A fome no Brasil é um problema que persiste no país. Apesar da grande extensão territorial do Brasil e de seu enorme potencial agrícola, problemas como a desigualdade social e a concentração fundiária fazem com que pessoas ainda não tenham o suficiente para sua nutrição, apesar de o país produzir alimentos em quantidade suficiente para todos. A luta contra a fome no Brasil teve uma atenção especial durante o governo Lula, quando foram criados programas sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família, buscando fazer distribuição direta de renda. Em 2014, pela primeira vez, o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU.
Devido às consequências da crise econômica brasileira de 2014, o Brasil voltou ao Mapa da Fome em 2018. A situação piorou bastante nos anos seguintes, pois, somada à crise de 2014, veio a crise causada pela Pandemia de COVID-19. O país somente voltou a sair do Mapa da Fome em 2025.BRASIL sai do Mapa da Fome novamente. Forbes, [s. l.], 28 jul. 2025. Forbes ESG. Acesso em: 1 jul. 2026.
Políticas públicas de combate à fome no Brasil Em 1955, é criada a Campanha da Merenda Escolar, que, posteriormente, em 1979, viria a ser o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A campanha é criada tendo em vista os apontamentos feitos pelo médico, nutrólogo e geógrafo Josué de Castro em sua obra Geografia da fome: o dilema brasileiro: pão ou aço, em 1946. De maneira pioneira, Josué evidenciou a relação entre desigualdade social e a insegurança alimentar e nutricional, demonstrando que não só a quantidade de alimentos disponíveis é suficiente para garantir uma boa alimentação, mas também o acesso e a qualidade dos alimentos deveriam ser levados em conta. Para o autor, quando a fome e a insegurança alimentar são compreendidas como decorrentes de fatores socioeconômicos, seu enfrentamento pode ser feito a partir da implementação de políticas públicas intersetoriais.
Durante as décadas de 1990 e 2000, no PNAE, ações voltadas à transferência de renda, articuladas a áreas como educação, saúde e assistência social, passam a constituir instrumentos centrais para a promoção da Segurança Alimentar e Nutricional, auxiliando na redução das desigualdades socioeconômicas, como, por exemplo, a Lei nº 11.947, sancionada em 16 de junho de 2009, que determina sobre a reserva à agricultura familiar e in natura dos alimentos servidos nas escolas públicas brasileiras:Lei 11.947, de 16 de junho de 2009:
Art. 14. Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% (trinta por cento) deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.
§ 1º A aquisição de que trata este artigo poderá ser realizada dispensando-se o procedimento licitatório, desde que os preços sejam compatíveis com os vigentes no mercado local, observando-se os princípios inscritos no art. 37 da Constituição Federal, e os alimentos atendam às exigências do controle de qualidade estabelecidas pelas normas que regulamentam a matéria.A partir de 2003, ocorre a criação do programa Fome Zero, bem como o fortalecimento de iniciativas de transferência de renda e o aperfeiçoamento de programas como o PNAE. Segundo Mariana Bezerra, essas iniciativas contribuíram para a expressiva redução dos indicadores de Insegurança Alimentar e Nutricional, culminando na retirada do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014. O retorno do país ao Mapa da Fome, em 2022, foi associado ao agravamento das condições econômicas e sociais intensificadas pela pandemia de Covid-19, enquanto uma nova retirada foi registrada em 2025, refletindo a recuperação dos indicadores de Segurança Alimentar e Nutricional.
Fome Zero O programa Fome Zero, desenvolvido entre os anos de 2003 e 2004 do primeiro governo do presidente Lula, tornou-se a base estratégica do combate à fome e a insegurança alimentar no país. O programa reconhecia que esses problemas só poderiam ser tratados por meio da inserção de seu combate dentro de uma estratégia maior de desenvolvimento econômico e social do Brasil, indo além da superação apenas da pobreza e da fome. A noção de segurança alimentar que norteou o programa entendia a pobreza e o desemprego enquanto causas significantes da fome em território nacional, de modo que a expansão da capacidade produtiva brasileira não teve como consequência a ampliação do acesso aos alimentos e o fim da fome. Por essa razão, a estratégia utilizada pelo Fome Zero reunia 33 programas sociais organizados em 4 eixos diferentes: acesso aos alimentos, fortalecimento da agricultura familiar, geração de renda, e articulação, mobilização e controle social. Desse modo, o programa Fome Zero tinha como proposta a articulação de políticas em diversos setores e estruturas sociais. O programa Fome Zero consistiu em um importante marco inicial do processo de fortalecimento da segurança alimentar e nutricional em âmbito nacional.
