Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, também chamada de Linha da Paulista por percorrer a Avenida Paulista, é constituída pelo trecho compreendido entre as estações Vila Madalena e Vila Prudente.

História Projeto HMD Criado em 1966 pelo prefeito Faria Lima, o Grupo Executivo do Metropolitano (GEM) iniciou o projeto de implantação do metrô em São Paulo. O GEM realizou uma concorrência internacional com dez empresas para a elaboração do projeto do metrô. A proposta vencedora foi apresentada pelo consórcio alemão-brasileiro HMD, formado pelas empresas alemãs Hochtief e DeConsult e pela brasileira Montreal (que tinha entre seus acionistas o brigadeiro Eduardo Gomes).

O consórcio HMD apresentou o projeto de uma rede de 66 quilômetros composta por quatro linhas:

Azul ou Norte—Sul (Jabaquara—Santana e Ramal Moema) Vermelha ou Leste—Oeste (Casa Verde—Vila Maria) Verde ou Ramal Paulista (Vila Madalena—Paraíso) Amarela ou Sudoeste - Sudeste (Pinheiros—Via Anchieta, com ramal para Vila Bertioga).

Enquanto o projeto da Linha Norte—Sul (Azul) foi escolhido para sair do papel e teve suas obras iniciadas no final de 1968, a segunda linha escolhida inicialmente para sair do papel foi a do Ramal Paulista (Verde).

Linha PaulistaTrecho ExtensãoEstaçõesVila Madalena - Ana Rosa8,1 km10

O então prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz escolheu iniciar as obras do Ramal Paulista para realizá-las em conjunto com as obras de enterramento da Avenida Paulista. A construção dos projetos de forma concomitante permitiria que o custo das obras da Linha Paulista custasse 61 milhões de cruzeiros por quilômetro enquanto a Linha Norte—Sul custava 143 milhões de cruzeiros por quilômetro. O projeto previa a construção de uma linha de 4.5 quilômetros de extensão ligando a estação Araçá ao Paraíso. A previsão de inauguração era para meados de 1975. A construção da Nova Paulista despertou oposição dos deputados estaduais da Arena Caio Pompeu de Toledo e Wadih Helu.

Linha Paulista-Trecho PrioritárioTrecho ExtensãoEstaçõesTempo estimado de obrasAna Rosa - Araçá4,5 km8 2 anos

As obras da Linha Paulista foram iniciadas na estação Ana Rosa em 6 de agosto de 1973. Com o início das obras, um grupo de moradores e proprietários da Avenida Paulista tentou alterar o projeto do metrô. Sem sucesso, apelaram ao presidente Médici para que demitisse o prefeito Ferraz. Em 21 de agosto de 1973 o governador de São Paulo Laudo Natel demitiu o prefeito Figueiredo Ferraz.

Considerado por parte da imprensa, pela Sociedade de Amigos da Cidade e pelo novo prefeito nomeado Miguel Colasuonno um projeto faraônico, inútil e oneroso, o projeto Nova Paulista foi abandonado no final de 1973. Como consequência, as obras da Linha Paulista em Ana Rosa foram abandonadas e a Companhia do Metropolitano resolveu iniciar as obras da Linha Leste—Oeste em 1976.

EMTU-SP

No fim de 1978 correram boatos na imprensa sobre a retomada do projeto. Durante as comemorações do aniversário de dez anos do início das obras do metrô, o prefeito Olavo Setúbal descartou a construção da Linha Paulista por falta de recursos, preferindo priorizar a construção da Linha Leste—Oeste.

O governo do estado de São Paulo designou a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) para elaborar um novo projeto para a Linha Paulista. Os projetos foram apresentados em fevereiro de 1980. Apesar do desenvolvimento do projeto, o governo federal informou a São Paulo que não haveria mais investimento em novas linhas. Sem recursos federais, até mesmo as obras da Linha Leste-Oeste estavam ameaçadas de paralisação. Após uma negociação entre o governo federal e o de São Paulo, foi anunciado um investimento de 3 bilhões de cruzeiros para a Linha Leste-Oeste. Quanto ao projeto da Linha Paulista, o Ministro dos Transportes Eliseu Resende informou em maio de 1980 que não havia previsão de investimento nessa linha antes de 1982. Em 1982 o governador Paulo Maluf publicou decreto de desapropriação das áreas necessárias para a construção da Linha Paulista. Ainda assim as obras do trecho leste da Linha Leste-Oeste estavam atrasadas, apesar do repasse de 1, bilhão de cruzeiros para esse projeto.

