O CitySpire é um arranha-céu de uso misto localizado no bairro de Midtown Manhattan da cidade de Nova Iorque, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos. Foi projetado pela firma de arquitetura Murphy/Jahn e sua construção começou em 1985, sendo inaugurado em 1987. O edifício tem 248 metros de altura com uma área de 77 mil metros quadrados espalhados por 73 andares. O CitySpire foi desenvolvido pelo incorporador Ian Bruce Eichner em um terreno adjacente ao New York City Center. Era a segunda torre de concreto mais alta dos Estados Unidos na época que foi finalizada, atrás apenas da Sears Tower em Chicago.
O edifício foi proposto por Eichner em 1984 depois de ter adquirido os direitos aéreos do City Center e feito aprimoramentos ao teatro para duplicar a área da torre. A construção começou no ano seguinte e o edifício chegou ao topo em junho de 1987. Uma controvérsia surgiu por o CitySpire ter excedido sua altura aprovada em três ou quatro metros, com Eichner concordando em adicionar um estúdio de dança para compensar a altura extra, porém este espaço nunca foi construído. A construção foi terminada em 1990 e no ano seguinte o prédio entrou em execução hipotecária. Desde então o edifício já passou por vários proprietários.
O CitySpire possui uma planta baixa octogonal e no seu ápice há um domo cujo projeto foi inspirado no vizinho City Center. A fachada é feita de pedra com janelas de vidro, existindo recuos no 23º, 46º e 52º andares. A entrada principal fica na Rua 56, porém também há uma entrada na Rua 55, com as duas estando conectadas para formar uma passagem aberta ao público. Os primeiros 22 ou 23 andares são para uso comercial, com os restantes sendo ocupados por apartamentos de luxo, que são maiores nos andares superiores. A cobertura abrange três andares. Há também um andar mecânico e dois níveis de subsolo.
Local O CitySpire está localizado no número 150 da Rua 56 Oeste, entre a Sexta Avenida e Sétima Avenida, três quarteirões ao sul do Central Park no bairro de Midtown Manhattan em Nova Iorque, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos. O terreno do edifício tem uma área total de metros quadrados e 225,5 metros de comprimento na Rua 56. Tem 61 metros de profundidade estendendo-se ao sul em direção da Rua 55, porém apenas uma pequena seção realmente chega na Rua 55.
O prédio está diretamente ao oeste do New York City Center e do 125 West 55th Street. Ao norte estão o Carnegie Hall, a Carnegie Hall Tower, o Russian Tea Room e a Metropolitan Tower. Outros edifícios próximos incluem o 140 West 57th Street, o 130 West 57th Street e o Thompson Central Park New York Hotel ao nordeste, bem como o 1345 Avenue of the Americas ao sudeste.
O bairro historicamente fazia parte de um eixo artístico ao redor de uma seção de dois quarteirões da Rua 57 Oeste entre a Sexta Avenida e a Broadway. O eixo se desenvolveu entre o final do século XIX e início do século XX, após a inauguração do Carnegie Hall na Sétima Avenida em 1891. Vários edifícios na área foram construídos como residências para artistas e músicos, como o 130 e 140 West 57th Street, o Rodin Studios e o The Osborne, bem como os já demolidos Sherwood Studio Building e The Rembrandt. Além disso, a área abrigava as sedes de organizações como a Sociedade Americana de Belas Artes, o Clube Lotos e a Sociedade Americana de Engenheiros Civis. O eixo artístico foi praticamente todo substituído no século XXI pela Ala dos Bilionários, uma série de arranha-céus residenciais de luxo próximos da extremidade sul do Central Park. O local onde hoje está o CitySpire era ocupado por seis lotes vazios entre os números 132–158 da Rua 56 Oeste e um no número 137 da Rua 55 Oeste. Estes lotes foram adquiridos na década de 1970 por Richard M. Chapman, que demoliu as construções que existiam ali.
