A Comemoração de gol é a manifestação realizada após a marcação de um gol no futebol, geralmente pelo autor do tento, podendo envolver seus companheiros de equipe, o técnico, membros da comissão técnica e torcedores. As comemorações podem assumir diferentes formas, incluindo gestos corporais, expressões vocais e interações entre jogadores, e podem desempenhar funções individuais e sociais.
Exemplos de comemorações de gols
Um jogador, após marcar seu gol, chama os companheiros de equipe para abraçá-lo. Abraços e comemorações coletivas estão entre as formas documentadas de celebração no futebol profissional.
Bater no peito, gesto utilizado por diversos jogadores como forma de expressão após marcar um gol.
Abrir a boca o máximo possível, frequentemente acompanhado de gritos. Um exemplo marcante ocorreu com Zinedine Zidane após seu gol na final da Liga dos Campeões de 2002, quando correu em direção à lateral do campo com a boca aberta e gritando de emoção.
Beijar o escudo do time ou da seleção, geralmente como demonstração de identificação, lealdade ou afeição pelo clube ou país. O gesto é documentado entre os comportamentos utilizados pelos jogadores após marcar gols.
Mergulhar no gramado com os braços e pernas abertos. Jürgen Klinsmann tornou esse gesto particularmente conhecido ao comemorá-lo em sua passagem pelo Tottenham Hotspur, utilizando-o de forma irônica em referência à fama de simular faltas.
Colocar o dedo indicador nos lábios, em sinal de silêncio. O gesto ficou particularmente associado a Andrey Arshavin, que o utilizava como uma de suas comemorações durante sua carreira.
Correr ou andar de maneira deliberadamente despreocupada após marcar um gol. Um dos exemplos mais conhecidos é Éric Cantona, que ficou famoso por sua comemoração nãochalante após marcar pelo Manchester United contra o Sunderland, em 1996.
Correr pelo gramado e deslizar sobre os joelhos após marcar um gol. A comemoração é utilizada por diversos jogadores e tornou-se uma das formas mais reconhecíveis de celebração no futebol.
Estender os braços e simular um avião. A comemoração foi utilizada por diversos jogadores, tornando-se uma forma recorrente de celebração no futebol.
Beijar o dedo anelar após marcar o gol, geralmente como homenagem à esposa ou companheira. A prática de dedicar gols à família por meio de gestos específicos tornou-se recorrente entre jogadores.
Balançar os braços de um lado para o outro, como se estivesse embalando um bebê. Bebeto tornou essa comemoração mundialmente conhecida na Copa do Mundo FIFA de 1994, após marcar contra os Países Baixos, em homenagem ao nascimento de seu filho Mattheus. Romário e Mazinho participaram do gesto.
Chupar o polegar, geralmente como homenagem a um filho ou filha. O gesto ficou particularmente associado a Francesco Totti, cuja comemoração com o polegar na boca tornou-se uma de suas marcas registradas.
Colocar a bola embaixo da camisa, simulando uma gravidez. O gesto foi utilizado por jogadores para homenagear a gravidez ou o nascimento de um filho. Francesco Totti, por exemplo, utilizou a comemoração para homenagear sua esposa grávida.
Apontar o dedo indicador para o céu, gesto utilizado por jogadores para agradecer a Deus ou homenagear pessoas falecidas. Esse tipo de gesto religioso é identificado em estudos sobre comemorações de gols.
Colocar as mãos atrás das orelhas, como se estivesse ouvindo a reação da torcida. O gesto pode ser utilizado para provocar ou responder à torcida adversária. Romelu Lukaku, por exemplo, realizou a comemoração diante da torcida do Everton após marcar contra seu antigo clube.
Levantar ou retirar a camisa para comemorar o gol. A retirada da camisa é punida com cartão amarelo pelas Leis do Jogo.
Cobrir a cabeça com a própria camisa. O gesto ficou especialmente associado ao italiano Fabrizio Ravanelli, que o utilizou após marcar três gols em sua estreia na Premier League pelo Middlesbrough, contra o Liverpool, em 1996. A comemoração tornou-se posteriormente bastante imitada.
