O Castelo de Lenzburg (em alemão: Schloss Lenzburg) é um castelo que se localiza acima da parte velha da cidade de Lenzburg, no cantão de Argóvia, na Suíça. Encontra-se entre os mais antigos e importantes castelos daquele país. O conjunto ergue-se num monte de molassa quase circular (504 metros de altitude), o qual atinge quase 100 metros acima da planície circundante mas tem apenas 250 metros de diâmetro.
A partes mais antigas do castelo remontam ao século XI, quando os Condes de Lenzburg o edificaram como sua sede. Em seguida, o castelo foi propriedade, sucessivamente, dos Staufer, dos Kyburg e dos Habsburgo, serviu por mais de 350 anos como sede dos oficiais de justiça de Berna, após o que passou para a posse privada. Em 1956, a viúva do explorador polar Lincoln Ellsworth vendeu o palácio ao Cantão de Aargau. Desde 1987, o edifício abriga o Museu Histórico do Aargau (desde 2007, Museu de Aargau).
O castelo, o seu museu histórico e o monte onde se ergue, com os seus cemitérios neolítico, estão classificados como património de significado nacionalInventário Suíço de propriedade cultural de significado nacional e regional, 1995, p. 410..
História O proeminente monte já era um local de assentamento desde os tempos pré-históricos. Por exemplo, em 1959 foi descoberto uma sepúltua neolítico no parque de estacionamento. Também houve ali pequenas descobertas das eras romana e alamana.
Uma lenda diz que em tempos havia ali um dragão que vivia numa caverna na encosta, o qual foi derrotado por dois cavaleiros, Wolfram e Guntram. O povo agradecido fez dos dois Condes de Lenzburg e deu-lhes a permissão para construir um castelo no cimo do monte.
Sede de nobreza left|280px|thumb|O Castelo de Lenzburg visto de norte.
Uma carta datada de 1036 cita um Ulrich, Conde de Aargau. Este, era vogt do Imperador em Zurique e supervisor das abadias de Beromünster e Schänis. O primeiro registo definitivo da que atesta a existência do castelo data de 1077: o neto de Ulrich, também de nome Ulrich, tinha tomado partido pelo imperador na Questão das Investiduras e aprisionado dois legados papais por meio ano. Nessa época, os Condes de Lenzburg estavam entre os mais importantes senhores feudais no planalto suíço e mantinham ligações próximas com o imperador.
A linhagem extinguiu-se em 1173. Ulrich IV, o último Conde de Lenzburg, nomeou no seu testamento o Imperador Frederico I Barbarossa como seu herdeiro pessoal; tinham participado juntos na Segunda Cruzada. O imperador deslocou-se ao Castelo de Lenzburg e supervisionou pessoalmente a divisão da propriedade, dando a maioria das terras ao seu filho, o Conde paladino Otão I da Borgonha. No entanto, depois da morte de Otão, em 1200, a Casa de Hohenstaufen foi forçada a retirar-se de Aargau. Por meio de duas casas aristocráticas vizinhas (Andechs-Merania e Châlon), por volta de 1230 o Castelo de Lenzburg chegou por casamento à posse dos Condes de Kyburg. Estes fundaram, então, uma instalação mercantil fortificada na base ocidental do monte do castelo, a actual cidade de Lenzburg.
Hartmann, o último Conde de Kyburg, faleceu em 1264 sem descendência masculina. Rodolfo I, Conde de Habsburgo e, mais tarde, Rei dos Romanos, colocou a herdeira, Ana de Kyburg, sob sua protecção e esta, mais tarde, casou com Eberhard I de Habsburg-Laufenburg. Em 1273, Rodolfo tomou posse da propriedade dos seus parentes empobrecidos e, em 1275, reuniu corte ali. No entanto, o castelo declinou, então, até ao estatuto de sede regional de governo, uma vez que o poder dos Habsburgos se deslocava cada vez mais para a Áustria. No dia 20 de Agosto de 1306, Lenzburg recebeu a sua carta de cidade das mãos do Conde Frederico, o Belo. A partir de 1339, o Conde Frederico II de Tirol-Áustria residiu no castelo. Esteve para casar com uma filha do Rei Eduardo III de Inglaterra e mandou construir o Salão dos Cavaleiros para esse fim, mas faleceu em 1344 sem nunca ter visto a sua noiva, pelo que o edifício permaneceu incompleto. Depois de 1369, a família Schultheiss-Ribi foi inquilina do castelo. Em 1375, o edifício esteve sujeito a um cerco pelo Gugler.
