Omarose Onee Newman (nascida Manigault; Youngstown, 5 de fevereiro de 1974), conhecida simplesmente como Omarosa, é uma estrela de reality show, autora, antiga consultora política e assessora da Casa Branca norte-americana. Desempenhou funções no gabinete da Casa Branca durante os mandatos presidenciais de Bill Clinton e de Donald Trump. Alcançou notoriedade como concorrente da primeira temporada do programa The Apprentice da NBC e permaneceu sob a atenção do público sobretudo através de participações recorrentes em programas de telerrealidade, contando ainda com a visibilidade adquirida em entrevistas televisivas e em aparições em programas de natureza política.
Em agosto de 2018, Newman publicou Unhinged, obra em que relata a sua passagem pela Casa Branca e critica Trump e a sua administração. Dois dias antes do lançamento do livro, divulgou a primeira de um total que poderá ascender a 200 gravações secretas que realizou durante a sua permanência na Casa Branca. Até 23 de maio de 2022, havia divulgado quatro gravações. A primeira gravação divulgada, realizada secretamente no interior da Sala de crise da Casa Branca, foi descrita como «uma das piores falhas de segurança da história da Casa Branca», ainda que se considere não violar a Lei de Espionagem de 1917.
A 15 de março de 2020, Newman foi obrigada a pagar 61 585 dólares ao Tesouro dos Estados Unidos pela sua violação da Lei de Ética no Governo, naquilo que o juiz descreveu como uma «violação deliberada», após ter recebido «inúmeros lembretes» para apresentar a sua declaração final de rendimentos, na sequência do seu despedimento do cargo na Casa Branca.
Infância e educação Newman nasceu em Youngstown, no Ohio, filha de Theresa Marie Walker e de Jack Thomas Manigault. O pai de Newman faleceu quando esta tinha sete anos de idade.
Após concluir os estudos na Rayen School, em Youngstown, obteve, em 1996, um bacharelato em comunicação, com especialização em rádio, na Universidade Estadual Central, em Wilberforce, no Ohio. Mudou-se mais tarde para Washington, D.C., a fim de frequentar a Universidade Howard, onde obteve um mestrado e prosseguiu estudos com vista a um doutoramento em comunicação, que não chegou a concluir.
Exerceu temporariamente funções de facilitadora e apresentadora na Universidade Howard. Newman recebeu ainda formação em estudos bíblicos no Payne Theological Seminary, em Wilberforce, no Ohio.
Carreira
Início de carreira Na década de 1990, Newman trabalhou no gabinete do vice-presidente Al Gore durante a administração Clinton. Afirmou posteriormente que o emprego tinha sido «um ambiente muito difícil, porque não acreditam em formação. Limitam-se a atirar-nos para o fogo».
A antiga administradora do gabinete de Gore, Mary Margaret Overbey, declarou em 2017 que Newman «foi a pior contratação que alguma vez fizemos». No seu currículo, Newman descreveu mais tarde as suas funções profissionais como «coordenadora sénior de agenda e antecipação», responsável pela agenda de Gore, embora antigos colaboradores de Gore tenham dito ao The New York Times que esta se limitava a responder a convites.
Foi posteriormente transferida para o Departamento de Comércio de Clinton, através do gabinete de pessoal da Casa Branca. Cheryl Shavers, que na altura desempenhava as funções de subsecretária para a Administração da Tecnologia no Departamento de Comércio, afirmou que Newman era «incompetente e perturbadora», acrescentando: «Mandei retirá-la.»
Carreira na televisão
Primeira e sétima temporadas de The Apprentice e The Ultimate Merger Newman chegou pela primeira vez à atenção do público em 2004, ao tornar-se participante da primeira temporada da série The Apprentice da NBC. Em virtude da sua personalidade conflituosa em The Apprentice (sobretudo nos segmentos da sala de reuniões), Newman depressa se tornou «a mulher que a América adorava odiar»"Omarosa". (12 de abril de 2004) Jet, p. 60. e foi designada pela E! como «a número um das más raparigas da telerrealidade». Newman discordou do rótulo de «vilã», considerando-se antes «uma mulher de negócios astuta» e alegando que, quando um homem age com assertividade, é visto como forte, ao passo que, quando uma mulher o faz, é retratada de forma negativa. Newman afirmou igualmente que os produtores do programa manipularam as imagens que lhe diziam respeito, de modo a fazê-la parecer a vilã. Foi «despedida» na nona semana.