Correr para a bandeirinha de escanteio e dançar em frente à mesma. Roger Milla tornou essa comemoração mundialmente conhecida na Copa do Mundo FIFA de 1990, dançando junto à bandeirinha após seus gols pelo Camarões.
Realizar acrobacias após marcar um gol. O nigeriano Julius Aghahowa ficou conhecido por suas cambalhotas, tendo realizado seis após marcar contra a Suécia na Copa do Mundo FIFA de 2002. Fingir disparar com uma arma imaginária. A comemoração foi utilizada pelo brasileiro Endrick, que realizou o gesto após marcar seu primeiro gol pelo Lyon, em janeiro de 2026. Fazer com que um companheiro de equipe simule engraxar a chuteira do autor do gol. O lateral neerlandês Jeremie Frimpong ficou conhecido por utilizar esse tipo de comemoração durante sua passagem pelo Bayer Leverkusen, com companheiros simulando engraxar sua chuteira após seus gols. Ajoelhar-se no gramado em gesto de oração. Gestos religiosos, incluindo ajoelhar-se e agradecer a Deus, aparecem entre os comportamentos documentados nas comemorações de jogadores profissionais.
Correr para a bandeirinha de escanteio e golpeá-la. Tim Cahill ficou conhecido por sua comemoração na qual simulava trocar socos com a bandeirinha, colocando o escudo do Everton entre os dentes.
Fazer o chamado "punho cerrado", levantando um braço com a mão fechada. Gestos com o punho fechado estão entre os atos corporais registrados em estudos sobre comemorações de gols no futebol profissional.
Comemorações marcantes esquerda|miniaturadaimagem|186x186px|Representação de Pelé. O Rei Pelé eternizou a comemoração do pulo acompanhado com soco no ar. No jogo entre Manchester City e Fulham, em 2006, o italiano Bernardo Corradi corre em direção à bandeira de escanteio, seguido por seu companheiro no City, Joey Barton. Corradi retira a bandeira e a aponta para Barton. Outro italiano, Marco Tardelli, festejou seu gol contra a Alemanha Ocidental na final da Copa de 1982, mexendo os punhos contra seu peito e com o rosto envolvido pelas lágrimas, grita "gol". Também em 1982, o brasileiro Paulo Roberto Falcão marcou o gol de empate do Brasil contra a Itália e comemorou correndo até o meio de campo, com as mãos levantadas. Em 1990, Roger Milla fez dois gols em três minutos no jogo contra a Colômbia. Na comemoração do segundo, o camaronês correu para dançar junto à bandeirinha de escanteio. Vários jogadores africanos repetiram a comemoração na década seguinte. Na Copa de 1994, Diego Maradona marcou seu último gol pela Argentina contra a Grécia, e na comemoração, correu em direção a uma câmera e com os olhos arregalados e gritando efusivamente, seguido por seus companheiros de equipe. Ainda em 1994, o nigeriano Finidi George festejou seu gol contra a Grécia imitando um cachorro, caminhando de quatro em direção à bandeirinha de escanteio. O inglês Paul Gascoigne, após marcar um belo gol contra a Escócia, pela Eurocopa de 1996, simulou estar em uma cadeira de dentista ao se atirar no gramado e ficando com os braços abertos. Seus companheiros pegaram algumas garrafas de água e mandavam jatos na boca do jogador. Ao marcar seu gol contra o Sunderland, Éric Cantona ficou no mesmo lugar onde havia marcado o tento, levantando os braços para o alto, segurando o peito para fora e ficando com uma expressão fechada. Em 1994, Bebeto fez o segundo gol contra a Holanda. Comemorou como se estivesse embalando um bebê, em homenagem ao filho Mattheus, recém-nascido no Brasil. No mesmo ano, foi lançado o primeiro jogo de videogame da Fifa e trazia a comemoração que acabou virando moda entre jogadores-papais. Também em 1996, Stuart Pearce comemorou seu gol na decisão por pênaltis entre Inglaterra e Alemanha, na semifinal da Eurocopa de 1996 - na comemoração, a expressão do lateral com os olhos arregalados, as veias latejando e o punho cerrado fizeram por valer o apelido do jogador ("Psycho"), que havia apagado o "fantasma" do