A final da Copa do Mundo da FIFA de 1998 foi a partida final da Copa do Mundo da FIFA de 1998, a décima sexta edição da competição quadrienal de futebol organizada pela FIFA para as seleções masculinas de suas associações. Ela foi realizada no Stade de France em Saint-Denis, França, em 12 de julho de 1998, e foi disputada por Brasil e França. O torneio contou com a França como anfitriã, o Brasil como vencedor da Copa do Mundo anterior e outras trinta seleções que saíram das eliminatórias organizadas pelas seis confederações da FIFA. As 32 equipes disputaram uma fase de grupos, das quais dezesseis equipes se classificaram para a fase eliminatória. A caminho da final, o Brasil terminou em primeiro lugar no Grupo A, com duas vitórias e uma derrota; no mata-mata, venceu o Chile nas oitavas de final, a Dinamarca nas quartas de final e a Holanda na disputa de pênaltis nas semifinais. A França terminou na liderança do Grupo C com três vitórias, antes de derrotar o Paraguai nas oitavas de final, a Itália nas quartas de final e a Croácia na semifinal. A final aconteceu diante de 75 mil torcedores, com estimativa de assistindo pela televisão, e foi apitada pelo marroquino Said Belqola.
Antes da partida, especulava-se sobre a condição física do atacante brasileiro Ronaldo, que, a princípio, ficou de fora da equipe titular; momentos antes do início do jogo, sua escalação foi confirmada. A França abriu o placar pouco antes da meia hora de jogo, quando Zinédine Zidane marcou, de cabeça, após escanteio cobrado pela direita por Emmanuel Petit. Pouco antes do intervalo, novamente Zidane marcou em uma cabeçada oriunda de escanteio, para dar à França uma vantagem de 2–0. Nos acréscimos do segundo tempo, Petit então marcou o terceiro gol, acertando o canto da rede após um passe de Patrick Vieira, para completar a vitória por 3–0 para a França.
A vitória francesa significou o seu primeiro título da Copa do Mundo, tornando-se a sétima nação diferente a vencer o torneio. Zidane foi eleito o melhor em campo, enquanto Ronaldo foi premiado com a Bola de Ouro como melhor jogador do torneio pela FIFA. Após a vitória, milhares de torcedores franceses comemoraram em Paris durante a noite, antes de se reunirem na avenida Champs-Élysées no dia seguinte para um passeio de ônibus aberto pelos jogadores. A preparação física de Ronaldo para a partida, sua omissão inicial e posterior reintegração na seleção brasileira tornaram-se assunto de interesse jornalístico contínuo após a partida, com análises continuando mais de vinte anos depois.
Antecedentes alt=View of the match ball|miniatura|Adidas Tricolore, bola utilizada ao longo do torneio A Copa do Mundo FIFA de 1998 foi a 16ª edição da Copa do Mundo, competição de futebol da FIFA para seleções masculinas, realizada na França entre 10 de junho e 12 de julho de 1998. O torneio contou com 32 seleções pela primeira vez, aumentando o número anterior, que era de 24, na Copa de 1994. Tanto a França quanto o Brasil se classificaram automaticamente para o torneio – os europeus como anfitriões e os sul-americanos porque haviam vencido o torneio em 1994.Ver:
As trinta vagas restantes foram decididas por meio de eliminatórias realizadas entre março de 1996 e novembro de 1997, organizadas pelas seis confederações da FIFA e envolvendo 168 seleções. Na competição, as equipes foram divididas em oito grupos de quatro, com cada equipe jogando entre si uma vez no formato pontos corridos. As duas melhores equipes de cada grupo avançaram para a fase de mata-mata.Ver:
A partida decisiva foi disputada no Stade de France, no subúrbio de Saint-Denis, ao norte de Paris; o estádio, com capacidade para oitenta mil pessoas, foi construído especificamente para o torneio, porque não havia locais grandes o suficiente para acomodar a final.
