Londrina é um município brasileiro localizado no estado do Paraná, na Região Sul do Brasil, com distância de 381 km da capital paranaense, Curitiba. É considerada pela CGU a cidade mais transparente do Paraná.
Conforme o IBGE, em 2025 estima-se que sua população seja de habitantes, sendo a segunda cidade mais populosa do estado e a quarta da região Sul, depois da capital estadual, Curitiba, de Porto Alegre e de Joinville. Importante polo de desenvolvimento estadual e regional, Londrina é um importante eixo que liga o Sul ao Sudeste do país, sendo um importante centro urbano, econômico, industrial, financeiro, administrativo e cultural do norte do Paraná.
Fundada em 10 de dezembro de 1934 através do Decreto Estadual nº 2519Plano Diretor Participativo de Londrina. 2008 Site Prefeitura de Londrina - acessado em setembro de 2018 com traçado urbanístico planejado pelo urbanista Jorge Macedo Vieira, seguindo o princípio de Ebenezer Howard de cidade-jardim.O acervo pessoal do urbanista Jorge de Macedo Vieira: a importância da preservação do patrimônio documental Universidade Estadual Paulista - acessado em 16 de setembro de 2018 A cidade floresceu e experimentou um alto índice de crescimento populacional e econômico durante todo o século XX, amparado inicialmente pelo plantio e comercialização do café, tendo Londrina ganhado a alcunha de "Capital do Café" naquele período.
A partir dos anos 1970, o perfil econômico londrinense foi se alterando progressivamente, tendo evoluído para um importante e diversificado centro industrial e econômico regional, até se tornar uma das principais cidades do interior do Brasil. Sede da Região Metropolitana de Londrina (RML), o segundo maior aglomerado urbano do estado, com uma população estimada em habitantes em 2024.
História
Povos nativos e colonização europeia Os territórios da bacia do Rio Tibagi no Norte do Paraná foram ocupados, por populações indígenas há centenas de anos
Os primeiros contatos com os brancos se deram no início da colonização espanhola, no século XVI. Com a presença dos jesuítasCom a constituição das reduções jesuíticas, grande parte das populações, incluindo os ancestrais dos Kaingang, foram catequizados pelos missionários espanhóis. Os bandeirantes paulistas atacaram essas reduções em 1628 e 1629. Destruíram as reduções, mataram centenas de índios e levaram milhares como escravos para o mercado de escravos paulista.
No período das reduções o grupo dominante na bacia do Tibagi era o Guarani, após a destruição das mesmas, houve uma expansão dos Kaingang que viviam mais a leste, os quais, fugindo dos conquistadores portugueses, foram se instalando nas regiões das reduções abandonadas pelos Guarani. Os Kaingang já estavam estabelecidos nas bacias do Tibagi, Piquiri, Ivaí e Iguaçu. De grupos dispersos no século XVII, passaram a constituir a etnia dominante nos séculos XVIII e XIX.
Além dos Indígenas, antes de 1929, a região hoje ocupada por Londrina era habitada também por comunidades de caboclos. Muitos acabaram se dispersando com a chegada dos colonos, enquanto outros acabaram se incorporando às estratégias da Companhia de Terras Norte do Paraná, pois, auxiliavam na criação de animais Era comum o imaginário inóspito da região, como um grande vazio demográfico, mesmo com a presença de posseiros e os chamados "Índios Coroados"
Fundação e formação administrativa No início do século XX, o Estado do Paraná possuía uma parte considerável de suas terras como devolutas em razão de iniciativas frustradas na ocupação do seu território.
Em 1924, chega ao Brasil a Missão Montagu ou Missão Inglesa, chefiada por Edwin Samuel Montagu e Simon Christopher Joseph Fraser, conhecido como Lord Lovat, que além da formalização de concessão de empréstimos, também estava na incumbência de encontrar possibilidades de investimentos para empresas inglesas.
