Soneto 4 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare.
Sinopse O soneto 4 pertence à sequência Fair Youth. É um dos dezessete que abordam temas de ter filhos, imortalidade e beleza.
O Fair Youth é o ouvinte pretendido e o assunto da vasta maioria dos sonetos de Shakespeare. Sua identidade nunca foi confirmada, nem a natureza do relacionamento pessoal de Shakespeare com essa pessoa.
O poeta novamente descreve o belo jovem como um personagem bastante egoísta neste poema, sugerindo que a natureza lhe emprestou essa beleza que ele deve transmitir.
A obsessão que o poeta apresenta com o belo jovem procriando é prevalente nos primeiros sonetos. Neste soneto 4 o poeta também se preocupa com o legado do belo jovem e procura convencê-lo de manter a descendência de sua beleza.
Análise Como os demais sonetos, este foi construído em pentâmetro iâmbico, usando o esquema estrófico do soneto inglês (3 quartetos e um dístico, com rimas alternadas nos quartetos e única rima no dístico).
Traduções Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta A tradutora não se prendeu ao fazer poético do autor, sem esquema estrófico ou rímico, fazendo uma tradução livre. Doçura pródiga, por que gastas Contigo mesma o legado de tua beleza? A herança da natureza nada dá, porém cede, E, sendo franca, empresta a quem for livre; Depois, bela e tola, por que abusas Da abundância que te é dada a ofertar? Usurária sem proveito, por que usas Um valor tão grande e, mesmo assim, não vives? Lidando apenas contigo mesma, Tu, a ti mesma, teu doce ser enganas; Então, como, quando a natureza te chama para que vás, Que espólios aceitáveis deixarás? Tua beleza intocada contigo deve ser enterrada, Pois, ao ser usada, tornar-te-á sua executada.
Tradução de Milton Lins O tradutor procurou manter o esquema estrófico e rímico do autor, fazendo-o em decassílabos, perseguindo o pentâmetro iâmbico original. Estróina encantador, como é que gastas De ti mesmo o legado da beleza? Vigor da natureza, só desgastas, E aos livres ela empresta, com franqueza.
Belo avarento, então, por que o abuso, O teu desprendimento em conceder? Agiota sem razão, para que o uso De somas e mais somas sem viver?
Nas tuas transações, a cada passo, A ti primeiro tentas enganar, Como será no dia do trespasso, Que auditoria poderás deixar?
Terá tua beleza um fim atroz, Será herdada pelo teu algoz.SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
Tradução de José Arantes Júnior Como nos demais sonetos vertidos por este tradutor, foram mantidos os esquemas estrófico e rímico originais, porém o ritmo não foi mantido, pois o tradutor se ateve à forma plástica, fazendo todos os versos com 36 caracteres. Deu-lhe, de acréscimo, um título. A execução do executor Graça malfadada, por que gastas além Do real legado de tua beleza pessoal? A natureza não doa, mas ajuda alguém Que queira criar a liberdade natural,
Vaidoso avarento, por que abusas até Do benefício que te é dado para doar? Usurário, por que exploras com má fé A vil soma das somas sem se importar?
Só contigo mesmo fizeste vivo acordo A ti mesmo deves essa dócil decepção, Se a natureza encerra esse ato gordo Que contas ainda aceitáveis restarão?
Sem uso do bem esse belo viu a morte, E costumava ser um executor da sorte.Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
Categoria:Sonetos de William Shakespeare