320px|thumb|Grande estupa de Sanchi, onde repousam as relíquias de Buda Gautama. Construída por Açoca, o Grande do Império Máuria no século III a.C., a sua ampliação e balaustrada datam do período Sunga e a torana do período Satavana.
A história da Índia tem início, com o registro arqueológico, da presença do Homo sapiens há cerca de anos. Uma civilização da Idade do Bronze emergiu em época aproximadamente contemporânea às civilizações do Oriente Médio. Como regra, a história da Índia abrange todo o subcontinente indiano, correspondente às atuais República da Índia, Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Nepal e Butão.
A civilização do Vale do Indo surgiu no e atingiu a maturidade a partir do Seguiu-se-lhe a civilização védica. A origem dos indo-arianos é um ponto de relativa controvérsia. A maioria dos estudiosos acredita em algum tipo de hipótese de migração indo-ariana, segundo a qual os arianos, um povo semi-nômade possivelmente da Ásia Central ou do norte do Irã, teriam migrado para o noroeste do subcontinente entre e . A natureza de tal migração, o local de origem, e até mesmo a própria existência dos arianos como povo distinto, são fortemente discutidos. Até há algumas décadas, havia quase unanimidade sobre a ocorrência de uma invasão ariana que teria ocorrido aproximadamente e que teria destruído a civilização do Vale do Indo, mas achados arqueológicos e geológicos recentes levaram a questionar essa teoria.BIANCHINI, Flávia. A origem da civilização indiana no vale do Indo-Sarasvati: teorias sobre a invasão ariana e suas críticas recentes. Pp. 57-108, in: GNERRE, Maria Lúcia Abaurre; POSSEBON, Fabrício (orgs.). Cultura oriental: língua, filosofia e crença. Vol. 1. João Pessoa: Editora da UFPB, 2012.
Os autores que aceitam a hipótese da invasão ou migração ariana consideram que a fusão da cultura védica com as culturas dravídicas que lhe eram anteriores (presumivelmente os descendentes da civilização do Vale do Indo) aparentemente resultou na cultura indiana clássica, embora os detalhes específicos do processo são controversos. Alguns entendem, por outro lado, que a civilização do Vale do Indo era essencialmente védica e que se teria espalhado para partes da Europa entre o sexto e o .
Às incursões por exércitos árabes e centro-asiáticos nos séculos VIII e XIII seguiram-se as de comerciantes da Europa, a partir do final do . A Companhia Inglesa das Índias Orientais foi fundada em 1600 e iniciou, desde 1757, a colonização de partes da Índia. Na altura de 1858, após derrotar uma confederação sique no Panjabe em 1849, a coroa britânica assumira o controle político de virtualmente todo o subcontinente. Tropas indianas no exército britânico desempenharam um papel vital em ambas as guerras mundiais. A resistência não-violenta ao colonialismo britânico, chefiada por Mahatma Gandhi, Vallabhbhai Patel e Jawaharlal Nehru, levou à independência frente ao Reino Unido em 1947. O subcontinente foi partilhado entre a República da Índia, secular e democrática, e a República Islâmica do Paquistão. Como resultado de uma guerra entre aqueles dois países em 1971, o Paquistão Oriental tornou-se o Estado independente de Bangladexe. No , a Índia tem obtido ganhos expressivos em investimento e produção econômicos, constituindo-se na maior democracia do mundo, com uma população de mais de 1000 milhão de pessoas, e na quarta maior economia do planeta (critério PPP).
Fora do sul da Ásia, a história, a cultura e a política da Índia frequentemente se sobrepõem aos países vizinhos. A cultura, economia e política indianas exerceram influência ao longo de milênios na história e na cultura de países no sudeste asiático, no leste e no centro da Ásia, como Indonésia, Camboja, Tailândia, China, Afeganistão, Mianmar, Laos, Tajiquistão, Irã e Turquemenistão. Após incursões árabes na Índia no início do segundo milênio, missões semelhantes em busca da lendária riqueza indiana influenciaram fortemente a história da Europa medieval, a partir da chegada de Vasco da Gama. Cristóvão Colombo descobriu a América quando procurava uma nova rota para a Índia, e o Império Britânico obteve grande parte de seus recursos após a incorporação da Índia (a "Joia da Coroa") do final do até 1947.
Para a história da Índia após a independência em 1947, ver História da República da Índia.
Idade da Pedra A cultura da Idade da Pedra no subcontinente indiano coincidiu com o início da colonização pelo homem e progrediu para a agricultura e o desenvolvimento de ferramentas derivadas de objetos naturais ou criados a partir de matérias-primas. A comunidade Mergar constitui-se no estágio preliminar da agricultura no subcontinente e levou ao surgimento da civilização do Vale do Indo, pertencente à Idade do Bronze.
Paleolítico Estima-se que a expansão de hominídeos da África tenha chegado ao subcontinente indiano aproximadamente há dois milhões de anos, e possivelmente já em 2,2 milhões de anos antes do presente. Esta datação é baseada na presença conhecida do Homo erectus na Indonésia por 1,8 milhões de anos antes do presente, e no leste asiático em 1,36 milhões de anos antes do presente, bem como a descoberta de ferramentas de pedra feitas por proto-humanos no vale do rio Soan, em Riwat e nas colinas de Pabbi, todos no atual Paquistão. Embora algumas descobertas mais antigas tenham sido reivindicadas, as datas sugeridas, baseadas na datação de sedimentos fluviais, não foram verificadas independentemente.