Em 1924, inicia-se a Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária da firma inglesa Paraná Plantations Limited, que adiquiriu 515.000 alqueires no norte do estado e implantou um projeto imobiliário baseado na pequena propriedade e na fundação de cidades
Londrina surgiu como primeiro posto avançado de um projeto inglês sendo que na tarde do dia 21 de agosto de 1929, chega a primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná ao local denominado Patrimônio Três Bocas, uma comitiva liderada por George Craig Smith, funcionário da CTNP parte de Jatahy (Jataizinho) e se estabelece em meio a uma clareira, onde o engenheiro Dr. Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco nas terras onde surgiria Londrina
Com a estrada de ferro em Jatahy(atual Jataizinho), um serviço rodoviário entre Jatahy e Londrina foi instalado, pela própria Estrada de Ferro e pela Cia. de Terras, para o transporte de passageiros e mercadorias entre o fim da linha e Londrina.
O nome "Londrina" foi uma homenagem prestada à Londres e suas filhas pelo Dr. João Domingues Sampaio, um dos diretores da Cia. de Terras. O plano da cidade foi elaborado em 1932 pelo próprio Alexandre Razgulaeff.
A criação do Município ocorreu cinco anos mais tarde, através de Decreto Estadual assinado pelo interventor Manoel Ribas, em 3 de dezembro de 1934.Sua instalação foi em 10 de dezembro do mesmo ano, data em que se comemora o aniversário da cidade.thumb|esquerda|Comemoração do término do assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná até Londrina, em 1934 O Distrito Policial de Londrina foi criado em 1933, ainda pertencente ao município de Jataizinho. Londrina foi elevada à categoria de município, apenas com o distrito-sede, emancipando-se de Jataizinho, conforme decreto nº 2519 de 3 de dezembro de 1934. O município foi instalado em 10 dezembro de 1934.
Pela lei estadual nº 191, de 9 de outubro de 1937, foi criado o distrito de Nova Dantzig no município de Londrina. Pelo decreto estadual nº 7573, de 20 de outubro de 1938, foram criados os distritos de Marilândia e Rolândia. Pelo mesmo decreto Londrina adquiriu do município de Tibagi os distritos de São Sebastião e São Roque. Em 30 de dezembro de 1943 foi desmembrado do município de Londrina o distrito de Rolândia. O distrito de São Sebastião foi transferido de Londrina, com a denominação de Faxinal, para o município de Apucarana. Pela lei estadual nº 2, de 10 de outubro de 1947, o distrito de Cambé emancipou-se de Londrina. Pela lei estadual nº 790, de 14 de novembro de 1951, foi criado o distrito de Irerê no município de Londrina. Pela mesma lei foram desmembrados do município os distritos de Araruva (Marilândia) e Tamarana. Em 1953 Londrina adquiriu o distrito de Tamarana. Em 11 de novembro de 1955, foram criados os distritos de Guaravera e São Luis. Pela lei estadual nº 4783, de 29 de novembro de 1963, foi criado o distrito de Lerroville e anexado ao município de Londrina. Pela lei estadual nº 4992, de 21 de dezembro de 1964, foram criados os distritos Paiquerê e Warta no município de Londrina. Pela lei estadual nº 6914, de 2 de setembro de 1977, foi criado o distrito de Maravilha no município de Londrina. Pela lei estadual nº 11224, de 13 de dezembro de 1995, emancipou-se o distrito de Tamarana.
Companhia de Terras Norte do Paraná thumb|esquerda|Imagem de uma locomotiva W. G. Bagnall em Londrina A Companhia de Terras Norte do Paraná foi um tipo de loteadora que, após comprar terras, derrubou parte da floresta, abriu estradas e organizou a divisão desse espaço em lotes urbanos e rurais, que foram vendidos. Antônio Moraes de Barros, João Sampaio e Arthur Thomas foram algumas das pessoas que participaram da organização da Companhia de Terras Norte do Paraná para o início dos trabalhos. O loteamento de propriedade da Companhia de Terras Norte do Paraná tinha como maior acionista a empresa Paraná Plantations Limited de Londres, com a compra de mais de alqueires de terras.
