thumb|esquerda|200px|Reino banto do Congo.
Acreditam que os primeiros habitantes da República Democrática do Congo tenham sido os africanos, que foram sendo deslocados para o leste com a chegada dos povos bantos.
Entre os séculos X e XV, esses novos habitantes desenvolveram culturas baseadas na metalurgia do cobre e do ferro e mantiveram um comércio ativo com as cidades mercantis da costa oriental da África. Entre 1350 e 1400 foi fundado o reino do Congo, que ocupava uma área de 300.000 km² de ambos os lados da foz do rio que os nativos chamavam "nzere". Estruturaram-se vários reinos que reconheciam certa supremacia ao rei do Congo.
Em 1482, o português Diogo Cão avistou a foz do rio e estabeleceu relações amistosas com o manikongo (senhor do Congo), de autoridade divina. Em 1489, uma embaixada congolesa chegou a Lisboa, e no ano seguinte Portugal enviou pedreiros e carpinteiros que construíram, em pedra, a parte nova da capital. O reino congolês adotou o catolicismo e, no início do século XVI, comerciantes portugueses se lançaram ao contrabando de escravos. Os outros povos europeus penetraram nas suas florestas muito mais tarde, no século XIX, ao subirem o rio Congo.
Nessa época, os principais estados da região de Catanga, entre o rio Cassai e o lago Tanganica, eram o reino Luba e o império Lunda.Império Lunda No início do século, um guerreiro chamado Kongolo fundou Mwibele, capital de Luba, e submeteu os povos vizinhos. Lunga Kalala, que sucedeu a Kongolo após assassiná-lo, ampliou as fronteiras do reino. Seus sucessores, após inúmeras conquistas, criaram o reino Lunda (c. 1750), que se estendia até a região setentrional de Angola.
Período colonial
thumb|O explorador Sir Henry Morton Stanley.
A partir do século XVI, o Congo constituiu a maior reserva de escravos transportados para as Américas. Já no século XIX, porém, o tráfico negreiro cedeu lugar, progressivamente à ocupação colonial.
O interesse pela África aumentou devido aos relatórios dos exploradores, sobretudo de Sir Henry Morton Stanley. Entre 1840 e 1872, o missionário britânico David Livingstone empreendeu uma série de explorações na África central, nas quais cruzou várias vezes o território quinxassa-congolês. O rei da Bélgica, Leopoldo II criou, em 1876, a Associação Internacional Africana (AIA), em seguida transformada em Associação Internacional do Congo (1878), que contratou o jornalista Sir Henry Morton Stanley para estabelecer relações comerciais com o interior. Stanley, financiado por Leopoldo II, explorou o território quinxassa-congolês e completou o reconhecimento da bacia do Congo. Assinou, com dois mil chefes africanos, 400 tratados que estabeleciam a paz, autorizavam a passagem e permitiam o emprego de mão-de-obra, em troca de presentes e indenizações, para a implantação de quarenta portos, desde a foz até as cataratas do Congo.
thumb|esquerda|150px|Leopoldo II, rei dos belgas.
Na Conferência de Berlim (1884-1885), que efetuou a partilha da África entre as potências européias, a região foi denominada Estado Livre do Congo e considerada "independente" — propriedade particular do rei dos belgas. A crescente demanda de borracha, na virada do século XX, ajudou a financiar a exploração econômica do Congo. Leopoldo II criou um exército particular de mercenários para explorar marfim e borracha no Congo. Todo o trabalho é escravo. Estima-se que em vinte anos, mais de 10 milhões de quinxassa-congoleses tenham sido mortos pelos mercenários de Leopoldo II Bibliografia - Um brasileiro no coração das trevas. A exploração dos nativos foi denunciada pelo cônsul britânico, Roger Casement, e o parlamento belga, pressionado pela comunidade internacional, viu-se obrigado a destituir a propriedade do Estado livre do Congo de Leopoldo II, transferindo-a para o governo da Bélgica e, com isso, oficializando a colonização, ou seja, concedendo ao território quinxassa-congolês um estatuto colonial (1908). Esse território passou a ser conhecido por Congo Belga, até a sua independência em 1960, quando adotou a designação de República do Congo.