Na gestão seguinte, de Franco Montoro, o governo federal cortou investimentos. Com isso, as obras da Linha Leste-Oeste atrasaram enquanto o projeto da Linha Paulista foi engavetado. A Companhia do Metropolitano estava com uma dívida de quatro bilhões de cruzeiros, inviabilizando qualquer projeto de expansão.

thumb|600px|center|Projeto da Linha Paulista elaborado pela EMTU-SP em 1980, reapresentado no Relatório da Administração da Companhia do Metropolitano de São Paulo para 1989

Obras e inauguração thumb|right|250px|Obras da estação Consolação, 1989 O governador Orestes Quércia iniciou as obras em 30 de novembro de 1987 com um grande comício. Apesar de negar ser candidato a presidente nas próximas eleições, a abertura das obras da Linha Paulista foi considerada um balão de ensaio para a promoção da futura candidatura (que acabou não ocorrendo).

A falta de recursos do metrô fez com que, em seis meses de obras, apenas a montagem de canteiros fosse realizada. O governo federal proibiu estados e municípios de contrair empréstimos em bancos de fomento nacionais e estrangeiros como forma de forçar uma renegociação e pagamento de dívidas. Essa medida atingiu em cheio o Metrô de São Paulo. Naquele momento a empresa havia lançado as obras:

Extensão Norte -Linha Norte - Sul - 3,5 km - 3 estações - US$ 250 milhões Extensão Leste - Linha Leste-Oeste - 5,5 km - 4 estações - US$ 200 milhões Linha Paulista - Linha Vila Madalena-Vila Prudente - 13 estações - US$ 1,4 bilhão

Naquele momento Quércia negociou um acordo com o presidente Sarney que em troca do abatimento da dívida pública paulista pela União, o governo paulista promoveria um corte de gastos de 25%.

Apesar de ser a mais cara, o acordo permitiu que a obra da Linha Paulista fosse mantida enquanto as extensões Leste e Norte acabaram paralisadas. Entre 1988 e 1990 quase a totalidade dos operários das obras da Extensão Leste foi transferida para as obras da Linha Paulista.

Parte do primeiro trecho (localizado sob a Avenida Paulista) foi construído por meio do método NATM, o que exigiu adaptações, por causa da complexidade de diversos trechos que corta. Uma delas foi em dois prédios na esquina das ruas do Paraíso e Maestro Cardim, que tiveram seus pontos de apoio alterados, com partes dos prédios ficando suspensas por placas de concreto e aço, sem que seus moradores percebessem. A linha passa ainda debaixo da torre da TV Cultura, localizada na Avenida Doutor Arnaldo, no Sumaré, o que exigiu na época da construção uma análise do projeto da antena, que levou a adaptações na planta do túnel. Como as fundações da torre tinham profundidade maior que a do túnel, suas hastes de aço foram afastadas, e elas passaram a "abraçar" o túnel.

Superfaturamento

Apesar de as obras terem sido iniciadas em 1987, os contratos com as construtoras foram assinados a partir de 1990 (sendo o caso mais grave o lote 4, iniciado em 1989, mas com o contrato assinado apenas em 1995). Os primeiros boatos sobre superfaturamento da obra surgiram em março de 1991 com a indicação do ex-presidente do Metrô Antonio Sérgio Fernandes para a Secretaria dos Transportes Metropolitanos pelo governo Fleury Filho. Então presidente da Companhia do Metropolitano, Fernandes acumulou um patrimônio estimado entre 500 milhões e 1 bilhão de cruzeiros em quatro anos enquanto as obras da Linha Paulista foram formalmente contratadas quase três anos após seu início e sofreram diversos reajustes. Com os boatos sobre a origem da fortuna de Fernandes, ele perdeu a indicação para a secretaria.

O início das obras sem contrato fez com que o acompanhamento das obras, por parte da Companhia do Metropolitano de São Paulo, fosse deficiente, e os custos das obras estouraram os limites de aditivos contratuais legais de 25%. Outro problema encontrado nos lotes 3 e 4 foram infiltrações, cuja análise para a resolução do problema foi contratada pelo Metrô junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) pelo valor de ,75 reais em dezembro de 2001 (cerca de dez anos depois da conclusão do lote 3 e menos de quatro anos após a conclusão do lote 4).

