O USS South Dakota foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a primeira embarcação da Classe South Dakota, seguido pelo , e . Sua construção começou em julho de 1939 nos estaleiros da New York Shipbuilding Corporation e foi lançado ao mar em junho de 1941, sendo comissionado na frota norte-americana em março do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 406 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de pouco mais de 45 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).
O South Dakota iniciou seu serviço no meio da Segunda Guerra Mundial e foi imediatamente enviado para reforçar a Campanha de Guadalcanal, participando da Batalha das Ilhas Santa Cruz em outubro de 1942 e da Batalha Naval de Guadalcanal no mês seguinte. Nesta última, sofreu problemas elétricos que prejudicaram sua capacidade de enfrentar o inimigo e se tornou alvo de vários navios japoneses, sendo atingido mais de vinte vezes, porém não correu risco de ser afundado. O couraçado retornou para os Estados Unidos e seus reparos foram finalizados em fevereiro de 1943, depois do qual foi enviado para reforçar a Frota Doméstica britânica na escolta de comboios para a União Soviética.
A embarcação retornou para o Oceano Pacífico em meados de 1943 e operou principalmente na escolta da Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos, contribuindo seu armamento antiaéreo para sua defesa. Nesta capacidade participou das campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Marianas e Palau e Filipinas, além das Batalhas de Iwo Jima e Okinawa e três operações de bombardeio contra o Japão. A guerra terminou em agosto e o South Dakota inicialmente participou da ocupação do país antes de retornar para os Estados Unidos no mês seguinte. Ele foi descomissionado em janeiro de 1947 e mantido na reserva naval até junho de 1962, quando foi descartado pela marinha e desmontado.
Características
thumb|260px|esquerda|Desenho da Classe South Dakota A Classe South Dakota foi encomendada no contexto de um rearmamento naval global que se seguiu ao colapso do sistema do Tratado Naval de Washington, que tinha controlado a construção de couraçados nas décadas de 1920 e 1930. Couraçados sob os termos dos tratados tinham um deslocamento padrão limitado a 36 mil toneladas e bateria principal de canhões de até 356 milímetros. O Japão abandonou os tratados em 1936 e os Estados Unidos decidiu invocar a "cláusula de escalonamento" do Segundo Tratado Naval de Londres, que permitia deslocamentos de até 46 mil toneladas e armamentos de até 410 milímetros. Objeções por parte do Congresso sobre o aumento no tamanho dos navios forçou a equipe de projeto a tentar manter o deslocamento o mais próximo possível das 36 mil toneladas, ao mesmo tempo que incorporavam armas maiores e blindagem suficiente para se proteger de armas do mesmo calibre.
O South Dakota tinha 207,3 metros de comprimento, boca de 32,97 metros e calado de 10,69 metros. Possuía um deslocamento padrão de 38 580 toneladas, mas esse valor podia chegar a 45 233 toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Babcock & Wilcox alimentadas por óleo combustível que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice, que chegavam a produzir um total de 131,9 mil cavalos-vapor (97 mil quilowatts) de potência. O South Dakota era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora) e tinha uma autonomia de quinze mil milhas náuticas (28 mil quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 1 793 oficiais e marinheiros em tempos de paz, mas chegava a 2 500 em tempos de guerra. Também era equipado com duas catapultas no convés da popa e três hidroaviões Vought OS2U Kingfisher para ações de reconhecimento.
thumb|255px|Os canhões dianteiros do South Dakota A bateria principal do South Dakota consistia em nove canhões Marco 6 calibre 45 de 406 milímetros. Estes eram montados em três torres de artilharia triplas, duas localizadas na frente da superestrutura, com a segunda torre sobreposta à primeira, enquanto a terceira na popa. Seu armamento secundário tinha dezesseis canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros montados em oito torres de artilharia duplas, instaladas quatro em cada lado da superestrutura. Isto era duas torres a menos que seus irmãos, uma redução de peso e espaço de depósito de munição a fim de acomodar o pessoal e equipamentos extras para uso como capitânia. Como originalmente projetado, a embarcação contaria com uma bateria antiaérea de vinte canhões calibre 75 de 28 milímetros e doze metralhadoras M2 Browning calibre 50 de 12,7 milímetros, porém isso foi considerado insuficiente e alterado para 28 canhões Bofors de 40 milímetros em montagens quádruplas, 28 canhões de 28 milímetros também em montagens quádruplas, 34 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas e oito metralhadoras. O cinturão de blindagem tinha 310 milímetros de espessura, enquanto o convés era protegido por uma blindagem de até 152 milímetros. As torres de artilharia eram protegidas por 457 milímetros na frente e ficavam em cima de barbetas de 439 milímetros de espessura. A torre de comando tinha laterais de 406 milímetros.
Modificações O South Dakota recebeu várias modificações no decorrer de sua carreira, principalmente adições à sua bateria antiaérea e diferentes tipos de conjuntos de radares. A primeira adição foi a instalação ainda em 1941 de um radar de varredura aérea SC, que foi colocado no mastro dianteiro. Este foi depois substituído por um conjunto SK. Por volta da mesma época um radar de varredura de superfície SG foi instalado na dianteira da superestrutura, enquanto um segundo conjunto SG foi colocado no mastro principal depois de experiências adquiridas na Campanha de Guadalcanal em 1942. Neste ano o navio também recebeu um radar de controle de disparo Marco 3 montado em sua torre de comando a fim de ajudar na direção de sua bateria principal, mais também radares Marco 4 para sua bateria secundária. O modelo Marco 3 foi rapidamente substituído pelo mais moderno Marco 8 e conjuntos Marco 12/22 foram posteriormente instalados no lugar dos modelos Marco 4. O South Dakota também recebeu um disruptor TDY. Suas lunetas de avistamento foram substituídas em 1945 por conjuntos de radar de microondas Marco 27, recebendo um radar de varredura aérea SR e uma antena de varredura aérea SK-2.
