As grandes religiões do Extremo Oriente são o Budismo, o Hinduísmo, o Taoísmo, o Xintoísmo e o Confucionismo.
Budismo Origem O Budismo teve sua origem na Índia, mas ao longo dos séculos se espalhou por toda a Ásia e, mais recentemente, alcançou o mundo ocidental. Sua crescente presença no Ocidente se explica principalmente pelo grande número de imigrantes orientais que se estabeleceram nos Estados Unidos da América e na Europa. Estima-se que existam atualmente cerca de quinhentos milhões de budistas no mundo.
thumb|direita|Imagem do Buda O fundador do Budismo se chamava Sidarta Gautama e viveu por volta de 600 A.C. Ele nada escreveu e pouco se sabe sobre sua vida. Após sua morte, seus ensinamentos foram compilados através de textos canônicos e de um concílio formado por quinhentos monges. Contudo, tais registros devem ser encarados com prudência, pois são fundamentados em tradições orais e foram escritos em linguagem poética e mitológica, além de terem sofrido constantes revisões e adições.
Existem diversos relatos fantásticos sobre o nascimento de Sidarta, mas geralmente se concorda em que ele nasceu em uma família muito nobre (fala-se que ele era um príncipe) e, na maturidade, renunciou à sua vida privilegiada e a seu casamento e filhos para viver como um monge. Estava decido a encontrar uma cura para os grandes males do mundo: nascimento, doença, velhice e morte.
Durante anos, ele viveu uma vida de extremo ascetismo, na esperança de alcançar o conhecimento que livrasse o homem daqueles males. Finalmente percebeu que essa vida de renúncia exacerbada era tão inútil como a vida principesca que levava antes. Segundo a lenda, ele se sentou ao pé de uma árvore e, após semanas de meditação, alcançou a almejada iluminação espiritual.
Princípios e conceitos básicos de Buda Essa iluminação é conhecida como Nirvana e leva o homem ao estado de Buda, o Iluminado. Dessa forma, qualquer homem pode alcançar o estado de Budicidade se praticar a meditação recomendada pelo mestre. O Nirvana é alcançado através do Caminho do Meio, uma forma de viver intermediária entre os prazeres exagerados e a renúncia exagerada, ambos experimentados por Sidarta. A meta é compreender as Quatro Nobres Verdades: toda existência é sofrimento; o sofrimento vem do anseio ou desejo; a cessação do anseio leva à extinção do sofrimento; a cessação do desejo é obtida através do Caminho Óctuplo.
O Caminho Óctuplo consiste em: conceitos corretos; aspirações corretas; linguagem correta; conduta correta: vida correta: empenhos corretos; vigilância correta; contemplação correta.
Pode-se perceber que cada item é condição para o seguinte. O Caminho Médio e as Quatro Nobres Verdades são a síntese do pensamento do Buda e não provêm de revelação divina, são fruto de seu esforço pessoal. Buda passou o resto da vida ensinando esse caminho de libertação e morreu, acredita-se, aos oitenta anos. Sua doutrina simples e prática foi muito bem recebida na Índia, saturada do misticismo hindu.
Difusão do Budismo Após a morte de Buda, o Imperador Asoca se encarregou de difundir a nova religião por toda a Índia e para além das suas fronteiras, dando ao Budismo o status de religião universal. Em cerca de seiscentos anos, estava enraizado em toda a Ásia, muitas vezes mesclado com crenças locais. Mas, na Índia, seu país de origem, o Budismo ironicamente quase se extinguiu, principalmente pela perda do apoio estatal e por ter sofrido uma reabsorção pelo Hinduísmo, que foi o patrimônio cultural dos primeiros budistas. No século XX, conflitos políticos enfraqueceram o Budismo também em boa parte da Ásia. Em contrapartida, tornou-se uma religião popular no Ocidente a partir da década de 1960, possivelmente por representar uma alternativa às nossas religiões tradicionais e ao modo estressante de vida.
