thumb|250px|Nakagin Capsule Tower, Kisho Kurokawa.
Movimento Metabolista é um movimento arquitetônico contemporâneo, formado por um grupo de arquitetos japoneses e projetistas unidos sob o nome de os Metabolistas. Foi fundada em 1959. Eles tinham uma ideia da cidade do futuro habitado por uma sociedade de massas, caracterizada pela grande escala, estruturas flexíveis e extensíveis com um crescimento similar ao orgânico. Eles foram influenciados pelas ideias e desenhos do Archigram. Na sua opinião, as leis tradicionais de forma e função na arquitetura eram obsoletas. Eles acreditavam em uma profunda influência do espaço e funcionalidade na sociedade e cultura do futuro.
Alguns dos projetos mais conhecidos desse movimento são a cidade flutuante no mar (draft Unabara), a cidade torre Kiyonori Kikutake, a cidade muro, a cidade agrícola e a Cidade Helix de Kisho Kurokawa.
thumb|Interior de uma das cápsulas na Nakagin Capsule Tower
Metabolismo foi um movimento arquitetônico japonês do pós-guerra, que uniu ideia das megaestruturas arquitetônicas e do crescimento biológico orgânico. Sua primeira exposição internacional foi durante o encontro do Congrès Internationaux d'Architecture Moderne|CIAM e suas ideias foram testadas por estudantes do estúdio Massachusetts Institute of Technology (MIT) de Kenzo Tange.
Durante a preparação para a Conferência Mundial de Design em Tóquio, em 1960, um grupo de jovens arquitetos e designers talentosos, incluindo Kiyonori Kikutake, Kisho Kurokawa e Fumihiko Maki, prepararam uma publicação do manifesto Metabolista. Eles foram influenciados por uma larga variedade de fontes, incluindo as teorias marxistas e os processos biológicos. Seu manifesto foi uma série de quarto ensaios intitulados: Marine City, Space City, Rumo a uma Forma de Grupo, e Material e Homem, e também incluiu desenhos para cidades vastas que flutuavam nos oceanos e torres de cápsulas plugadas que podiam incorporar o crescimento orgânico. Embora a Conferência Mundial de Design tenha dado aos metabolistas exposição em âmbito internacional, suas ideias continuaram bastante teóricas.
Algumas edificações menores, que empregavam princípios metabolistas foram construídas, incluindo o edifício de Kenzo Tange em Yamanashi e a Torre de Cápsulas de Nakagin de Kurokawa. Uma grande concentração de seus trabalhos foi observada na Exposição Mundial de 1970 em Osaka, quando Tange foi responsável pelo planejamento de todo o complexo e Kikutake e Kurokawa desenharam os pavilhões. Depois da crise do petróleo de 1973, os Metabolistas voltaram sua atenção para fora do Japão, em direção à África e ao Oriente Médio.
Origens do Metabolismo
O CIAM foi fundado na Suíça em 1928 como uma associação de arquitetos que queriam elevar o modernismo a um padrão internacional. Durante o início da década de 1930, promoveram a ideia (baseada nos novos padrões urbanos dos Estados Unidos) de que o desenvolvimento urbano deveria ser guiado pelas quatro categorias funcionais do CIAM: habitação, trabalho, transporte e lazer.Mumford (2000), p5 Em meados dos anos 1930 Le Corbusier e outros arquitetos haviam moldado o CIAM como uma festa pseudo-política com o objetivo de promover a arquitetura moderna a todos. Esta visão ganhou força no período imediatamente após a Guerra, quando Le Corbusier e seus colegas começaram a desenhar edificações em Chandigarh. No início da década de 1950, percebeu-se que o CIAM estava perdendo seu caráter de inovação, então em 1954 um grupo de jovens membros chamado "Time 10" foi formado. Ele incluía os arquitetos alemães Jacob Bakema e Aldo van Eyck e os arquitetos britânicos Peter e Alison Smithson. Os arquitetos do Time 10 introduziram conceitos como "associação humana", "cluster" e "mobilidade", com Bakema encorajando a combinação de arquitetura e planejamento em desenho urbano. O que foi uma rejeição à antiga abordagem mecânica das quarto funções do CIAM e acabaria por levar à ruptura e ao final do CIAM.Mumford (2000), p6-7