O Brasil começou o torneio de 1998 como favorito com Mário Zagallo, seu técnico, estando envolvido nas quatro vitórias brasileiras anteriores – como jogador em 1958 e 1962, como técnico em 1970 e auxiliar técnico em 1994. A França não se classificou para o torneio de 1994 porque foi eliminada em seu grupo de qualificação, ficando atrás de Suécia e Bulgária.Ver:
No entanto, eles seguiram com uma corrida para as semifinais do Campeonato Europeu de 1996, na qual foram derrotados na disputa de pênaltis pela República Tcheca. O meio-campista francês Zinédine Zidane estava empatado em terceiro lugar no concurso de Jogador do Ano da FIFA em 1997 e foi rotulado pelo ex-atacante brasileiro Pelé como "um dos jogadores a serem observados" na Copa do Mundo de 1998. Antes do torneio, Aimé Jacquet, técnico da França, disse aos repórteres que sua seleção estava "aqui para ganhar a Copa do Mundo, nada menos". As duas seleções já haviam se enfrentado duas vezes em Copas do Mundo – na semifinal do torneio de 1958, que o Brasil venceu por 5–2, e nas quartas de final em 1986, quando a França venceu na disputa de pênaltis após o jogo terminar em 1–1 após a prorrogação.Ver:
O duelo mais recente até então foi no Tournoi de France de 1997, em um jogo que terminou em 1–1.
A bola utilizada no torneio foi a Adidas Tricolore. A bandeira tricolor e o galo gaulês, símbolos tradicionais da França, foram usados como inspiração para o design; mais de vinte rascunhos foram propostos pela equipe de design da Adidas antes que a versão definitiva fosse aprovada.
Caminhos até a final Brasil +Caminho do Brasil até a final Adversário Resultado 2–1 3–0 1–2 4–1 3–2 1–1 (4–2 p.) O Brasil estava no Grupo A da Copa do Mundo, no qual se juntaram Marrocos, Noruega e Escócia; esta última foi o adversário dos brasileiros no jogo de abertura, no Stade de France, no dia 10 de junho.Ver:
O Brasil abriu o placar aos quatro minutos, quando o meio-campista César Sampaio cabeceou superando Jim Leighton, goleiro da Escócia, após escanteio cobrado por Bebeto. A Escócia empatou após um pênalti convertido por John Collins, sofrido por Kevin Gallacher. O Brasil ficou à frente no placar novamente no segundo tempo, quando um toque de Cafu foi defendido por Leighton, mas rebateu no lateral Tom Boyd e foi para as redes, resultando em um gol-contra. O segundo jogo foi contra o Marrocos, no dia 16 de junho, no Stade de la Beaujoire, em Nantes. Ronaldo abriu o placar aos nove minutos de jogo; este foi seu primeiro gol marcado em Copas do Mundo. Rivaldo e Bebeto também marcaram para fechar uma confortável vitória por 3–0. O Brasil já estava garantido como vencedor do grupo antes do terceiro jogo, contra a Noruega, mas mesmo assim Zagallo escalou a maioria de sua equipe titular, deixando de fora apenas o zagueiro Aldair, que havia recebido um cartão amarelo contra a Escócia e corria o risco de ser suspenso caso recebesse outro, e César Sampaio, que já estava suspenso. O Brasil abriu o placar com Bebeto aos 77 minutos. A Noruega respondeu com dois gols nos últimos dez minutos – Tore André Flo fez o gol de empate e mais tarde sofreu um pênalti do zagueiro Júnior Baiano. Kjetil Rekdal marcou de pênalti para dar à Noruega uma vitória por 2–1.
