A História LGBT refere-se à história das lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O estudo abrange as situações sócio-políticas que os afectaram em cada época, a sua cultura, os costumes e modos de vida desde os primeiros registros da homossexualidade na antiguidade até ao presente, e ainda, os status sociais, ao longo do tempo, como os seus movimentos sociais e eventos históricos.

Durante muito tempo a história da homossexualidade foi ignorada, se não deliberadamente escondida, começando só a partir dos anos setenta a vir à luz do dia e a ser tema abordado em profundidade por historiadores.

Cronologia

esquerda|thumb|230px|Protestos a favor dos direitos dos homossexuais em Nova Iorque, em 1976. Os registos arqueológicos mais antigos onde interpreta-se uma conotação homoerótica apontam para 12000 A.C. Civilizações antigas da Índia, Egito, Grécia, América têm registros históricos de períodos onde a homossexualidade era retratada em cerâmica, escultura e pinturas. Entende-se que em vários períodos da história a homossexualidade era admitida em várias civilizações. Acredita-se que o primeiro código penal que punia a homossexualidade foi editado no império de Gengis Khan ao proibir a sodomia com a pena de morte. No ocidente, as primeiras edições de leis que puniam a sodomia datam de 1533 através da edição do código "Buggery Act" de 1533 pelo Rei Henrique VIII da Inglaterra e de alterações no Código Penal de Portugal, também em 1533, realizadas por influência da Inquisição. As leis que proibiam a sodomia, sobretudo nas relações homossexuais, passaram a ser editadas em vários países ocidentais. Considerando que tanto a Inglaterra, Portugal e Espanha eram grandes potências colonizadoras na época, as leis que proibiam as relações homossexuais também foram impostas nas suas colónias, tal como verifica-se com a edição da Secção 377 do Código Penal Indiano, inspirada no código "Buggery Act" da Inglaterra. As civilizações pré-coloniais da América do Sul, colonizadas principalmente por portugueses e espanhóis também foram introduzidas aos novos costumes. No mesmo sentido, a Alemanha, edita o Parágrafo 175 em 1871. Apesar de sucessivas tentativas de reverter o Parágrafo 175 em 1907 e 1929 ela acaba sendo mantida e posteriormente utilizada pelo nazismo para punir também os homossexuais. Após a queda do nazismo, os homossexuais condenados deixaram os campos de concentração mas continuaram a cumprir as penas previstas pelo Parágrafo 175.

Num caminho semelhante de punir a homossexualidade, as teorias psicológicas vigentes na época passaram a privilegiar o entendimento de que a homossexualidade era uma doença mental. Vários métodos psiquiátricos de cura da "perversão" foram sugeridos, incluindo a castração, a terapia de choque e a lobotomia. Nenhuma dessas técnicas, no entanto, teve o efeito pretendido. Sigmund Freud contribuiu para que a ideia se transformasse, embora considere-se fundamental os estudos de Alfred Kinsey (1948) para a revisão das teorias psicológicas vigentes na época. Os movimentos gays, por sua vez, começaram a desmascarar pressupostos erróneos sobre sua vida, seus sentimentos e acções. Um dos protestos pioneiros pelos direitos homossexuais foi realizado na cidade de Nova Iorque em 1976. Em 15 de Dezembro de 1973, a American Psychiatric Association já havia retirado a homossexualidade da lista de distúrbios mentais. A partir daí, os entendimentos passaram a abordar a óptica do que se considerava patológico e provocado pelo homossexualismo era fruto do estigma social, que não permitia aos gays estabelecerem sua identidade pessoal e social, ou seja, a neurose podia acomete-los tanto quanto aos heterossexuais. A exclusão da homossexualidade como doença mental foi revista pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apenas no dia 17 de Maio de 1990 e ratificada em 1992.

Europa

Antiguidade Clássica

Grécia Antiga thumb|right|230px|Jovem e adolescente praticando sexo intercrural; fragmento de taça ática de figuras negras, 550-525 a.C. (Louvre). A homossexualidade na Grécia Antiga teve diversos aspectos explorados por autores da Antiguidade Clássica, como Heródoto,Heródoto, Histórias 1.135 Platão,Platão, Fedro 227a Xenofonte,Xenofonte, Memorabilia 2.6.28, Simpósio 8 e Ateneu.Ateneu, Dipnosofistas 13:601-606 A forma mais difundida e socialmente significativa de relação sexual íntima entre membros do mesmo sexo na Grécia do período era entre adultos e adolescentes, conhecida como pederastia; os casamentos heterossexuais, da mesma maneira, eram habitualmente arranjados de acordo com as idades dos cônjuges, e envolviam homens na faixa dos trinta anos de idade casando com jovens mulheres no início da adolescência. Não se conhece com precisão sobre as relações homossexuais envolvendo mulheres na sociedade geral grega, porém existem exemplos que datam desde pelo menos a época da poetisa Safo.Oxford Classical Dictionary, verbete homosexuality, David M. Halperin, pp.720–723.

Roma antiga As fontes históricas disponíveis sobre a prática homossexual na Roma Antiga, suas atitudes e a aceitação deste fato, são abundantes. Há obras literárias, poemas, gravuras e comentários sobre a sexualidade de todos os tipos de personagens, incluindo imperadores solteiros e casados. Por outro lado, as representações gráficas são mais raras do que no período da Grécia clássica. Atitudes em relação à homossexualidade mudaram com o tempo de acordo com o contexto histórico, variando de forte condenação a uma aceitação consideravelmente ampla. Na verdade ela foi considerada um costume cultural em certas províncias.

