O Partido Democrático (; sigla: DP) é um partido político de centro-direita conservador da Turquia, fundado em 1983 com o nome de Partido da Via Justa (Doğru Yol Partisi; DYP) por Süleyman Demirel. É o sucessor do e do Partido da Justiça (Adalet Partisi; AP), dois partidos com ideologias semelhantes que foram ilegalizados após os golpes militares de, respetivamente, e de . O nome atual foi adotado em maio de 2007. Em novembro de 2009 o Partido da Pátria (Anavatan Partisi; ANAP) fundiu-se com o Partido Democrático.
O Partido da Via Justa esteve à frente de quatro governos. Um desses governos foi chefiado por Demirel e os outros três pela primeira primeira-ministra da Turquia, Tansu Çiller. Atualmente (2010), o partido não tem qualquer deputado no parlamento turco, tendo obtido votos (%) nas eleições legislativas de 2007. Segundo os analistas, grande parte dos anteriores votantes no partido passaram a votar no Partido da Justiça e Desenvolvimento (Adalet ve Kalkınma Partisi, AKP), que está no poder desde 2002.
Em foi anunciada a fusão do DYP e do ANAP, tendo então o nome do Partido da Via Justa mudado para Partido Democrático. No entanto, pouco antes das eleições a fusão foi abortada, apesar do ANAP não concorrer às eleições. Após as eleições de 2007, Mehmet Ağar demitiu-se da liderança do partido, sendo substituído por Süleyman Soylu, que por sua vez seria substituído em maio de 2009 por Hüsamettin Cindoruk.
Contexto O DP é considerado um partido de centro-direita, conservador e kemalista. Por vezes é comparado ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) por ter estruturas conservadoras semelhantes, apesar dos dois partidos terem origens consideravelmente diferentes. A história do DP remonta ao partido histórico homónimo, fundado em 1946, aquando da introdução do pluripartidarismo na Turquia, enquanto que o AKP foi fundado pela antiga ala moderada do Partido da Virtude (Fazilet Partisi; FP), de matiz islamista, declarado inconstitucional e desmantelado em junho de 2001. O logotipo do DYP, um cavalo branco em fundo vermelho, derivava da corruptela popular do nome do partido anterior — a palavra demokrat era de difícil pronúncia para os eleitores rurais, os quais achavam mais fácil pronunciar "demir kır at" (ferro, cavalo branco). Após a mudança de nome em 2007 para o nome do partido de 1946, foi acrescentada um mapa da Turquia atrás do cavalo branco.
História Primeiro Partido Democrático (1946-1960) O predecessor homónimo do atual DP foi um partido conservador responsável por relaxar as estritas leis do secularismo impulsionadas por Atatürk. Quando se deu o golpe militar, o DP estava no governo, tendo como primeiro-ministro Adnan Menderes, que foi deposto e executado por enforcamento. O DP foi ilegalizado pela novo regime, mas no ano seguinte os seus antigos membros formaram pelo menos dois partidos, o Partido Nova Turquia (Yeni Türkiye Partisi) e o Partido da Justiça (Adalet Partisi, AP).
Partido da Justiça (1961-1980) O Partido da Justiça, fundado pelo general Ragıp Gümüşpala, conseguiu recuperar a maior parte das estruturas do DP, principalmente nas regiões ocidentais, embora no início o primeiro tenha sido mais bem sucedido na mesma tarefa nas regiões orientais.
O AP esteve no governo, sozinho ou em coligação, durante a maior parte das décadas de 1960 e 1970. Em , o governo do AP chefiado por Süleyman Demirel foi ameaçado pelos militares e forçado a demitir-se. Em 1980, os militares foram mais longe, levando a cabo um novo golpe, desta vez não palaciano, no qual foi deposto o governo, igualmente chefiado por Demirel, e suprimindo todos os partidos.
