Curuaia é uma língua da família Mundurucu, do tronco tupi, falada pelos Curuaias. Atualmente a aldeia é composta de uma população jovem que fala o português e conhece palavras soltas da língua materna, até os anos 2000, havia apenas um velho curuaia que falava fluentemente a língua na aldeia, praticamente a língua está extinta. Contudo recentemente, foi feito um estudo sobre a língua, mas ainda não teve início o processo de revitalização de seu uso entre os curuaias.
Localização e população A Terra Indígena curuaia, na margem direita do rio Curuá, sub-afluente da bacia do Xingu, era constituída, em 2003, de uma aldeia e quatro agrupamentos familiares. A aldeia Cajueiro era composta de 115 pessoas e possuia 12 residências, posto indígena, escola, posto de saúde, casa de farinha, campo de futebol, depósito, cemitério, roçados familiares e comunitário e um local reservado à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM. Um curuaia era contratado para garantir a manutenção do equipamento e para fazer a leitura hidrográfica no nível do rio, a intensidade pluviométrica, além da coleta de outros dados.
Os curuaias que vivem em Altamira vivem junto com outros grupos étnicos também outrora missionados: Juruna, Kayapó, Arara, Xukuru, Karajá, Guarani, Guajajara, Xavante, Kanela e Xipaya. Muitos desses grupos mantém na cidade laços de parentesco desde a época das primeiras incursões colonizadoras. Particularmente, as histórias dos curuaia e dos Xipaya se mesclam em Altamira, havendo uma profusão de inter-casamentos.
Os indígenas em Altamira podem ser encontrados em vários bairros, como Aparecida (18 famílias: 13,04%), Boa Esperança (15 famílias: 10,87%), Independente II (14 famílias: 10,14%), Brasília (10 famílias: 7,25%), Açaizal (8 famílias: 5,80%), São Sebastião (7 famílias: 5,07%), Recreio, Jardim Industrial, Independente I e Centro (6 famílias cada um: 4,35%). A grande maioria deles surgiu no começo do século 21 e tem pouca infraestrutura [dados de 2003].
É comum que os curuaia citadinos tenham relações com seus parentes na TI curuaia, mas geralmente são os aldeados que visitam os parentes na cidade. O tempo de deslocamento da aldeia Cajueiro até Altamira varia de acordo com a estação (seca ou chuvosa) e de acordo com o tipo de embarcação. No verão, uma voadeira de 40 HP leva seis dias no trajeto e no inverno quatro dias. Já um barco de 22 HP leva 17 dias no verão e no inverno dez dias.
Vocabulário Vocabulário "curuahé" (curuaia) recolhido por Emilie Snethlage (1913):SNETHLAGE, Emilia. Vocabulario comparativo dos indios Chipaya e Curuahé. Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de Historia Natural e Ethnographia, Belém, 1913, v. VII (1910), p. 93-9.Vocabulário dos índios "Chipaya" apanhado pela Dra. Emilia Snethlage (1909). Site Línguas Indígenas Brasileiras, de Renato Nicolai.