Na abordagem destes comportamentos é fundamental salientar que o termo homossexualidade se torna problemático e impreciso aplicado ao mundo antigo, já que sequer havia uma palavra traduzida como tal em latim ou em grego antigo com o mesmo significado do conceito moderno de homossexualidade. A bissexualidade parece ter sido a norma, mas os autores antigos reconhecem que na Roma Antiga havia homens que mantinham relações sexuais exclusivamente com homens.

Idade Média

Durante a Idade Média a vontade de Deus era o argumento para todas as acções, inclusive em situações cruéis. A ascensão do Cristianismo em Roma reverteu os valores da época, caçou hereges e perseguiu os diferentes. O Papa passou a ter um poder divino sobre a terra, dividindo com os imperadores o governo das nações. O conhecimento ficou restrito aos nobres e aos clérigos.

A religião de Roma prosseguiu. Diversos são os relatos sobre casos de homossexualidade dentro das religiões e Papas homossexuais fizeram parte da história da Igreja. João XXII chegou a ser expulso e trazido de volta, por causa das suas orgias bissexuais. Foi assassinado a pauladas, em 964, aos 24 anos, por um esposo traído. Em 1123, foi declarada a nulidade de casamentos de padres.

O papa Gregório instituiu o direito ao Tribunal do Santo Ofício, em 1231, e ordenou o combate às mazelas difundidas em toda a Europa. Os homossexuais foram perseguidos. A sodomia era considerada a pior das heresias e para homossexuais, a idade justificava a pena. Após confissões obtidas na base da tortura, o indivíduo abaixo de 15 anos era recluso por três meses. Acima dessa idade, deveria ir preso e posteriormente pagar multa. Os adultos deveriam pagar multas, caso contrário tinham os seus genitais amarrados e deveriam andar nus pela cidade, serem açoitados e depois expulsos. Caso fossem maiores de 33 anos, o acusado seria julgado, sem direito a defesa e, caso condenado, morto em fogueira e seus bens confiscados. Apesar de todo os esforços, nesse mesmo período existem relatos de pelo menos dois papas homossexuais: Papa Paulo II e Papa Alexandre VI.

Europa Moderna O campo em desenvolvimento da psicologia foi a primeira maneira pela qual a homossexualidade poderia ser abordada diretamente, além da condenação bíblica. Na Europa, a homossexualidade fazia parte dos estudos de caso desde a década de 1790 com o trabalho de Johann Valentin Müller. Os estudos desta época tendiam a ser um exame rigoroso dos “criminosos”, procurando confirmar a culpa e estabelecer padrões para processos futuros. Ambroise Tardieu, na França, acreditava poder identificar "pederastas" afirmando que os órgãos sexuais são alterados pela homossexualidade em sua publicação de 1857. A exposição de François Charles, Les Deux Prostitutions: études de pathologie sociale ("As Duas Prostituições: Estudo da Patologia Social"), desenvolveu métodos para a polícia perseguir através de documentação meticulosa da homossexualidade. Outros incluem Johann Caspar e Otto Westphal, Karl Heinrich Ulrichs. A publicação de Richard von Krafft-Ebing de 1886, Psychopathia Sexualis, foi a obra desse tipo mais amplamente traduzida. Ele e Ulrichs acreditavam que a homossexualidade tinha base congênita, mas Krafft-Ebing diferia; nisso, ele afirmou que a homossexualidade era um sintoma de outro comportamento psicopático que ele via como uma disposição herdada à degeneração. Edsall, Nicholas C., Towards Stonewall. Virginia UP. pp. 127–52. 2003; Edsall, Nicholas C., Towards Stonewall. Virginia UP. pp. 127–52.

A degenerescência tornou-se uma teoria amplamente reconhecida para a homossexualidade durante as décadas de 1870 e 1880. Ele falava das teorias eugênicas e darwinistas sociais do final do século XIX. Benedict Augustin Morel é considerado o pai da teoria da degeneração. Suas teorias postulam que as anormalidades físicas, intelectuais e morais vêm de doenças, superpopulação urbana, desnutrição, álcool e outras falhas de sua sociedade contemporânea. Uma mudança importante na terminologia da homossexualidade foi provocada pelo desenvolvimento da inquisição da psicologia sobre a homossexualidade. "Sentimento sexual contrário", como disse Westphal, e a própria palavra "homossexual" abriu caminho nos léxicos ocidentais. A homossexualidade tinha um nome além do termo ambíguo “sodomia” e da indescritível “abominação”. Como diz Michel Foucault, “o sodomita tinha sido uma aberração temporária; o homossexual era agora uma espécie”.

Até hoje, os historiadores ainda discutem sobre a questão da sexualidade de Frederico, o Grande (1712-1786), que gira essencialmente em torno do tabu de saber se o mito de um dos maiores heróis de guerra da história mundial pode ser psicologicamente desconstruído. Das Gupta, Oliver (January 23, 2012). "Der Schwule Fritz" [The Gay Fritz]. Süddeutsche Zeitung (in German).

Homossexualidade na Grã-Bretanha moderna