Doméstico das escolas () foi um posto militar sênior do Império Bizantino, que existiu do até ao menos o . Originalmente simplesmente o comandante das escolas palatinas, os regimentos seniores dos tagmas, o doméstico rapidamente ascendeu em proeminência: por meados do , seus titulares ocuparam essencialmente a posição de comandantes-em-chefe do exército bizantino, ao lado do imperador. O ofício foi suplantado no com a elevação do grande doméstico, e durante a dinastia paleóloga () foi reduzido a uma dignidade de nível médio puramente honorífica.

O primeiro titular confirmado foi o oficial Antônio, mencionado na crônica de Teófanes, o Confessor, embora autores como argumentem que o ofício já pudesse existir há muito mais tempo. Embora os oficiais em exercício fossem substituídos, em média, a cada três ou quatro anos, houve casos, como o de João Curcuas, em que os oficiais permaneceram por períodos muito mais longos no comando das tropas. Além disso, famílias militares fundiárias como a dos Focas por vezes tentaram monopolizar o ofício, de modo que os imperadores bizantinos, mesmo que legalmente impedidos, passaram a nomear eunucos para o posto. O último oficial conhecido foi Manuel Ducas Láscaris, mencionado em 1320.

História thumb|Histameno de ouro de . Basílio II, o genro e co-imperador júnior de Nicéforo II, está representado no reverso thumb|Histameno de

O primeiro titular do ofício de doméstico das escolas aparece pela primeira vez nas fontes (a crônica de Teófanes, o Confessor) no ano 767, brevemente após a criação dos tagmas. Estes eram regimentos de cavalaria de elite estacionados na ou em torno da capital Constantinopla, comandados pelos oficiais intitulados "domésticos" (), e distintos dos exércitos provinciais dos temas comandados pelos seus respectivos estrategos. As "escolas" (; ) foram uma tagma sênior, que se originaram das escolas palatinas estabelecidas por e originalmente foram colocadas sob o comando do mestre dos ofícios. O historiador traçou a referência a um certo Ariano, "doméstico do mestre", na Crônica Pascoal para o ano 624, e considera este oficial como o predecessor do doméstico das escolas. Como o mestre dos ofícios foi gradualmente destituído de algumas de suas funções nos , o doméstico aparentemente tornou-se um oficial independente.

No , o ofício de doméstico (ou "domesticado"; ) das escolas, subiu em importância e seus titulares foram frequentemente nomeados como chefes do exército na ausência do imperador. Contudo, esta função ainda não lhe era consagrada: dependia bastante das habilidades do doméstico em serviço e o comando supremo foi por vezes confiado a outros generais de nível inferior. O doméstico das escolas, no entanto, elevou-se para tal proeminência que as fontes frequentemente falam do ofício como "o doméstico" sem qualificação adicional, e devido ao poder e influência do posto ele foi frequentemente ocupado por pessoas intimamente relacionadas com o imperador. Da época de em diante, o doméstico foi classificado na hierarquia imperial acima de todos os outros comandantes militares, exceto o estratego do Tema da Anatólia. Na prática, rapidamente tornou-se superior até do último, como demonstrado pelo fato que líderes militares como Nicéforo Focas e João Tzimisces serem promovidos do generalato dos anatólios para o domesticado.

thumb|esquerda|Petronas (extrema esquerda) com João, o monge que previu sua vitória na batalha de Lalacão thumb|esquerda|A cavalaria de Nicéforo Urano chacina as tropas búlgaras na batalha de Esperqueu. Gravura do Escilitzes de Madrid. thumb|esquerda|Selo de como "Grande Doméstico do Ocidente"

No reinado de Romano II o posto foi dividido, sendo criado um "doméstico do Ocidente" () para operações na Europa e um "doméstico do Oriente" () para operações na Ásia. A cerimônia da nomeação do doméstico é descrita no Sobre as Cerimônias (II.3); a mesma obra descreve suas obrigações e papel nas cerimônias cortesãs.

Com algumas exceções, mais notadamente a permanência incomparável de 22 anos de João Curcuas no ofício, ou em momentos de instabilidade interna, os domésticos eram substituídos, em média, a cada três ou quatro anos. Durante o , o domesticado das escolas foi dominado pelos membros da família Focas, que produziram seis titulares do ofício. A tentativa deles de monopolizar o ofício levou uma série de imperadores, preocupados com o poder da aristocracia militar, a confiarem o ofício potencialmente mais poderoso para oficiais cortesões não-militares, incluindo — especialmente na primeira metade do , antes da aristocracia militar reafirmar sua autoridade — para eunucos, embora isto fosse proibido em teoria, com o ofício alternativo de estratopedarca sendo criado para este propósito.

Nos séculos X–XI, a variante "grande doméstico" () aparece esporadicamente, usada em paralelo com outras variantes tais como "grande doméstico das escolas" ou "grande doméstico do Oriente/Ocidente" para as mesmas pessoas. O bizantinista Rodolphe Guilland considera muitas destas referências precoces como referências anacrônicas de escritores do , ou simplesmente casos onde "grande" é usado como um prefixo honorífico, como foi a norma com outros ofícios seniores durante este período, como o drungário da guarda ou o doméstico dos excubitores. No entanto, Guilland argumenta que do tempo de em diante, o "grande doméstico" tornou-se um ofício separado, sênior ao "singelo" doméstico das escolas e de fato o novo comandante-em-chefe do exército ao lado do imperador. Contudo, o uso dos títulos não é consistente, e a divisão habitual do comando entre Oriente e Ocidente parece ter sido às vezes aplicado para o grande domesticado também durante o , causando alguma confusão com a natureza do ofício e sua relação com o doméstico "singelo". No , porém, os dois títulos tornam-se claramente distintos: o grande doméstico foi o comandante-em-chefe do todo o exército e um dos mais altos oficiais do Estado, enquanto o doméstico das escolas foi relegado a uma simples dignidade sem obrigações, concedido para governadores provinciais e outros oficiais de nível médio. Nas palavras do Livro dos Ofícios de Jorge Codino de meados do , "o doméstico das escolas teve em tempos um ofício similar ao do grande doméstico atualmente, mas agora detém nenhum".

Na obra de Jorge Codino, o doméstico das escolas ocupa o trigésimo primeiro lugar na hierarquia imperial, entre o místico e o grande drungário da frota. A vestimenta cortesã distintiva do doméstico, conforme relatado por Jorge Codino, consistia de um chapéu de brocado a ouro (esciádio), um cafetã de nome cabádio de seda plana e um bastão de prata (dicanício) com um botão no topo e outro no meio. Nas cerimônias e festivais, envergava um escarânico, um chapéu cerimonial em forma de cúpula, de seda amarela decorada com bordados de fios de ouro, com um retrato do imperador sentado no trono na frente e outro com o imperador a cavalo na parte de trás.

Lista de titulares conhecidos Nota: a lista só inclui titulares conhecidos por outros meios de identificação além dos seus selos.