James Knox Polk (Pineville, 2 de novembro de 1795 – Nashville, 15 de junho de 1849) foi um advogado, fazendeiro e político norte-americano que serviu como o 11º Presidente dos Estados Unidos de 1845 a 1849. Anteriormente tinha atuado como membro da Câmara dos Representantes entre 1825 e 1839 e também 9º Governador do Tennessee de 1839 até 1841. Polk era membro do Partido Democrata, discípulo de Andrew Jackson e defensor da Democracia Jacksoniana. Os Estados Unidos expandiram seu território significativamente durante sua presidência através da anexação da República do Texas, do estabelecimento do Território do Oregon e por meio da Cessão Mexicana após a vitória norte-americana na Guerra Mexicano-Americana.

Polk construiu uma carreira bem sucedida no direito no Tennessee, foi eleito deputado estadual em 1823 e depois deputado federal em 1825, tornando-se um grande apoiador de Jackson. Ele serviu como presidente do Comitê de Formas e Meios em 1833 e depois Presidente da Câmara em 1835. Polk deixou o Congresso a fim de concorrer a governador, vencendo em 1839 mas perdendo em 1841 e 1843. Ele foi considerado um candidato azarão para a indicação democrata para presidente na eleição de 1844; Polk entrou na convenção de seu partido como um candidato potencial a vice-presidente, porém surgiu como um meio-termo quando nenhum candidato conseguiu alcançar a maioria de dois terços. Na eleição, ele derrotou Henry Clay do Partido Whig.

Polk alcançou em seu mandato todos os seus objetivos de governo, tanto internos quanto externos. Ele foi capaz de fazer um acordo com o Reino Unido sobre o Oregon, com o território sendo dividido em sua maior parte ao longo do Paralelo 49. Polk conseguiu uma grande vitória na Guerra Mexicano-Americana, o que resultou do México cedendo quase todo seu território da Alta Califórnia. Internamente, ele também conseguiu uma redução de impostos em 1846. No mesmo ano, alcançou outro objetivo, o restabelecimento do sistema de um Tesouro independente. Polk deixou a presidência em 1849, sem buscar a reeleição, cumprindo uma promessa de campanha, e retornou para o Tennessee. Ele morreu em Nashville três meses depois de deixar o cargo.

Historiadores lhe avaliaram positivamente por sua habilidade de defender e alcançar todos os principais itens de seus objetivos de governo, sendo considerado como o presidente mais eficiente no período pré-Guerra de Secessão. Entretanto, foi criticado por liderar o país em uma guerra contra o México e por exacerbar divisões secionais entre norte e sul. Polk foi dono de escravos durante a maior parte de sua vida adulta e tinha uma fazenda no Mississippi, chegando até a comprar escravos enquanto era presidente. A maior realização de sua presidência foi a expansão territorial dos Estados Unidos até o oceano Pacífico.

Início de vida James Knox Polk nasceu em em um chalé de madeira em Pineville, Carolina do Norte, Estados Unidos. Ele foi o primeiro de dez filhos nascidos em uma família de fazendeiros. Sua mãe era Jane Knox, que o nomeou em homenagem a seu avô materno, James Knox. Seu pai era Samuel Polk, um fazendeiro dono de escravos e agrimensor de ascendência escocesa e irlandesa. Os Polks tinham imigrado para a América Britânica no final da década de 1600, estabelecendo-se na costa de Maryland antes de mudarem-se para o centro-sul da Pensilvânia até finalmente chegarem nas Carolinas.

esquerda|thumb|upright=1.1|Reconstrução em Pineville do chalé de madeira em que Polk nasceu

Os Polk e Knox eram presbiterianos. Jane permaneceu devota por toda a vida, porém Samuel, cujo pai Ezekiel Polk era deísta, rejeitou o presbiterianismo dogmático. Ele recusou-se a declarar sua crença no cristianismo no batismo do filho, assim o pastor se recusou a batizar Polk. Segundo James A. Rawley, Jane mesmo assim "carimbou sua ortodoxia rígida em James, incutindo perpetuamente os traços calvinísticos de autodisciplina, trabalho duro, piedade, individualismo e a crença na imperfeição da natureza humana".

