thumb|250px|Rodovia Raposo Tavares, em Cotia Rodovia Raposo Tavares, anteriormente Via Raposo Tavares e também denominada SP–270, é uma rodovia do estado de São Paulo que se inicia no final da rua Reação, no distrito do Butantã, Zona Oeste do município de São Paulo, e termina na divisa de estado com o Mato Grosso do Sul, no município de Presidente Epitácio. É frequentemente considerada uma das melhores rodovias do país, tendo alcançado a primeira colocação em 2024, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte.

Teve origem em parte dos antigos Caminho do Peabiru (pré-cabralino) e Caminho do Sertão (séculos XVI e XVII), do Caminho das Tropas (séculos XVIII e XIX) e na Estrada São Paulo-Paraná (1922-1954). Recebeu a atual denominação em 1954, em referência a Antônio Raposo Tavares, rico português que em 1628 engajou-se na bandeira de Manuel Preto, com cem paulistas e 2 mil indígenas auxiliares, a qual percorreu o braço principal do antigo caminho indígena do Peabiru (que ligava a região da Vila de São Vicente aos atuais Paraná e Paraguai), rumo às reduções jesuíticas do Guayrá, com a finalidade de captura e escravização de indígenas.

Em 29 de outubro de 2008, o Governo do Estado abriu os envelopes do novo lote de concessões. O trecho de 444 km da Rodovia Raposo Tavares foi leiloado pelo Consórcio Invepar OAS, que ofereceu R$ 0,090525 por km. O deságio comparado ao valor máximo do edital foi de 16,11%. O segundo colocado, Triunfo Participações, propôs o índice de R$ 0,102515.

É administrada por:

Ecovias Raposo Castello (grupo EcoRodovias) do km 10 ao 34; CCR Sorocabana do km 34 ao 115; CCR SPVias do km 115 ao 168; DER km 652 ao km 654; CART - Concessionária Auto Raposo Tavares do km 381 ao km 652 Via Raposo do 168,7 km até o 381

Características Extensão: 644 km Início: São Paulo (km 9,8) Término: Presidente Epitácio (km 654) Sentidos: Leste — Oeste (Capital — Interior); Oeste — Leste (Interior — Capital) Pedágios: São Roque (km 48), Sorocaba (km 83,5), Araçoiaba da Serra (km 111), Alambari (km 135), Palmital (km 413), Assis (km 453), Rancharia (km 512), Regente Feijó (km 541), Presidente Bernardes (km 586), Caiuá (km 634) (Todos com cobrança em ambos os sentidos). SAU — Serviço de Atendimento ao Usuário: CCR Sorocabana: Cotia (km 34 Oeste), Alumínio (km 79 Leste); SPVias — Alambari (km 144 Oeste); CART: SAU–01 Piratininga (km 249); SAU–02 Paulistânia (km 282); SAU–03 Santa Cruz do Rio Pardo (km 315); SAU–04 Salto Grande (km 385); SAU–05 Palmital (km 416); SAU–06 Assis (km 450); SAU–07 Paraguaçu Paulista (km 481); SAU–08 Rancharia (km 509); SAU–09 Regente Feijó (km 545); SAU–10 Álvares Machado (km 575); SAU–11 Santo Anastácio (km 601); SAU–12 Caiuá (km 636). Polícia: São Paulo (km 18 Oeste), Cotia (km 24 Oeste), Cotia (km 35 Oeste), Vargem Grande Paulista (km 45 Leste), Alumínio (km 77,4 Oeste), Itapetininga (km 167), Paranapanema (km 245 Leste), Piraju (km 308), Ourinhos (km 372 Leste), Assis (km 445), Rancharia (km 511 Leste), Presidente Prudente (km 561,5), Presidente Venceslau (km 616,5), Presidente Epitácio (km 648 Oeste)

A rodovia apresenta alguns trechos de pista simples e outros de pista dupla. No trecho compreendido entre o km 10 e 30, a rodovia possui 3 faixas de rolamento em cada sentido. No trecho localizado no centro da cidade de Cotia, a rodovia possui 2 faixas de rolamento em cada sentido e marginais, com mais duas faixas em cada sentido, para acesso aos bairros e à Estrada da Roselândia (acesso à Roselândia e Itapevi). As obras de duplicação de 12 km entre Cotia e Vargem Grande Paulista foram concluídas e entregues ao tráfego em 2005.