Português Curuahé cabeça uá cabelo ualá, walá olho metá nariz onomí boca ubí dente ómai orelha uampí braço obá mão ubesál dedo umamãn perna ovál unha upumamãn pescoço aché-pikaúm água íti, ití; uágua fogo uachá pau ip céu pochó (wadirara) chuva imbuyat; íbuyat sol padí, káidi lua uadí estrela adírava pedra ituá, wita cachoeira idído morro toá ilha tíam-á noite kamisã praia irará mata taibí onda bóro vento káhü put put rio oyapók luz í-dík terra ípi homem taín mulher aó pequena criança bekí rapaz bekí-tipít rapariga (pequena) aó pai bái mãe aí rede (para dormir) edí, marabuibí corda da rede iniá-í cuia wáresa panela kurumánana baú épuniã prato talít vaso feito de ouriço de castanha eití canastra feita de folhas de palmeira choá, wétina fita de entrecasca idiá terçado kura-pimpím machado kúr-á faca kúra-ipít canivete ubulié (?) colher karachó arco vái cana flecha lukumí flecha empenada, para aves e macacos olóp, õp flecha (lisa) para peixe nentúka, niéteoka, choká espingarda nomão conta (de vidro) kaidá bolsa para tabaco edíp tabaco iríp folha de tabaco iríp remédio amãn tosse, catarro pioró-ipí, peoró resina ídiá gordura ichá sal iké, yukudí farinha murinúm, molinóm mel apá, kirie-it, áto banana pauá castanha-do-pará erái, wa(i)nái canoa puba (poubá) remo purawá vara ting-íp cuatá lék-kõ macaco-prego távê macaco-de-cheiro (jurupari) kaíma lontra auaré onça miném, miné cutia umarí paca ágí capivara ué veado idí anta biú caititu aité inhambu (?) nyuri-nyuri-tá japu potió anambé (provavelmente Cephalopterus ornatus) kaká Thamnophilus aethiops punctuliger sónsonra Myrmotherula pygmaea mainiá-dé bacurau bokuréu ariramba (martim-pescador) uzí, usí tucano tyukáno papagaio aráu pombo tikibé mutum (Crax fasciolata) itõn, uitõn jacu uakú jacamim muikãn, waikãn cigana wákopat saracura sarakó maguari ísoso (ízozo) passarão (jaburu-moleque) mokóro corocoró koró gaivota charí pássaro noturno ou batráquio (ouvido de noite) naitú jacaré ápad jabuti poí ovos de tracajá poibiá-lobiá, dobiá-bohír camaleão oití batráquio moron acará savaridía tucunaré pariá jacundá warosá traíra dátyuri jeju layuyuzí curimatá yarí pacu itié acari waíki poraquê zofíra arraia abóro(l)i Characinida (?) techaráp Characinida itáu pak pak Characinida pauara á Characinida guarudá silurídeo urukúa camarão kosiná carrapato puriú bicho-do-pé o mutuca nántik carapanã di borboleta mániputput árvore kubé cipó ou arbusto ípi put put inajá wádiu ? yaury (?) dyó-dyok açaí tukanyéi açaí (a fruta?) ápuim cedro uenkutánema árvore da qual se fazem as ubás pa-ubá fruto comestível de uma leguminosa isári raiz comestível (marantácea) hózin-á raiz comestível hámai-pin inhame uedí ? longe perirít perto puridúm pequeno tinga(i)pít não mãn vamos eriná-teputã erínia-zé vamos dormir uahé quero beber óye nantixín quero água bít-purukín quero comer dikandeián estou com fome yatínga kinán estou doente varínka-tit vamos depressa edileikate tenho medo pudimiá morrer ue-á matar ziuaúkaka caçar atita bisáema pescar aiput-tí ? como chama? a(d)yúdya está doente? ókadin derrubar uma árvore éia-pák comer mel apak ókupinya beber água (ou: eu bebo água) tití utéy u comer (ou: eu como) ód(h)o dormir (ou: eu durmo) ú chéd sentar (ou repousar) áya-bík levantar (ou tirar a rede) ai nyu nyúma nomes de homens Topá, Kurélya, Maitumá, Apaisán nomes de mulheres Parimarú (abreviado em Pãpã), Kumaikarú, Umarú, Umaépo
Ligações externas Vocabulário Curuahé - SNETHLAGE, Emilia. Vocabulario comparativo dos indios Chipaya e Curuahé. Boletim do Museu Goeldi (Museu Paraense) de Historia Natural e Ethnographia, Belém, 1913, v. VII (1910), p. 93-9. PATRÍCIO, Marlinda Melo. Índios de verdade : o caso dos Xipaia e Curuaia. Belém : UFPA, 2000. 144 p. (Dissertação de Mestrado) NIMUENDAJÚ, Curt. Fragmentos de religião e tradição dos índios Sipáia : contribuições ao conhecimento das tribos de índios da região do Xingu, Brasil Central. Religião e Sociedade, Rio de Janeiro : Tempo e Presença Ed. ; São Paulo : Cortez, n. 7, p.3-47, jul. 1981.
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