thumb |489x489px|A evolução e expansão geográfica dos homíninios de Denisova comparadas a outros grupos O hominínio de Denisova é um grupo arcaico de homínideos descoberto em 2008 na caverna de Denisova, localizada no sudeste da Sibéria. Uma única outra evidência de DNA desse grupo foi identificada fora de Denisova, na caverna Baishiya Karst no Tibete.

O material encontrado em 2008, um fragmento da falange distal de uma fêmea jovem, teve o seu DNA mitocondrial extraído e sequenciado, revelando que ele não era compatível ao de homens de Neandertal e humanos modernos, sendo identificado em março de 2010 como pertencente a um tipo desconhecido de hominínio arcaico extinto. Estudos indicam que este novo grupo de Homo viveu durante a última Era do Gelo, em áreas onde também viviam homens de Neanderthal e Homo sapiens sapiens..

A análise do mtDNA indica a existência de um antepassado comum entre o hominínio de Denisova, o Homo sapiens sapiens e o homem de Neanderthal que poderá ter vivido há aproximadamente um milhão de anos.. Com posteriores análises de DNA nuclear da espécie e DNA mitocondrial conclui-se que este hominínio surgiu a uma posterior migração de um integrante do gênero para África, já em solo Eurásiano. As estimativas sugerem a separação entre esse e os táxons de humanos modernos e Neandertais ocorrendo entre 553 mil e 589 mil anos, enquanto os Neandertais e Denisovanos se ramificaram há cerca de 381 mil anos.The complete genome sequence of a Neanderthal from the Altai Mountains - http://www.nature.com/nature/journal/v505/n7481/full/nature12886.html Acessado em 6 de agosto de 2014.

Na análise genética comparativa, foram observados diversos eventos de fluxo genético entre os Neandertais, Denisovanos e os humanos anatomicamente modernos, de modo que alguns estudos sugerem a possibilidade de que os Denisovanos, assim como os Neandertais, provavelmente não foram extintos, e sim cruzados com outras populações de hominídeos. Apresentando heranças genéticas que podem ser encontradas em populações humana atuais, principalmente nas ilhas do sudeste da Ásia e na Oceania, mas também em algumas populações da Ásia e das Américas.

Descoberta A Caverna Denisova está localizada no sudoeste da Sibéria, nas montanhas de Altai, perto da fronteira com a China e a Mongólia. Leva o nome de São Dinis (Dionisii), um eremita russo que lá morava no século XVIII. O fóssil coletado que identificou esse grupo foi um fragmento de falange distal de uma fêmea jovem identificado inicialmente como Neanderthal, escavado junto de diversos artefatos e ferramentas em um substrato datado de 30 a 50 mil anos. A Caverna apresenta uma grande quantidade de vestígios arqueológicos, sejam artefatos líticos, seja fósseis de humanos arcaicos. Não somente Denisovanos, mas também outros hominínios já foram encontrados.

A equipe de cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, Alemanha sequenciou o DNA mitocondrial (mtDNA) extraído do fragmento da falange por meio DNA sedimentar encontrado na caverna de Denisova, nos montes Altai da Sibéria, em um estrato datado de 30 a 50 mil anos antes do presente e também comparou este com mtDNAs de Neanderthal e de homens modernos. As análises comparativas com Homo sapiens sapiens e Neandertais e constatou o grupo como não tendo sido identificado previamente, além de o hominínio de Denisova ter sido o primeiro grupo de hominídeos identificado através de dados de genética molecular.

Novos estudos e descobertas Até o ano de 2019, o registro fóssil dos Denisovanos estava restrito a um fragmento de falange, três dentes e um fragmento de crânio, todos escavados da Caverna de Denisova. A descoberta e análise molecular de um fragmento do osso da mandíbula na Caverna Baishiya Karst, no Tibete, a 2800 km da Sibéria, revelou o único registro encontrado desse hominíneo fora da caverna onde foi encontrado originalmente. O fragmento estudado revelou que a presença desses indivíduos na região pode ser traçada entre há 100 mil e 60 mil anos, com ainda a possibilidade de estarem na região há 45 mil anos.