A bateria antiaérea leve da embarcação foi gradualmente expandida. Mais oito metralhadoras de 12,7 milímetros foram instaladas em novembro de 1942, enquanto duas de suas montagens quádruplas de 28 milímetros foram substituídas por montagens quádruplas de 40 milímetros no final de 1942 e início de 1943. Todas as suas armas de 28 milímetros foram removidas em fevereiro de 1943 e mais 52 canhões de 40 milímetros em treze montagens quádruplas foram adicionadas no lugar. Nessa altura o número total de suas armas de 20 milímetros tinha aumentado para oitenta, todas em montagens únicas. Oito desses canhões foram removidos até o final da guerra.
História thumb|esquerda|220px|O South Dakota durante seu cruzeiro de testes em julho de 1942 O batimento de quilha do South Dakota ocorreu em 5 de julho de 1939 nos estaleiros da New York Shipbuilding Corporation em Camden, em Nova Jérsei. Ele foi lançado ao mar durante uma cerimônia em 7 de junho de 1941, quando foi batizado por Vera C. Bushfield, esposa de Harlan J. Bushfield, o Governador da Dakota do Sul. O couraçado foi comissionado na frota norte-americana em 20 de março de 1942. Ele então foi rebocado para a outra margem do rio a fim de passar por seu processo de equipagem no Estaleiro Naval da Filadélfia. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão Thomas Leigh Gatch. A equipagem terminou em 14 de maio e pelos dois dias seguintes o South Dakota realizou testes de seu maquinário no rio Delaware, com mais trabalhos de equipagem ocorrendo até 3 de junho. Dois dias depois iniciou seu cruzeiro de testes, sendo escoltando por quatro contratorpedeiros devido à ameaça de submarinos alemães operando próximos na Costa Leste dos Estados Unidos. Treinamentos na área continuaram até 17 de julho e no dia seguinte o couraçado partiu para Hampton Roads, na Virgínia, com seus contratorpedeiros de escolta. De lá seguiu para o norte a fim de se encontrar com o couraçado no litoral do Maine, atracando na Baía de Casco em 21 de julho. Realizou no local mais exercícios e treinamentos de disparo antes de navegar de volta para a Filadélfia, sendo declarado pronto para o serviço ativo no dia 26.
Guadalcanal
Nessa momento da Segunda Guerra Mundial, a batalha entre as forças norte-americanas e japoneses se intensificou na Campanha de Guadalcanal, especialmente depois da derrota Aliada na Batalha da Ilha Savo. O almirante Ernest King, o Chefe de Operações Navais, ordenou que o South Dakota, Washington, o cruzador rápido e seis contratorpedeiros fossem para o sul do Oceano Pacífico com o objetivo de reforçar a frota norte-americana. O contra-almirante Willis Lee assumiu o comando das embarcações, designadas em 14 de agosto como a Divisão de Couraçados 6, tendo o South Dakota como sua capitânia. O navio partiu no dia seguinte com três contratorpedeiros de escolta, mas seu progresso foi atrasado por problemas nos seus motores que necessitaram reparos que só foram finalizados na manhã seguinte. Ele navegou pelo Mar do Caribe, com Lee dispensando os contratorpedeiros, atravessando o Canal do Panamá e encontrando com outros três contratorpedeiros após sair do canal no Pacífico.
O South Dakota se encontrou com o Juneau no final de agosto enquanto ainda seguia para a área de Guadalcanal, com as embarcações prosseguindo até Nukuʻalofa, na ilha de Tongatapu, onde chegaram em 4 de setembro. Os navios reabasteceram e partiram dois dias depois, porém o South Dakota bateu em um recife de coral não mapeado na Passagem de Lahai e ficou danificado. Mergulhadores do navio de reparos inspecionaram o casco e descobriram que 46 metros de placas tinham sido danificadas Trabalhadores do Vestal realizaram reparos temporários, o que permitiu que o couraçado seguisse em 12 de setembro para Pearl Harbor, no Havaí, onde reparos permanentes seriam realizados. Ele juntou-se ao porta-aviões , que tinha sido torpedeado por um submarino japonês, e suas escoltas para a viagem. Os reparos ocorreram entre 23 e 28 de setembro, com os trabalhos também incluindo a remoção de seus canhões de 28 milímetros e adição de mais canhões de 40 e 20 milímetros.
O navio embarcou munição e suprimentos e foi considerado pronto em 12 de outubro. Realizou treinamentos antiaéreos no dia seguinte até retornar para a Pearl Harbor no dia 14. Partiu de volta para o sul do Pacífico mais tarde no mesmo dia junto com a Força Tarefa 16, centrada ao redor do porta-aviões , mais nove contratorpedeiros de escolta. O vice-almirante William Halsey, o Comandante da Área do Pacífico Sul, ordenou que as embarcações procurassem por forças navais japonesas ao norte das Ilhas Santa Cruz antes de seguirem para o sudoeste em direção das Ilhas Salomão com o objetivo de bloquear o caminho para Guadalcanal. Para esta operação a Força Tarefa 16 recebeu o reforço da Força Tarefa 17, centrada no porta-aviões , que foram combinadas para forçar a Força Tarefa 61 sob o comando do contra-almirante Thomas C. Kinkaid. Esta força tinha o apoio de Lee na Força Tarefa 64, formada pelo Washington, dois cruzadores pesados, dois cruzadores rápidos e seis contratorpedeiros.
Ilhas Santa Cruz
thumb|240px|O South Dakota disparando sua bateria antiaérea durante a Batalha das Ilhas Santa Cruz em 26 de outubro de 1942