Governo bernense thumb|left|320px||Vista de Lenzburg e do Castelo de Lenzburg por volta de 1642, por Matthäus Merian.
A tensão latente entre Sigismundo, Rei da Alemanha, e Frederico IV, Duque da Áustria, explodiu em 1415 no Concílio de Constança, quando Frederico ajudou um dos três papas, então, reinantes, o Antipapa João XXIII, a escapar da cidade. Sigismundo aproveitou a oportunidade para prejudicar o seu adversário, ordenando aos seus vizinhos que cercassem as suas terras em nome do Império. Berna conquistou de bom grado a parte ocidental do Aargau.
A cidade de Lenzburg rendeu-se imediatamente ao exército que avançava no dia 20 de Abril, mas o castelo permaneceu, por enquanto, intocado pelo conflito. Conrado de Weinsberg, o representante do rei, tentou assegurá-la para o Império e tinha um cerco preparado, mas em Agosto percebeu a futilidade desse plano e em 1418 devolveu o castelo ao controle da família Schultheiss. Após longas negociações, em 1433 Berna estava capaz de assegurar o controle do Condado de Lenzburg como subinquilina e, finalmente, em 1442, do castelo.
O primeiro landvogt bernense instalou residência no castelo em Bernese 1444, governando o distrito de Lenzburg a partir dali. Os deveres dum landvogt incluiam recolher impostos, implementar medidas administrativas, tarefas judiaiis e de polícia e o poder de decreto militar; além disso, também eram responsáveis pela conservação do castelo. O landvogt era eleito das fileiras do conselho municipal de Berna para um mandato de quatro anos. O mais conhecido landvogt de Lenzburg foi Adriano I de Bubenberg, em exercício de 1457 a 1461, mais tarde schultheiß de Berna e herói da Batalha de Morat.
Entre 1509 e 1510 foram empreendidos extensos trabalhos no castelo, incluindo a demolição parcial e a reconstrução do inacabado Salão dos Cavaleiros. Em 1518 deu-se um grave incêndio; não foi registado quais os edifícios destruídos (muito provavelmente a Arburghaus no lado norte). Em 1520, o landvogt recebeu uma nova residência, o Landvogtei. Em 1531, durante a Segunda Guerra de Kappel, o castelo serviu de base de operações para os protestantes.
Em 1624, o Landvogt Joseph Plepp executou os primeiros desenhos e plantas precisos do castelo, o qual, na época, tinha mais a aparência duma casa de lavoura fortificada. As suas plantas serviram de base para planos para expandi-lo e transformá-lo numa fortaleza. Como primeiro passo, em 1625 foi construída um duplo pano de muralha e dupla portaria numa nova posição na posição norte e a altura dos taludes de terra nos lados leste e sul foi aumentada. Entre 1642 e 1646, foi levantada uma parede de onze metros de altura para formar o bastião leste. No entanto, a falta de dinheiro impossibilitou a execução dos restantes projectos. Além disso, o bastião leste teve uma grande desvantagem: a água da chuva infiltrou-se nas paredes adjacentes e tornou inabitável a residência do landvogt devido à humidade persistente. Por esse motivo, foi construída uma nova residência na secção norte entre 1672 e 1674.
Durante o século XVIII, os bernenses transformaram o castelo num grande armazém de cereais. Para esse fim, os edifícios individuis foram ligados e parcialmente escavados. Deste modo, foi providenciado o armazenamento de 5.000 toneladas de trigo.
Em Março de 1798, Viktor von Wattenwyl, o 71º e último landvogt, entregou o castelo às tropas francesas em avanço.
Arrendamento e posse privada thumb|left|230px|Placa comemorativa a Frank Wedekind no Castelo de Lenzburg.
