Manihot esculenta, conhecida como mandioca, macaxeira, aipim, castelinha, uaipi, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre,FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 077. mandioca-brava e mandioca-amarga, é uma planta da família das Euphorbiaceae. Esta planta é nativa da América do Sul, no entanto está presente em muitas regiões do mundo.

O seu consumo só pode ocorrer depois de uma etapa de cozimento que reduza o conteúdo de HCN (cianeto de hidrogênio) para níveis muito baixos. Como o cianeto de hidrogénio é muito volátil, a sua redução ocorre devido à temperatura de cozimento, o que ocasiona a evaporação do composto.

É a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois do arroz e do milho, e é um dos principais alimentos básicos no mundo em desenvolvimento, existindo na dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor. por Antônio Abrantes, artigo sobre Nagib Nassar (acessado em fevereiro de 2009)

No Brasil, o termo mandioca-amarga ou mandioca-brava é utilizado para as plantas com teor de ácido cianídrico (HCN) superior a 100 mg/kg; enquanto que o termo macaxeira, mandioca-mansa, mandioca de mesa ou aipim, é utilizado nas plantas que possuem menos de 50 mg de HCN por kg de raiz fresca sem casca.

Etimologia "Mandioca" origina-se do termo tupi mani'oka, ou mandi'oka, que significa "mani arrancado", isto é, extraído da terra (do verbo 'ok, arrancar). Mani- é um elemento de composição, presente também em maniva, maniçoba, etc, mas cujo significado isolado não é determinado.

"Maniva" origina-se do termo tupi mani'yba, literalmente "pé de mani". "Aipim" origina-se do termo tupi aîpĩ.

Doenças fitossanitárias As doenças estão entre as principais causas da queda de produção e produtividade da cultura da mandioca. No estado do Pará, a exemplo, as podridões radiculares são responsáveis pelas maiores perdas.Embrapa, 2014

Podridão Radicular – Afeta principalmente os cultivos da região norte. Estima-se que na região amazônica em áreas de várzea a perda chegue a mais de 50% e, em áreas de terra firme, 30%. Já em áreas que detêm solos com má drenagem da água da chuva observa-se que estas perdas são, na maioria dos casos, totais.

A sintomatologia observada nas raízes permite distinguir em dois grupos de podridões:

a) Podridão mole: Os agentes etiológicos são espécies de Phytophthora e Pythium, atualmente classificados no reino Chromista (Stramenopila). Tais organismos fitopatogênicos infectam as plantas, causando podridão-mole, decorrente de características necróticas dos patógenos que atuam na maceração dos tecidos de reserva, levando a desintegração das raízes, que liberam um odor forte e característico. O amarelecimento e murcha da parte aérea da planta são sintomas reflexos do apodrecimento das raízes, geralmente observado a partir do 2 ou 3 meses de intensa ocorrência de chuvas.

b) Podridão Seca: Especies de Fusarium, Scytalidium, Lasiodiplodia e Diplodia são os principais agentes etiológicos da podridão-seca, a qual se caracteriza pela ocorrência de áreas necróticas secas e/ou pontuações enegrecidas nos tecidos internos das raízes e também na casca.

Sinônimos Sinônimos e nomes arcaicos:

Cultivares (variedades) A cultura da mandiocaEMBRAPA, Mandioca, Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas, Brasília, Embrapa Informação Tecnológica, 2006 apresenta ampla variabilidade genética representada pelo grande número de cultivares disponíveis no Brasil, seu local de origem. Até 2006 já haviam sido catalogadas, apenas no Brasil, mais de 4 mil delas mantidas em coleções e bancos de germoplasma de várias instituições de pesquisa. A maioria dessas cultivares é fruto do trabalho de seleção e conservação dos agricultores em suas lavouras durante anos seguidos. São as chamadas variedades crioulas.GOVERNO FEDERAL, Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, Você sabe qual a importância das sementes crioulas?, consultado em 2017-11-15

O ciclo cultural da mandioca é o período que vai do plantio à colheita. As cultivares de mandioca têm ciclos que variam de 6 a 36 meses e, com base neles, são classificadas em: Precoces (ciclo de 10 a 14 meses); Semiprecoces (ciclo de 14 a 16 meses); Tardias (ciclo maior que 18 meses).

