La vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2 é um filme francês de drama coming of age, dirigido, co-escrito e co-produzido por Abdellatif Kechiche, estrelado por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. É baseado no romance gráfico Le bleu est une couleur chaude de Julie Maroh. O filme gira em torno de Adèle (Exarchopoulos), uma adolescente francesa que descobre amor e liberdade quando conhece uma aspirante a pintora de cabelo azul (Seydoux). O filme segue a relação de anos delas, ao longo do ensino médio de Adèle, a sua vida adulta precoce e carreira como professora de escola.
A produção começou em março de 2012 e durou seis meses. Cerca de 800 horas de filmagens foram realizadas, incluindo extensas filmagens em B-roll. Kechiche selecionou tudo na edição, com o corte final deixando o filme com 179 minutos. La vie d'Adèle gerou controvérsia na sua estreia no Festival de Cannes 2013 e antes de seu lançamento. Grande parte da controvérsia foi centrada em torno das alegações de más condições de trabalho no set pela equipe e atrizes principais, e também pela representação crua da sexualidade feminina.
Em Cannes, La vie d'Adèle ganhou por unanimidade o Palma de Ouro do júri oficial e o Prêmio FIPRESCI. É o primeiro filme a ter o Palma de Ouro concedido tanto para o diretor e as atrizes principais, com Seydoux e Exarchopoulos juntando-se a diretora Jane Campion como as únicas mulheres que já ganharam o prêmio. Exarchopoulos também é a pessoa mais jovem a receber o Palma de Ouro, com apenas 19 anos. Após sua estreia nos cinemas mundiais no final de 2013, La vie d'Adèle recebeu aclamação da crítica e foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e ao BAFTA Awards de melhor filme em língua não-inglesa. Muitos críticos o elegeram como um dos melhores filmes de 2013.
Enredo Adèle é uma introvertida jovem de 18 anos, estudante de ensino médio onde suas colegas fofocam constantemente sobre meninos. Enquanto atravessava a rua certo dia, ela passa por uma mulher com cabelo azul curto e é imediatamente atraída. Adèle namora um rapaz da sua escola por um curto período e eles fazem sexo, mas ela é insatisfeita e rompe o relacionamento. Depois de ter fantasias vívidas sobre a mulher que viu na rua e ter uma de suas amigas flertando com ela, Adèle torna-se preocupada com a sua orientação sexual. Um amigo abertamente gay, Valentin, parece entender sua confusão e leva-a um bar gay. Depois de algum tempo, Adèle sai e entra num bar de lésbicas, onde algumas mulheres tentam flertar com ela. A mulher de cabelo azul também está lá e intervém, alegando que Adèle é sua prima. A mulher é Emma, uma graduanda em artes. Elas se tornam amigas e começam a passar muito tempo juntas. As amigas de Adèle suspeitam que ela é lésbica e praticam ostracismo na escola. Apesar disto, ela torna-se íntima de Emma. Seu vínculo aumenta e em pouco tempo, as duas compartilham um beijo em um piquenique. Mais tarde, elas têm sexo e começam um relacionamento apaixonado. A família de classe média alta da Emma é muito acolhedora para o casal, mas Adèle diz aos seus pais conservadores, da classe trabalhadora, que Emma é apenas uma tutora para aulas de filosofia.
Nos anos que se seguem, as duas mulheres passam a viver juntas. Adèle termina a escola e se junta ao corpo docente em uma escola primária local, enquanto Emma tenta seguir em frente com sua carreira de pintora. Adèle se sente pouco à vontade entre os amigos intelectuais de Emma e está deprimida com a sua carreira de professora, incentivando-a a encontrar satisfação escrevendo. Adèle gosta de jogar o papel feminino estereotipado no seu relacionamento, mas Emma torna-se distante fisicamente e emocionalmente. Elas gradualmente começam a perceber o quão pouco têm em comum. As complexidades emocionais se manifestam na relação e Adèle, em um momento impulsivo de solidão e confusão, dorme com um colega.
Emma se torna consciente da breve aventura e expulsa Adèle do seu apartamento, deixando de coração partido e sozinha. O tempo passa e, embora Adèle encontre satisfação em seu trabalho como professora de jardim de infância, uma tristeza indescritível começa a dominá-la. As duas finalmente se encontram novamente em um restaurante. Adèle é ainda muito profundamente apaixonada por Emma e apesar da forte ligação que claramente ainda existe entre elas, Emma está agora em um relacionamento sério com Lise, a mulher grávida na festa que ocorreu alguns anos antes, que agora tem uma filha. Está implícito que as duas se conheciam há anos, e haviam se reencontrado na festa. Adèle fica devastada, mas esconde seus sentimentos. Emma admite que ela não sente mais atração por Adèle, porém aceita ela como uma parte da sua nova fase na vida. Ela tranquiliza Adèle dizendo que o relacionamento delas era especial: "Eu tenho uma ternura infinita para você. Eu sempre amarei. Toda a minha vida toda..." A duas se despedem amistosamente.
O filme termina com Adèle na nova exposição de arte de Emma. Pendurado em uma parede é uma pintura nua que Emma fez uma vez dela durante o florescimento sexual de sua vida juntas. Embora Emma a reconhece, sua atenção é principalmente sobre outros convidados da galeria e Lise. Adèle felicita Emma sobre o sucesso de sua arte e a deixa depois de uma breve conversa com um jovem homem que ela conheceu no início do filme. Ele corre atrás dela, corre muito, mas vai na direção errada. Adèle se afasta para um futuro ambíguo e incerto, quando o filme acaba.