A propaganda foi muito usada para atrair compradores, e nela chamava-se a atenção para a "Terra Roxa" e a "terra sem saúva". Esta propaganda, aliada a outros motivos, como a pobreza e a esperança de vida melhor, fizeram com que muitas pessoas de todo o Brasil (principalmente paulistas, gaúchos e mineiros) comprassem terras ou fossem procurar trabalho no Norte do Paraná. Além dos brasileiros, vieram pessoas da Alemanha, Itália, Lituânia, Japão e outros países.
Expansão Em muito pouco tempo, nas décadas de 1950 e 1960, Londrina obteve um desenvolvimento econômico impressionante, sobretudo pelo plantio de café. No ano de 1961 estima-se que a região foi responsável por cerca de 51% do café produzido no mundo, sendo então chamada de "Capital Mundial do Café". Os fazendeiros, proprietários de grandes extensões de terra, construíram casarões e ficaram conhecidos como os "Barões do Café", e os grãos do café eram conhecidos como "Ouro Verde".
Em 1975, houve a ocorrência de uma grande geada, chamada de "Geada Negra", que atingiu todo o norte do Paraná, arruinando as plantações de café. Alguns iniciaram novamente o trabalho com café, enquanto outros investiram em outros negócios. Como após o plantio das mudas de café é necessário esperar cerca de 2 anos para iniciar as primeiras colheitas, Londrina perdeu o posto de grande produtor de café, mas já tinha desenvolvido um crescimento urbano razoável com indústrias, universidades e prestação de serviços.
Geografia thumb|esquerda|Fotografia aérea da periferia de Londrina Situado entre 23°08’47" e 23°55’46" de Latitude Sul e entre 50°52’23" e 51°19’11" a Oeste de Greenwich, o Município de Londrina ocupa, segundo dados do IBGE de 2018, 1.652,5699 km², cerca de 1% da área total do Estado do Paraná.
O ponto mais alto do município tem uma altitude de 820 – 844 m e fica próximo a Lerroville, a leste, na estrada em direção à represa. Localiza-se em um espigão, não sendo perceptível, uma vez que não é um morro mas apenas um ponto demarcado. O solo da região é de origem basáltica, entretanto, conforme a sua localização, em topografia mais plana e acidentada, apresenta tipos de solos diferentes, consequentemente, de fertilidade variável.
A camada de solo é de profundidade variável, indo de várias dezenas de metros, nos espigões, até menos de um metro, próximo aos ribeirões, onde, na maioria das vezes, a água flui sobre a superfície compacta do basalto. No município, são poucas as áreas remanescentes da formação vegetal natural (mata pluvial tropical e subtropical) que recobria a região. A mata dos Godoy (Reserva Florestal Estadual) e a Reserva Indígena do Apucaraninha são formações florestais que demonstram a variedade de gêneros e espécies de vegetação que se encontravam na região.
Hidrografia O sistema hidrográfico do Paraná, pela declividade do relevo em direção a Oeste, em sua grande maioria, drena neste sentido, formando a Bacia do Paraná que, por sua vez, interliga a Bacia do Prata. Porém, o subsistema hidrográfico do município corre no sentido predominante Leste, uma vez que o relevo está genericamente inclinado da região de Londrina para o Rio Tibagi, que tem sentido Sul-Norte, desaguando no Rio Paranapanema, um dos tributários do Rio Paraná.
Os principais rios do município são Taquara, Apucarana e Tibagi, este último com grande potencialidade hídrica, percorre uma extensão aproximada de 69,25 km no município. Os principais ribeirões são: Apertados; Cafezal; Apucaraninha; Jacutinga; Cambezinho; Bom Retiro e Quati.
Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Londrina por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 12/01/2016 Julho 03/07/2015 Fevereiro 20/02/1969 Agosto 04/08/2018 Março 04/03/2018 Setembro 26/09/2015 Abril 09/04/1977 Outubro 16/10/2011 Maio 08/05/1972 Novembro 14/11/1991 Junho 20/06/2012 Dezembro 19/12/2007 Período: 1961-presente