A Torre do Relógio é um monumento situado no Largo D. Luís I, vulgarmente designado por Largo do Relógio, na freguesia da Matriz, concelho da Horta, na ilha do Faial, no arquipélago dos Açores. Constitui o único elemento subsistente da antiga igreja matriz da cidade, demolida na primeira metade do século XIX, e foi erguida para albergar o primeiro relógio público da povoação.
A torre localiza-se junto ao Jardim Florêncio Terra e encontra-se registada no Inventário do Património Imóvel dos Açores, não dispondo, contudo, de classificação patrimonial.
História
O sítio e a antiga igreja matriz O largo corresponde a uma elevação natural próxima do centro da cidade, escolhida pelo primeiro capitão do donatário do Faial, Josse van Huerter (m. 1495), para nela se erguer a igreja da povoação, mais tarde designada Vila de Orta. A igreja do Santíssimo Salvador e a residência do capitão, no espaço hoje ocupado pelo colégio dos Jesuítas, constituíram o centro da vida política e religiosa da Orta no século XVI.
Este primeiro templo foi incendiado e destruído num ataque de corsários ingleses à ilha, ocorrido em 1597 sob o comando de Walter Raleigh, tendo sido reconstruído no mesmo local entre 1607 e 1615.Guia do Património Cultural dos Açores, Faial, pp. 120-121, ISBN 972-96057-1-8, 1.ª edição, 2003. Sobre ambos os edifícios subsiste pouca informação, sabendo-se apenas que eram espaçosos, com várias naves e numerosas capelas onde se encontravam sediadas confrarias e irmandades. Em frente, no espaço hoje ocupado pelo Jardim Florêncio Terra, situavam-se a igreja e o convento de S. João, circunstância que fez deste local, até ao início do século XIX, um espaço natural de reunião da população.
Construção da torre A torre foi erguida por deliberação da Câmara, encostada à fachada sul da primitiva igreja matriz, para receber o relógio público da vila, que até então não dispunha de nenhum. O local foi escolhido pela sua elevação e ampla visibilidade sobre o burgo, ficando o mostrador na fachada sul, virada para o centro da vila, e a torre acessível pelo interior da igreja ao nível do rés-do-chão e do primeiro piso.
Demolição da igreja No início do século XIX, a igreja matriz do Santíssimo Salvador, depois conhecida por Matriz Velha, encontrava-se em mau estado de conservação, em consequência dos saques e incêndios de que fora alvo e dos sucessivos sismos que abalaram a ilha. Em 1825 foi abandonada, transferindo-se a matriz, com as respectivas imagens e alfaias, para a devoluta igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, do antigo colégio jesuíta de S. Francisco Xavier, desde então conhecida por igreja de São Salvador; outras peças foram distribuídas por diversos locais, entre as quais um altar que se conserva na igreja de Nossa Senhora do Rosário. A igreja foi depois demolida, subsistindo apenas a torre, que manteve a sua função até aos dias de hoje.
Evolução do largo thumb|200px|Vista aérea da torre, em 2020Pouco depois foi igualmente demolido o vizinho convento de S. João, cuja cerca serviu, por volta de 1836, para enterramentos provisórios e veio a dar lugar ao actual Jardim Florêncio Terra. Durante a crise sísmica de 1926 instalaram-se no largo barracas de madeira destinadas aos sinistrados e, na década de 1960, o abatimento de parte do pavimento deixou à vista uma estrutura subterrânea, provavelmente uma cripta da igreja desaparecida. Em 2010 foi reparado o muro que circunda o largo, com substituição integral do troço nascente, e em 2017 a Câmara Municipal da Horta instalou no espaço um parque infantil e um polidesportivo ao ar livre.
O relógio Já em pleno século XX, o mecanismo original setecentista, que permanece no local, foi desactivado e substituído por um motor eléctrico, tendo sido igualmente colocados mostradores nas restantes três fachadas do edifício, a oeste, a norte e a este. Aquando da abertura da torre à visitação, a autarquia anunciou a intenção de proceder ao restauro do mecanismo setecentista.
O sismo de 9 de Julho de 1998, que abalou a ilha do Faial, causou danos consideráveis na torre, que foi sujeita a obras de restauro e manutenção.
Abertura à visitação miniaturadaimagem|200x200px|A torre iluminada à noite, em 2021 Em agosto de 2018, na sequência de obras de reabilitação da torre e de requalificação da área envolvente, a Câmara Municipal da Horta abriu o monumento à visitação pública. O acesso ao ponto mais elevado, que funciona como miradouro sobre a cidade e sobre as ilhas do Pico e de São Jorge, faz-se por uma escadaria de 97 degraus. No topo foi disponibilizada informação turística acessível por código QR, em português e em inglês, relativa a 17 monumentos da cidade observáveis a partir daquele ponto.
A abertura foi feita com entrada gratuita e visitas em dias úteis, admitindo-se a realização de visitas noutros períodos mediante marcação prévia. O então presidente da autarquia, José Leonardo Silva, enquadrou a iniciativa no esforço de preservação e valorização do património cultural do concelho, referindo que o espaço se encontrava anteriormente abandonado e que os monumentos e locais históricos não devem constituir apenas locais de contemplação, e integrou a abertura num percurso cultural que incluía também a igreja do Carmo, aberta pouco antes.
Ver também Jardim da Praça da República (Horta) Jardim Botânico do Faial Jardim Florêncio Terra Horta
Referências
Torre Relógio Torre Relógio Categoria:Torres do Relógio em Portugal