Kenzo Tange foi convidado para o encontro do CIAM '59 em Otterlo, Holanda. No que era para ser a última reunição do CIAM, ele apresentou dois projetos teóricos do arquiteto Kiyonori Kikutake: a cidade em forma de Torre e casa de Kikutake, a Sky House. Esta apresentação expôs o incipiente movimento Metabolista para sua primeira plateia internacional. Como o conceito do Time 10 de "associação humana", o Metabolismo também estava explorando novos conceitos em design urbano.Lin (2010), p. 26
A cidade em forma de torre era uma torre de 300 metros, que abrigava a infraestrutura para uma cidade inteira, incluindo transporte, serviços e uma planta manufaturada para casas pré-fabricadas. A torre era uma "terra artificial" vertical de aço, onde cápsulas de habitação pré-fabricadas poderiam ser acopladas. Kikutake propôs que essas cápsulas seriam auto-renovadas a cada 50 anos e a cidade cresceria organicamente como os ramos de uma árvore.Lin (2010), p. 26
Construída em uma colina, a Sky House é uma plataforma suportada por quatro painéis de concrete com um telhado em forma de concha parabolóide hiperbólica. É um espaço único dividido por unidades de armazenamento com a cozinha e o banheiro na borda externa.Watanabe (2001), p. 123 Estes últimos dois foram concebidos de modo que podem ser movidos de acordo com o uso da casa – e de fato têm sido movidos e/ou ajustados cerca de sete vezes nos últimos 50 anos. Em determinada época, um quarto de criança foi acoplado à parte inferior do piso principal com uma porta de acesso do tamanho de uma criança entre os dois quartos.Koolhaas & Obrist (2011), p. 139
Depois do encontro, Tange foi ao MIT para começar um período de quatro meses como professor visitante. Possivelmente devido à recepção dos projetos de Kikutake em Otterlo, ele decidiu definir o projeto do quinto ano como um projeto para uma comunidade residencial de 25.000 habitantes a ser construído dentro da Baía de Boston.Stewart (1987), p177 Tange sentiu um desejo natural de produzir projetos urbanos baseados em um novo protótipo de design, um que possibilitasse uma conexão mais humana às cidades em grande escala. Ele considerou a ideia de estrutura "primária" e "secundária" de cidade e como ela poderia crescer em ciclos, como o trono e as folhas de uma árvore.Riani (1969), p. 24
Um dos sete projetos produzidos pelos estudantes foi um perfeito exemplo dessa visão. O projeto consistia de duas estruturas residenciais primárias, cada uma com sua seção triangular. O movimento lateral era fornecido por autoestradas e monotrilhos, enquanto o movimento vertical das áreas de estacionamento era através de elevadores. No interior, havia espaços abertos para centros comunitários e a cada três níveis havia passarelas ao longo das quais havia fileiras de casas de famílias.Riani (1969), p. 24 O projeto parecia ser baseado no projeto de concurso não-realizado de Tange para a sede da Organização Mundial da Saúde em GenebraStewart (1987), p178 e ambos os projetos pavimentaram o caminho para seu projeto posterior, "Plano para Tóquio – de 1960". Tange apresentou o projeto da Baía de Boston e o Plano de Tóquio na Conferência Mundial de Design em Tóquio.Stewart (1987), p181
Conferência Mundial de Design em Tóquio, 1960 thumb|O Laboratório de Investigação Médica Richards na Filadélfia, desenhado por Louis Kahn, foi inspiração para os Metabolistas.