O mais antigo fóssil hominino encontrado no subcontinente indiano, são os do Homo erectus ou Homo heidelbergensis, do Vale Narmada, no centro da Índia, e são datados de aproximadamente há meio milhão de anos. Descobertas de fósseis mais antigos foram reivindicadas, mas são consideradas não confiáveis. Revisões de evidências arqueológicas sugeriram que a ocupação do subcontinente indiano por homininos era esporádica até há aproximadamente 700.000 anos, e foi geograficamente difundida por aproximadamente 250.000 anos antes do presente, a partir da qual evidências arqueológicas de presença proto-humana são amplamente apontadas.
Evidências arqueológicas têm sido interpretadas para sugerir a presença de humanos anatomicamente modernos no subcontinente indiano há - anos, embora essa interpretação seja contestada.
Neolítico A colonização mais extensa do subcontinente indiano ocorreu no período neolítico, após o final da última Idade do Gelo, aproximadamente há anos. Os primeiros assentamentos semipermanentes confirmados surgiram há 9.000 anos nos abrigos rochosos de Bhimbetka, no moderno Madia Pradexe, na Índia. As Cavernas Edakkal possui escritos pictóricos do homem neolítico que se acredita datar de pelo menos 6.000 aC, indicando a presença de uma civilização pré-histórica ou assentamento em Kerala.
As culturas agrícolas neolíticas surgiram na região do Vale do Indo por volta de 5000 a.C, no vale Gangético inferior por volta de 3000 a.C., representado pelas descobertas de Bhirrana (7570–6200 a.C.) em Haryana, Índia, descobertas de Lahuradewa (7000 a.C.) em Utar Pradexe, Índia e as descobertas de Mehrgarh (7000–5000 a.C.) no Baluchistão, Paquistão; e mais tarde no sul da Índia, espalhando-se para o sul e também para o norte até Malwa por volta de 1800 a.C.. A primeira civilização urbana da região começou com a Civilização do Vale do Indo.
Idade do Bronze As civilizações da Idade do Bronze no sub-continente indiano lançaram as bases da moderna cultura indiana, inclusive o surgimento de assentamentos urbanos e o desenvolvimento das crenças védicas que formam o núcleo do hinduísmo.
Civilização do Vale do Indo thumb|300px|Selos com a escrita índica.
A irrigação do Vale do Indo, que fornecia recursos suficientes para sustentar grandes centros urbanos como Harapa e Moenjodaro em cerca de , marcou o início da civilização de Harapa. Aquele período testemunhou o nascimento da primeira sociedade urbana na Índia, conhecida como a civilização do Vale do Indo (ou civilização de Harapa), que floresceu entre 2500 a.C. e 1900 a.C., e que se concentrava em volta do rio Indo e seus tributários, estendendo-se ao doab rio Ganges-rio Jamuna, ao Guzarate e ao norte do atual Afeganistão.
Esta civilização caracterizava-se por suas cidades construídas com tijolos, por sistemas de águas pluviais e por casas com vários andares. Quando comparada a civilizações contemporâneas como o Egito e a Suméria, a cultura do Indo dispunha de técnicas de planejamento urbano singulares, cobria uma área geográfica mais extensa e pode ter formado um Estado unificado, como sugere a extraordinária uniformidade de seus sistemas de medida. As referências históricas mais antigas à Índia talvez sejam as relativas a "Meluhha", em registros sumérios, que poderia ser a civilização do Vale do Indo.
As ruínas de Moenjodaro constituíam o centro daquela antiga sociedade. Os assentamentos da civilização do Indo disseminaram-se até as modernas Bombaim, ao sul, Déli, a leste, e a fronteira iraniana, a oeste, limitando com os Himalaias a norte. Os principais centros urbanos eram Harapa e Moenjodaro, bem como Dolavira, Ganweriwala, Lotal, Kalibanga e Rakhigarhi. No seu zênite, como creem alguns arqueólogos, a civilização do Indo talvez contivesse uma população de mais de cinco milhões de habitantes. Até o presente, mais de 2500 antigas cidades e assentamentos foram identificados, em geral na região a leste do rio Indo no atual Paquistão. Alguns acreditam que perturbações geológicas e mudanças climáticas, responsáveis por um desmatamento gradual, teriam contribuído para a queda daquela civilização. Em meados do , a região da bacia do rio Indo, que inclui cerca de dois-terços dos sítios atualmente conhecidos, secou, levando a população a abandonar os assentamentos.
Civilização védica A civilização védica é a cultura indo-ariana associada com o povo que compôs os Vedas no subcontinente indiano. Incluía o atual Panjabe, na Índia e Paquistão, e a maior parte da Índia setentrional. A relação exata entre a gênese desta civilização e a cultura do Vale do Indo, por um lado, e uma possível imigração indo-ariana, por outro, é motivo de controvérsia.
A maioria dos estudiosos entende que esta civilização floresceu entre os II e O uso do sânscrito védico continuou até o , quando a cultura começou a transformar-se nas formas clássicas do hinduísmo. Esta fase da história da Índia é conhecida como o período védico ou era védica. Sua fase primitiva testemunhou a formação de diversos reinos da Índia antiga; em sua fase tardia (a partir de cerca de ), surgiram os Mahajanapadas, dezesseis grandes reinos no norte e no noroeste da Índia. Seguiram-se-lhe a idade de ouro do hinduísmo e da literatura em sânscrito clássico, o Império Máuria (a partir de cerca de ) e os reinos médios da Índia (a partir do ).
Ademais dos principais textos do hinduísmo (os Vedas), os grandes épicos indianos (Ramáiana e Maabárata), inclusive as famosas histórias de Rama e Críxena, teriam sua origem neste período, a partir de uma tradição oral. O Bhagavad Gita, outro bem-conhecido texto primário do hinduísmo, está contido no Maabárata.
Os 16 Mahajanapadas da Idade do Ferro thumb|300px|Os dezesseis Mahajanapadas da Idade do Ferro no subcontinente indiano, estendendo-se principalmente ao longo da planície gangética.