pênalti perdido na semifinal da Copa de 1990, contra a mesma Alemanha (então Ocidental) Temuri Ketsbaia, então jogador do Newcastle United, chutou várias placas de publicidade ao redor do campo, chegando inclusive a empurrar alguns companheiros de time na partida contra o Bolton. Na Copa de 1998, o dinamarquês Brian Laudrup marcou o gol de empate de seu país contra o Brasil, e na comemoração deitou-se no gramado e pôs a mão esquerda na cabeça, como se estivesse deitado em uma praia. Em 1998, a França estava perdendo de 1 a 0 na semifinal contra a Croácia. O zagueiro francês Lilian Thuram fez dois gols e após o segundo ficou de joelhos, com a mão no queixo, com pose de “pensador”. Quatro anos depois, em 2002, o sul-coreano Ahn Jung-hwan imitou um patinador no gelo após marcar seu gol contra os EUA. Foi uma referência à polêmica desclassificação de Kim Dong-sung nos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City, permitindo que Apolo Ohno ganhasse a medalha de ouro. Também em 2002, Papa Bouba Diop fez o único gol na vitória de Senegal sobre a França, tirou a camisa e correu para a bandeirinha de escanteio. Alguns jogadores chegaram e ficaram dançando ao redor da camisa da seleção. Em setembro de 2009, o togolês Emmanuel Adebayor, recém-contratado pelo Manchester City, marcou o mais polêmico gol de sua carreira contra seu ex-time, o Arsenal. Torcedores dos Gunners vaiavam Adebayor toda vez que ele pegava a bola, e para provocá-los, correu em direção a eles após fazer o gol e parou ajoelhado, sob provocações. A atitude teve consequências para o atacante: ele acabou sendo punido com cartão amarelo. Após marcar o primeiro gol na vitória do Manchester City por 6 a 1 sobre o United, em outubro de 2011, o italiano Mario Balotelli mostrou uma camisa onde se lia: "Why Always Me?" (Por que sempre eu?), em referência às polêmicas em que estava envolvido. Na Copa das Confederações FIFA de 2013 a Seleção Taitiana marcou um único gol, feito por Jonathan Tehau na derrota por 6 a 1 contra a Seleção Nigeriana. Este gol é considerado histórico para a equipe, e foi comemorado enlouquecidamente pelos jogadores taitianos, que imitaram o movimento dos competidores de canoa polinésia, principal esporte do Taiti. Em 2013, o português Cristiano Ronaldo passou a comemorar seus gols com uma celebração que posteriormente ficaria conhecida como "Siuuu". Após marcar, o jogador corria em direção à torcida, saltava e girava no ar, aterrissando com as pernas afastadas e os braços estendidos ao lado do corpo, enquanto gritava "Siuuu". A primeira versão aconteceu contra o Chelsea em 2013, também naquele primeiro momento ainda não havia a virada de costas para a arquibancada. A comemoração tornou-se uma das marcas registradas do jogador e passou a ser reproduzida por outros jogadores e torcedores ao redor do mundo. miniaturadaimagem|210x210px|Cristiano Ronaldo fazendo o famoso "Siuuu"
Punições por celebração excessiva
Robbie Fowler, após marcar gol no clássico entre Liverpool e Everton, em abril de 1999, ajoelhou-se e simulou cheirar a linha branca da área, em referência às provocações dos torcedores do Everton, que o acusavam de usar drogas. O técnico do Liverpool, Gérard Houllier, afirmou que a comemoração seria uma imitação de jogadores "comendo grama". Fowler recebeu posteriormente uma suspensão de quatro partidas pela FA pelo gesto.
Carlos Tévez, então no Boca Juniors, foi expulso após marcar gol contra o River Plate na Copa Libertadores de 2004, imitando uma galinha para provocar a torcida adversária, que tinha como um de seus apelidos "Gallinas" ("galinhas").
Paolo Di Canio causou polêmica ao fazer um gesto de saudação fascista durante uma partida da Lazio. Em dezembro de 2005, após repetir o gesto contra o Livorno, foi suspenso por uma partida e multado em 10 mil euros. O jogador também havia realizado o gesto anteriormente no clássico contra a Roma.