miniaturadaimagem|Um esquilo da espécie Funambulus palmarum partilha sentimentos emocionais com a sua cria que se encontra enjaulado. Foto de junho de 2011 em Batticaloa, Sri Lanka. O estudos das emoções em animais, apesar de difícil, é essencial para que haja o entendimento da visão de mundo da perspectiva dos animais. Isso é muito importante para os estudos de bem-estar animal, pois é preciso considerar as experiências de vida e evolução únicas de cada animal para aplicar qualquer conhecimento ao tratamento com eles. Assim como em humanos, não é possível estudar as emoções em animais de forma direta, porém isso não significa que elas não existam. Os estados emocionais de muitos animais são facilmente reconhecíveis. Muitos aspectos observáveis podem ser usados para fazer inferências a respeito do que estão sentindo. As expressões faciais, os olhares, a postura, os sons e cheiros emitidos são indicadores de respostas emocionais a determinadas situações. Uma boa observação do comportamento pode proporcionar inferências certeiras a respeito da próxima ação daquele animal, baseando-se em seu estado emocional.

Charles Darwin foi um dos primeiros cientistas a escrever sobre a existência e a natureza das emoções em animais. Sua abordagem observacional e às vezes simples tornou-se uma abordagem científica mais complexa, baseadas em hipóteses. As hipóteses gerais relacionadas as interações entre humanos e animais também suportam a afirmação de que os animais podem sentir emoções e que as emoções humanas evoluíram a partir dos mesmos mecanismos. Foram desenvolvidos vários testes, como testes de viés cognitivo e respostas de sentimentos de otimismo ou pessimismo foram mostrados em uma ampla gama de espécies, incluindo ratos, cachorros, gatos, ovelhas, porcos e abelhas. Porém testes científicos estão sendo realizados para caracterizar as respostas cognitivas dos animais como ações realizados em resposta à um estímulo específico e não como sentimentos propriamente ditos.

O fato é que não existe um consenso científico sobre as emoções dos animais, no entanto algumas evidências sustentam a afirmação de que os animais não-humanos possuem afectividade e que as emoções humanas evoluíram a partir dos mesmos mecanismos. A emoção dos animais está inerente ao estudo sobre a suposição da existência de emoções em alguns animais vertebrados e outros invertebrados, principalmente sobre aves e mamíferos.

Etimologia e definições A palavra 'emoção' data da época de 1650, adaptada de uma palavra do latim emovere onde o e- significa "fora" e movere significa "movimento". As emoções foram descritas como respostas a eventos internos ou externos que têm um significado particular para o organismo. As emoções são breves e consistem em um conjunto coordenado de respostas, que podem incluir mecanismos fisiológicos, comportamentais e neurais. Também podem ser definidas como fenômenos psicológicos que ajudam no controle de comportamentos. Porém, por ser um conceito muito amplo, existem muitas discussões acerca de sua definição, e isso ocasiona numa dificuldade de estuda-las, retardando assim, o progresso nessa área de estudo. Sabe-se que elas existem e são muito importantes, tanto para os humanos quanto para os animais.

Emoções básicas e complexas Em humanos, as vezes, é feita distinção entre emoções 'básicas' e 'complexas'. Seis emoções são classificas como básicas: raiva, desgosto, medo, felicidade, tristeza e surpresa. Essas emoções primárias, podem ser notadas em várias ações inatas dos animais que muitas vezes garantem sua sobrevivência, mostrando assim, que emoções também são mecanismos adaptativos das espécies reforçados pela seleção natural. Um exemplo disso são as respostas de fuga ou luta ao medo, em que, nem sempre o animal reconhece a fonte do estímulo, mas reconhece o perigo e age a partir disso. As emoções primárias estão relacionadas ao sistema límbico, especialmente à amígdala. Estruturas relacionadas a circuitos emocionais (como o sistema límbico) são comuns a varias espécies e compõem uma base para as emoções primárias.

As emoções complexas que podem ser incluídas são: ciúmes, desprezo e simpatia. De qualquer forma, essa distinção é difícil de ser utilizada em relação aos animais, pois acredita-se que eles expressam emoções muito mais complexas. Apesar disso, brincadeiras sociais entre animais são exemplos de comportamentos no qual eles parecem gostar muito. Muitos brincam incansavelmente, sozinhos ou com outros animais, e até influenciam outros animais a quererem brincar também. Observando esses comportamentos, é muito difícil negar a alegria envolvida. Dados neurobiológicos sustentam essa teoria, e mostram que a química da brincadeira indica alegria: grandes regiões do cérebro são ativadas além da liberação de dopamina.

Crítica O argumento de que os animais possam experimentar emoções por muitas vezes é rejeitado já que muitos não acreditam na existência da consciência animal e argumentam que o antropomorfismo influência na perspectiva do individuo, pois deliberadamente tenta justificar atitudes animais e explica-los de acordo com seus próprios conhecimentos. O behaviorismo tem como abordagem a concepção de que toda ação é uma resposta à um estímulo específico, ou seja, os comportamentos positivos são resultados de atitudes que trazem satisfação ao individuo e os negativos que acarretam em situações indesejadas são os comportamentos que tendem a ser evitados. Essa concepção surgiu graças a experimentos que estimulam emoções positivas e negativas nos animais para induzir que eles ajam de determinada maneira.

