|população_estimada_ano =2022 |população_estimada_pos =138 |demog_densidade =101,5 |densidade_pos =99 |PIB_PPC_ano =2010 |PIB_total = |PIB_per_capita = |IDH_ano =2023 |IDH =0,811 |IDH_pos =69 |IDH_categoria = |esp_vida =72,0 |esp_vida_pos =96 |mort_infantil =28,9 |mort_infantil_pos =114 |alfabetização =99,5 |alfabetização_pos =11 |evento_tipo =Formação e independência |evento_nota = |evento1 =Data tradicional |evento_data1 =11 de agosto de |evento2 =Nairi |evento_data2 = |evento3 =Urartu |evento_data3 = |evento4 =Dinastia orôntida |evento_data4 = |evento5 =Reino da Arménia formado |evento_data5 = |evento6 =República Democrática da Arménia estabelecida |evento_data6 =28 de maio de 1918 |evento7 =Independência da União Soviética |evento_data7 =23 de agosto de 1990 (declarada)21 de setembro de 1991 (reconhecida)25 de dezembro de 1991 (finalizada) |moeda =Dram arménio |moeda_ISO =AMD |mapa =Mapa_da_Arménia_(OCHA).svg |diferença_UCT =+4 |tld =.am |código_telef =374 |rodapé =¹ Também referida como "Erivan" ou "Yerevan".² Posição baseada na estimativa de 2005 da ONU da população de facto. |religião_oficial =apostólica arménia"National Assembly of the Republic of Armenia | Official Web Site | parliament.am". www.parliament.am. }} (, ou , Hayq), denominada oficialmente República da , é um país sem costa marítima, localizado numa região montanhosa na Eurásia, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no sul do Cáucaso. Faz fronteira com a Turquia a oeste, Geórgia a norte, Azerbaijão a leste, e com o Irão e com o enclave de Naquichevão (pertencente ao Azerbaijão) ao sul. É considerado um país transcontinental, sendo que para as Nações Unidas a Arménia está localizada na Ásia Ocidental e esta classificação também é usada pela CIA no World Factbook, apesar de o país ter extensas relações sociopolíticas, históricas e culturais com a Europa.
Em área, era a menor república integrante da União Soviética. A Arménia configura-se num Estado unitário, multipartidário, democrático, com uma antiga herança histórica e cultural. Historicamente, foi a primeira nação a adotar o cristianismo como religião de Estado,"A conversão da Arménia ao cristianismo foi provavelmente o passo crucial em sua história. (.) Que identifica a Arménia quase como a única nação cristã nesse período e a primeira a adotar oficialmente o cristianismo". (). em 301.. Datas estimadas variam entre 284 a 314. Garsoïan (op.cit. p.82), seguindo a pesquisa de Ananian, favorece a segunda data. O país é constitucionalmente um Estado laico, tendo a fé cristã uma grande identificação com o povo. A Fé Bahá’í está presente no país desde o final do século 19 apos a chegada dos primeiros pioneiros Cavalheiros de Bahá’u’lláh.
Entre 1915 e 1923 sofreu o que muitos historiadores consideram o primeiro genocídio do , perpetrado pelo Império Otomano e negado até hoje pela República da Turquia. As mortes são estimadas em entre 600 mil e mais de 1 milhão de arménios, com a deportação atingindo milhões de outros, fazendo com que, ao final da Primeira Guerra, mais de 90% dos arménios do Império Otomano tenham desaparecido da região e muitos vestígios de sua antiga presença tenham sido eliminados. Como resultado, a Arménia tem hoje uma grande diáspora espalhada pelo mundo, composta por cerca de 7 milhões de pessoas, localizadas em mais de 100 países.
A Arménia faz parte atualmente de mais de 40 organizações internacionais, incluindo a ONU, o Conselho da Europa, Banco Asiático de Desenvolvimento, CEI, Organização Mundial do Comércio e a Organização de Cooperação Económica do Mar Negro. Por laços históricos milenares com a França, a Arménia foi integrada a região europeia da francofonia, e também é observadora do Movimento Não Alinhado. O Comitê Olímpico Nacional é filiado aos Comitês Olímpicos Europeus, o que lhe dá direito a competir em competições continentais dos mais diversos desportos pela Europa.