Em janeiro de 2008, Newman participou na primeira temporada da série derivada de The Apprentice, o Celebrity Apprentice; tornou-se a única antiga participante de The Apprentice a ser convidada a regressar à série. Em Celebrity Apprentice, envolveu-se rapidamente numa disputa pessoal com o colega concorrente Piers Morgan. Acabou por ser despedida no décimo episódio, depois de ter atuado como gestora de projeto da equipa que, segundo Trump, sofreu «o maior massacre da história de The Apprentice» num desafio de venda de obras de arte contra uma equipa liderada por Morgan. Angariou um total de 49 000 dólares para a sua instituição de solidariedade.
Em junho de 2010, Newman e Trump colaboraram na criação de um programa de encontros denominado The Ultimate Merger, no qual 12 homens competiam pelo seu afeto. O programa foi transmitido pela TV One.
Décima terceira temporada de The Apprentice miniaturadaimagem|250x250px|Omarosa em 2008 Em fevereiro de 2013, Newman regressou à televisão e a The Apprentice, participando no All-Star Celebrity Apprentice de Trump. Conduziu rapidamente a sua equipa a uma vitória inicial no programa, vencendo uma tarefa que envolvia a criação de uma cabina fotográfica no Universal Orlando. Num episódio posterior, a equipa de Lil Jon foi trazida de volta à sala de reuniões após uma derrota. Piers Morgan observou: «o meu argumento contra ti sempre foi que não és uma celebridade... e não tens poder de estrela», o que conduziu a uma discussão acesa que resultou no despedimento de Newman por parte de Trump. No programa Late Night with Jimmy Fallon, quando Jimmy Fallon lhe perguntou se considerava que o programa a havia armadilhado ao colocar Piers Morgan como um dos jurados, Newman respondeu: «Senti que estava a competir contra Piers, bem como contra os restantes concorrentes.» Newman observou ainda que, quando visse o programa de Morgan cancelado no espaço de um ano, essa seria «a melhor vingança». Omarosa intentou uma ação judicial contra La Toya Jackson na sequência da final de The Apprentice de 2013.
Controvérsia No programa The Oprah Winfrey Show, em 2004, Newman acusou a colega participante de The Apprentice Ereka Vetrini de a ter chamado de «palavra que começa por n», acusação que Vetrini negou. Pouco depois dessa aparição, Newman não compareceu a uma participação agendada no programa Jimmy Kimmel Live!, alegadamente por ter levantado objeções ao ver uma máquina de polígrafo.
Após a sua passagem por Celebrity Apprentice: All Stars, Newman arremeteu contra La Toya Jackson em virtude das declarações desta, que insinuavam que Newman teria assassinado o seu noivo, Michael Clarke Duncan. Jackson proferiu tais declarações em confessionários de Celebrity Apprentice e em entrevistas subsequentes aos meios de comunicação social.
Quando questionada sobre a probabilidade de intentar uma ação contra La Toya Jackson, Newman declarou:
Celebrity Big Brother Newman participou na primeira temporada do Celebrity Big Brother, uma série derivada do Big Brother. O programa foi transmitido pela rede CBS, de 7 a 25 de fevereiro de 2018. Newman permaneceu no jogo durante todo esse período, sobrevivendo à eliminação e vencendo várias provas até à final, na qual foi uma das últimas cinco concorrentes em prova. A dada altura, a apresentadora Julie Chen Moonves especulou que Newman poderia vencer toda a temporada. Ao longo da temporada, manifestou as suas objeções a trabalhar com Donald Trump e a sua administração, bem como afirmações sobre a sua experiência na Casa Branca. Muitas destas revelações de índole política atraíram significativa atenção mediática e destaque noticioso. Newman ficou em quinto lugar, tendo sido expulsa por uma votação de 2–0 na casa.