Em 1921, nasceu o quimbanguismo, movimento messiânico liderado por Simon Kimbangu, que buscava organizar a população do Congo Belga contra a cultura européia e as missões católicas. O nacionalismo se desenvolveu mais tarde e de forma gradativa. Quando da invasão da Bélgica pela Alemanha, o Congo entrou na Segunda Guerra Mundial, em 1940. Após o conflito, uma onda de crises abalou a colônia. A força pública se revoltou em Luluaburgo e no Cassai em 1944 e, no ano seguinte, em Masiri e em Matadi. Esses movimentos foram esmagados, e houve um grande número de mortos.
Independência
thumb|esquerda|200px|Pessoas mutiladas do Estado Livre do Congo.
A política colonial continuou a espoliar fortemente o país, mesmo após a onda de descolonização iniciada na década de 1950 no continente africano. No entanto, a burguesia belga não estava interessada em conceder independência ao Congo. O banco Sociedade Geral da Bélgica foi, inclusive, intensamente empregado para financiar os projetos coloniais entre 1950 e 1960, bem como os golpes e instabilidades subsequêntes neste país após sua independência.
A agitação política anticolonial iniciada no continente na década de 1950 despertou o temor da burguesia belga, que começou a promover tímidas políticas de integração sóciopolítica para alguns segmentos africanos. Um exemplo clássico de tal política é que os africanos negros somente tiveram acesso ao ensino universitário a partir de 1954, e só nesta altura foi permitida a formação de partidos políticos.
A crise da colonização começou pela economia: baixa de preço dos minérios, redução dos investimentos, aumento do desemprego e uma crescente consciência política dos africanos dos aspectos da luta de classes. Em meados da década de 1950, começou a tomar corpo o movimento político quinxassa-congolês. Em 1956, o grupo Conscience Africaine, que reunia jornalistas e operários, divulgou um manifesto reivindicando a emancipação do país. No ano seguinte, a Bélgica, diante da enorme pressão interna e externa, foi obrigada a realizar as primeiras eleições na colônia (eleições para prefeitos das cidades).
O final do ano de 1958 e o início do ano de 1959 foi marcado por constantes distúrbios, sendo o maior deles conhecido como tumulto de Léopoldville, que ocasionou combates de rua, com mortos e feridos. Esse evento marcou a radicalização do movimento de independência e é frequentemente considerado o "golpe final" para o controle belga do Congo. A intensa mobilização pela independência promovida pelos principais partidos nacionalistas levou os belgas, em 30 de junho de 1960, a finalmente reconhecer a independência do Congo, com o nome de República do Congo ("Congo-Léopoldville").
Depois das eleições realizadas antes da independência, o partido Movimento Nacional Congolês (MNC) ganhou a maioria dos votos, fato que garantiu a Patrice Lumumba a eleição como primeiro-ministro. O líder da Associação dos Bacongos para a Unificação, a Conservação e o Desenvolvimento da Língua Congo (Abako), Joseph Kasa-Vubu, foi eleito indiretamente pelo Senado para a presidência do país após um acordo de coalizão governamental com Lumumba. Em seguida, as burguesias belga e estadunidense passaram a se movimentar para transformar o novo país em neocolônia, promovendo uma enorme campanha de desestabilização nacional. thumb|150px|Moïse Tshombe. Violentas desordens começaram quando a independência foi declarada. O Exército Belga deslocou-se para salvaguardar a segurança de seus interesses econômicos. Logo após a independência, houve ameaças de retaliação econômica dos belgas pela nova política adotada por Lumumba em relação à mineração. As tropas da Força Pública (que depois se tornariam as Forças Armadas Nacionais) sublevou-se, exigindo a demissão dos oficiais belgas. O político pró-ocidente Moïse Tshombe proclamou a independência do Estado do Catanga (ou Shaba), a mais rica em diamantes e outros minérios, e solicitou ajuda militar à Bélgica.