Etimologia
O nome nativo para o país é Haico. Na Idade Média foi aumentado para Hayastan, pela adição do sufixo -stan que significa terra. O nome é tradicionalmente derivado de Haico , o lendário patriarca dos arménios e trineto de Noé, que segundo Moisés de Corene foi quem defendeu seu povo do rei babilónio Bel e estabeleceu seu povo na região das montanhas do Ararate.Razmik Panossian, The Armenians: From Kings And Priests to Merchants And Commissars, Columbia University Press (2006), ISBN 978-0-231-13926-7, p. 106. Porém, a mais remota origem do nome é incerta. O exónimo Arménia aparece pela primeira vez em persa antigo na inscrição de Beistum () como Armina (x12px x12px x12px x12px |x12px). Em , (arménios) aparece pela primeira vez numa inscrição atribuída a Hecateu de Mileto (m. )." (The Armenians border on the Chalybes to the south)". As duas aparições na mesma época atestam a que o nome era empregado realmente naquela época.
Heródoto () escreveu: "Os arménios eram equipados como colonos frígios" (7.73).Tradução do : Algumas décadas depois, Xenofonte, um general grego na guerra contra os persas, descreve muitos aspectos do cotidiano das vilas arménias e a sua hospitalidade. Ele relata que o povo fala uma língua que, para seus ouvidos, assemelhava-se ao persa. Tradicionalmente, os sobrenomes terminam com 'ian', significando que as pessoas faziam historicamente parte de tribos, sendo filhos de.Estadão - Uma viagem por São Paulo: Armênios, discretos e (bem) tradicionais.
História
Antiguidade thumb|esquerda|O reino de Urartu esquerda|thumb|O Reino da Arménia na sua maior extensão, sob o reinado de Tigranes, o Grande
A Arménia é povoada desde os tempos pré-históricos e segundo diversas lendas era lá onde se localizava Jardim do Éden bíblico. O país se localiza no planalto ao entorno do Monte Ararate. Segundo a tradição abraâmica, foi o local onde a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio.Gênesis 8:4 Desde tempos remotos, arqueólogos continuam a descobrir novos indícios da existência de civilizações primitivas no planalto arménio, em locais que podem indicar registros do inicio da agricultura e da civilização. De a , ferramentas como lanças, machados e artefactos de cobre, bronze e ferro eram produzidos na Arménia e trocados nas terras vizinhas, onde esses metais eram menos abundantes.
A Arménia é a principal herdeira do lendário Império Ararate, mencionado em diversas inscrições sumérias. Na Idade do Bronze, muitos Estados floresceram na área da Grande Arménia (ou "Arménia histórica"), incluindo o Império Hitita (o mais poderoso), Reino de Mitani (sudoeste da Grande Arménia) e Haiassa-Azi . Na época, o povo de Nairi e o Reino de Urartu estabeleceram sucessivamente as suas soberanias no planalto Arménio. Cada uma das tribos e nações supracitadas participaram da etnogénese do povo arménio. Erevã, a moderna capital da República da Arménia, foi fundada em pelo rei urartiano .
Por volta do ano , o reino da Arménia estava estabelecido sob a Dinastia orôntida , a qual existiu sob diversas dinastias até ao ano de 428. O reino chegou em seu maior tamanho entre 95 e no reinado de Tigranes, o Grande, tornando-se um dos mais poderosos reinos da região. Ao longo da história, o reino da Arménia gozou de períodos de independência alternados com períodos de submissão aos impérios contemporâneos. A Arménia, por sua posição estratégica, localizada entre dois continentes, foi sujeita a invasões por diversos povos, incluindo assírios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, mongóis, persas, turcos otomanos e russos. thumb|O Templo de Garni, provavelmente construído no século I, é o único "edifício com colunatas greco-romanas" nos Estados pós-soviéticos.