Elenco miniaturadaimagem|253x253px|Os atores principais, da direita para esquerda: Adèle Exarchopoulos, Jérémie Laheurte e Léa Seydoux. Na ordem dos créditos:Azul é a cor mais quente. Edição Brasileira. DVD. Imovision Léa Seydoux como Emma Adèle Exarchopoulos como Adèle Salim Kechiouche como Samir Aurélien Recoing como pai de Adèle Catherine Salée como mãe de Adèle Benjamin Siksou como Antoine Mona Walravens como Lise Alma Jodorowsky como Béatrice Jérémie Laheurte como Thomas Anne Loiret como mãe de Emma Benoît Pilot como padrasto de Emma Sandor Funtek como Valentin Fanny Maurin como Amélie Maelys Cabezon como Laetitia Stéphane Mercoyrol como Joachim Aurelie Lemanceau como Sabine
Produção Adaptação
O diretor e co-roteirista, Abdellatif Kechiche, desenvolveu a premissa para La vie d'Adèle ao dirigir seu segundo filme, L'Esquive (2003). Ele se reuniu com professores "que amavam fortemente a leitura, pintura, escrita", o que inspirou-lhe a desenvolver um roteiro que traça a vida pessoal e carreira de uma professora francesa. No entanto, o conceito só foi finalizado alguns anos mais tarde, quando Kechiche leu o romance gráfico de Julie Maroh, e viu como ele poderia ligar o seu roteiro sobre uma professora com a história de amor entre as duas jovens da Maroh. Embora a história de Maroh está presente na adaptação, a personagem de Adèle, com o nome de "Clémentine" no livro, difere da original, como explicado por Charles Taylor em sua crítica no The Yale Review: "o livro inclui cenas das garotas sendo descobertas na cama, jogadas para fora da casa e discursos como, 'o que é terrível são pessoas se matarem por petróleo e cometer genocídio, não quererem dar amor a alguém.'' No filme, os pais de Adèle são aparentemente alheios ao seu caso de amor com Emma e educadamente cumprimentá-la pensando que ela é a tutora de filosofia de Adèle. Outros temas são explorados no romance de Maroh, como a dependência de pílulas de prescrição que tira a vida de Clémentine/Adèle quando ela sofre uma convulsão. A respeito da sua intenção de retratar os jovens, Kechiche afirmou: "Eu quase desejo ter nascido agora, porque os jovens parecem ser muito mais bonitos e mais brilhante do que a minha geração. Quero prestar-lhes homenagem."
Escolha do elenco No final de 2011, uma audição foi realizada em Paris para encontrar a atriz ideal para o papel de Adèle. A diretora de elenco, Sophie Blanvillain, viu pela primeira vez Adèle Exarchopoulos e depois arranjou uma audição para ela com Abdellatif Kechiche. Exarchopoulos descreveu que suas audições com Kechiche ao longo de dois meses consistia de improvisação de cenários, discussões e ambos sentados em um café, sem falar, enquanto ele calmamente observava ela. Foi mais tarde, um dia antes do Ano Novo, que Kechiche decidiu oferecer Exarchopoulos o papel principal no filme; ele relatou em uma entrevista, "Eu escolhi Adèle no minuto em que a vi. Eu a tinha levado para o almoço em uma cervejaria. Ela pediu limonada e quando eu vi o jeito que ela comeu eu pensei, 'É ela!'''.
Por outro lado, Léa Seydoux foi escalada para o papel de Emma dez meses antes da fotografia principal começar em março de 2012. Kechiche sentiu que Seydoux, "compartilhou de sua personalidade bela, voz, inteligência e liberdade" e que tem "algo de uma alma árabe". Ele acrescentou dizendo: "O que foi decisivo durante a nossa reunião foi a sua visão sobre a sociedade: Ela está muito em sintonia com o mundo ao seu redor. Ela possui uma consciência social real, ela tem um compromisso real com o mundo, muito parecida comigo. Eu era capaz de perceber o quão grande [ela era] em extensão, porque eu passei um ano inteiro com ela entre o momento em que foi escolhida para o papel e o fim das filmagens." Falando à Indiewire na preparação para seu papel, Seydoux disse: "Durante esses dez meses (antes das filmagens), eu já estava reunindo-me com ele (Kechiche) e sendo dirigida. Passávamos horas conversando sobre mulheres e a vida; Eu também fiz pintura e lições de escultura, e li muito sobre arte e filosofia".
Filmagens Inicialmente previsto para ser filmado em dois meses e meio, o filme levou cinco meses, de março a agosto de 2012, chegando a um orçamento de € 4 a 5 milhões. Setecentos e cinquenta horas de filmagens foram realizadas. A rodagem teve lugar em Lille, Roubaix e Liévin.
Em termos de cinematografia, as cenas reversas foram filmadas simultaneamente com duas câmeras diferentes. Para Kechiche, esta técnica não só facilita a edição, mas também acrescenta beleza à cena que se sente mais verdadeira.Entrevista com Abdellatif Kechiche. Cahiers du Cinema. Outubro de 2013. pp. 10-16 Outro aspecto característico da fotografia do filme é a predominância de close-ups.
Controvérsias miniaturadaimagem|286x286px|Abdellatif Kechiche no Festival de Cannes 2013. Após a sua estreia no Festival de Cannes 2013, um relatório do Sindicato Francês de Cinematografia e Audiovisual (Syndicat des professionnels de l'industrie de l'Audiovisuel et du cinéma) criticou as condições de trabalho que a equipe sofreu. Segundo o relatório, os membros da equipe disseram que a produção ocorreu em uma atmosfera "pesada" com o comportamento próximo ao "assédio moral", o que levou alguns membros saírem. Outros alvo de críticas foi a alteração dos padrões de salários e trabalho. Técnicos acusaram o diretor de assédio, horas extras e violações das leis trabalhistas.