História O New York City Center foi inaugurado em 1924 como o Templo Mecca, uma casa de adoração para os Shriners. O edifício foi adquirido pelo governo municipal em 1943 e transformado em um teatro. O City Center passou em 1982 por uma pequena renovação no saguão e espço da orquestra. Outros melhoramentos foram planejados para ampliar o palco, armazenamento e áreas de varanda. A Comissão de Preservação de Marcos Históricos de Nova Iorque designou o City Center como um marco da cidade em 1983; consequentemente, qualquer grandes alterações ao teatro precisavam da aprovação da comissão. Ao mesmo tempo, Ian Bruce Eichner comprou o terreno vizinho de Chapman por dezoito milhões de dólares. Ele também comprou um estacionamento, cujo dono só concordou em vender contanto que um estacionamento substituto fosse construído.
Desenvolvimento Planejamento thumb|esquerda|180px|O CitySpire visto da Rua 54 em agosto de 2021 Eichner anunciou em maio de 1984 que construiria no terreno um arranha-céu de 72 andares projetado pela firma Murphy/Jahn. O edifício teria 22 andares de escritórios e 49 residenciais. Teria um formato octogonal com recuos e um telhado em domo. Um elemento importante do empreendimento era a proposta de Eichner para comprar os direitos aéreos não utilizados acima do City Center. A expectativa era que a venda gerasse de dez a catorze milhões de dólares para a Ópera da Cidade de Nova Iorque, o Balé da Cidade de Nova Iorque e ao Teatro de Dança da Rua 55, este último um sublocatário do City Center. A proposta de venda dos direitos aéreos foi criticada tanto por seu baixo valor quanto pela fato de que permitiria um edifício excessivamente alto. A então chamada City Center Tower era um dos vários empreendimentos planejados para a área na época, com a Metropolitan Tower e a Carnegie Hall Tower também já tendo sido anunciadas.
A transferência dos direitos aéreos precisava da aprovação de várias agências municipais. O Conselho de Estimativas da Cidade de Nova Iorque votou em agosto a favor da venda. Uma audiência sobre a proposta estava programada para novembro na Comissão de Preservação de Marcos, porém uma controvérsia não relacionada sobre outro candidato a marco histórico tomou todo o tempo que tinha sido destinado para a discussão dos direitos aéreos. Um "certificado de adequação" foi concedido ao projeto pela comissão em janeiro de 1985, o que permitia que a comissão se candidatasse para uma permissão de zoneamento especial da Comissão de Planejamento da Cidade de Nova Iorque para a transferência dos direitos aéreos. Várias outras agências precisavam ainda aprovar o edifício em si. Alguns elementos da City Center Tower acabaram reduzidos por conta de objeções de membros do Conselho de Estimativas e Comissão de Planejamento. Esta última agência aprovou o projeto da torre em junho, enquanto o Conselho de Estimativas deu sua aprovação em agosto.
O edifício foi aprovado para uma altura de aproximadamente 240 metros. A City Center Tower seria o edifício residencial mais alto de Nova Iorque, porém Eichner chegou a falar que um estudo "provava" que a torre não projetaria sombras na rua. Ele descreveu o prédio como um "arranha-céu quintessencial de Nova Iorque", comparando-o com os edifícios de escritórios de vidro "sem distinção" nas Avenidas Madison e Park. Eichner recebeu 157,5 milhões de dólares em financiamento para a construção. Tanto Eichner quanto seu advogado Howard Horenstein doaram milhares de dólares ao prefeito Ed Koch, que votou a favor da torre. Essas doações foram investigadas em 1987.