Outra explicação para as reações expressadas pelos animais seriam as de nível social, sendo assim animais expressam reações como simpatia, constrangimento, vergonha, orgulho e inveja, pois ajudariam os mesmo a conviver em grupo. Para o neurocientista António Damásio, da Universidade de Iowa “Gorilas ficam arrogantes para ganhar o respeito do grupo e cães dão sinais de constrangimento quando levam bronca de seus donos”. Além disso, Damasio formulou uma explicação biológica sobre como as emoções são sentidas nos humanos, podendo até se estender para alguns animais. Ele sugere que diversas estruturas cerebrais mapeiam tanto o organismo, quanto objetos externos para criar o que ele chama de “uma ordem secundaria de representação”. Esse mapeamento cria um senso de “si mesmo”, e assim o indivíduo entende com “quem” tudo está acontecendo.

A experiência de Pavlov miniaturadaimagem|Cachorro usado nos experimentos de Pavlov. Museu de Pavlov, Rússia Dita como experiência revolucionária, a experiência de cão de Pavlov sintetizou como funciona o condicionamento clássico. Realizado por um médico Russo nos anos 20 com diversos cachorros, os estimulando a ficarem com água na boca sem que se houvesse comida por perto. Essa experiência consistia em que toda vez que os animais eram alimentados o médico tocava uma sineta, com o passar do tempo os mesmo começaram a associar as badaladas com a comida e começavam a babar apenas de ouvir o sino, mesmo que o prato estivesse vazio, provando assim que o seres vivos nascem com certos reflexos, ou seja, podem ser programados para determinadas reações em resposta a um estimulo.

Abordagem científica Nos últimos anos, a comunidade científica tornou-se cada vez mais favorável à ideia de emoção em animais. A pesquisa científica forneceu informações sobre as semelhanças das mudanças fisiológicas entre humanos e animais quando experimentam emoção. O ramo da ciência mais próximo de ser responsável pelo estudo das emoções em animais é a etologia, que analisa o comportamento animal. Porém o mesmo só busca explicações causais para o comportamento dos animais, e não emocionais, recorrendo quase sempre aos instintos como justificativa, já que acredita-se ser mais recomendável estudar o comportamento do que tentar chegar a alguma emoção subentendida. Para alguns cientistas é necessário cautela na hora de estudar sobre emoções em animais. já que se acreditarmos que nossos sentimentos são as únicas e verdadeiras experiências que todos os animais possam ter, porém os mesmos podem correr o risco de ser humanizados e de não compreendermos como eles agem, e desrespeitar as emoções deles. Se fosse analisado nas perspectivas de alguns etnólogos há alguns anos, as emoções ocidentais não poderiam ser equiparadas ou possíveis de se existir nas culturas consideradas inferiores, pareciam então não ser necessário se compreender a respeito das emoções em certas tribos montanhesas, como agora parece acontecer quando se quer catalogar os sentimentos em animais.

Além disso, o psicólogo Donald Olding Hebb constatou que os tratadores que atribuem termos psicológicos humanos para descrever certos comportamentos animais eram mais eficientes em prognosticar suas condutas do que os cientistas que se valiam de terminologias mais "objetivas", ou seja, mais descritivas e menos antropomórficas. Em contrapartida, os primeiros trabalhos de Jane Goodall receberam inúmeras críticas por adotar termos humanos e associar em sua apresentação de dados sobre os chimpanzés de Gombe. À mesma época, Desmond Morris apontou os riscos da humanização do comportamento, que teria sido provocado pela grande proximidade evolutiva desses grandes primatas com os humanos.

Voltaire e René Descartes Um grande debate surgiu entre filósofos em relação a noção de alma dos seres vivos, este debate acabou sendo servindo como parâmetro para definir as discussões sobre os direitos dos animais. Dois grandes nomes em relação a esse tema foram Voltaire e Descartes que definiram conceitos antagonismos em relacionados a alma dos animais não- humanos. No século XVII, Descartes surge com a premissa de que animais não têm almas, logo não pensam e não sentem dor, trazendo então uma maior liberdade no manejo dos animais, sem necessitar de uma grande preocupação. Em contra partida Voltaire logo intervém e apresenta o pensamento de que os animais são seres dotados de capacidade de desenvolvimento de conhecimento, além de sentimentos, julgando ser características visíveis apenas pelos convívio com os mesmos ao longo da vida. Outro filosofo que surge em defesa dos animais é Jean-Jacques Rousseau que argumenta em seu prefácio de "Discursos sobre a Desigualdade" que os seres humanos também são animais, embora considere seu intelecto limitado em comparação ao homem, o mesmo acredita que os animais são seres sencientes e por isso devam desfrutar dos mesmos direitos naturais e que o homem não tem o direito de maltrata-los.

Evidência thumb|250px|Beijo de um cavalo demostra capacidade de afeição e carinho entre animais e humanos. Nos últimos anos, pesquisas foram desenvolvidas em larga escala, ampliando o entendimento anterior da linguagem animal, cognição, uso de ferramentas e sexualidade animal.

Os vertebrados são seres sencientes. Têm a capacidade de avaliar as ações dos outros, lembrarem-se das suas próprias ações e consequências, avaliar riscos e ter certos sentimentos e grau de consciência.

Segundo César Ades, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em comportamento animal, os primatas cujos filhotes morrem, são capazes de os carregarem durante dias, às vezes até que estes se decomponham. Segundo um estudo da pesquisadora inglesa Jane Goodall - que conviveu por anos com chimpanzés em seu habitat natural, revelou-se que algumas crias, quando perdem a sua mãe, revelam emoções semelhantes à dos humanos, sentindo-se deprimidos por longos períodos de tempo.

Um exemplo de laço extremo entre os animais lembrado por Ades está entre o ganso macho e a fêmea, onde há um vínculo que dura a vida inteira. Quando morre a fêmea, o macho perde a sua combatividade e se mostra bastante perturbado e sem energia.