thumb|300px|Mapa da América indicando as principais regiões culturais na América pré-colombiana.

A História da América Latina compreende os processos históricos ocorridos nos territórios do continente americano que, desde o século XIX, passaram a ser identificados como parte da América Latina. Essa região abrange, em geral, os países das Américas cujas línguas predominantes derivam do latim, especialmente o espanhol, o português e, em menor medida, o francês.

A história latino-americana é marcada pela diversidade de sociedades indígenas que habitavam o continente antes da chegada dos europeus, pela conquista e colonização promovidas principalmente pelas monarquias ibéricas a partir do final do século XV, pela formação de sociedades coloniais caracterizadas pela escravidão africana e pela intensa circulação de pessoas, mercadorias e culturas no espaço atlântico. Entre os séculos XVIII e XIX, movimentos de independência levaram à formação dos Estados nacionais latino-americanos, cujas trajetórias foram marcadas por conflitos políticos, transformações econômicas, desigualdades sociais e processos de construção identitária.

Ao longo dos séculos XX e XXI, a região experimentou processos de industrialização, urbanização, reformas sociais, revoluções, ditaduras, redemocratizações e crescente integração econômica e cultural. Como campo de estudo, a História da América Latina investiga essas transformações em perspectiva regional, comparada e transnacional, destacando as conexões entre os diferentes países latino-americanos e suas relações com outras partes do mundo.

História pré-colombiana Não há consenso geral sobre a origem dos ameríndios. A teoria mais aceita é a postulada por Aleš Hrdlička, que, retomando o argumento de Samuel Haven,Samuel Haven. Archaelogy of the United States. Smithsonian Institute, 1856. argumentou que os seres humanos haviam entrado na América pelo Alasca, vindos da Sibéria cruzando o Estreito de Bering. Acredita-se que a possível data do primeiro povoamento das Américas foi 33.000 anos atrás.

O processo de sedentarização trouxe consigo o surgimento de sociedades cada vez mais complexas e a construção das mesmas. Os povos americanos desenvolveram culturas autônomas originais a ponto de produzir duas revoluções neolíticas distintas, na Mesoamérica e nos Andes sul-americanos, que deram origem a dezenas de civilizações agrocerâmicas. Tais sociedades eram bastante estratificadas. Havia os nobres, os reis, sacerdotes, artesões, agricultores, comerciantes e guerreiros.

Mesoamérica A Mesoamérica é a região cultural do continente americano que inclui a metade sul do México, os territórios da Guatemala, El Salvador, Belize, bem como o oeste de Honduras, Nicarágua e Costa Rica.

Entre 2000 e 300 a. C., culturas complexas começaram a se formar na Mesoamérica. Alguns amadureceram em civilizações mesoamericanas pré-colombianas avançadas, como os olmecas, teotihuacan, maias, zapotecas, mixtecas, huastecas, purépecha, toltecas e mexicas/astecas.

Essas civilizações indígenas desenvolveram a construção de templos em pirâmide, matemática, astronomia, medicina, escrita, calendários de alta precisão, belas artes, agricultura intensiva, engenharia, uma calculadora de ábaco e teologia complexa onde sacrifícios humanos foram incluídos. Eles também inventaram a roda, mas ela era usada apenas como um brinquedo. Além disso, eles usaram cobre, prata e ouro nativos para trabalhar os metais.

Os diversos povos mesoamericanos impuseram sua vontade a outros povos da região para obter benefícios como impostos, territórios, trabalho, etc. Um dos principais objetivos da guerra era a captura de vítimas para sacrifícios humanos.