Ramos do Budismo Atualmente, o Budismo pode ser divido em duas grandes escolas. A primeira é chamada Hinaiana ou Pequeno Veículo, mais conservadora e rigorosa, atenta aos ensinamentos originais do Buda e avessa a especulações metafísicas. Seus praticantes são monges de elevado ascetismo. jdjm A segunda é a escola Mahaiana ou Grande Veículo, mais liberal. Seus seguidores rejeitam a árdua autodisciplina dos monges e pregam que se pode alcançar a iluminação através da nossa fé na capacidade de atingir a Budicidade. Sendo mais prática, essa escola frutificou mais e ramificou-se em diversos cultos, como o Zen-Budismo, que se fundamenta na prática de uma forma específica de meditação, acessível a qualquer um. Outro culto é o Budismo Tibetano, que enfatiza complexos rituais e orações. Seu líder é o famoso Dalai Lama, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1989.
Escrituras budistas As mais antigas escrituras budistas foram registradas em páli, a língua natal do Buda e consistem em trinta e um livros divididos em três coleções que versam sobre disciplina, discursos e doutrina. Mais tarde, a escola Mahaiana produziu milhares de livros em vários idiomas, sempre com uma linguagem extremamente mística, por vezes extravagante. Os budistas hinaianas argumentam que essa complexa literatura se distancia do ideal do Buda, que era atingir o homem comum.
Renascimento e carma O Budismo ensina que o homem renasce periodicamente, embora não haja uma alma que passe de um corpo para outro e cada homem colhe os frutos de suas vidas passadas - é o conhecido conceito de carma. O renascimento não é como a reencarnação do Espiritismo, o que se transmite é uma energia psíquica, uma vontade de existir como um "eu" separado do ambiente. Dessa forma, pode-se entender que o homem que nasce é uma continuação do que morreu e veio a existir porque houve um anseio por uma existência como indivíduo diferenciado do resto do mundo. Seria como um redemoinho que se forma na água do rio, desfaz-se com o tempo e então torna a se formar.
Seguindo essa linha de pensamento, o Nirvana é a extinção do desejo de existir, o que leva ao fim do renascimento e à libertação da vida miserável na Terra, que é ilusória porque todas as coisas são impermanentes, logo o anseio por elas não faz sentido. Seria uma paz eterna, sem emoções, sem forças que gerem carma ou desejo de existir como um indivíduo. É a imutabilidade, uma espécie de vazio. Buda enfatizava que esse estado é acessível a todos e que cada um deve confiar em sua capacidade e não aceitar ser conduzido por mestres. De fato, de nada serviria se dedicar a estudos metafísicos, todo o conhecimento desejado seria obtido naturalmente através do Nirvana, que por sua vez seria atingido através da meditação e da prática correta.
Deus no Budismo Embora os budistas acreditem em uma espécie de lei cósmica que rege o Universo, eles podem ser considerados não teístas, pois essa lei não é uma pessoa. Na sua filosofia, Deus ou não existe ou sua existência não diz respeito ao ser humano, não sendo portanto um problema filosófico a considerar na prática budista. Os budistas não veneram Buda como uma divindade, porque, a rigor, Buda não é um ser, mas um estado espiritual de perfeita compreensão de todos os fenômenos, estado este que qualquer pessoa pode atingir, ou seja, qualquer pessoa pode vir a ser um Buda. Nesse sentido, o Buda Original, Shakyamuni, não é adorado mas sim reconhecido pelos budistas como uma pessoa comum cuja prática o levou a alcançar esse estado chamado de Iluminação, ou Nirvana. Alguns sectos budistas acolhem a existência de forças construtivas e forças destrutivas no universo, mas tais forças emanam dos seres vivos, e não de entidades sobrenaturais.
Conclusão O Budismo se diferenciou do Hinduísmo e espalhou-se por grande parte do mundo. No Ocidente, cresceu consideravelmente nas últimas décadas, quase como uma oposição ao fundamentalismo religioso. Para os ocidentais mais ortodoxos, parece uma religião cravejada de superstição e feitiçaria. Para alguns pensadores modernos como Fritjof Capra, é um rico patrimônio espiritual que não só vem ao encontro da moderna ciência (devido a seus conceitos sobre a realidade) como nos propõe uma nova forma de viver.