Partido da Via Justa (1983-2007) Em 1983 Demirel fundou o Partido da Via Justa (Doğru Yol Partisi, DYP), com um programa mais laico que o seu antecessor. Apesar disso, o DYP foi declarado ilegal e os seus membros foram perseguidos. Finalmente, em 1987, depois do clima político ter acalmado, o DYP foi legalizado e rapidamente ganhou grande sucesso. Nas eleições gerais de 1991, o DYP derrotou o Partido da Pátria (Anavatan Partisi, ANAP) e o Partido Social Democrata Populista (Sosyaldemokrat Halkçı Parti, SHP). Süleyman Demirel foi nomeado primeiro-ministro de um governo de coligação entre o DYP e o SHP. Demirel foi eleito presidente da república em 1993, sendo substituído na liderança do partido por Tansu Çiller, a primeira primeira-ministra da Turquia.
Em 1995 a coligação entre o DYP e o SHP desmorou-se, fazendo cair o governo. O SHP tinha-se entretanto fundido no Partido Republicano do Povo (Cumhuriyet Halk Partisi, CHP), o rival histórico do DP. Nas eleições de dezembro desse ano a vitória foi do Partido do Bem-estar (Refah Partisi, RP), de cariz islamista, que obteve 158 deputados e % dos votos, tendo o DYP ficado em terceiro em número de votos (%) e em segundo em número de deputados (135). O ANAP obteve % dos votos e 132 deputados. Tansu Çiller foi novamente primeira-ministra à frente de uma coligação com o ANAP, liderado por Mesut Yılmaz. Em junho de 1996, o DYP acabou com a aliança com o ANAP e coligou-se com o RP para formar o primeiro governo islamista da Turquia, tendo como primeiro-ministro o líder do RP, Necmettin Erbakan.
Em 1997, num "golpe silencioso", os militares forçaram a queda do governo RP-DYP. Entretanto a popularidade do DYP tinha sofrido muito com os efeitos na opinião pública do "caso Susurluk, que envolveu relações pouco entre o crime organizado ligado ao tráfico de drogas, o governo e as forças armadas, a pretexto de operações secretas de contra a guerrilha dos separatistas Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O DYP integrarou outro governo de coligação com o ANAP chefiado por Mesut Yılmaz. Esta coligação conservadora desfez-se em 1998. No mesmo ano, o DYP fomentou o adesão de elementos dos serviços de informação da polícia., o que danificou ainda mais a reputação já débil do partido.
O ANAP continuou no governo após a queda da coligação com o apoio do (Demokratik Sol Parti, DSP), enquanto que o DYP se juntou ao Partido da Virtude na oposição.
Nas eleições de novembro de 2002 o DYP obteve % dos votos, ligeiramente abaixo do minímo de 10% a que a lei turca obriga para que haja representação parlamentar. No entanto, em novembro de 2004, o partido tinha quatro deputados dissidentes de outros partidos. Tansu Çiller demitiu-se da liderança após a derrota de 2002, tendo sido substituída por Mehmet Ağar, um antigo membro da polícia e um dos principais envolvidos no caso Susurluk.
Resultados eleitorais
Eleições legislativas DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19462.ºN/DOposição19501.º4 241 39340,0344Governo19541.º5 151 5504,382Governo19571.º4 372 6219,776Governo19612.º3 527 43513,1266Oposição19651.º4 921 23518,182Governo19691.º4 229 7126,416Governo19732.º3 197 89716,7107Oposição19772.º5 468 2027,140Oposição1983Banido19873.º4 587 062Oposição19911.º6 600 7267,9119Governo19953.º5 396 0097,843Governo19995.º3 745 4177,250Oposição20023.º3 008 9423,585Extra-parlamentar20074.º1 898 8734,1Extra-parlamentar20117.º279 4804,7Extra-parlamentar06/20159.º75 7840,5Extra-parlamentar11/201510.º69 3190,1Extra-parlamentar2018Partido İyi1Oposição2023Partido Republicano do Povo2Oposição
Eleições presidenciais +DataCandidato apoiado1.ª Volta2.ª VoltaCI.Votos%CI.Votos%2014Ekmeleddin İhsanoğlu2.º15 587 7202018Meral Akşener4.º3 649 030
Notas
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Ligações externas
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