Uma outra escavação, realizada em 2016 na região de Sima de los Huesos, Espanha, descobriu diversos hominíneos datados para cerca de há 430.000 anos e entre esses indivíduos foi recuperada um genoma mitocondrial relacionado aos Denisovianos. Esse fato é curioso devido a ser observado que os outros indivíduos da mesma escavação apresentavam diversas semelhanças morfológicas e moleculares com os Neandertais e não se sabe como um desses indivíduos encontrados em solo espanhol estava relacionado aos Denisovianos que habitavam as regiões da Ásia.

Além disso, em 2021, um novo estudo de DNA sedimentar revelou a descoberta de 12 hominínos na caverna de Denisova, incluindo Denisovanos, Neandertais e ainda uma criança de Denisovano e Neandertal, e constatou a possibilidade da caverna de Denisova como uma área de contato entre esses dois grupos distintos de hominíneos. Os primeiros indivíduos identificados eram Denisovanos do périodo Paleolítico Médio, datados para há entre 250 mil e 170 mil anos, com indivíduos Neandertais sendo identificados simultaneamente a eles durante o fim desse período. Por meio de estudos moleculares foi detectada um evento de renovação no mtDNA sedimentar dos Denisovanos que coincide com as mudanças na composição do mtDNA da fauna que ocorreram nesse período nesse período. Existem então evidências de diversos grupos tanto de Denisovanos quanto de Neandertais ocuparam o local da caverna de Denisova repetidamente ao longo do Paleolítico Médio e até o início do Paleolítico Superior. Isso possibilita a existência de contato entre esses grupos e grupos de humanos modernos, visto que o mtDNA humano moderno é registrado pela primeira vez nos sedimentos com datação para há 45 mil anos, durante o Paleolítico Superior Inicial.

Intercruzamento As análises genéticas indicam que houve complexos eventos de mistura e hibridização entre os diferentes tipos de Homo. Devida a presença prolongada e disseminada na Ásia, os Denisovanos trocaram material genético não só com Neadertais, mas também com ancestrais de humanos modernos. Com isso, os caracteres genéticos das populações de ascendência asiática possuem relação direta com eventos reprodutivos entre essas populações, garantindo impressões genéticas nas gerações futuras das diferentes linhagens. Entretanto, tais impressões são mais fortes no sudeste asiático insular do que na maior parte da Ásia terrena. Os genes tanto de Denisovanos quanto de Neandertais estão presentes em muitas pessoas atualmente, sendo que os dados inferem que a maioria dos indivíduos de ascendência asiática possuem em seu material genético maiores quantidades de DNA Denisovano. Além disso, observa-se um um aumento percentual nas populações da Melanésia, cujos genomas são compostos por até 6% de material genético proveniente desse grupo. Acredita-se que os ancestrais das populações melanésias modernas se encontraram e acasalaram com esses antigos indivíduos a caminho de sua ilha.

Um fragmento ósseo desenterrado em uma caverna no vale de Denisova, na Rússia, em 2012, indica uma parentalidade composta por uma mãe Neandertal e  pai Denisovano. O fóssil pertencia a um indivíduo do sexo feminino, apelidada de Denny, que tinha cerca de 13 anos de idade e viveu há cerca de 90 mil anos. Os estudos foram lideradas por Svante Paabo e Viviane Slon, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha. Essa evidência reforça a ocorrência de cruzamentos entre as duas espécies.

Algumas evidências inferem que povos arcaicos trouxeram contribuições para os alelos que codificam proteínas feitas pelo sistema antígeno leucocitário humano (HLA) que atua no auxílio ao sistema imunológico no reconhecimento de patógenos. Os pesquisadores propõem que algumas variantes da HLA foram herdadas na região da Ásia, provenientes dos cruzamentos entre Neandertais, Denisovanos e humanos modernos.

