Os povos caetés são uma nação indígena pertencente ao tronco linguístico da língua tupi antiga. Estão correlacionados aos grupos Tupinambá que habitavam o litoral brasileiro. Os povos caetés possuem como território tradicional desde o Canal de Santa Cruz, na ilha de Itamaracá até a foz do rio São Francisco. No século XVI eram 75.000 indivíduos. A área que habitavam era limitada ao norte pelas terras dos potiguaras e, ao sul, pelas dos tupinambás. Aliaram-se aos comerciantes franceses que percorriam o litoral brasileiro no século XVI,Os índios caetés: Primeiros habitantes de São Miguel dos Campos. Disponível em http://www.escritoresalagoanos.com.br/texto/2540. Acesso em 2 de setembro de 2012. tornando-se, então, inimigos dos portugueses. Os caetés foram condenados ao extermínio e foram escravizados pelos portugueses e utilizados como mão de obra no plantio da cana-de-açúcar. Após a Guerra dos Caetés, muitos fugiram e outros se adaptaram ao modo de vida do colonizador, sendo considerados extintos, porém, o colonizador apagou historicamente os Caetés enquanto nação, mas muito sobreviveram e deixaram descendentes. Segundo as fontes citadas, muitos fugiram e outros se adaptaram as imposições do colonizador.

Devido às perseguições que sofreram em suas terras. Na faixa do território histórico onde os povos da etnia Caeté viveram, como, por exemplo, os territórios de São Miguel dos Campos, Jequiá, e Coruripe, em AL, ou Itapissuma, Igarassu, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Barreiros, em PE, podemos verificar que componentes das práticas indígenas ainda estão vivas, sendo seus descendentes, em sua maioria, pessoas multirraciais por causa do processo de mestiçagem e colonização. Todavia, em muitas cidades e povoados os hábitos ligados a proteção da terra, a coexistência com os ambientes marinhos e estuarinos, e modos de vida comunitários resistem.

Etimologia "Caeté" é originário do termo tupi antigo ka'aeté, que significa "mata verdadeira, mata virgem, que nunca foi roçada" (ka'a, mata + eté, verdadeira).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 550.

Produção, hábitos e cultivos

No ambiente da Mata Atlântica e do Oceano Atlântico que a circunda, os caetés eram exímios pescadores e caçadores. Na pesca, utilizavam redes, anzóis e arpões feitos de ossos. Na caça, faziam uso de arcos, flechas, e arapucas, capturando pássaros e mamíferos. Consumiam peixes e carnes assados sobre brasa ou moqueados.

Eram e permanecem (seus descendentes) navegadores de canoas costeiras, sendo considerados, portanto, antigos paranãyguaras, isto é, habitantes da costa litorânea, Historicamente, construiam jangadas com um junco chamado periperi. Teciam redes de dormir, entalhavam gamelas, e cabaças que usavam como prato e copos. Fabricavam cestas de palha de bananeiras e de palmeiras e também utensílios e panelas de barro.

Eram agricultores, cultivando milho, feijão, fumo e mandioca. Comiam também frutas e outras raízes como a batata e o cará.

Antropofagia e genocídio miniaturadaimagem|Ataque dos índios caetés à vila de Igarassu em Pernambuco, 1549. Gravura de Theodor de Bry no livro Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden. Os indígenas desta comunidade, praticavam a antropofagia ritual, e foram acusados de haverem consumido o primeiro bispo do Brasil, dom Pero Fernandes Sardinha, junto com o donatário do Siará Grande (Ceará) Antônio Cardoso de Barros, cujo navio em que regressava a Portugal naufragou nas costas da foz do rio Coruripe, no atual estado Alagoas, junto a outros cem náufragos. O evento ocorreu em 1556.

Em sua época, o incidente provocou a ira da Igreja Católica e da Inquisição. Em 1562, depois de serem acusados de devorar o bispo, foram considerados "inimigos da civilização" e, com o aval da Igreja Católica, se tornaram alvos de implacável perseguição pelo governador português Mem de Sá, que determinou que fossem "escravizados todos, sem exceção".BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19. Como consequência, existe a narrativa de que os caetés foram exterminados. No entanto, fontes recentes trazem a narrativa de que muitos fugiram e outros se adaptaram ao colonizador dentro dos territórios, o que demonstra que existem descendentes, apesar do genocídio. Os indígenas Caetés não foram extintos em sua totalidade, apenas houve o apagamento histórico enquanto nação, processo que está sendo transformado a partir das retomadas étnicas de vários descendentes considerados pardos, mestiços sou caboclos.

Pesquisas recentes colocam em dúvida se o bispo Pero Sardinha teria mesmo sido devorado pelos indígenas, já que os relatos são todos marcados pela intenção de condenar os caetés e torná-los sujeitos à escravização.

O verdadeiro motivo da morte do primeiro bispo do Brasil poderia ter sido a vingança do governador-geral, Duarte da Costa, e de seu filho Álvaro da Costa, que poderiam ter tramado tal crime e incriminado os caetés. Álvaro da Costa, homem violento, que usava da força para intimidar principalmente os indígenas, era conhecido por relacionar-se sexualmente com as indígenas de maneira forçada. Durante um de seus sermões, o bispo Sardinha teria condenado as ações de Álvaro da Costa, o que resultou no início de um conflito entre o bispo e o governador-geral.PINTO, Tales. Bispo Sardinha e a antropofagia. São Paulo. 2005.

Legado

Em 2018, os botânicos brasileiros James L. Costa-Lima e Earl Celestino de Oliveira homenagearam os indígenas do povo dos caetés ao batizarem uma nova espécie de planta. A espécie em questão foi nomeada Eugenia anthropophaga e pertence à família das mirtáceas, a mesma família botânica à qual pertencem a goiabeira e pitangueira. O nome específico cunhado pelos autores, derivado do grego anthropos ("homem") e phagein ("comer"), faz referência às práticas antropofágicas pelas quais os caetés ficaram amplamente conhecidos. Esta espécie vegetal ocorre em áreas de Mata Atlântica na costa do estado de Alagoas, distribuição geográfica em parte similar à dos Caetés no passado.

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