Lei LOSAN Homologada em setembro de 2006, a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) foi um importante passo no combate à fome e à insegurança alimentar no Brasil. Desenvolvida pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), a lei tem o objetivo de assegurar o direito humano à alimentação adequada e tem como base a articulação de diversos setores públicos. A LOSAN também estabeleceu o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), a fim de garantir o direito humano à alimentação apropriada, prevendo ações que fossem fundamentadas nos princípios da universalidade e igualdade de acesso à condições alimentares adequadas, prevendo também a participação social na organização, execução, acompanhamento e controle de ações governamentais transparentes.
Crise em 2021
Uma crise de fome ocorreu no Brasil em 2021. Até o momento não foram relatadas mortes oriundas desta crise, porém, há relatos de pessoas chegando em unidades de saúde com sintomas de inanição. Atualmente é estimado que o Brasil tenha ao menos 119 milhões de pessoas com alguma privação alimentar pela crise, sendo destes, cerca 19 milhões passando fome diariamente. Segundo especialista da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, esta é a pior crise de fome enfrentada nos últimos anos pelo Brasil.
A crise financeira causada principalmente pela COVID-19 e pela alta inflação afetam diretamente os brasileiros, com o aumento exponencial dos preços de produtos básicos e a redução da renda de desempregados e autônomos. As políticas públicas voltadas para estabilidade social como o programa de auxílio emergencial e o auxílio Brasil não conseguem compensar os gastos mensais com comida de brasileiros afetados pela crise da COVID-19. miniatura|250px Outra causa é a falta de políticas de combate à fome. Estas políticas — comuns nos governos dos presidentes Lula e Dilma — são praticamente inexistentes no governo Bolsonaro. Estas políticas criticadas pelo mesmo antes da crise poderiam ter amenizado a situação caótica que está sendo instaurada em todo território nacional, os auxílios sociais planejados atualmente pelo governo federal não conseguem atualizar seus preços em relação com os crescentes preços de produtos essenciais (como o gás de cozinha e a cesta básica), assim não garantindo que mesmo com o auxílio, uma família consiga se alimentar durante um mês inteiro.
Alguns casos estão sendo relatados por todo o país que apresentam a crise que está sendo instaurada, sendo eles:
Em Brasília no Distrito Federal, um homem foi flagrado gritando em busca de comida em meio á condomínios. O homem pedia leite e pão para alimentar sua família enquanto ressaltava que estava com fome. A atitude do homem foi considerada uma atitude de desespero de alguém que realmente estava em um processo crescente de inanição, assim demonstrado pela sua ansiedade e irritabilidade em seu gesto. Em Fortaleza no Ceará, pessoas foram flagradas atacando um caminhão de lixo que passava em frente a um supermercado em busca de comida descartada pelo mesmo. A imagem de uma família inteira dentro da caçamba de um caminhão de resíduos orgânicos circulou o mundo. No estado de São Paulo, diversas pessoas foram flagradas desmaiando em filas de unidades de pronto atendimento por conta da fome, médicos começaram á relatar um crescente numero de cidadãos procurando consultas médicas para pedir alimentos. No estado do Rio de Janeiro, existem relatos de professores assustados com crianças que estão consumindo carne de gambás para ter o que comer, a venda da carne do animal é proibida por razões sanitárias. Professores relatam o desmaio por fome de alunos em escolas estaduais em comunidades carentes.
Saída do mapa da fome em 2025 O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU em 2025. A conquista foi confirmada no relatório da FAO (agência da ONU), que apontou a redução da insegurança alimentar grave para menos de 2,5% da população, retirando cerca de 24 milhões de brasileiros dessa condição.RESENDE, Thiago. Brasil sai novamente do Mapa da Fome, segundo relatório da ONU. G1, Brasília, 28 jul. 2025. Política. Acesso em: 1 jul. 2026.
A saída do país do mapa envolveu a reorganização de políticas de transferência de renda e assistência social, sendo os principais pilares:
Bolsa Família: Fortalecimento e unificação dos repasses do programa social.BRASIL. Presidência da República. Brasil sai do Mapa da Fome da ONU: conquista histórica reflete políticas públicas eficazes. Brasília, DF: Planalto, 28 jul. 2025. Acesso em: 1 jul. 2026.
Agricultura Familiar: Estímulo à produção e programas de aquisição de alimentos.
Rede de Proteção Social: Retomada de investimentos na merenda escolar e garantia de emprego e renda.
Ver também Fome Carestia Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Problemas sociais do Brasil Racismo no Brasil Seca no Brasil Agronegócio no Brasil Agricultura no Brasil Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura#FAO e o Brasil Programa Alimentar Mundial Índice Global da Fome
Brasil