Na sequência do eixo rodoviário, o trecho entre Vargem Grande Paulista e Sorocaba passou por etapas graduais de duplicação. O contorno de Brigadeiro Tobias (km 90 ao 87) foi entregue em 2022, seguido pelo trecho do km 87 ao 84,5, no bairro Genebra, em novembro de 2023. Por fim, em maio de 2026, foi finalizada a duplicação dos 46 quilômetros restantes entre Vargem Grande Paulista e Alumínio, consolidando a Rodovia Raposo Tavares como totalmente duplicada em toda a sua extensão entre São Paulo e Itapetininga.

A partir de 1º de outubro de 2025, as praças físicas de pedágio operadas pela concessionária CCR Sorocabana foram desativadas e substituídas pelo sistema de pedágio eletrônico (fluxo livre), denominado comercialmente como "Siga Fácil". Com a mudança, a cobrança passou a ser feita por pórticos eletrônicos em ambos os sentidos da via para os pontos localizados em São Roque (km 48), Sorocaba (km 83) e Araçoiaba da Serra (km 111), além de instituir a isenção de tarifa para motocicletas nesses trechos específicos. Nas demais praças da rodovia (fora do trecho da CCR Sorocabana), a cobrança tradicional em cabines permanece ativa em ambos os sentidos.

