miniaturadaimagem|Trecho da Epístola de Tiago no Minúsculo 319. Antilegomena (), são os escritos cristãos que são "disputados" ou, literalmente, as obras em que há alguém que "falou contra". Este grupo é distinto dos notha ("espúrios ou "rejeitados") e se opõe aos "Homologoumena" ("escritos aceitos", como os Evangelhos canônicos).
Os antilegomena ou escritos sob disputa foram amplamente lidos no Cristianismo primitivo e incluem obras muito conhecidas como a Epístola de Tiago, a Epístola de Judas, Segunda Epístola de Pedro, a Segunda e Terceira Epístola de João, o Apocalipse, o Evangelho dos Hebreus, os Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, a Epístola de Barnabé e o Didaquê.
Terminologia Em muitas línguas e tradições, o termo homologoumena é considerado uma alternativa viável aos termos dogmáticos protocanônico e deuterocanônico, com a única exceção sendo os livros que não estão hoje presentes em nenhum dos cânones cristãos da Bíblia. Assim, em várias tradições pelo mundo, os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento também são conhecidos como "Antilegomena do Antigo Testamento", por exemplo.
Eusébio de Cesareia O primeiro grande historiador eclesiástico, Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica (iii 25.3-5), aplicou o termo antilegomena às obras sob disputa da igreja antiga.
A Epístola aos Hebreus está também listada em um capítulo anterior (iii 3.3):
O Codex Sinaiticus, um manuscrito do século IV d.C. e possivelmente uma das Cinquenta Bíblias de Constantino, inclui o Pastor de Hermas e a Epístola de Barnabé. A Peshitta original (cuja porção do Novo Testamento é do século V d.C.) exclui II e III João, II Pedro, Judas e o Apocalipse, ainda que algumas edições modernas (como a Peshitta de Lee de 1823) já os inclua.
Reforma Durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero levantou o assunto dos antilegomena entre os Padres da IgrejaLutheran Cyclopedia: Canon: "6: Durante toda a Idade Média não houve dúvida sobre o caráter divino de qualquer livro do Novo Testamento. Lutero novamente apontou a diferença entre homologoumena e antilegomena* (seguido por M. Chemnitz* e M. Flacius*). Os dogmáticos posteriores deixaram esta distinção novamente retroceder. Ao invés de antilegomena, eles usam o termo deuterocanônico. Racionalistas usam o termo cânon no sentido de lista. Os luternos dos Estados Unidos seguiram Lutero e defendem que a distinção entre homologoumena e antilegomena não deve ser suprimida. Mas é preciso ter cautela para não exagerar a distinção.". Como ele questionou Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, este livros são por vezes conhecidos como "Antilegomenas de Lutero".Luther's Antilegomena at bible-researcher.com
F. C. Baur utilizou o termo em sua classificação das Epístolas paulinas, classificando Romanos, I e II Coríntios e Gálatas como homologoumena; Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses e Filemon como antilegomena; e as Epístolas Pastorais como "notha" (escritos espúrios).
No uso corrente luterano, antilegomena descreve os livros do Novo Testamento que tem uma posição dúbia no cânon. Atualmente são as epístolas de Tiago e Judas, II Pedro, II e III João, o Apocalipse de João e a Epístola aos Hebreus.
Bíblia Hebraica
O termo também se aplica a alguns livros da Bíblia hebraicaKnox Theological Seminary : "A alegoria de Salomão foi relegada aos antilegomena por que mesmo o antropomorfismo de Deus esposando a si mesmo como povo, uma vez mais refletindo a imaginação humorística, foi considerado muito ousado e corajoso". : "Todos os livros do Antigo Testamento hebraico são citados no Novo, com exceção dos que foram corretamente chamados de antilegomena do Antigo Testamento, como Ester, Eclesiastes e Cânticos.". Há registros na Mishná de controvérsias em alguns círculos judeus durante o século II d.C. sobre o status de livros como o Cântico dos Cânticos, Eclesiastes e Ester. Algumas dúvidas foram proferidas sobre Provérbios durante este período também. A Gemara nota que o livro de Ezequiel também foi questionado em relação à sua autoridade até que as objeções foram resolvidas em 66 d.C.. Além disso, durante o século I a.C., os discípulos de Shammai contestaram a canonicidade de Eclesiastes por conta de seu pessimismo, enquanto que a escola de Hillel a defendeu, tão vigorosamente quanto. No concílio de Jamnia (ca. 90 d.C.) houve ainda mais disputas.
Ligações externas
Christian Cyclopedia: Antilegomena Encyclopedia Britannica: Antilegomena The Witness of History for Scripture (Homologoumena and Antilegomena) por Franz August Otto Pieper Presentation of Lutheran position: The Canon—What Is The Import Of The Distinction Between The Canonical And Deuterocanonical (Antilegomena) Books? por Gary P. Baumler Luther's Antilegomena em bible-researcher.com : Andreas Carlstadt "pesou a evidência histórica, discriminou entre três ordens de livro como primeira, segunda e terceira dignidade, colocando a hagiographa do Antigo Testamento e sete antilegomena do Novo Testamento na terceira ordem, e expressou dúvidas sobre a autoria mosaica do Pentateuco. Ele baseou suas objeções ao antilegomena não em critérios dogmáticos, como Lutero, mas na necessidade de testemunho histórico; sua oposição ao cânon tradicional era também tradicional; ele colocou os ante-nicenos contra os pós-nicenos. Este livro sobre o cânon, porém, era rude e prematuro e passou despercebido." : "Mesmo uns poucos estudiosos católicos do tipo renascentista, principalmente Erasmo e Thomas Cajetan, lançaram dúvidas sobre a canonicidade dos antilegomena acima mencionados".
Bibliografia The Canon Debate, McDonald & Sanders editors, 2002, chapter 23: The New Testament Canon of Eusebius'' by Everett R. Kalin, pages 386-404
Categoria:Termos cristãos Categoria:Luteranismo Categoria:Desenvolvimento do cânone da Bíblia Categoria:Epístolas Universais