A conferência teve suas raízes em Isamu Konmochi e Sori Yanagi, que eram representantes do Comitê Japonês na Conferência Internacional de Design de 1956 em Aspen, no Colorado. Eles sugeriram que, em vez de uma conferência quadrienal em Aspen, deveria haver uma conferência itinerante, sendo Tóquio a primeira a sedia-la em 1960.Koolhaas & Obrist (2011), p. 180 Três membros instituicionais japoneses foram responsáveis por organizar a conferência, embora depois a Associação de Design Industrial Japonesa tenha saído e apenas tenham permanecido o Instituto Japonês de Arquitetos e a Associação Japonesa de Artes e Publicidade. Em 1958, formaram um comitê de preparação liderado por Junzo Sakakura, Kunio Maekawa e Kenzo Tange. Como Tange havia aceitado o convite para ser professor visitante no MIT, ele indicou seu colega Takashi Asada para substitui-lo na organização dos programas da conferência.Lin (2010), p. 19
O jobem Asada convidou dois amigos para ajuda-lo: o crítico de arquitetura e editor da revista Shinkenchiku, Noboru Kawazoe, e Kisho Kurokawa, que fora um dos alunos de Tange. Por sua vez, estes dois homens buscaram mais designers talentosos para ajusa-los, incluindo: os arquitetos Masato Otaka e Kiyonori Kikutake e os designers Kenji Ekuan e Kiyoshi Awazu.Koolhaas & Obrist (2011), p. 181-182 Kurokawa foi selecionado porque havia recentemente retornado de uma conferência internacional de estudantes na União Soviética e havia sido aluno do teórico arquitetônico marxista Uzo Nishiyama. Ekuan foi cogitado por sua participação recente em um seminário ministrado por Konrad Wachsmann Goldhagen and Legault (2000), p283-284 (ele chegara à palestra em uma motocicleta Yamaha YA-1, que ele havia recentemente desenhado para a Yamaha)Goldhagen and Legault (2000), p478 e Otaka era um associado júnior de Kunio Maekawa e havia recentemente concluído o edifício de apartamentos Harumi na Baía de Tóquio. Fumihiko Maki, um ex-aluno de graduação de Tange também se juntu ao grupo por estar em Tóquio para uma bolsa de viagem da Graham Foundation for Advanced Studies in the Fine Arts.Lin (2010), p. 22Koolhaas & Obrist (2011), p. 300
Durante o dia, Asada sondava políticos, empresários e jornalistas em busca de ideias, à noite encontrava-se com seus jovens amigos para cultivar estas ideias. Asada estava hospedado no Ryugetsu Ryokan em Asakusa, Tóquio e costumava usa-lo como local de encontro de estudiosos, arquitetos e artistas progressistas. Com frequência convidava pessoas de outras profissões para palestrar e um deles foi o físico atômico Mitsuo Taketani. Taketani era um estudioso que também estava interessado na teoria marxista e trouxe estas ideias para o grupo junto com suas teorias científicas. A Metodologia de Taketani de três estágio para a pesquisa científica influenciou a teoria de Kikutake de três estágios: ka (o sistema geral), kata (a imagem abstrata) e katachi (a solução como construída), que ele usava para resumir seu próprio processo de design a partir de uma visão ampla em direção a uma forma arquitetônica concreta.Lin (2010), p. 20
O grupo também pesquisava por soluções arquitetônicas para a expansão urbana fenomenal do Japão provocada por seu crescimento econômico, e como isso poderia ser reconciliado com sua falta de terras úteis. Eles foram inspirados por exemplos de crescimento circular e renovação encontrados na arquitetura japonesa tradicional como o Ise Shrine e o Katsura Detached Palace.Koolhaas & Obrist (2011), p. 185 Eles trabalharam em cafés e na International House de Tóquio para produzir uma compilação de seus trabalhos que podessem publicar como um manifesto para a conferência.Koolhaas & Obrist (2011), p. 187
A conferência ocorreu em 11–16 de maio de 1960 e teve 227 convidados, 84 dos quais eram internacionais, incluindo os arquitetos Louis Kahn, Ralph Erskine, B. V. Doshi, Jean Prouvé, Paul Rudolph e Peter e Alison Smithson. Os participantes japoneses incluíam Kunio Maekawa, Yoshinobu Ashihara e Kazuo Shinohara.Koolhaas & Obrist (2011), p. 190-193
Depois de sua palestra de 13 de maio, Louis Kahn foi convidado à Sky House de Kikutake e teve uma longa conversa com vários arquitetos japoneses, incluindo os Metabolistas. Ele respondeu a questões até meia-noite com Maki sendo o tradutor. Kahn falou de sua abordagem universal para o design e usou seu próprio edifício dos Laboratórios de Pesquisa Médica Richards como exemplo de como novas soluções de design podem ser alcançadas com um novo pensamento sobre o espaço e o movimento. Vários metabolistas foram inspirados por ele.Lin (2010), p. 18
O nome Metabolismo