O adversário do Brasil nas oitavas de final foi o Chile; a partida foi disputada em 27 de junho no Parc des Princes, em Paris. O Brasil abriu o placar aos onze minutos, quando uma cobrança de falta de Dunga foi desviada por César Sampaio, que estava desmarcado e cabeceou fora do alcance do goleiro Nelson Tapia. Sampaio ampliou a vantagem do Brasil aos 27 minutos, quando chutou para o canto da rede após cobrança de falta de Roberto Carlos. Ronaldo fez o terceiro de pênalti nos acréscimos do primeiro tempo, após sofrer falta de Tapia. Marcelo Salas diminuiu o placar para o Chile no segundo tempo, mas Ronaldo marcou novamente para selar a vitória brasileira por 4–1. Nas quartas de final, enfrentaram a Dinamarca no Stade de la Beaujoire em 3 de julho. A Dinamarca marcou o primeiro gol aos dois minutos de jogo com Martin Jørgensen, com Bebeto empatando oito minutos depois. O Brasil então ficou na frente com um gol de Rivaldo aos 27 minutos. Brian Laudrup empatou o placar aos cinco minutos no segundo tempo, mas Rivaldo marcou novamente trinta minutos antes do final e garantiu a vitória por 3–2 para o Brasil. A semifinal foi contra a Holanda, no Stade Vélodrome, em Marselha. Ronaldo abriu o placar logo após o intervalo, mas Patrick Kluivert empatou para a Holanda três minutos antes do final. O jogo foi para a prorrogação, com a regra do gol de ouro em vigor. Não houve mais gols, porém, e o jogo foi resolvido na disputa de pênaltis. Os dois lados chutaram alternadamente com o Brasil chutando primeiro e os cinco primeiros pênaltis foram todos marcados, dando ao Brasil uma vantagem de 3–2. O goleiro brasileiro Cláudio Taffarel então defendeu o pênalti de Phillip Cocu, com Dunga marcando novamente para o Brasil. Taffarel então realizou uma nova defesa, desta vez na cobrança de Ronald de Boer, garantindo a classificação brasileira para a final.
França +O caminho da França até a final Adversário Resultado 3–0 4–0 2–1 1–0 (pro) 0–0 (4–3 p.) 2–1 A França foi sorteada no Grupo C no torneio, ao lado de Dinamarca, Arábia Saudita e África do Sul.Ver: Começaram sua campanha em 12 de junho contra a África do Sul, estreante na Copa do Mundo, no Stade Vélodrome. Em uma partida que Richard Williams, do The Guardian, disse que eles "dominaram o tempo todo", a França venceu por 3–0 com um gol no primeiro tempo de Christophe Dugarry, um gol contra aos 77 minutos do sul-africano Pierre Issa e um gol no último minuto de Thierry Henry. O segundo jogo foi contra a Arábia Saudita, no Stade de France, em 18 de junho. Henry deu à França a liderança no primeiro tempo, marcando após um cruzamento de Bixente Lizarazu, antes que a França marcasse três gols nos quinze minutos finais por meio de David Trezeguet, Henry novamente e Lizarazu para completar uma goleada por 4–0. As duas equipes tiveram um jogador expulso — Mohammed Al-Khilaiwi aos dezoito minutos pela Arábia Saudita e Zinédine Zidane pela França aos setenta minutos por falta em Fuad Anwar. Por conta da expulsão, Zidane foi suspenso pelos próximos dois jogos. Com a progressão para a fase eliminatória garantida, Jacquet fez oito alterações em seu time para a última partida contra a Dinamarca, no Stade Gerland, em Lyon, em 24 de junho. A França ficou à frente no placar aos treze minutos, quando Youri Djorkaeff converteu um pênalti após o zagueiro Jes Høgh fazer falta em Trezeguet. A Dinamarca então teve um pênalti marcado a seu favor pouco antes do intervalo por falta de Vincent Candela sobre Jørgensen, marcada por Michael Laudrup. No segundo tempo, Emmanuel Petit marcou com um chute rasteiro no canto do gol dinamarquês para selar uma vitória por 2–1 e o primeiro lugar no grupo.