorizado a documentos do governo norte-americano e a informações ultrassecretas de governos aliados, através da exclusiva aliança Cinco Olhos. Snowden afirma que atualmente não tem mais posse material de nenhum desses documentos, depois de ter entregado todas as cópias aos jornalistas com quem se encontrou em Hong Kong.

Segundo seu advogado, Snowden comprometeu-se em não liberar qualquer documento enquanto estivesse na Rússia, deixando essa responsabilidade unicamente nas mãos dos jornalistas. A partir de 2014, os seguintes veículos de notícias tiveram acesso a alguns dos materiais fornecidos por Snowden: Australian Broadcasting Corporation, Canadian Broadcasting Corporation, Channel 4, Der Spiegel, El Pais, El Mundo, L'espresso, Le Monde, NBC, NRC Handelsblad, Dagbladet, O Globo, South China Morning Post, Süddeutsche Zeitung, Sveriges Television, The Guardian, The New York Times e The Washington Post.

Contexto histórico

Na década de 1970, um analista da NSA chamado Perry Fellwock, sob o pseudônimo de "Winslow Peck", revelou a existência do Tratado de Segurança UK-USA, que forma as bases da rede ECHELON, cuja existência foi revelada em 1988 por Margaret Newsham, ex-funcionária da antiga corporação Lockheed. Meses antes do ataque terrorista de 11 de setembro e nos dias que o sucederam, vários indivíduos divulgaram mais informações sobre o aparato de vigilância global, como o ex-funcionário do MI5 britânico, David Shayler, e o jornalista James Bamford. Depois deles, seguiram-se outros:

William Binney e Thomas Andrews Drake, funcionários da NSA, declararam que a agência está expandindo rapidamente suas operações de vigilância. Em 2003, por meio do jornal britânico The Observer, Katharine Gun tornou público um plano da NSA de colocar microfones escondidos nos corpos de representantes de vários países diante das Nações Unidas, pouco antes da Guerra do Iraque (seis países cujos votos seriam decisivos para que a ONU aprovasse a invasão norte-americana ao Iraque: Angola, Bulgária, Camarões, Chile, Guiné e Paquistão). Depois de sua revelação, o GCHQ a demitiu e o governo britânico a acusou, em 13 de novembro de 2003, conforme a seção 1 da Lei de Segredos Oficiais de 1989. O caso chegou aos tribunais em 25 de fevereiro de 2004; por motivos desconhecidos, a acusação não apresentou provas, e ela ficou livre depois de somente meia hora. Clare Short, que compôs o gabinete britânico entre os anos 1997 e 2003, declarou em 2004 que o Reino Unido havia espionado o secretário-geral da ONU Kofi Annan. Russ Tice, ex-analista de inteligência da NSA, deu início à controvérsia sobre a vigilância sem garantias da NSA após dizer que o governo de George W. Bush havia espionado cidadãos americanos sem a aprovação da justiça. Leslie Cauley, jornalista do USA Today, revelou em 2006 que a NSA mantém um enorme banco de dados de chamadas telefônicas de cidadãos dos EUA. Em 2006, o ex-técnico da AT&T, Mark Klein, tornou pública a existência da Sala 641A, uma unidade de interceptação de telecomunicações operada pela companhia para a NSA, cujas atividades se iniciaram em 2003. Em 2011, os ativistas Julian Assange e Chelsea Manning revelaram a existência de uma indústria de vigilância em massa. Michael Hastings, jornalista americano, publicou em 2012 que manifestantes do movimento Occupy Wall Street estavam sob vigilância.

Depois das revelações de Snowden, o Pentágono concluiu que ele havia praticado o maior roubo de segredos dos Estados Unidos em toda a história do país. Na Austrália, o governo de coalização considerou que os vazamentos causaram os danos mais graves da história contra a inteligência australiana. Sir David Omand, ex-diretor do GCHQ, do Reino Unido, afirmou que as ações de Snowden tinham sido a "perda mais catastrófica nunca antes vista contra a inteligência britânica". Segundo William Binney em 2013, a NSA é totalitária.NSA 'totalitarian,' ex-staffer tells German parliament

Cronologia das Revelações da Vigilância Global 1970 a 2013

2013 em diante As revelações sobre o sistema de vigilância global iniciadas em junho de 2013, com base em documentos revelados por Edward Snowden, continuam sendo publicadas ao redor do globo e a cada dia novos programas são expostos ao público. Em abril de 2014, o jornal The Guardian avalia que até então somente 2% dos documentos fornecidos por Edward Snowden aos órgãos de imprensa foram publicados.miniaturadaimagem|The Mira Hotel em Hong Kong, onde Edward Snowden se encontrou pela primeira vez com Glenn Greenwald, Laura Poitras, e o jornalista Ewen MacAskill do The Guardian

2013

Em 5 de junho de 2013 - Glenn Greenwald, através do The Guardian, junto a outros jornais como o The New York Times, The Washington Post, Der Spiegel, iniciaram publicações com as revelações de vigilância eletrônica global americana executada pela Agência de Segurança Nacional (NSA), baseadas em documentos vazados pelo ex-contratado da NSA, o analista de segurança de redes Edward Snowden. As primeiras publicações de Glenn Greenwald,Glenn Greenwald, um jornalista no caminho de Obama - Jornal O Globo se referem ao fato da NSA estar coletando registros telefônicos de milhões de clientes da Verizon diariamente.NSA collecting phone records of millions of Verizon customers daily | World news | The Guardian