Os adjarianos, também conhecidos como adjares, adjaranos, ajares, ajarianos, ajaranos, acharianos, achares, adzares, adzarianos, aadzhares, ajareli, achareli, ach'areli, adzhareli e adzhartsy (; ) são um grupo étnico georgiano cujos membros vivem maioritariamente na região de Ajária, no sudoeste da Geórgia, embora também existam comunidades importantes nas províncias georgianas de Gúria, Baixa Ibéria e Caquécia, bem como em diversas áreas do nordeste da Turquia.

Língua Os adjarianos falam , um dialeto do aparentado com o que é falado na província vizinha de Gúria, mas com vários termos provenientes do e características comuns com as línguas zan, laz e mingreliana, ambas fortemente aparentadas com o georgiano e incluídas na família das línguas caucasianas meridionais.

Território Os adjarianos teem a sua própria unidade territorial, a República Autónoma de Ajária, fundada em como República Soviética Socialista Autónoma de Ajária.

Apontamento histórico miniaturadaimagem|Vestuário masculino adjariano No século XVI os otomanos conquistaram amplas zonas do sudoeste da Geórgia. Muitas comunidades locais converteram-se ao Islão e adotaram a língua turca, principalmente nos séculos XVII e XVIII.

Durante a guerra russo-otomana de 1877–1878, o Império Russo expandiu as suas conquistas no sul da Geórgia, iniciadas no início do século. A guerra terminou com a cedência das áreas de Artvim, Ardacane, Batumi, Carse, Oltu (na província de Erzurum) e (na província de Are) à Rússia nos tratados de Santo Estêvão e de Berlim.

A Revolução Russa de 1917 e a consequente guerra civil trouxe a autonomia à Transcaucásia (Arménia, Geórgia e Azerbaijão), o que permitiu a esta região assinar um armistício diretamente com os otomanos, mas estes também negociaram com o governo bolchevique de Moscovo, que não controlavam a região. Após alguns avanços e recuos diplomáticos envolvendo várias partes (governo otomano, os aliados vencedores da Primeira Guerra Mundial que na prática controlavam o governo otomano, governo soviético e nacionalistas turcos), as fronteiras entre a União Soviética e a Turquia acabaram por ser fixadas definitivamente com o Tratado de Carse, assinado naquela cidade em , na qual a União Soviética reconhecia o domínio da Turquia sobre todos os territórios acima referidos conquistados pela Rússia no século XIX exceto Batumi, a capital da Ajária.

Religião thumb|esquerda|Adjarianos durante a guerra russo-otomana de 1877–1878. Os georgianos de Ajádia eram geralmente classificados como "georgianos muçulmanos" até ao censo soviético de 1926, que os apresentou como adjarianos, separadamente do resto dos georgianos. Nesse censo foram contabilizados adjarianos. Nos censos subsequentes (1939-1989), os adjarianos foram contabilizados juntamente com os outros georgianos, pois nenhum censo oficial soviético inquiria a religião. Na década de 1920, a resistência dos adjarianos à supressão da religião e à coletivização compulsória, fez com que muitos deles fossem deportados para a Ásia Central.

O colapso da União Soviética e o restabelecimento da independência da Geórgia acelerou a cristianização, especialmente entre os jovens, um processo alegadamente encorajado pelas autoridades governamentais. No entanto, um número significativo de adjarianos permanece muçulmano sunita. De acordo com estimativas recentes do Departamento de Estatística de Ajária, 63% dos adjarianos segue o rito da Igreja Ortodoxa Georgiana e 30% são muçulmanos.

Os adjarianos da Turquia, por vezes designados como   são muçulmanos.

Adjarianos famosos thumb|Grupo de danças adjarianas. Tbeli Abuserisdze (1190-1240), escritor e cientista (1873-1941), líder político do georgianos muçulmanos Aslan Abashidze (1938-), antigo líder político regional Konstantin Meladze (1963-), compositor russo de origem adjare Zurab Nogaideli (1964-), primeiro-ministro da Geórgia entre 2005 e 2007 Valery Meladze (1965-), cantor russo de origem adjare Nino Katamadze (1972-), cantora de jazz (1973-), líder da República autónoma de Ajária (1986-), cantora

Notas

Quando o Tratado de Carse foi assinado, a Turquia ainda não existia formalmente, pois o Império Otomano ainda não tinha sido extinto. O tratado foi assinado pelo governo da Grande Assembleia Nacional da Turquia, o órgão criado pelo Movimento Nacional Turco, que dirigia a guerra de independência turca e controlava de facto grande parte do que é atualmente a Turquia.

Segundo o artigo , além de sunitas, há também adjarianos que são muçulmanos hanafistas.

O termo chveneburi (em turco: çveneburi) geralmente aplica-se a todos os turcos de origem georgiana, os quais por vezes são apresentados como sendo todos adjarianos.

Referências

Ligações externas

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