A mesma cultivar dificilmente se comporta de forma semelhante em todos os locais pois, por apresentar alta interação do genótipo com o ambiente, caracteriza-se por adaptação localizada, podendo o comportamento de uma mesma cultivar variar até entre lavouras de agricultores da mesma região, em decorrência de diferenças de solo ou de manejo do cultivo.

É considerada planta rústica e com ampla capacidade de adaptação, sendo cultivada em todas as regiões tropicais, adaptando-se às mais variadas condições de clima e solo. Independentemente de sua ampla variabilidade genética e de sua interação com o ambiente, os principais parâmetros ecológicos da mandioca são constituídos por temperatura, radiação solar, fotoperíodo, regime hídrico e solo.

O principal critério utilizado na seleção de cultivares para consumo humano é a existência de baixo teor de ácido cianídrico nas raízes. Características como tempo de cozimento das raízes, palatabilidade, ausência de fibras na massa cozida e resistência à deterioração após a colheita também devem ser consideradas.

As cultivares recomendadas para a alimentação animal devem apresentar alto rendimento de raízes e da parte aérea, boa retenção foliar, alto teor de proteína nas folhas e teor mínimo de ácido cianídrico, tanto nas folhas como nas raízes.

Composição nutricional A mandioca é rica em fibras, isenta de glúten e possui 3 vezes mais calorias que a batata. Possui dois tipos de carboidrato: a amilopectina e a amilose.

Valor nutricional por 100 g de mandiocahttps://saude.abril.com.br/alimentacao/o-que-e-que-a-mandioca-tem-as-vantagens-do-consumo-da-raiz/ Calorias (Kcal)……………………160 Proteínas (g)……………………..1,36 Lipídeos (g)……………………….0,28 Carboidratos (g)……………….38,06 Fibras (g)……………………………1,8 Cálcio (mg)………………………….19 Vitamina C (mg)…………………20,6

Toxicidade A mandioca se difere das outras plantas produtoras de amido por seu teor de linamarina (beta-glicosídeo de acetona cianidrina), que pode gerar cianeto livre (ânion CN−) o qual, em água, forma ácido cianídrico, cianeto de hidrogênio ou cianureto de hidrogênio, (HCN),.FURTUNATO, D.M.N. (UFBA); ALMEIDA, D.T. (UFBA); CARDOSO, L.A. (UFBA), Determinação do teor de ácido cianídrico em folhas de mandioca (Manihot esculenta Crantz) desidratadas, Natal, Associação Brasileira de Química - Seção Regional do Rio Grande do Norte (ABQ-RN), 2007, consultado em 2017-11-15 composto extremamente volátil, porém, altamente tóxico podendo em pequenas quantidades provocar ataxia e morte Isto deve-se ao fato de que os cianetos iónicos se coordenam com íons férricos contidos no citocromo oxidase III da mitocondria, impedindo a redução do oxigênio em água da cadeia transportadora de elétrons, matando a pessoa exposta por sufocamento. GRAHAM, J. TRAYLOR, J. Cyanide toxicity. NIH-National Library of Medicine. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK507796/#:~:text=The%20toxicity%20of%20cyanide%20is,reduction%20of%20oxygen%20to%20water. Por esta razão é necessário o cozimento da Mandioca antes do seu consumo para que diminua o conteúdo de HCN para valores abaixo de 0,5 mg/kg de produto A dose letal de HCN para o ser humano oscila entre 50 a 60 mg/kg de peso-vivo.

Em relação à quantidade de HCN/kg na raiz fresca sem casca, as cultivares são classificadas em: mansas — aipim ou macaxeira (<50 mg), não têm sabor amargo e são usadas para consumo humano. O cozimento, fritura ou assamento são processamentos suficientes para torná-las seguras; moderadamente venenosas (entre 50 a 100 mg); bravas ou venenosas (> 100 mg), têm sabor amargo, são usadas somente para fins industriais e só podem ser consumidas após processadas, na forma de farinha, fécula e outros produtos.

A macaxeira (mandioca mansa, de mesa ou aipim), por apresentar baixos teores de ácido cianídrico (<50 mg/kg), pode ser consumida após pouco processamento culinário (cozer em água, ou leve cozedura seguido de fritura etc).