Ezekiel partiu em 1803 com quatro de seus filhos mais as famílias destes para a área do rio Duck no Tennessee; Samuel juntou-se a eles com sua própria família em 1806. Os Polk dominaram a política local no Condado de Maury e na nova cidade de Columbia. Samuel tornou-se um juiz do condado e os convidados que costumavam visitar sua casa incluíam figuras como Andrew Jackson, que nesse momento já tinha servido como juiz e no Congresso. Polk aprendeu com a conversa política que ocorria na mesa de jantar; tanto seu pai quanto avô eram grandes apoiadores do presidente Thomas Jefferson e oponentes do Partido Federalista.

Polk teve uma saúde fraca quando criança, uma grande desvantagem em uma sociedade de fronteira. Seu pai o levou para se encontrar com o doutor Philip Syng Physick, um proeminente médico da Filadélfia, a fim de tratar pedras urinárias. A viagem foi interrompida pelas dores de Polk, com o doutor Ephraim McDowell de Danville, Kentucky, acabando por operá-lo. Nenhum anestésico além de conhaque estava disponível. A operação foi um sucesso, porém talvez tenha deixado Polk estéril ou impotente, já que nunca teve filhos. Ele se recuperou rapidamente e tornou-se mais robusto. Seu pai ofereceu para colocá-lo para trabalhar em um dos negócios da família, porém Polk queria uma educação e matriculou-se em 1813 em uma academia presbiteriana. Tornou-se no mesmo ano membro da Igreja Sionista perto de sua casa e depois matriculou-se na Academia da Igreja Sionista. Em seguida entrou na Academia Bradley em Murfreesboro, Tennessee, onde provou-se um estudante promissor.

Polk entrou em janeiro de 1816 na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill como um segundo anista do segundo semestre. A família Polk tinha conexões com a universidade, então uma pequena escola frequentada por aproximadamente oitenta estudantes; Samuel era o feitor da instituição no Tennessee enquanto seu primo William Polk era um fideicomissário. Seu colega de quarto foi William Dunn Moseley, que tornou-se o primeiro governador da Flórida. Polk juntou-se à Sociedade Dialética, onde participou de debates e aprendeu a arte da oratória, tornando-se seu presidente. Ele avisou em um discurso que alguns dos líderes dos Estados Unidos estavam flertando com ideais monárquicos, destacando Alexander Hamilton, adversário de Jefferson. Formou-se com honras em maio de 1818.

Ele voltou para Nashville, Tennessee, depois de se graduar com o objetivo de estudar direito junto ao renomado advogado criminal Felix Grundy, que acabou tornando-se seu mentor. Polk foi eleito em 20 de setembro de 1819 como o escriturário do Senado Estadual do Tennessee, que na época se reunia em Murfreesboro e para o qual Grundy fora eleito. Foi reeleito escriturário em 1821 sem oposição, continuando no cargo até o ano seguinte. Ele foi admitido à ordem dos advogados do Tennessee em junho de 1820, com seu primeiro caso sendo defender seu próprio pai contra uma acusação de luta em público; Polk conseguiu a soltura de Samuel mediante o pagamento de uma multa no valor de apenas um dólar. Ele abriu um escritório no Condado de Maury e tornou-se um advogado de sucesso, principalmente por lidar com muitos casos que surgiram devido ao Pânico de 1819, uma grande depressão financeira. A prática do direito subsidiava sua carreira política.

Carreira política Legislador estadual Polk, na época em que a legislatura estadual entrou em recesso em setembro de 1822, estava determinado em concorrer para a Câmara dos Representantes do Tennessee. A eleição seria em agosto de 1823, lhe permitindo muito tempo para fazer campanha. Ele já era conhecido localmente por ser parte da Maçonaria, sendo comissionado na Milícia do Tennessee como um capitão no regimento de cavalaria da 5ª Brigada. Foi depois nomeado coronel na equipe do governador William Carroll, sendo após isso frequentemente chamado de "Coronel". Polk foi energético em sua campanha, mesmo com muitos dos eleitores sendo membros do seu clã. As pessoas gostavam de sua oratória, o que lhe valeu o apelido de "Napoleão do Toco". Ele disponibilizou bebidas alcoólicas para seus eleitores nos locais de votação e conseguiu derrotar o incumbente William Yancey.