História

Período Colonial e século XIX miniaturadaimagem|Caminho das Tropas ou Caminho do Sul, em detalhe do mapa "Brazil" (Londres, 1844), de John Arrowsmith. Diferentemente de casos como a Rodovia Presidente Castello Branco (BR–374) e a Rodovia Ayrton Senna (SP–070), construídas com técnicas modernas e planejamento centralizado, que resultaram em estradas com predominância de retas e curvas suaves, a Rodovia Raposo Tavares, sobretudo no trecho São Paulo–Sorocaba, possui traçado predominantemente sinuoso, com grande frequência de curvas acentuadas, aclives e declives. Isso decorre do fato de a Rodovia Raposo Tavares ter sido construída sobre estradas naturais preexistentes, conservando boa parte do traçado antigo, estabelecido em períodos anteriores ao século XX pelo tráfego (por vales e montanhas) de pedestres, animais e carroças, mais especificamente sobre os ramos principais de uma rede de caminhos naturais que interligavam os atuais estados de São Paulo e Paraná (até 1853 ainda unidos na Província de São Paulo). Tais estradas começaram a ser descritas e representadas, em mapas e pinturas, a partir do início do século XIX, mas foram estabelecidas ao longo de todo o período colonial, com o aproveitamento de vários caminhos indígenas anteriores ao século XVI: haviam servido ao comércio de charque do Rio Grande do Sul e de muares do Paraguai, nos séculos XVIII e XIX, e percorridas pelas bandeiras de apresamento de índígenas no século XVII, provavelmente sobre parte do antigo caminho indígena do Peabiru, que ligava a região da hoje São Vicente aos atuais Paraná e Paraguai.miniaturadaimagem|"Mappa da provinica de São Paulo" em 1886, exibindo a ampla rede ferroviária da segunda metade do século XIX, parcialmente desativada ao longo do século XX.O trecho do antigo Caminho do Peabiru que passou a ser usado pelos novos habitantes da Vila de São Paulo em direção ao oeste foi inicialmente denominado, em português, de Caminho do Sertão e Caminho dos Pinheiros (pois passava na Aldeia de Pinheiros, fundada em 1560), depois Caminho de Cotia, Caminho de Sorocaba: vindo do litoral, passava em São Paulo pela parte baixa da atual Praça da Sé (o Largo da Sé, nos séculos XVIII e XIX), prosseguia pelas atuais Rua Direita, Largo da Misericórdia, Rua José Bonifácio, Largo da Memória, Rua Quirino de Andrade, Rua da Consolação, Avenida Rebouças, Rua dos Pinheiros, Praça João Nassar, Rua Paes Leme e Rua Butantã. Tanto o Peabiru quanto o Caminho do Sertão incluíam a travessia de barco pelo antigo Rio Grande e atual Rio Pinheiros (na altura da atual Ponte Bernardo Goldfarb), até ser construída a primeira ponte de madeira sobre o Rio Pinheiros, no século XVII; o caminho por terra reiniciava-se na região da Praça da Paineira e prosseguia (pela atual Rua MMDC ou imediações) rumo à atual Rua Reação e início da atual Rodovia Raposo Tavares, portanto em local próximo à Casa do Butantã, sede de uma fazenda do século XVII. Esse caminho foi posteriormente explorado pelos bandeirantes no apresamento de indígenas (século XVII) e pelos tropeiros (séculos XVIII e XIX), passando a ser conhecido com o nome de Caminho das Tropas, Estrada de Cotia, Estrada de Sorocaba e outras designações. miniaturadaimagem|Estrada de Sorocaba, na "Planta Geral da Capital de São Paulo" por Gomes Cardim (1897) Na “Estatística da Imperial Província de São Paulo” (1827), de José Antônio Teixeira Cabral, o autor indica, como a “7ª Estrada” (entre as sete estradas principais da Província de São Paulo), aquela que ligava São Paulo a Itapetininga (trecho posteriormente convertido nos km 10–168 da Rodovia Raposo Tavares) e prosseguia para o Sul, conhecida genericamente como Caminho das Tropas ou Caminho do Sul.CABRAL, José Antônio Teixeira. A estatística da Imperial Província de São Paulo (1827); organização, transcrição e notas paleográficas Cristina Antunes; apresentação José de Souza Martins. São Paulo: EDUSP, FAPESP, 2009. p.121. De acordo com esse documento, a estrada iniciava-se na capital, com um trecho no sentido oeste passando por Cotia (com ramificação para Una, atual Ibiúna), São Roque (com ramificação para Santana de Parnaíba), Sorocaba, Itapetininga (com ramificação para Paranapanema), Itapeva e Faxina (com ramificação para Apiaí), seguido de trecho no sentido sudoeste, passando por Castro (antiga Iapó), e trecho no sentido sul, passando por Guarapuava e, em seguida, dividindo-se em um ramo que seguia para Curitiba e outro, mais longo, para a Vila do Príncipe (atual Lapa). A partir da Vila do Príncipe, prosseguia por 40 léguas, com o nome de Estrada da Mata, até a divisa com a Província de Santa Catarina e, daí, até o Rio Grande do Sul. Foi por essa razão que a maioria das paisagens desenhadas por Jean-Baptiste Debret em 1827 (provavelmente a partir de desenhos de outros artistas ou de integrantes de sua equipe), a oeste da cidade de São Paulo e ao sul da Província de São Paulo, foram produzidos em vilas ou freguesias nas estradas e ramificações acima descritas: Itú, Porto Feliz, Sorocaba, Itapeva, Jaguariaíva (junto ao rio de mesmo nome), Castro (antiga Iapó), Ponta Grossa, Guarapuava, Curitiba, Lapa (antiga Vila do Príncipe), Paranaguá, Desterro (atual Florianópolis), São Pedro do Sul (atual Porto Alegre) e várias outras.BANDEIRA, Julio; CORRÊA DO LAGO, Pedro. Debret e o Brasil: obra completa 1816-1831; nova edição revista e ampliada. 3. ed., Rio de Janeiro: Capivara, 2013. 720p. As paisagens de Jean-Baptiste Debret são, portanto, as mais antigas imagens tomadas nas estradas de São Paulo para o oeste da província e para as províncias do Sul, as quais eram, basicamente, caminhos de terra de poucos metros de largura, sobre montanhas e vales sinuosos, por entre matas, capoeiras e campos, com algumas pontes rudimentares de madeira, e que, muitas vezes, incluíam a travessia de rios pela água. miniaturadaimagem|Início da "Estrada para Cotia", no atual bairro do Butantã, em 1913 Um dos mais antigos mapas que representam as estradas e caminhos entre os atuais estados de São Paulo e Paraná é o "Guia de Caminhantes", de Anastácio Santana (1817), porém dezenas de mapas, ao longo do século XIX, enfatizaram os troncos principais do Caminho das Tropas, que ia de São Paulo a Castro e daí a Lapa, rumo a Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na segunda metade do século XIX e princípios do século XX, no entanto, os mapas do Brasil passaram a destacar as ferrovias, em período cuja tendência predominante foi a construção de redes ferroviárias.

Estrada de Cotia ou Estrada de Sorocaba miniaturadaimagem|Início da Estrada São Paulo–Paraná no "Mapa do Ex-Município de Santo Amaro" (1938).