O rosemunho (ou remoinho) é um ser mítico do folclore popular português. Este ser está relacionado com o mito solar, que aparece ao meio-dia, ou nas horas abertas (também chamadas Trindades) e é tido como um ser maléfico.
Analogias mitológicas Dentro do rol do folclore tradicional português, o balborinho assemelha-se ao rosemunho, manifestando-se ambos sob a forma de redemoinho e causando estragos na vida das pessoas. Porém, diferem em diversos pontos, por um lado, o balborinho tem uma etiologia clara, tratando-se, geralmente, da alma penada de um camponês que tenha cometido algum tipo de crime agrário «Alma penada de camponês que tenha cometido qualquer delito agrário» ou do disfarce de alguma bruxa ou do próprio diabo «Quando se produz um redomoinho de vento, a que o povo na Beira-Alta e noutras partes chama borborinho, acredita-se que então anda no ar o Diabo , ou Bruxas ou qualquer cousa má .» «(...) ou atira -se -lhes com um canivete aberto , - e nesse caso sae do borborinho uma Feiticeira (talvez Bruxa ). (Moncorvo)»; ao rosemunho não é atribuída qualquer etiologia conhecida. Por outro lado, no que toca à hora da sua ocorrência, o rosemunho está intimamente ligado à hora do meio-dia e com a hora das Trindades, ao passo que o balborinho não goza de uma associação horária específica tão nítida.
Ainda nesta análise, vale salientar a forma de se dissipar ou afastar cada um dos dois, que é semelhante, mas mesmo assim não é rigorosamente igual. No caso do rosemunho é afastado por um punhado de contas, que se lancem ao redemoinho, ao passo que no balborinho já é uma navalha ou faca, «Muitos fenómenos naturais acham-sepersonificados, como o vento no Balborinho, ao qual se atiracom um canivete aberto (Minho);» ou o recurso a determinadas orações «Em S. Pedro do Sul dizem ao balborinho, para elle fugir: Bolborinho do peccado/Vae-te co Santigo;/Bolborinho do demonho/Vae-te co Sant'Antonho.» «(...) ou atira -se -lhes com um canivete aberto , - e nesse caso sae do borborinho uma Feiticeira (talvez Bruxa ). (Moncorvo)»
O autor Miguel Abrantes entende que ambas são mesma entidade folclórica, apenas com nomes diferentes, ao passo que Teófilo Braga, por seu turno, as entendia como duas entidades distintas.
Braga, Teófilo. O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições. 1885 Nuno Matos Valente. Bestiário Tradicional Português. Edições Escafandro, 2016
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