Na história da ciência, chama-se Revolução Científica ao período que começou no século XVI e prolongou-se até o século XVIII. Começou na era renascentista, na sequência deste espírito crítico. Os conhecimentos só eram considerados corretos depois de confirmados pela experiência e razão, surgindo assim o método experimental ou científico. A partir desse período, a Ciência, que até então estava atrelada à Teologia, separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático. As causas principais da revolução podem ser resumidas em: Renascimento cultural e científico, a imprensa, a Reforma Protestante e o hermetismo.

A expressão "revolução científica" foi criada por Alexandre Koyré, em 1939. Em seguida, foi popularizada por Thomas Kuhn.

Contexto thumb|esquerda|Modelo heliocêntrico do Sistema Solar no manuscrito de Nicolau Copérnico|297x297pxPor volta do século XVI, houve uma mudança de perspectiva em relação ao conhecimento. A crença de que todo o conhecimento estava contido apenas nos textos clássicos começou a ser substituída pela ideia de que as observações diretas dos fenômenos naturais eram essenciais para compreendê-los. Essa mudança de paradigma veio acompanhada da percepção de que os antigos autores também poderiam estar equivocados e que os estudiosos contemporâneos tinham a capacidade de corrigir esses erros por meio de suas próprias investigações.

O Renascimento trouxe como uma de suas características o humanismo. Esta corrente de pensamento e comportamento pregava a utilização de um senso crítico mais elevado e uma maior atenção às necessidades humanas ao contrário do teocentrismo da Idade Média, que pregava a atenção total aos assuntos divinos e, portanto, um senso crítico menos elevado. Este maior senso crítico exigido pelo humanismo permitiu ao homem observar mais atentamente os fenômenos naturais em vez de renegá-los à interpretação da Igreja Católica.

Houve antes muitas teorias revolucionárias que diferem na intensidade com que influenciaram o pensamento humano. Algumas representaram profundas modificações na forma do homem examinar a natureza, como por exemplo, a introdução de um tratamento matemático na descrição dos movimentos dos planetas, introduzida pelos babilônios e depois aperfeiçoada pelos gregos. Outras representaram microrrevoluções, como o sistema de classificação de seres vivos, introduzida por Aristóteles.

Início thumb|direita|upright=1.0|A Fabrica é conhecida por suas ilustrações detalhadas de dissecações humanas, frequentemente em posições alegóricas.Eventos marcantes da revolução científica, no início do século XVI, foram a publicação das obras De revolutionibus orbium coelestium ("Das revoluções das esferas celestes") por Nicolau Copérnico e De Humani Corporis Fabrica ("Da Organização do Corpo Humano") por Andreas Vesalius. A publicação do Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, por Galileu Galilei e o enunciado das Leis de Kepler impulsionaram decisivamente a revolução científica.

O livro de Vesalius é amplamente reconhecido como o primeiro texto moderno sobre anatomia. Foi baseado em dissecações abrangentes, permitindo-lhe contestar muitos dos pontos de vista anteriormente aceitos de Galeno, considerado a autoridade nessa área até então. Essa obra marcou a primeira aparição de uma descrição minuciosamente pesquisada e essencialmente precisa do corpo humano.

Em 1543, o mesmo ano em que Vesalius publicou seu livro, Copérnico apresentou sua revolucionária teoria sobre o sistema solar. Ele foi o primeiro a afirmar, nos tempos modernos (inspirado em Aristarco de Samos, que fez afirmações similares por volta de 200 a.C.), que o Sol, e não a Terra, estava localizado no centro do universo, e que a Terra e os outros planetas giravam ao seu redor. Pode-se argumentar que esses dois acontecimentos - as publicações das obras de Vesalius e Copérnico - marcam o ponto inicial da revolução científica.

Com a referida revolução, a ciência mudou sua forma e sua função, passando a ser repensada nos moldes na nova sociedade que estava emergindo nesta época. Os objetivos do homem da ciência e da própria ciência acabaram sendo redirecionados para uma era livre das influências místicas da Idade Média.

A imprensa, após a invenção do tipo móvel por Johannes Gutenberg, disseminou-se neste período e desempenhou um papel fundamental na revolução científica.

Assim, desapareciam os erros de interpretação e cópia que acabavam por deturpar as traduções na época dos pergaminhos. A impressão em vernáculo permitiu uma maior divulgação de material se comparado aos escritos em latim, que eram compreendidos apenas pelos estudiosos desta língua.

A reforma religiosa participou de modo decisivo do desencadeamento da revolução científica. Os reformistas pregavam que uma forma de se apreciar a existência de Deus era através das descobertas na ciência e por isto estas foram incentivadas, proporcionando uma propulsão ao desenvolvimento da revolução científica.

Finalmente, o hermetismo selou a revolução, na medida em que representava um conjunto de ideias quase mágicas, mas que exaltavam a concepção quantitativa do universo, encorajando o uso da matemática para relacionar grandezas e demonstrar verdades essenciais. A difusão da matemática criou um ambiente propício para o desenvolvimento de um método científico mais rigoroso e crítico, o que modificou a forma de fazer ciência.

Não é necessário enumerar as consequências deste período na história da ciência. Todos os grandes desenvolvimentos posteriores talvez não tivessem sido possíveis sem a reestruturação científica. Como toda revolução, esta não ocorreu de maneira isolada ou por motivos próprios, mas foi consequência principalmente de uma nova sociedade imbuída em novas ideias.

Institucionalização da ciência Durante o século XVII, no contexto da Revolução Científica, a prática da investigação natural passou por um processo de crescente institucionalização na Europa. A formação de academias, sociedades científicas e periódicos especializados contribuiu para consolidar novas formas de organização do conhecimento, estabelecendo padrões de experimentação, validação e circulação das descobertas.