Construção O derramamento de concreto já estava em andamento quando a City Center Tower foi aprovada pelo Conselho de Estimativas. O projeto passou a ser chamado de CitySpire em meados de 1986, quando o European American Bank arrendou oito dos andares de escritórios. A construção enfrentou várias controvérsias relacionadas com segurança. Susan Guszynski da Joffrey Ballet, uma das inquilinas do City Center, escreveu um carta ao Departamento de Edifícios da Cidade de Nova Iorque no final de 1986 alegando que três membros da equipe da Joffrey tinham sido atingidos por concreto despencado do prédio no espaço de uma semana de outubro. O Departamento de Edifícios depois disso recebeu outras quatro reclamações por queda de objetos, incluindo uma em que um pedaço da fachada caiu do telhado. Vizinhos também processaram o edifício afirmando que sua construção levou ao acúmulo de detritos e vários incidentes. Um vizinho afirmou que recebeu ameaças de morte depois de reclamar na polícia sobre janelas quebradas, enquanto outra foi suspostamente estuprada depois do agressor ter entrado em seu apartamento usando os andaimes do CitySpire.
Uma campanha de divulgação para as unidades residenciais começou em março de 1987, com propagandas na televisão estreladas por celebridades como Dick Cavett, Carol Channing, Lauren Hutton, Robert Joffrey, Lynn Redgrave e Tommy Tune. Mesmo assim, apenas sessenta de 340 apartamentos estavam vendidos em agosto. Esse número baixo de vendas foi atribuído a uma escassez de apartamentos pequenos, bem como a localização do CitySpire em um bairro tradicionalmente comercial. Reclamações também foram direcionadas para as propagandas por terem apenas pessoas brancas; o diretor da equipe de publicidade do edifício afirmou que estavam apenas mirando no público-alvo mais provável de comprar os apartamentos. Horenstein negou que as propagandas tinham a intenção de desencorajar minorias.
Controvérsias thumb|170px|O CitySpire visto da Rua 54 com a Oitava Avenida em novembro de 2009 O edifício chegou ao topo em meados de 1987. O CitySpire ultrapassou sua altura aprovada por 3,4 ou 4,3 metros. Uma diferença de 91 centímetros foi erro de cálculo de dois métodos diferentes de medir altura, mas o restante veio de uma decisão de Eichner de adicionar 51 milímetros de cimento às lajes de todos os andares com o objetivo de reforçá-las. A estrutura precisou passar por uma segunda revisão pública do Conselho de Estimativas, do Conselho Comunitário 5 de Manhattan e da Comissão de Planejamento. Eichner concordou em paralisar os trabalhos estruturais do prédio, porém considerou o excesso de altura como "de nenhuma consequência para ninguém". Eichner e autoridades discutiram em novembro um acordo em que Eichner daria mais dinheiro para as artes em troca de manter a altura adicional. Cento e sessenta e quatro apartamentos já tinham sido vendidos até o final de 1987, enquanto alguns dos espaços comerciais já estavam ocupados. Os preços residenciais do CitySpire permaneceram relativamente baixos desde a Segunda-feira Negra dois meses antes.
Autoridades do Conselho Comunitário 5 votaram contra permitir a altura adicional em protesto contra a lei de zoneamento. A Comissão de Planejamento também rejeitou a altura extra em dezembro, afirmando que Eichner poderia ter tentado outras opções, incluindo reduzir as alturas dos tetos, para ficar dentro do limite. Sylvia Deutsch, a presidente da comissão, rejeitou a oferta de Eichner de adicionar comodidades não relacionadas e pagar um adicional a cidade em dinheiro vivo, mas ela também rejeitou reclamações de vizinhos que eram contra o projeto por outros motivos não relacionados. A cidade e Eichner chegaram a um possível acordo em abril de 1988 em que o empreendedor concordaria em construir 670 metros quadrados de estúdios de dança acima da galeria de pedestres e reduzir alguns detalhes da fachada. O acordo dependia do domo não ser finalizado e ainda não tinha sido ratificado pela Comissão de Planejamento e Conselho de Estimativas. Deutsch disse que o acordo era "razoável", porém alguns grupos comunitários acharam que isso estabeleceria um precedente para incorporadores que excedessem seus limites de altura, com alguns membros da comissão se opondo especificamente ao projeto arquitetônico.