Olmeca miniaturadaimagem|Monumento 1, uma das quatro cabeças colossais encontradas em La Venta, com altura aproximada de 3 metros miniaturadaimagem|Altar 5 de La Venta. O bebé jaguar-homem inerte segurado pela figura central é visto por alguns como uma indicação do sacrifício de crianças. A cultura olmeca floresceu no centro-sul do México entre aproximadamente 1500 e e acredita-se que foi a civilização mãe de todas as civilizações mesoamericanas. A civilização olmeca foi constituída principalmente em 3 centros cerimoniais: San Lorenzo, La Venta e Três Zapotes. Por volta de , San Lorenzo provavelmente sofreria um levante interno ou invasão devido à destruição de muitos monumentos ali.Coe (1967), p. 72. O declínio de San Lorenzo fez de La Venta o centro olmeca mais proeminente até seu abandono por volta de A extinção da cultura olmeca ainda é uma questão de estudo. Alguns acreditam que pode ter sido causado por mudanças ambientais que tornaram a terra imprópria para a agricultura.Diehl, p. 82

A cultura olmeca foi definida por seu estilo de arte.Coe (2002), p. 62. Eles trabalharam um grande número de mídias (jade, argila, basalto e pedra verde) sendo em grande parte de tema naturalista. A característica distintiva da cultura olmeca seriam as cabeças colossais.Diehl, p. 111.

A cultura olmeca é creditada com a invenção do "derramamento de sangue" (perfurar o corpo de um indivíduo que serviu para manter a estrutura sociocultural e política) e talvez sacrifícios humanos, escrita e epigrafia, o zero e o calendário Mesoamericano, o jogo de bola, além da bússola. Alguns, como o historiador de arte Miguel Covarrubias, postulam mesmo que os olmecas criaram os antecessores de muitas das divindades mesoamericanas mais tardias.Covarrubias, p. 27.

Civilizações andinas As civilizações andinas eram sociedades complexas que se estendiam dos Andes, no sul da Colômbia, à Argentina e ao Chile. A civilização Caral do Peru é a civilização mais antiga conhecida nas Américas, datando de Rodríguez, Gonzalo (2015). Guerrero, Ricardo; Pease, María Elena, eds. Culturas antiguas del Perú: Caral. Hacia la primera civilización de América 1 (1.ª edición). Lima: Editorial Septiembre S.A.C. Algumas dessas civilizações andinas avançadas foram os Chavín, os Mochicas, os Muiscas, os Huari, os Tiahuanaco, os Chimú e os Incas.

Devido ao seu isolamento de outras civilizações, os povos indígenas dos Andes tiveram que apresentar suas próprias, muitas vezes únicas, soluções para os desafios ambientais e sociais.McEwan, Gordon F. (2006). Los incas: nuevas perspectivas . Nueva York: WW Norton & Company. págs. 183-185.

Período colonial (1492-1808) Na Europa, entre 1475 e 1479 teria lugar a Guerra da Sucessão Castelhana, onde se enfrentariam os partidários de Joana "a Beltraneja" e os de Isabel. A derrota dos adeptos de Joana permitiria a ascensão ao trono de Isabel que foi casada com Fernando II de Aragão. Com o seu casamento, os reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, realizaram o primeiro esboço da unidade espanhola. Isabel e Fernando receberiam o nome de Reis Católicos. Em 1492, os Reis Católicos conquistariam Granada, o último estado muçulmano da Península Ibérica.

Naquela época, o mercantilismo havia se tornado a escola dominante de economia. Essa ideologia foi caracterizada por uma forte intervenção do Estado na economia. As primeiras teorias mercantilistas desenvolvidas no início do foram marcadas pelo bullionismo, pelo qual a riqueza era definida pela quantidade de metais preciosos que se possuía. Por sua vez, os indígenas tinham uma concepção diferente dos metais preciosos, o que lhes conferia um sentido religioso.