Big Brother VIP Em 2021, Newman participou no Big Brother VIP, a edição de celebridades do Big Brother australiano. Newman foi nomeada para a primeira expulsão por Caitlyn Jenner e, subsequentemente, expulsa por uma votação de 5–3–2 na casa.
Campanha e administração presidencial de Trump Num artigo do Washington Post de 2015, Omarosa identificou-se como uma apoiante «convicta» de Clinton. Contudo, a sua relação pessoal com o candidato presidencial republicano Donald Trump prevaleceu e, durante a Convenção Nacional Republicana, em julho de 2016, foi anunciado que havia sido designada diretora de mobilização dos afro-americanos para a campanha presidencial de Donald Trump. Em setembro de 2016, declarou numa entrevista ao Frontline: «Todos os críticos, todos os detratores, terão de se curvar perante o Presidente Trump. É toda a gente que alguma vez duvidou de Donald, que alguma vez discordou, que alguma vez o desafiou. É a vingança suprema tornar-se o homem mais poderoso do universo.» Pouco depois de Trump ter vencido as eleições, Newman afirmou que Trump possuía uma lista de «inimigos» composta por republicanos que haviam votado contra si.
Em dezembro de 2016, Newman foi anunciada como um dos nove membros adicionais da equipa de transição presidencial de Trump.
A 3 de janeiro de 2017, foi noticiado que Newman se juntaria ao gabinete da Casa Branca de Trump, centrando-se no envolvimento público. O seu cargo específico foi tornado público no dia seguinte, como assistente do Presidente e diretora de comunicações do Gabinete de Ligação Pública. Na sua primeira entrevista após ser nomeada para a Casa Branca de Trump, Newman disse a Megyn Kelly que era uma «Trumplican» e que havia mudado a sua filiação política para o Partido Republicano. Newman afirmou esperar que mais afro-americanos seguissem o seu exemplo e fizessem o mesmo, e acusou os democratas de considerarem garantido o voto afro-americano e de fazerem promessas vãs a esse eleitorado.
Em junho de 2017, Newman convidou o Congressional Black Caucus (CBC) a visitar a Casa Branca, tendo assinado o convite como «a Honorável Omarosa Manigault». Alguns membros do CBC opuseram-se à utilização do título, que não é habitual entre assessores políticos nem, tipicamente, autoatribuído. O CBC acabou por declinar o convite. Em agosto de 2017, Newman integrou um painel sobre a perda de entes queridos vítimas de violência na convenção da National Association of Black Journalists, em Nova Orleães, no Louisiana. Envolveu-se numa troca acalorada de palavras com o moderador e também painelista Ed Gordon, por as perguntas deste se centrarem nas políticas de Trump e não na sua história pessoal de perda de familiares vítimas de violência.
Saída A 13 de dezembro de 2017, a Casa Branca anunciou a demissão de Newman, com efeitos a partir de 20 de janeiro de 2018.
O Serviço Secreto dos Estados Unidos declarou que a agência não esteve envolvida no processo de cessação de funções nem na escolta ou remoção de Newman do complexo. A única intervenção do Serviço Secreto no assunto consistiu na desativação do seu passe de acesso.
A correspondente da CNN na Casa Branca, April Ryan, noticiou que o Chefe de Gabinete da Casa Branca, John F. Kelly, despedira Newman, mas esta contestou a versão, afirmando que se havia demitido. Contudo, Newman havia gravado secretamente o seu despedimento e entregou a gravação a Chuck Todd para que fosse transmitida no seu programa da NBC, Meet the Press, a 12 de agosto de 2018.
Em fevereiro de 2018, Newman criticou publicamente a administração Trump no programa de telerrealidade Celebrity Big Brother e afirmou que não voltaria a votar em Trump.
Após a administração Trump