Em 301, a Arménia se tornou o primeiro país oficialmente cristão do mundo, tomando-o como religião oficial de Estado, quando um número de comunidades cristãs começaram a se estabelecer na região desde o ano 40. Havia várias comunidades pagãs antes do cristianismo, mas elas foram convertidas por influências de missionários cristãos. , juntamente com Gregório, o Iluminador foram os primeiros reguladores oficiais do cristianismo ao povo, conduzindo a conversão oficial do país dez anos antes de Roma emitir sua tolerância aos cristãos por Galério e 36 anos antes de Constantino I ser batizado.
Antes do declínio do reino arménio em 428, muitos arménios foram incorporados no período masdeísta ao império dos sassânidas (dinastia persa), regido pelo deus Aúra-Masda. Após uma rebelião arménia em 451 (Batalha de Avarair), os cristãos conseguiram manter a sua autonomia política e religiosa dentro de uma Arménia majoritariamente mazdeísta, enquanto o outro império era regido somente pelos persas. Os mazdeístas da Arménia duraram até 630, quando a Pérsia Sassânida foi destruída pelo califado árabe.
Arménia Medieval upright|thumb|esquerda|Entrada de Balduíno de Bolonha em Edessa em fevereiro 1098
Após o período masdeísta (428-636), a Arménia emergiu como Emirado da Arménia, com uma relativa autonomia junto ao Califado Omíada, reunindo terras arménias previamente tomadas pelo Império Bizantino como dele. A principal terra era regulada pelo príncipe da Arménia, reconhecido pelo califa e pelo imperador bizantino. O Emirado da Arménia (Armínia) incluía partes da atual Geórgia e da região histórica de Albânia e tinha como capital a cidade arménia de Dúbio (). O Emirado da Arménia terminou em 884, quando os arménios conseguiram a independência do já enfraquecido Califado Abássida.
O Reino da Arménia reemergiu sob a dinastia Bagratúnio (, "Real Dinastia dos Bagratúnios"), até 1045. Neste tempo, diversas áreas da Arménia Bagrátida foram separadas como independentes reinos e principados, como o Reino de Vaspuracânia, regido pela família Arzerúnio, desde que reconhecendo a soberania e supremacia dos reis Bagratúnios.
Em 1045, o Império Bizantino conquistou a Arménia Bagrátida. Logo, os demais Estados arménios também caíram sob o domínio bizantino. O domínio bizantino teve uma vida curta, pois em 1071, os turcos seljúcidas derrotaram os bizantinos e conquistaram a Arménia na batalha de Manzicerta, estabelecendo o Império Seljúcida. thumb|O Reino Arménio da Cilícia, 1199-1375
Para escapar da morte ou da escravidão nas mãos daqueles que assassinaram o rei , rei de Ani, um arménio de nome Ruben (depois Ruben I), foi com alguns conterrâneos em direção os Montes Tauro e fundaram Tarso, na Cilícia. O governador bizantino do palácio deu-lhes o abrigo onde o Reino Arménio da Cilícia foi então estabelecido. Este reino foi a salvação dos arménios, uma vez que a Grande Arménia fora devastada pelos invasores.
O Império Seljúcida entrou em colapso. Nos anos 1100, os príncipes da nobre família arménia dos Zacáridas estabeleceram uma semi-independência dos principados arménios do norte e da Arménia oriental (agora chamada de Arménia Zacárida). A nobre família dos orbeliânida compartilhava o controle com os Zacáridas em várias partes do país, especialmente em Siunique e Vaiose Zor.
Domínio estrangeiro miniaturadaimagem|Representação artística da captura de Erevã durante a Guerra Russo-Persa de 1826–1828, por Franz Roubaud Durante os anos de 1230, o Ilcanato mongol conquistou o principado dos Zacáridas, assim como o resto da Arménia. Os invasores mongóis vieram seguidos de outras tribos da Ásia Central, em um processo que durou dos anos 1200 até 1400. Após incessantes invasões, cada uma trazendo a destruição ao país, a Arménia ficou enfraquecida. Durante o , o Império Otomano e o Império Safávida dividiram a Arménia entre si. Mais tarde, o Império Russo incorporou parte ocidental do país (que consistia de Erevã e as terras do baixo Carabaque, na Pérsia) em 1813 e 1828.