Hinduísmo Raízes O Hinduísmo porta uma visão do mundo completamente diferente da ocidental. Seu conceito de História é cíclico. O mundo se move em ciclos que se perpetuam eternamente, não ao longo de uma linha com início, meio e fim - é o eterno retorno.
É uma religião pobremente estruturada, sem sacerdotes ou instituições como igrejas. É mais um complexo de crenças que se desenvolveram desde a escrita de seus livros mais antigos e sagrados, os Vedas. Os hindus veneram literalmente milhões de deuses.
thumb|esquerda|Brahma
O Hinduísmo é uma religião com cerca de oitocentos milhões de seguidores, quase todos na Índia. Sua origem, possivelmente, remonta a 3.500 anos atrás, quando arianos vieram do noroeste para o vale do Indo. A base religiosa desse povo provavelmente era babilônica. Antes de sua chegada, os habitantes do local veneravam principalmente uma divindade feminina (deusa-mãe).
Escritos sagrados Os primeiros escritos sagrados, os Vedas, foram completados por volta de 900 A.C. e depois complementados por escritos secundários, os Brâmanas e os Upanichades. Os primeiros foram escritos a partir de 300 A.C. e versam sobre ritos e sacrifícios. Os segundos, também conhecidos como Vedanta, foram escritos entre 600 e 300 A.C. e contêm a essência da filosofia hindu, tais como os conceitos de samsara (transmigração das almas) e carma (a lei de ação e reação). Outro conjunto de escritos são os Puranas, que são mitos sobre deuses e heróis, dentre os quais estão as epopeias de Ramaiana e Mahabharata.
Dentro do Mahabharata, encontra-se o Bagavad-Gitã, o ensinamento supremo sobre moralidade para os hindus. Trata-se de uma conversa, em campo de batalha, entre um mestre e seu discípulo, os quais representam a divindade e o homem, ou seja, é um ensinamento que provém de Deus - a ciência da autorrealização. Os Puranas, ao contrário dos livros anteriores, foram escritos por homens, ainda que sob inspiração divina. Os livros mais sagrados, como os Vedas, foram escritos diretamente por Deus.
Princípios e conceitos Um dos preceitos básicos do Hinduísmo é a doutrina de ainsa, que consiste em um extremo respeito pela Natureza. Daí provêm os hábitos de não matar animais e o culto a vacas e macacos. Os seguidores mais rigorosos desse preceito são os adeptos do Jainismo, que usam máscaras para não engolirem acidentalmente insetos. Ainsa também se interpreta como não-violência e foi a base filosófica de Mahatma Gandhi em sua campanha pela liberdade da Índia.
O aspeto mais conhecido do Hinduísmo é sem dúvida a divisão da sociedade em castas. Esse sistema é o varna e impõe ao homem aceitar sem restrições a classe social em que nasceu e que faz parte de seu carma. As castas, cuja origem é mitológica, são estas: os brâmanes ou sacerdotes; os governantes e guerreiros; os mercadores e lavradores; os trabalhadores.
Durante certo tempo, houve classes ainda mais baixas como os párias e os intocáveis. A "intocabilidade" é ilegal na Índia desde 1948. Uma vez que varna significa "cor", é um sistema de segregação racial, com os arianos brancos ocupando o topo da pirâmide social e os de pele mais escura a base desta.
O carma é o conceito de que as ações em uma vida influenciam as vidas seguintes no ciclo de reencarnações. Dessa forma, cada homem faz seu destino e dele não pode se furtar. O carma está ligado ao conceito de uma alma imortal que transmigra de um corpo para outro (às vezes renascendo como animal) e que deve se purificar através de sua peregrinação pela Terra até se unir à Suprema Realidade, que é conhecida como Brahman. Essa libertação da reencarnação é a mocsa e depende de uma fidelidade aos princípios hindus (o caminho da libertação consiste nos quatro iogas). Uma vez liberta, a alma se torna parte do grande todo cósmico de onde ela emanou - como uma gota voltando ao oceano.
Deuses