Uma comparação detalhada dos genomas humanos, Denisovanos e Neandertais revelou provas de uma complexa teia de cruzamentos entre as linhagens. Através de tais cruzamentos, 17% do genoma do DNA de Denisova representa a população neandertalense local, enquanto que a evidência foi encontrada também de um contributo para o genoma nuclear de uma linhagem antiga de Homíninio ainda a ser identificado, talvez a fonte do mtDNA atipicamente antigo.

Já quanto aos cruzamentos com humanos anatomicamente modernos, sugere-se que tais cruzamentos ocorreram no intervalo compreendido entre há 80000 e 50000 anos e geraram híbridos férteis. Algumas das introgressões denisovanas no genoma humano podem ter exercido algum papel adaptativo nas populações de humanos modernos como demonstram estudos recentes. Zhang e colaboradores descobriram um exemplo de introgressão adaptativa determinado por estudos de quantificação de DNA denisovano em humanos. Em 2014 pesquisadores estudaram os povos Xerpas, conhecidos por suas habilidades na escalada de montanhas, e descobriram uma variante do gene EPAS1 que regula a resposta à hipoxia herdada dos denisovanos, atribuindo às populações xerpas uma maior facilidade na respiração em grandes altitudes

Algumas evidências inferem que povos arcaicos trouxeram contribuições para os alelos que codificam proteínas feitas pelo sistema antígeno leucocitário humano (HLA) que atua no auxílio ao sistema imunológico no reconhecimento de patógenos. Os pesquisadores propõem que algumas variantes da HLA foram herdadas na região da Ásia, provenientes dos cruzamentos entre Neandertais, Denisovanos e humanos modernos.

O DNA dos Denisovanos sugere que eles viviam na Sibéria e eram geneticamente mais diversos do que Neandertais de algumas regiões da europa, embora menos que os humanos modernos.Mysterious Group of Extinct Humans Was More Diverse than Neandertals Por Charles Q. Choi (e LiveScience) publicado pela "ScientificAmerican" em novembro de 2015

Gene EPAS1 Como a evidência fóssil disponível para esse grupo é pequena, uma maneira de estudar os Denisovanos é pelos seus resquícios no DNA de humanos modernos, uma vez que ocorreram eventos de introgressão genômica. A população atual do Tibete é bastante estudada para esse objetivo, devido ao fato de fósseis denisovanos terem sido encontrados nessa região, indicando que esses hominínios eram adaptados às elevadas altitudes e baixos níveis de oxigênio característicos do planalto tibetano.

O gene EPAS1 (do inglês, Endothelial Pas Domain Protein 1), associado à via de resposta à hipóxia, apresenta fortes assinaturas de introgressão genética de denisovanos em populações atuais do Tibete. Contudo, esse haplótipo do EPAS1 não é encontrado em outras populações, que inclusive apresentam maior grau de introgressão de Denisovanos que os tibetanos. Provavelmente, isso se deve à falta dessa variante nos ancestrais comuns que popularam essas regiões, tendo sida adquirida posteriormente pela população que habitava o Tibete, ou pela perda dessa variante por deriva genética, devido à ausência de pressão seletiva fora de ambientes com altitude elevadas.

Um estudo de 2021 mostrou que o evento de introgressão que introduziu esse haplótipo benéfico na população ocorreu há cerca de 48 mil anos, sendo que a seleção natural para esse gene começou há aproximadamente 9 mil anos.

Distribuição Os Denisovanos foram hominínios que habitaram a Terra entre o Paleolítico médio e o Paleolítico superior, por volta de há 200 mil anos; embora uma cronologia precisa seja difícil de se estabelecer, as evidências genéticas atestam para uma existências mais antiga da espécie. A denominação deste grupo deve-se ao local em que foram encontradas suas evidências fósseis, a caverna de Denisova, em Altai na Sibéria.