Entre as primeiras instituições dedicadas ao estudo da natureza esteve a Accademia dei Lincei, fundada em 1603, em Roma. A academia reuniu estudiosos interessados na observação empírica e na investigação sistemática dos fenômenos naturais. Entre seus membros esteve Galileu Galilei, cujas pesquisas astronômicas se beneficiaram do intercâmbio intelectual promovido pela instituição.

Na Inglaterra, a criação da Royal Society, oficialmente fundada em 1660, marcou um momento decisivo na formalização da investigação científica. A sociedade adotou como princípio o lema Nullius in verba, enfatizando a observação direta e a experimentação. Suas reuniões regulares, atas publicadas e experimentos coletivos contribuíram para estabelecer padrões de validação do conhecimento.

Na França, a Académie des sciences, fundada em 1666 sob o patrocínio de Luís XIV, integrou a pesquisa científica à estrutura administrativa do Estado. Diferentemente da sociedade inglesa, sua organização esteve diretamente vinculada ao poder monárquico, refletindo distintas formas de relação entre ciência e autoridade política na Europa moderna.

Essas instituições não apenas favoreceram a troca de informações entre estudiosos, mas também estabeleceram critérios de reconhecimento, reputação e autoria, consolidando novas práticas de publicação e debate público. O surgimento de periódicos científicos , como as Philosophical Transactions, reforçou esse processo ao permitir a difusão sistemática de experimentos e descobertas.

A institucionalização da ciência no período renascentista e moderno esteve igualmente associada à formação de redes internacionais de correspondência, frequentemente descritas como parte da chamada “República das Letras” . Por meio dessas trocas epistolares, estudiosos de diferentes regiões compartilhavam observações, instrumentos e resultados, ampliando o alcance geográfico da produção intelectual e, com isso, a circulação do conhecimento científico .

Esse conjunto de transformações contribuiu para deslocar a investigação científica de um âmbito predominantemente universitário e escolástico para espaços mais coletivos e colaborativos, marcando uma etapa importante na consolidação da ciência como atividade socialmente organizada, aprofundando a definição de critérios de autoria, prioridade e reconhecimento.

Nomes que marcaram a revolução científica Galileu Galilei Viveu entre 1564 e 1642; Criticava a "pseudofilosofia", na época representada pelos aristotélicos dogmáticos (em grande parte teólogos alheios à atitude e ao espírito filosófico-científico genuíno de Aristóteles), dizendo que “A tradição e a autoridade dos antigos sábios não são fontes de conhecimento científico” (advertência esta que, aliás, o próprio Aristóteles em sua "Dialética" já fizera, chamando a atenção para a necessidade de se antepor os fatos aos discursos) e que a única maneira de compreender a natureza é experimentando-a racionalmente; Achava que fazer ciência é comprovar através da experiência; Dizia que “o livro da natureza é escrito em caracteres matemáticos”; Foi acusado, pelas autoridades, de ser inimigo da fé. Foi julgado pelo tribunal do santo ofício, a Inquisição. Ele reconheceu diante dos inquisidores que estava “errado”, para poder terminar suas pesquisas. Segundo a lenda, ele disse baixo: "Eppur si muove", ou, “mas ela anda”, ou seja, que a Terra não é um ponto fixo no centro do universo.

Isaac Newton Por trás de fenômenos aparentemente banais construiu a base de teorias revolucionárias; Nasceu em 4 de Janeiro de 1643, em Woolsthorpe, na Inglaterra; Em 1661, com dezoito anos, ingressa na Universidade de Cambridge, estudou matemática e filosofia; Em 1668, depois de idealizar as leis de reflexão e refração de luz, construiu o primeiro telescópio reflexivo; Em 1669, assume o cargo de professor de matemática na universidade de Cambridge; Em 1672, é convidado para a Royal Society; Em 1687, publica Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, o famoso Principia, em que descreve as leis da gravidade e dos movimentos; Em 1696, é nomeado Guardião da Casa da Moeda; Em 1705, foi nomeado Cavaleiro Celibatário pela rainha Anne; Em 1727, morre, no dia 20 de março e é enterrado na abadia londrina de Westminster, na Inglaterra.

René Descartes Viveu entre 1596 e 1650; Demonstrou como a matemática poderia ser utilizada para descrever as formas e as medidas dos corpos; Inventou a geometria analítica; Sua obra mais famosa chama-se “discurso sobre o método” (1636). Nela, Descartes procura nos convencer que o raciocínio matemático deveria servir de modelo para o pensamento filosófico e para todas as ciências; Uma das frases mais célebres da história do pensamento filosófico é: "Penso, logo existo". Ele acreditava que dessa verdade ninguém poderia duvidar. O raciocínio matemático é baseado, principalmente, na lógica dedutiva, em que nós partimos de uma verdade para encontrarmos outras verdades, ou seja, que uma verdade é consequência da outra.

Outros cientistas:

Nicolau Copérnico (1473 a 1543) Mostrou que o sol fica no centro do sistema, mas, achava que a órbita da Terra era uma circunferência perfeita, o que era errado, mas, o alemão Kepler (1571 a 1630) o corrigiu, mostrando que a distância da Terra e do sol é variável, em forma de elipse.

Francis Bacon (1561 a 1626) Mostrou a importância de um método de experimentação que reduzisse os equívocos tanto do intelecto quanto da pura experiência, aliando o melhor de ambos para a aquisição dos conhecimentos científicos. Defendeu o método indutivo nas ciências.

Francesco Redi (1626 a 1697)