Praia da Atalanta, também conhecida como Cabo de Santa Maria, Praia Cabo Santa Maria ou Costa da Boa Esperança, é um setor costeiro e uma praia com cerca de 10 km de extensão, situado no norte da Ilha da Boa Vista, em Cabo Verde. Encontra-se aproximadamente 6 km a nordeste de Sal Rei, capital da ilha, e o acesso terrestre é feito por caminhos de areia.Gregg, Emma. Cape Verde Islands Pocket Guide. Berlitz, 2009. ISBN 978-981-268-670-1.
Uma das suas designações atuais deriva do cargueiro espanhol Cabo Santa Maria, que encalhou no local em 1 de setembro de 1968 sob o comando do capitão Fernando Sabín. O casco abandonado integrou-se na paisagem costeira e tornou-se um dos símbolos visuais mais conhecidos da Boa Vista e de Cabo Verde.
thumb|center|upright=2.4|Vista panorâmica da Praia da Atalanta e do destroço do Cabo Santa Maria, em dezembro de 2010.
Toponímia
A costa foi anteriormente conhecida como Praia da Boa Esperança. O nome alternativo Praia da Atalanta é atribuído a um naufrágio anterior, o do navio escandinavo de três mastros Atalanta, encalhado na zona na véspera de Natal de 1920.
Uma segunda designação popular surgiu depois do encalhe de 1968. As palavras «Cabo Santa Maria» permaneceram claramente visíveis no casco do cargueiro. Segundo a reconstrução histórica publicada pelo jornal cabo-verdiano A Nação, a população adotou o nome do navio e a praia passou também a ser designada Cabo de Santa Maria ou Praia Cabo Santa Maria. O portal do Instituto do Turismo de Cabo Verde apresenta o lugar como «Cabo Santa Maria ou Praia da Atalanta», refletindo a coexistência das duas denominações.
Encalhe do Cabo Santa Maria
thumb|O destroço do Cabo Santa Maria junto à praia, em dezembro de 2010.
O Cabo Santa Maria era um cargueiro da companhia espanhola Ybarra y Compañía que operava a rota entre o Mediterrâneo e a América do Sul. O Arquivo Histórico Provincial de Sevilha identifica o sinistro como ocorrido na baía de Salinas durante a 28.ª viagem de ida do navio. O arquivo conserva manifestos de carga, cópias dos diários de navegação, relatórios técnicos, a relação da tripulação e declarações do capitão.
O navio partiu de Santa Cruz de Tenerife em 29 de agosto de 1968 com destino ao Rio de Janeiro. Na madrugada de 1 de setembro, encalhou num banco de areia junto à costa norte da Boa Vista. Uma notícia espanhola da época identificou Fernando Sabín como capitão do navio e informou que os 37 tripulantes se encontravam bem. A reconstrução retrospectiva de A Nação, publicada em 2018, chamou o comandante de «Fernando de Solis»; a notícia contemporânea identifica, porém, Fernando Sabín, enquanto Hernando de Solís e Díaz de Solís eram nomes anteriores do próprio navio.
As primeiras tentativas de desencalhe fracassaram e a tripulação permaneceu a bordo durante várias semanas. No fim de setembro decidiu-se descarregar aproximadamente 1 720 toneladas de mercadorias. A ausência de estradas e de maquinaria suficiente no norte da ilha fez com que a operação mobilizasse numerosos habitantes da Boa Vista, bem como funcionários e trabalhadores provenientes de outras ilhas.
A carga incluía maquinaria, fertilizantes, produtos químicos e alimentos. Parte do azeite, das azeitonas, da farinha, do vinho e de outros víveres foi distribuída pela população num período de seca e escassez. Na memória local, o episódio ficou associado à expressão «pão por Deus», entendida como uma provisão providencial.
Destroço e legado
thumb|Os restos do Cabo Santa Maria em janeiro de 2023, depois de mais de meio século de exposição às ondas e à corrosão.
Depois de fracassarem as operações de salvamento, o navio foi abandonado a poucos metros da costa. As ondas, as tempestades e a corrosão desmantelaram progressivamente o casco. As fotografias conservadas no Wikimedia Commons permitem observar a perda de conveses e superestruturas entre 2010 e 2023.
O destroço tornou-se um motivo recorrente de postais, livros e fotografias e uma paragem habitual nos circuitos turísticos da Boa Vista. A Nação descreveu-o como um símbolo da ilha e de Cabo Verde. Em 2025, a edição de viagens do jornal espanhol El País incluiu o Cabo de Santa Maria entre os lugares mais fotografados do arquipélago. A sua importância local combina a imagem do naufrágio com a memória da descarga coletiva e dos alimentos que chegaram à população.
A praia integra a Reserva Natural da Boa Esperança, que inclui também as praias de Sobrado e Copinha.
Ligações externas
História do encalhe e da sua memória na Boa Vista em A Nação.
Categoria:Boa Vista (Cabo Verde) Santa Maria