O custo das obras foi questionado pela imprensa. O jornal O Estado de S. Paulo em 26 de outubro de 1992 denunciou que as obras da Linha Paulista orçadas em 265 milhões de dólares (trecho Prioritário) custaram, na verdade, 660 milhões de dólares. Posteriormente na Eleição presidencial no Brasil em 1994 Quércia recebeu 9,7 milhões de reais em doações para sua candidatura a presidente, sendo 2,35 milhões de reais da construtora Andrade Gutierrez (que se tornou a maior doadora da campanha).

Em 1997, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo constatou o problema ao levantar os custos contratados das obras. Quatro contratos analisados foram considerados superfaturados, recebendo aditivos acima do limite legal de 25%, com a maior diferença no Lote 1 da construtora Andrade Gutierrez. Consequentemente todos os contratos foram julgados irregulares, em setembro, e os responsáveis foram multados em 200 UFESPs (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo).

Lote/contratoTrechoEmpresasCusto previstoCusto aferido pelo TCE-SP (ago. 1997)Diferença/aditivo1 / TC 61794/026/90 TC 951/026/91 TC 1529/026/92Paraíso e poço de ventilação Min. Rocha AzevedoAndrade GutierrezR$ 654 milhõesR$ 1,51 bilhão131%2 / TC 5331/026/91 TC 19035/026/90Estações Brigadeiro e TrianonCBPOR$ 329 milhõesR$ 750 milhões114%3 / TC 61793/026/90Poço de ventilação Min. Rocha Azevedo e Estação SumaréCamargo CorrêaR$ 1,16 bilhãoR$ 1,58 bilhão36%4 / TC 8170/026/95Estações Sumaré e Vila MadalenaConstranR$ 913 milhõesR$ 913 milhõesN/DTotal: 9,9 kmTotal: R$ 3,056 bilhõesTotal: R$ 4,723 bilhões

A linha foi inaugurada em 25 de janeiro de 1991, contando naquele momento com 2,9 quilômetros de extensão e quatro estações. Com esta linha, o Metrô passou a abranger um dos mais importantes eixos do centro expandido de São Paulo, com grande concentração de instituições financeiras, hospitais, escolas, hotéis, consulados, secretarias de Estado, emissoras de rádio e televisão, teatros e museus.

No ano seguinte, foram inauguradas as estações Ana Rosa e Clínicas, ampliando para 4,7 quilômetros. Em 1998, duas novas estações (Vila Madalena e Sumaré) foram concluídas, acrescentando mais 2,3 quilômetros ao trecho.

Obras do trecho Ana Rosa - Vila Prudente

Em julho de 1990 a Companhia do Metropolitano de São Paulo iniciou a concorrência para a contratação das obras do trecho Ana Rosa - Oratório da Linha Paulista. O custo estimado para o projeto era de 720 milhões de dólares, com uma extensão de 9, 2 quilômetros e nove estações. Com conclusão prevista para 36 meses, o novo trecho possuía previsão de transportar 960 mil passageiros por dia. A contratação das obras foi postergada por Quércia por conta de uma grave crise financeira ocorrida em sua gestão. Em janeiro de 1991, poucos dias antes de inaugurar pela quarta vez a Linha Paulista e com menos de dois meses para deixar o cargo, Quércia deixou de pagar o salário de dezembro e o décimo-terceiro dos cerca de setecentos mil funcionários do estado, com um custo estimado de 1 bilhão de dólares enquanto o estado estava com um déficit negativo de 20% no caixa do estado.

A contratação das obras da expansão Ana Rosa - Oratório só foi efetivada na gestão seguinte de Fleury Filho:

Lote/contratoTrechoEmpresasCusto previsto1 / TC 13829/026/91Poço Carlos Petit - EmbuaçuAndrade GutierrezCr$ 5.795.520.050,002 / TC 13830/026/91Embuaçu-OlindaCBPOCr$ 4.590.749.350,003 / TC 13829/026/91Olinda-NazaréCr$ 5.239.317.200,004 / TC 13833/026/91Nazaré -SacomãCamargo CorrêaCr$ 6.732.881.300,005 / TC 013834/026/91Pátio DelamareCr$ 6.853.823.350,006 / TC 13835/026/91Sacomã - TamanduateíMendes JúniorCr$ 2.412.512.300,007 /