miniatura|direita|370px|A Liga Hanseática em 1400. A Liga Hanseática (em Alto alemão, die Hanse, que significa "banda" ou "tropa") foi uma aliança de cidades mercantis do Mar do Norte e do Mar Báltico — alemãs ou de influência alemã — que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico, em fins da Idade Média e começo da Idade Moderna (entre os séculos XII e XVII). Abrangeu cerca de 100 cidades, tendo Lubeque como centro. De início com caráter essencialmente econômico, desdobrou-se posteriormente numa aliança política.
Do Norte da Europa era exportado peixe seco, trigo, madeira, ferro, cobre, sal, lã e peles. De volta eram trazidos tecidos, vinho, sal e especiarias. A rede comercial da Hansa abrangia o eixo Novgorod-Reval-Lübeck-Hamburgo-Bruges-Londres, e estava ligada às esferas comerciais de Veneza e de Génova, no Sul da Europa.
Com os descobrimentos marítimos de Portugal e Espanha — sobretudo a descoberta da América e a descoberta do caminho marítimo para a Índia, nos séc. XV e XVI, o comércio mundial procurou outras rotas, tendo então a Hansa entrado em declínio, até desaparecer no séc. XVII.
A Hansa de Gotlândia thumb|direita|Liga Hanseática. Nos finais do e inícios do foram criadas no norte da Alemanha e em redor do mar Báltico diversas cidades: Lubeca (em 1158), Rostoque, Wismar, Stralsund, Estetino, Gdańsk, Elbing. Dentro de todas essas vilas, a burguesia instalou-se rapidamente no poder.
Os mercadores dessas cidades tentaram imediatamente comercializar com Gotlândia, visto que Henrique, o Leão havia feito paz em 1161. Estes mercadores, procedentes de Lubeca, das vilas vestfalianas e saxónicas elegiam quatro anciães (um por Visby, um por Lubeca, um por Soest e outro por Dortmund) que exerciam a justiça e representavam-nos no exterior. A actividade desses representantes estendeu-se rapidamente para além de Gotlândia, chegando até Novgorod — um verdadeiro ponto de encontro entre as civilizações orientais e ocidentais, onde criaram um estabelecimento próprio, o Peterhof. Estes mercadores penetraram também na Escandinávia (a feira de Escânia tornou-se num eixo central do comércio hanseático), na Inglaterra (onde eles foram oficialmente reunidos em 1281 numa única hansa da Alemanha) e nos Países Baixos (onde a condessa de Flandres, Margarida II, lhes concedeu privilégios fundamentais em 1252 e 1253).
É importante lembrar que foi nesta primeira associação embrionária que os privilégios e princípios fundamentais da Liga Hanseática foram aplicados.
Pode-se datar a passagem da Hansa dos mercadores a Hansa das cidades em 1280, quando uma operação contra Bruges foi organizada com o objetivo de proteger os privilégios adquiridos (seguida em 1284 do mesmo tipo de operação contra a Noruega).
thumb|300px|direita|Principais rotas comerciais da Liga Hanseática — o eixo Novgorod-Reval-Lübeck-Hamburgo-Bruges-Londres.
A Hansa das cidades Em 1141 ocorreu a associação — a Hansa Teutônica — entre as cidades de Hamburgo e Lubeque, que inspirou diversas outras associações de outras cidades. Essas associações eram destinadas à proteção dos comerciantes e a defender seus interesses.
No apogeu a Hansa Teutônica contava com cerca de 90 cidades do mar do Norte e do mar Báltico, entre elas: Amsterdã, Bergen, Bordeaux, Bruges, Colônia, Cracóvia, Groningen, Hildesheim, Londres, Nantes, Novgorod, Praga, Reval (Tallinn), Riga, Rostock, Stralsund, Toruń, Varsóvia, Veneza, Wismar. Associam-se a liga igualmente estados importantes, como o dos Cavaleiros Teutônicos. Sem dúvida foi a mais poderosa das associações.
A liga foi então dividida em 4 seções, presididas por Lubeque, Colônia, Brunswick e Danzig. A Hansetag (assembleia geral das cidades que se reunia a cada 3 anos, em Lubeque) tinha apenas um papel consultivo, dado que a aplicação de suas decisões era deixada a cargo de cada cidade (que devia contudo fornecer sua contribuição militar e financeira à Hansa). Conseguiu a Hansa vitórias importantes frente ao reino da Noruega, e a seguir contra o Reino da Dinamarca. Apesar disso permanece como uma associação política onde as cidades gozam de grande autonomia.
Esta estrutura seria desmontada pelo Tratado de Vestfália (1648), que define o conceito de Estado-nação. No século XVIII o governo hanseático subsiste apenas em Lubeque, Hamburgo e Bremen. Entretanto, ainda hoje as cidades livres de Hamburgo e Bremen referem-se a si mesmas como vilas hanseáticas.
Lista das cidades hanseáticas Membros da Liga Hanseática Círculo Sórbio e Pomerano
Lübeck (Cidade líder) Hamburgo Lüneburgo Wismar Rostock Stralsund Estetino (de: Stettin; pl: Szczecin) Stargard
Círculo Saxônico, Turíngia e Brandeburgo
Braunschweig (Cidade Chefe) Berlim Bremen Erfurt Francoforte do Óder Goslar Hildesheim Magdeburgo (Cidade Chefe)
Círculo da Suécia, Polônia, Prússia, e Livónia
Danzig (Gdansk, Cidade líder) Breslau (Wroclaw) Dorpat (Tartu) Elbing (Elbląg) Konisberga (Kaliningrad) Reval (Tallinn) Riga Estocolmo Thorn (Torun) Visby Cracóvia
Círculo dos Países Baixos, Reno, Vestfália
Colónia (Cidade líder) Roermond Deventer Dortmund Groninga Kampen Osnabrück Soest
Casas de Condes Kontore Principal Bergen Bruges Londres Novgorod
Kontore Subsidiário
Antuérpia Boston Damme Edimburgo Hull Ipswich King's Lynn Kovno (Kaunas) Newcastle Polotsk Pskov Great Yarmouth York
Outras cidades com uma comunidade hanseática
Anklam Arnhem Bolsward Brandemburgo Cesis (Wenden) Chelmno Cracóvia Doesburg Duisburg Einbeck Gotinga Greifswald Halle Harlingen Hanôver Herford Hildesheim Hindeloopen Kalmar Kuldiga (Goldingen) Lisboa Merseburg Minden Münster Narva Nimegue Paderborn Pärnu (Pernau) Perleberg Quedlimburgo Salzwedel Smolensk Stargard Stendal Turku (Åbo) Tver Valmiera (Wolmar) Ventspils (Windau) Viljandi (Fellin) Wesel Zutphen Zwolle
Ver também Repúblicas marítimas Talassocracia
Ligações externas
Revival hanseático Cronologia da Liga Hanseática Cidades Hanseáticas da Holanda Rede de cidades hanseáticas O Porto Perdido de Sutton
Categoria:História da Europa Categoria:História da Alemanha Categoria:História da economia Categoria:Alianças