upright=0.9|thumb|Daguerreótipo de 1849 de Polk com sua esposa Sarah A partir do início de 1822, Polk começou a cortejar Sarah Childress; os dois ficaram noivos no ano seguinte e casaram-se em 1 de janeiro de 1824 em Murfreesboro. Sarah recebeu uma educação muito melhor do que outras mulheres da época, especialmente no Tennessee, sendo também oriunda de uma das famílias mais proeminentes no estado. Ela costumava ajudar o marido com seus discursos, lhe dava conselhos sobre questões políticas e desempenhava um papel ativo durante as campanhas eleitorais. Rawley comentou que a graça, inteligência e carisma de Sarah ajudou a compensar os trejeitos muitas vezes austeros de seu marido.

Grundy foi o mentor de Polk no direito, porém o segundo passou a cada vez mais se opor ao primeiro na legislatura em questões como reforma agrária, passando a apoiar as políticas de Andrew Jackson, então um herói militar depois de sua vitória em 1815 na Batalha de Nova Orleães. Jackson era amigo de família tanto dos Polk quanto dos Childress – há evidências que Sarah e seus irmãos o chamavam de "Tio Andrew" – com Polk rapidamente lhe apoiando para suas ambições presidenciais em 1824. O nome de Jackson foi apresentado em 1823 para uma indicação ao Senado dos Estados Unidos, depois da legislatura do Tennessee não ter conseguido chegar a um acordo em quem eleger. Polk quebrou com seus aliados usuais e votou na vitória de Jackson. Isto ampliou as chances presidenciais deste ao lhe dar experiência política recente a fim de igualar seus feitos militares. Assim começou uma aliança que continuaria até a morte de Jackson em 1845. Polk ficou conhecido durante boa parte de sua carreira política como "Nova Nogueira", baseado em um dos apelidos de Jackson que era "Velha Nogueira". Sua carreira política foi extremamente dependente de Jackson como seu apelido implicava.

Jackson conseguiu o maior número de votos eleitorais e de votos populares na eleição presidencial de 1824, porém como não alcançou a maioria no Colégio Eleitoral, a eleição foi passada para a Câmara dos Representantes, que acabou escolhendo John Quincy Adams, que havia ficado em segundo na disputa. Polk, assim como outros apoiadores de Jackson, acreditaram que Henry Clay, o presidente da câmara, trocou seu apoio como quarto lugar na eleição para Adams em uma barganha corrupta para se tornar o novo Secretário de Estado. Polk havia anunciado em agosto sua candidatura para a câmara no ano seguinte, pelo sexto distrito congressional do Tennessee. Foi tão vigoroso em sua campanha que Sarah começou a ficar preocupada pela saúde do marido. Seus oponentes o acusaram de, aos 29 anos de idade, ser muito novo para as responsabilidades de um deputado federal, porém ele mesmo assim venceu a eleição com 3 669 votos de um total de 10 440, tomando posse no congresso em março.

Discípulo de Jackson thumb|esquerda|upright=1.0|A casa de Polk em Columbia, onde passou sua vida adulta até tornar-se presidente. É sua única residência particular ainda de pé. Polk chegou em em dezembro de 1825 para a sessão regular do congresso, alojando-se na pensão de Benjamin Burch junto com outros deputados do Tennessee, incluindo Sam Houston. Polk fez seu primeiro grande discurso em 13 de março de 1826, declarando que o Colégio Eleitoral deveria ser abolido e que o presidente deveria ser eleito pelo voto popular. Tornou-se um grande crítico do governo por ainda estar ressentido pela barganha feita entre Clay e Adams, frequentemente votando contra as políticas do presidente. Sarah permaneceu em casa em Columbia durante o primeiro ano do marido no congresso, porém juntou-se a ele em Washington a partir de dezembro de 1826; ela o ajudava com suas correspondências e ia ouvir seus discursos.