Em 1803, foi fundado o Cantão de Aargau e um ano mais tarde o castelo passou para a sua posse. As autoridades cantonais ficaram indecisas quanto ao uso a dar ao castelo, pelo que a estrutura permaneceu vazia por quase vinte anos. Usá-lo para fins governamentais estava fora de questão para este símbolo do governo dos oprimidos. Finalmente, Christian Lippe, um professor a exercer em Hofwil, mostrou um interesse. Arrendou o castelo e, em 1822, abriu uma instituição educacional baseada nos princípios de Johann Heinrich Pestalozzi. Enquanto esta florescia, teve 50 alunos e 12 professores, sobretudo, com filhos de proeminentes famílias manufactureiras em Basileia e na Alsácia a receberem a sua educação ali. A Hintere Haus, ou edifício das traseiras, foi usado como edifício escola enquanto os professores viviam na Landvogtei. Em 1853, a instituição teve que encerrar porque Lippe estava gravemente doente.
Em 1860, o cantão vendeu o castelo por 60.000 francos suíços a Konrad Pestalozzi-Scotchburn, de Zurique. Pouco se sabe sobre ele. Em 1872, por 90.000 francos, o castelo chegou à posse de Friedrich Wilhelm Wedekind. Este tinha emigrado para São Francisco depois do fracasso da Revolução de Março de 1849 e fez ali uma grande fortuna especulando em terra durante a Corrida do ouro na Califórnia. Regressado à Europa em 1864, em protesto contra o domínio do Império Alemão pela Prússia, emigrou uma vez mais, desta vez para a Suíça, e instalou-se no castelo. Os seus seis filhos, entre os quais se encontram a cantora Erika Wedekind e os autores Frank Wedekind e Donald Wedekind, passaram ali a sua infância.
Para tornar possível a divisão da herança, a família Wedekind vendeu o castelo em 1893, por 120.000 francos, ao industrial americano Augustus Edward Jessup. Este era natural de Philadelphia, mas era residia na Inglaterra desde há muito. Era casado com Mildred Marion Bowes-Lyon, a tiada Rainha-mãe, Elizabeth Bowes-Lyon e, deste modo, aparentado por casamento com a família real britânica. Sob a liderança de Jessup, o castelo foi submetido a uma renovação compreensiva e, pelo desmantelamento das novas construcções e das instalações militares, regressou em grande medida à sua condição na Idade Média. Além disso, mobilou os interiores com mobiliário caro e instalou facilidades modernas, como aquecimento central, canalização e electricidade. Gastou de meio milhão de francos da sua fortuna pessoal em despesas.
Outro magnata americano da indústria, James Ellsworth, que coleccionava arte medieval, soube que o castelo continha uma mesa do período de Frederico Barbarossa. desejando acrescentar essa peça à sua colecção, achou impossível comprá-la sem comprar também todo o castel. Como resultado, o castelo mudou de mãos em 1911 por 550.000 francos. O seu filho, o explorador Polar Lincoln Ellsworth, herdou o castelo em 1925 mas viveu ali apenas intermitentemente.
História recente Depois da morte de Lincoln Ellsworth, ocorrida em 1951, a posse do castelo passou para a sua viúva, Marie Louise Ellsworth-Ulmer. Em 1956, esta vendeu o Castelo de Lenzburg, juntamente com o seu conteúdo, por 500.000 francos à fundação criada pela cidade de Lenzburg e pelo Cantão de Aargau. isto tornou possível abrir o castelo ao público. Em 1960, a fundação cultural Stapferhaus Lenzburg foi estabelecida mudou-se para a Hintere Haus. Entre 1978 e 1986, o castelo foi, uma vez mais, completamente renovado e um jardim em estilo francês instalado na secção sudoeste. Em 1987, O cantão transferiu as suas colecções compreensivas de história cultural para o castelo e abriu o Historisches Museum Aargau (Museu Histórico do Aargau), o qual se tornou em 2007 no Museum Aargau (Museu Aargau). Desde 2009, as exibições passaram a ser renovadas em etapas.
Proprietários do Castelo de Lenzburg
cerca de 1000-1173: Condes de Lenzburg 1173: Frederico I, Sacro Imperador Romano-Germânico 1173-1273: Condes de Kyburg 1273-1415: Duques e reis de Habsburgo 1415-1798: Cidade de Berna (em plena posse a partir de 1433, sede do Landvogt a partir de 1444) 1803-1860: Cantão de Aargau (arrendado entre 1822 e 1853 como esoola interna) 1860-1872: Konrad Pestalozzi Scotchburn 1872-1893: Dr. Friedrich Wilhelm Wedekind (pai do dramaturgo Frank Wedekind) 1893-1911: Augustus Edward Jessup 1911-1925: James W. Ellsworth 1925-1951: Lincoln Ellsworth, filho de James