No entanto para a mandioca (mandioca braba), por apresentar altos teores de ácido cianídrico (>50 mg/kg), é necessário cozimento por um tempo mínimo de 50 horas a uma temperatura de 100 °C. A forma mais utilizada para alcançar isto é o processamento tradicional, que consiste na moagem seguida da retirada da manipuera (ou manipueira), líquido libertado que pode ser usado para a produzir goma e tucupi, e, por fim, a torrefação

Produção agrícola

Segundo a FAO, a mandioca é plantada em mais de 100 países, sendo os maiores produtoresFAO. estatística da FAO de 2008. Visitada em 18 de abril de 2010 a Nigéria, a Tailândia, o Brasil, a Indonésia, Angola, Gana e a República Democrática do Congo, respectivamente. Segundo a FAO, em 2008, foram produzidas aproximadamente 25,9 milhões de toneladas, no Brasil; 8,9 milhões, em Angola; 5 milhões, em Moçambique; 50 mil, em Timor-Leste; 48 mil, em Guiné-Bissau e 6,3 mil toneladas, em São Tomé e Príncipe.

Em 2016, a Nigéria liderava a produção de mandioca em raiz com 20%, seguida pela Tailândia (11%), Indonésia (9%) e Brasil (8%).

Em 2010, o rendimento médio foi de 12,5 toneladas por hectare de cultura da mandioca em todo o mundo. As fazendas de mandioca mais produtivas em todo o mundo estavam na Índia, com uma produtividade média nacional de 34,8 toneladas por hectare em 2010.

Os maiores produtores no Brasil são: Pará, Paraná, Bahia e Maranhão.

A mandioca desempenha um papel vital na segurança alimentar das economias rurais dos países da África subsariana devido à sua resistência à seca, baixa fertilidade do solo e pragas.Dziedzoave, N.T.; Abass, A.B.; Amoa-Awua, W.K.A.; Sablah, M. Quality management manual for production of high quality cassava flour. IITA. pp. 2–. ISBN 978-978-131-282-3.

Produção mundial

PaísProdução em 2018 (toneladas anuais) 59.475.202 31.678.017 29.952.479 20.845.960 17.644.733 16.119.020 9.847.074 8.659.552 8.525.451 7.646.022Total mundial 277.808.759Fonte: Food and Agriculture Organization

Lendas O folclorista Câmara Cascudo registra alguns mitos sobre a mandioca. São eles:

Entre os parecis, povo de Mato Grosso, no Brasil, a história é a seguinte: Zatiamare e sua esposa Kôkôtêrô tiveram um par de filhos — o menino Zôkôôiê e uma menina, Atiolô — desprezada pelo pai, que a ela nunca falava senão por assobios. Amargurada pelo desprezo paterno, a menina pediu à mãe que a enterrasse viva; esta resistiu ao estranho apelo mas, ao fim de certo tempo, atendeu-a: a menina foi enterrada no cerrado, onde o calor a desagradou e, depois no campo, também lugar que a incomodara. Finalmente foi enterrada na mata, onde foi do seu agrado; recomendou à mãe para que não olhasse quando desse um grito, o que ocorreu após algum tempo. A mãe acorreu ao lugar, onde encontrou um belo e alto arbusto que ficou rasteiro quando ela se aproximou; a índia Kôkôtêrô, porém, cuidou da planta que mais tarde colheu do solo, descobrindo que era a mandioca.CASCUDO, Dicionário do Folclore Brasileiro, verbete mandioca: este mito foi registrado por Clemente Brandenburger, in: Lendas dos nossos índios

Entre os bacairis, conta-se a lenda de um veado que salvara o bagadu (peixe da família Practocephalus) que, para recompensá-lo, deu-lhe mudas da mandioca que tinha ocultas sob o leito do rio. O veado conservou a planta para alimentação de sua família mas o herói dos bacairis, Keri, conseguiu pegar do animal a semente, que distribuiu entre as mulheres da tribo.CASCUDO, op. cit., id., este mito foi registado por Karl von den Steinen, in: Entre os Aborígenes do Brasil Central