thumb|330px|"A tua fé te salvou!".Por Romanino. A Parábola dos Dois Devedores ou Maria aos pés de Jesus é uma conhecida parábola de Jesus. No entanto, ela aparece em apenas um dos evangelhos canônicos do Novo Testamento. De acordo com Jesus usa a história de dois devedores para explicar que uma mulher o ama mais do que o seus anfitriões, pois ela foi perdoada de pecados maiores. Esta parábola é contada depois de sua unção, baseada principalmente em .

Segundo alguns autores, a unção muito similar presente nos outros evangelhos sinóticos (Unção de Jesus) pode não ser uma referência ao mesmo eventoCraig A. Evans, The Bible Knowledge Background Commentary: Matthew-Luke, David C. Cook, 2003, ISBN 0781438683, p. 232.. Além disto, esta parábola não deve ser confundida com a Parábola do Credor Incompassivo, onde um agiota perdoa a alta dívida de um servo, mas este, posteriormente, não perdoa quem lhe deve um valor menor.

A Santa Tradição (inclusive São Gregório Magno) identifica a mulher como sendo Maria Madalena, uma identificação contestada pela Igreja Ortodoxa e por diversas denominações protestantes.

Narrativa

O denário nesta parábola é uma moeda que valia o salário diário de um trabalhador. Na tradição católica, a mulher é identificada como sendo Maria Madalena, enquanto que a Igreja Ortodoxa e as denominações protestantes geralmente discordam. Pelos padrões da época, Simão, o Fariseu, foi, de fato, um mau anfitrião, pois ele deveria ter providenciado a água para que Jesus lavasse os pés, além de o beijo ser o cumprimento tradicionalKlyne Snodgrass, Stories with Intent: A comprehensive guide to the parables of Jesus, Eerdmans, 2008, ISBN 0802842410, pp. 80-82..

Interpretação thumb|350px|esquerda|Refeição na casa de Simão o Fariseu.Por Jean Béraud, atualmente no Musée d'Orsay, em Paris. A parábola não parece ser um ataque contra os fariseus, mas sim uma tentativa de ensinar Simão a ver a mulher como Jesus a vê.Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0802823157, pp. 305-315.Ben Witherington, Women in the Ministry of Jesus: A study of Jesus' attitudes to women and their roles as reflected in his earthly life, Cambridge University Press, 1987, ISBN 0521347815, pp. 53-56. A descrição da mulher sugere que ela é uma conhecida prostituta ,Carol Ann Newsom and Sharon H. Ringe, Women's Bible Commentary, Westminster John Knox Press, 1998, ISBN 066425781X, p. 374. , embora essa inferência seja contestada.Barbara E. Reid, Choosing the Better Part?: Women in the Gospel of Luke, Liturgical Press, 1996, ISBN 0814654940, pp. 110-116. Se ela é uma prostituta, sua presença contamina a pureza do ritual fariseu. Joel B. Green observa que "era e é fácil o suficiente descartar uma pessoa como imoral, por ser impura e desviante, sem capturar as realidades sociais enfrentadas " pela mulher, que pode ter sido forçada a esta vida por circunstâncias econômicas, ou ter sido vendida para a escravidão sexual.

Ao afirmar o perdão da mulher, presumivelmente dado a ela por Jesus em um encontro anterior, Jesus convida Simão a "abraçá-la na comunidade do povo de Deus" e a perceber sua nova identidade. Sobre isso, Barbara Reid escreve:

Ao responder ao pensamento tácito de Simão, Jesus está demonstrando as habilidades proféticas que o fariseu duvidava, , enquanto a parábola convida "a reconsiderar o significado das ações desta mulher - e não o pagamento de uma dívida, como se ela fosse uma escrava ou prostituta, mas uma expressão do amor que flui a partir da liberdade de ter todas as dívidas canceladas." João Calvino escreve sobre as palavras de Jesus ("Portanto, eu vos digo, seus numerosos pecados lhe foram perdoados - porque ela muito amou "):

Ambrósio , no entanto, diz que o amor da mulher é a condição para o seu perdão:

Se, então, qualquer um, tendo cometido pecados ocultos, deve, mesmo assim, diligentemente fazer penitência, como poderemos receber essas recompensas se não formos restaurados à comunhão da Igreja? Estou convicto, de fato, que o culpado deve esperar pelo perdão, deve procurá-lo com lágrimas e gemidos, deve procurá-lo com a ajuda das lágrimas de todas as pessoas, deve implorar perdão; e, se a comunhão for adiada duas ou três vezes, ele deve acreditar que suas súplicas não foram suficientemente urgentes, sinal de que ele deve aumentar as suas lágrimas, deve vir novamente, mesmo na maior dificuldade, agarrar os pés dos fiéis com os seus braços, beijá-los, lavá-los com lágrimas, e não deixar-los ir, de modo que o Senhor Jesus possa dizer dele também: "Seus pecados que são muitos são perdoados, porque muito amou" Ambrósio, Concerning Repentance (Book I), Chaper 16 at NewAdvent.org..

A interpretação de Calvino é, talvez, melhor apoiada pela natureza da parábola e pelo texto grego,I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: A commentary on the Greek text, Eerdmans, 1978, ISBN 0802835120, p. 313.Charles Francis Digby Moule, Essays in New Testament Interpretation, Cambridge University Press, 1982, ISBN 0521237831, p. 283. no qual o trecho "porque ela muito amou" pode ser lido como o resultado, e não a causa, de "seus muitos pecados que foram perdoados ". Muitas traduções modernas, tanto protestantes quanto católicas, reformulam o versículo 47 para maior clareza, por exemplo:

"Então eu vos digo que todos os seus pecados estão perdoados, e é por isso que ela mostrou muito amor. Mas quem foi perdoado por pouco vai mostrar pouco amor." (Versão Inglês Contemporânea)Luke 7:47, CEV.

"Então, vos digo, seus numerosos pecados lhe foram perdoados, portanto, ela demonstrou grande amor. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.". ( New American Bible ) Luke 7:47, NAB.

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