miniatura|direita|Ilustração de um praxinoscópio, de 1879 miniatura|250px|Um praxinoscópio de projeção, 1882 direita|300px|miniatura|O Théâtre Optique, em 1892. Esta versão mais elaborada do aparelho utilizava longas tiras com centenas de imagens que formavam narrativas.
O praxinoscópio é um dispositivo de animação, sucessor do zootropo. Foi inventado na França em 1877 por Charles-Émile Reynaud. Assim como o zootropo, utiliza uma tira de imagens colocada ao redor da superfície interna de um cilindro giratório. O praxinoscópio aperfeiçoou o zootropo ao substituir suas estreitas fendas de observação por um círculo interno de espelhos. Os espelhos eram posicionados de modo que os reflexos das imagens parecessem permanecer aproximadamente no mesmo lugar enquanto o aparelho girava. Ao olhar para os espelhos, o observador vê uma rápida sucessão de imagens que produz a ilusão de movimento, com uma imagem mais luminosa e menos distorcida do que a proporcionada pelo zootropo.
Precedentes Joseph Plateau formulou uma das primeiras teorias sobre a persistência retiniana e, em 1832, inventou o primeiro fenacistoscópio. O aparelho consistia em um disco de papelão cuja borda possuía aberturas radiais equidistantes, acompanhadas por desenhos que representavam fases sucessivas de um movimento circular. Quando o olho era posicionado à altura das aberturas enquanto o disco girava rapidamente, surgia a ilusão de movimento.
Quase na mesma época, Simon von Stampfer inventou o estroboscópio, que se diferenciava principalmente pela separação das aberturas e dos desenhos em dois discos distintos, que giravam em sentidos diferentes.
O aparelho anterior ao primeiro praxinoscópio que se tornou mais conhecido foi o zootropo, desenvolvido por William George Horner em 1834. Nesse aparelho, as aberturas ficavam na parte superior de um cilindro preto, enquanto os desenhos eram dispostos em uma tira no interior do cilindro.
Um dos principais inconvenientes desses aparelhos era a perda de luz causada pelas aberturas. O problema persistiu até que espelhos passaram a ser empregados em dispositivos posteriores, aumentando a luminosidade e a nitidez das imagens.
Variações Reynaud lançou o Praxinoscope-Théâtre em 1879. O aparelho mantinha o princípio básico do praxinoscópio, mas ficava oculto dentro de uma caixa, de modo que apenas as figuras em movimento fossem vistas em meio a um cenário teatral. Com o conjunto montado dentro da caixa aberta, o observador olhava por uma abertura retangular na parte frontal em direção a uma placa com um espelho semitransparente cercado por um proscênio impresso. O espelho refletia um cenário de fundo e um piso impressos em cartões intercambiáveis colocados na parte interna da tampa da caixa, abaixo da abertura de observação. As figuras animadas eram impressas em tiras pretas, de modo que apenas elas permaneciam visíveis através do espelho semitransparente e pareciam mover-se no espaço formado pelos cartões de fundo e de piso. O conjunto era vendido com 20 tiras, todas baseadas em tiras anteriores do praxinoscópio comum, 12 fundos e um espelho destinado a criar efeitos de fundo para a figura de um nadador. O aparelho teve boas vendas e foi fabricado em pequenas variações, entre elas uma versão de luxo feita de madeira de tuia com incrustações de ébano.
Reynaud mencionou a possibilidade de projetar as imagens em sua patente de 1877. Em 4 de junho de 1880, apresentou um aparelho de projeção por praxinoscópio à Société française de photographie, mas só começou a comercializar seu praxinoscope à projection em 1882. Apenas poucos exemplares são conhecidos por terem chegado aos dias atuais.
Em 1888, Reynaud desenvolveu o Théâtre Optique, uma versão aperfeiçoada capaz de projetar imagens em uma tela a partir de um rolo mais longo de figuras. A partir de 1892, empregou o sistema em suas Pantomimes lumineuses, espetáculos de histórias animadas desenhadas à mão para públicos maiores. As apresentações tiveram êxito por alguns anos, até perderem público para os projetores de filmes fotográficos dos irmãos Lumière.
miniatura|O kinematofor fabricado por Ernst Plank, de Nuremberga, Alemanha, uma variação do praxinoscópio acionada por um pequeno motor de ar quente. O praxinoscópio foi copiado por outras empresas. Ernst Plank produziu diferentes versões, entre elas uma acionada automaticamente por um pequeno motor de ar quente.
Movimento do praxinoscópio O movimento produzido por um praxinoscópio consiste em uma sequência na qual a mesma ação se repete em movimento circular enquanto o mecanismo do aparelho é acionado. Nesse tipo de aparelho óptico, a maneira como o objeto é percebido e manipulado faz parte de seu funcionamento. O olhar do espectador deve permanecer fixo para que o movimento seja percebido corretamente. A velocidade da sequência é controlada pela pessoa que põe o aparelho em movimento.
Movimento harmônico simples O movimento harmônico simples envolve uma força proporcional ao deslocamento e produz uma repetição em intervalos regulares. Um movimento só pode ser classificado como harmônico simples quando a força restauradora responsável por ele é proporcional ao deslocamento em relação à posição de equilíbrio.
Movimento circular uniforme O movimento circular uniforme é aquele em que um objeto percorre uma trajetória circular mantendo constante o módulo de sua velocidade. Há duas grandezas relacionadas ao movimento, a velocidade linear do objeto e a velocidade angular, que corresponde à taxa de variação do ângulo de rotação. Embora o módulo da velocidade possa permanecer constante, o vetor velocidade muda, pois é tangente à trajetória e altera sua direção a cada instante.
Renascimento no século XX O Red Raven Magic Mirror e seus discos fonográficos infantis especiais, lançados nos Estados Unidos em 1956, constituíam uma adaptação do praxinoscópio. O Magic Mirror era um refletor praxinoscópico de 16 faces inclinadas. Era colocado sobre o eixo central do toca-discos e girava junto com o disco de 78 rpm, cuja etiqueta central, muito grande, trazia uma sequência de 16 quadros de animação entrelaçados dispostos ao redor do centro. Enquanto o disco tocava, o usuário olhava para o Magic Mirror e via uma cena animada que se repetia continuamente e ilustrava a canção gravada. Na década de 1960, versões do sistema Red Raven foram lançadas na Europa e no Japão com nomes diferentes, como Teddy na França e nos Países Baixos e Mamil Moviton na Itália.
Etimologia A palavra praxinoscópio deriva das formas gregas praxi-, de πρᾶξις, "ação", e -scópio, de σκοπέω, "olhar".
Ver também Fenacistoscópio, brinquedo óptico de animação estroboscópica criado na década de 1830 História do cinema, contexto dos aparelhos ópticos que antecederam a cinematografia Estroboscópio, dispositivo baseado na apresentação intermitente de imagens ou luz Zoopraxiscópio, aparelho do século XIX usado para projetar sequências de imagens
Ligações externas
Imagem e informações adicionais sobre o praxinoscópio Praxinoscopes, Kenyon College Department of Physics Demonstração deste e de outros brinquedos ópticos, incluindo o zootropo A influência de Émile Reynaud no cinema Mais informações sobre o Théâtre Optique de Reynaud
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