O governo de Lumumba solicitou intervenção das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) num esforço para evitar a guerra civil. Logo em seguida houve um novo movimento secessionista, fundando-se o Cassai do Sul. A desestabilização causada pela Bélgica, pelos Estados Unidos e pelos movimentos secessionistas perturbaram a nação recém-independente. O governo democraticamente eleito de Lumumba foi derrubado por um golpe de Estado orquestrado pelo coronel Mobutu Sese Seko e por Kasa-Vubu em meio à crise política do Congo. Em janeiro de 1961, Lumumba foi sequestrado e assassinado por forças especiais belgas com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA) e com o beneplácito da ONU.
Em dezembro de 1960, Antoine Gizenga proclamou-se primeiro-ministro e designou Quissangane capital do Congo. Em 1961, partidários de Lumumba invadiram o norte de Catanga e o Conselho de Segurança da ONU instituiu a Missão da Organização das Nações Unidas no Congo (ONUC) e enviou tropas para garantir os interesses belga-estadunidenses. thumb|150px|Cyrille Adoula. Em julho de 1961, a Assembleia, reunida em Quinxassa, confirmou Kasa-Vubu na presidência do país e elegeu Cyrille Adoula primeiro-ministro. No ano seguinte, os Capacetes Azuis da ONU puseram fim à secessão de Catanga ao ocuparam Lubumbashi. Em junho de 1964, Adoula demitiu-se. Uma nova Constituição foi promulgada em 1964 e formou-se um governo presidido por Tshombe (1964-1965), mas a situação permaneceu tensa.
Zaire e o mobutismo
Em novembro de 1965, com apoio dos Estados Unidos, um segundo golpe militar, novamente liderado por Mobutu, depôs Kasa-Vubu. Mobutu assumiu diretamente o poder, criando um governo de tipo personalista, e dissolveu a Assembléia Nacional em março de 1966. Nos primeiros anos na presidência, Mobutu conseguiu certa estabilidade política. Em 1966, algumas empresas de mineração estrangeiras foram nacionalizadas. Ao mesmo tempo, promoveu uma política denominada zairização, no intuito de remover os vestígios remanescentes do colonialismo e da contínua influência da cultura ocidental e para criar uma identidade nacional mais centralizada e singular, alterando nomes europeus de pessoas e de algumas cidades para nomes africanos.
Ainda em 1965, Che Guevara, em pessoa, lutava no front pela restauração do governo democrático derrubado pelas forças imperiais. Disfarçado e com cerca de 120 guerrilheiros cubanos ele combateu nas selvas úmidas africanas. Devido ao seu repentino desaparecimento os Estados Unidos anunciavam que Fidel Castro teria matado Guevara. As forças que apoiavam a volta de um governo democrático e anti-imperialista como o de Lumumba eram formadas por guerrilheiros de vários países, como os rebeldes de Ruanda.
thumb|esquerda|Mobutu Sese Seko (1983).
O regime de Mobutu adotou externamente as características de um Estado progressista: em 1967 Mobutu fez aprovar, por plebiscito, uma Constituição presidencialista, que criava um Estado unitário e reconhecia como partido único o Movimento Popular da Revolução, assentado numa ideologia nacional chamada de mobutismo. Sem oposição, Mobutu elegeu-se presidente em 1970. Patrice Lumumba foi proclamado herói nacional, e em 1971 o país (que era mais conhecido como Congo-Quinxassa, para o diferenciar do Congo-Brazavile) passou a denominar-se Zaire. Um ano depois, o presidente adotou os prenomes nativos de Sese Seko.