Esses dois povos desenvolveram-se paralelamente, sem interferências. Entraram em contato no final do por intermédio dos povos ibéricos e das grandes navegações (por causa das guerras entre países europeu, ir para o Oriente por dentro do território estava se tornando perigoso. Por isso, eles tentaram novas rotas comerciais e acabaram chegando a América). Como na verdade eles queriam chegar a Índia (na Ásia) para comprar especiarias, acabaram denominando os povos desse "novo mundo" de índios. As especiarias eram utilizadas como métodos de preservação permitindo que os alimentos fossem mantidos em boas condições por mais tempo. Também serviam para dar aos pratos um sabor mais agradável e eram fonte de farmacopeia com algumas propriedades antissépticas, estimulando a digestão e o aparelho respiratório. Aos poucos, as cidades marítimas (Portugal e Espanha) vão forjando instrumentos de navegação em alto mar.

thumb|esquerda|Cristóvão Colombo, descobridor da América

thumb|Rotas seguidas por Colombo em suas quatro viagens

Para se ir às Índias haveria duas soluções. Os portugueses conceberam uma solução baseada na circunavegação de África. As várias expedições pela África confirmaram a riqueza do continente. Bartolomeu Dias demonstraria que era possível chegar ao Oceano Índico duplicando o Cabo da Boa Esperança em 1488.

Por sua vez, os Reis Católicos, após a Reconquista e a população recuperada das devastações da Peste Negra, puderam dedicar-se ao financiamento de novas rotas de exploração e comércio ultramarinos. Em 1492, os reis decidiram financiar a expedição de Cristóvão Colombo na esperança de encontrar uma rota que chegasse às Índias navegando para oeste, cumprindo assim o Tratado das Alcáçovas-Toledo, assinado em 1479, que reservava o caminho ao sul para Portugal da África. Em 12 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo, que partiu para descobrir Cipango e suas montanhas de ouro, as índias e suas especiarias, chegou à América sem saber. Cristóvão Colombo entraria em contato com os Taínos.300px|thumb|Meridiano de Tordesilhas (rosa) demarcando os territórios a explorar por Portugal e Espanha e o seu antimeridiano (verde) 300px|thumb|O Mapa de Juan de la Cosa (1500), mais antiga carta náutica em que as Américas estão representadas No dia 24 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo fundava na ilha de Hispaniola, a atual São Domingos, o modesto estabelecimento de Navidad. Alguns homens e um tosco fortim: o embrião do Império "no qual o sol nunca se punha". Depois, Colombo voltou à Espanha para aí ser triunfalmente recebido pelos Reis Católicos.

Interessava ao espanhol confirmar a posse das terras encontradas na rota das Índias, sobretudo, tendo em vista a inveja do Rei de Portugal, . O português há anos que procurava pelo sul o caminho marítimo para a Índia, e o espanhol, favorecido pelo acaso, parecia ter ganho num único lance de dados aquilo que anos e anos não haviam ainda proporcionado ao seu vizinho oriental. Para que os confirmassem na posse tranquila das suas novas conquistas e, principalmente, na de quantas esperavam realizar na via aberta por Cristóvão Colombo, os Reis Católicos voltaram-se para o Papa, a autoridade superior à qual o direito público da Europa Medieval reconhecia o poder de repartir as terras que ainda não pertenciam a qualquer príncipe cristão. Por ventura não havia já o português obtido toda uma série de bulas confirmando seus direitos sobre as costas da África?Pela bula Aeterni Regis de 1481, Portugal obtivera a posse de todas as terras ao sul das ilhas Canárias e a ocidente da Guiné, a fim de aí propagar a fé cristã. A ocasião era excelente. Um Papa espanhol, Alexandre VI, ocupava o trono pontifício e tinham sido as intrigas dos Reis Católicos, apenas elas, que o haviam guindado a um cargo a que nunca teria ascendido nem pela virtude nem pelo saber.

A fim de por termo às ameaças portuguesas, a diplomacia espanhola obteve, sem dificuldade, da cúria pontifícia, a publicação de uma série de bulas (4 de maio de 1493), a última das quais, a bula Inter Coetera, fixou de maneira precisa o domínio espanhol e o domínio português. Entre elas traçava uma linha ideal que unia os dois pólos e passava por um ponto a 100 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde. A oeste dessa linha, todas as terras descobertas pertenciam a Castela.